terça-feira, 30 de abril de 2019

Nostalgia antecipada








Hoje entrei na escola do Miguel para buscá-lo no futebol do querido Peninha e cheguei um pouco mais cedo. Fiquei sentada, próxima a secretaria da escola. Olhei pra Deise, secretaria que sempre teve um sorriso gentil pra mim nesses 8 anos em que Miguel está lá e perguntei a ela:

- Deise, você já se deu conta de que esse é o último ano do Miguel aqui?

Mais uma vez ela abriu um sorriso e disse:

- Passou rápido né?

Nossa... Como passou. 

Entretanto, ali sentada, olhando para as paredes da escola, os corredores, a quadra, o caminho que leva ao banheiro, para as plantas, senti um aperto muito grande no coração. E me deu vontade de chorar. Meu coração e meus olhos devem ter algum tipo de conexão estranha porque a emoção, seja de felicidade, angustia, enternecimento, gratidão ou tristeza, acaba se transformando em lágrimas que escorrem sem que eu possa controlar. É como se fosse algo involuntário, totalmente fora de gestão. E algumas lágrimas começaram a cair dos meus olhos e eu rapidamente segui em tentativa de ocultá-las para que os que por mim passavam não pensassem que algo de ruim estava acontecendo. Não, era só nostalgia antecipada. Eu estava apenas emocionada. Estava apenas lembrando momentos, episódios, fatos, histórias. Estava apenas lembrando o quanto de aprendizado aquela escola me proporcionou. A mim, ao meu filho, a minha família. 

Na minha cabeça me vi chegando com um bebê de 2 anos e 9 meses no colo rumo a uma adaptação. Como meu filho, espertinho, já conseguia me manipular com seu choro e como a professora Cristiane me mostrou que o choro dele não durava nem 30 segundos depois que eu virava as costas e o deixava em prantos. 

Lembrei de como foi quando entrei na sala da Grazieli para dar aula na turminha dele, de como os olhinhos do Miguel me olhavam orgulhosos e felizes por ver a mãe recebendo a atenção de seus amigos. Nunca me esqueci da professora Grazieli, grávida, dizendo que adoraria que seu filho fosse "safo", independente e comunicativo como o meu. 

Lembrei de como a Carla ajudou meu filho a caminhar rumo a alfabetização, mais seguro, sem duvidar de si mesmo.

Lembrei do dia em que deixei Miguel sentadinho da sala de aula da alfabetização, no primeiro dia do ano letivo, numa carteira que parecia maior que ele. Entendi ali que uma fase MUITO importante começava e sai da escola chorando de emoção e medo. Lembrei de como a Liara foi paciente comigo. Perdi a conta de quantas vezes ela me abraçou e disse baixinho: "Calma, tudo vai dar certo. Miguel é um menino incrível. No tempo dele vai acontecer. Até o final do ano ele estará lendo e escrevendo. Não se desespere." E assim foi.

Lembrei da Monica me falando que Miguel estava tendo problemas para fazer as provas, que se desesperava ao notar que amigos já tinham terminado antes dele, que se comparava, que não queria ficar pra trás e acabava se bloqueando. A sinalização da Monica me mostrou que eu precisava trabalhar isso com meu filho. E fui atrás de ajuda.

Lembrei da Islaine, sempre amorosa. Uma professora como poucas, daquelas que não tratam alunos como bloco. Ela sabe o jeito que cada um de seus alunos aprende e consegue atingir a todos, olhando o indivíduo e não o todo apenas. 

Lembrei do ano difícil que foi o quarto ano, da Jaqueline ensinando, através de suas próprias dificuldades, que na vida nem sempre lidamos com o fácil e que precisamos aprender a passar por adversidades e seguir em frente.

Vi meu filho em cada festinha do dia das mães, vi a carinha do Miguel feliz com cada nota alta e vi a carinha de tristeza com cada nota baixa. Vi Miguel crescer, socializar, criar amizades, cultivar seus amigos. Vi chorar por conta de alguma injustiça, vi ajudar amigos outras vezes. Testemunhei vitórias e derrotas ali, dentro dessa escola que aprendi a amar com tanta força. E que tanto carinho me deu.

Esse ano é o último. Já sou grata a professora Andrea e Marcia por serem incríveis. Donas da sala de aula. Dominam a turma como só os professores fantásticos sabem fazer. Que jeito lindo de fechar com chave de ouro! Ano que vem ele irá para uma nova escola, novos desafios e aprendizados. Eu estarei ao lado, sempre. É claro. Como fiz até hoje. E ainda vou chorar emocionada por tantas outras vitórias e derrotas. Mas não pude evitar esse sentimento de fechar um ciclo que se aproxima e o medo que antecede mudanças. Eu vivi todas essas emoções hoje, em segundos. Uma emoção forte e quase não segurei o soluço. 

Miguel chegou, sorriu, disse que fez 2 gols. E achei que tudo tinha passado. Até chegar perto do Getúlio. Ah... O Getúlio... Como viver sem encontrá-lo diariamente?

Nessa hora, em que Getúlio brincou com meu filho como fez TODOS OS DIAS ao longo desses 8 anos, uma lágrima ainda guardada e insistente pulou do meu olho. E eu rapidamente a escondi com a palma da mão. 

É preciso seguir. Ainda não é hora de dizer adeus. Não hoje... Hoje não.




terça-feira, 27 de março de 2018

Sobre proteção



Miguel está há 2 dias com a boquinha avermelhada, ressecada, do jeito que fica quando pegamos muito frio ou, no caso dele, irritada pelo cloro da piscina onde tem seus treinos de natação todos os dias. Antes de ir pra escola ontem ele me falou que achava que os colegas iriam "zoar" porque parecia que ele estava usando batom. Com meu jeito direto, disse a ele que isso era uma besteira e que se zoassem, era pra ele não ligar. 

Só que quando cheguei pra buscá-lo no treino, a primeira coisa que Miguel me disse foi:

- Mãe, eu não disse pra você que iriam debochar de mim? Quase todo mundo ficou falando que eu estava usando batom, que eu devia ter pego o seu batom escondido e uns até disseram que eu não precisava mentir, que eu assumisse que gostava de usar batom. Fiquei muito triste, muito mesmo. Senti vontade de chorar porque eu falava que não era batom, que minha boca estava machucada... Mas ninguém  queria acreditar. Quer dizer, menos a Ana, a Maria Antonia, o Guilherme, Leo e o Matheus. Esses não me zoaram e me ajudaram, mãe... 

É muito ruim saber que o filho passou algum tipo de chateação ou tristeza. Dá vontade de gritar, dá vontade de falar um monte, dá vontade de chorar porque nenhuma mãe suporta ver filho triste. Tentei me recompor e falei:

- Poxa, filho, mas que legal que disso tudo você conseguiu ver que tem amigos de verdade! 

Miguel respondeu que isso foi legal da parte dos que ficaram "do seu lado" e que acreditaram que ele não estava usando batom ( como se isso fosse um problema!). Disse até que um dos amigos, o Leo, sabendo que hoje não estaria na escola ao seu lado porque iria viajar, lhe disse:

- Miguel, amanhã eu não vou estar aqui pra te ajudar... Mas boa sorte, cara!

Expliquei pra Miguel que crianças são assim mesmo, que ele não deveria levar a sério e, simplesmente, ignorar. E que deveria valorizar o fato de ter visto que tem amigos bacanas perto dele. Aí Miguel me disse:

- Se minha boca não melhorar pra amanhã,  eu não vou pra escola. Porque é muito chato assistir aula querendo esconder a boca ou vendo os outros se cutucarem e ficarem apontando pra você e cochichando um do ouvido do outro como se eu estivesse com alguma coisa muito feia ou esquisita. 

É óbvio que não vou deixar Miguel se ausentar da escola se ainda estiver com a boquinha machucada. Ele vai e vai enfrentar. Mas o fato é que eu adoraria proteger meu filho do mundo, de tudo e de todos, de qualquer coisa. Queria poder envolvê-lo em meus braços e consolar quando tivesse vontade de chorar, quando caísse ou sentisse alguma dor e estivesse longe de mim, queria que ninguém o magoasse, que ele não se ferisse. Sim, eu queria proteger. Mas a vida não é assim. Ela não permite isso. À noite, antes de dormir falei tudo isso pra ele, que se eu pudesse o protegeria de tudo e faria de tudo pra ele não chorar, não sofrer. Nessa hora, Miguel me abraçou forte e me disse:

- Ah, mãe linda, obrigada... Mas não se sinta triste porque não pode estar comigo o tempo todo. Eu entendo que você quer me proteger porque você me ama muito né? Mas não é culpa sua se não dá pra ser assim, está bem?

Sim, filho... Não é culpa minha... Mas dói tanto... E só quem é mãe é quem sabe dessa maldita dor. 

Obrigada por ser meu filho. Obrigada mesmo. 

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Paula pelos olhos do Miguel




Essa semana um dos trabalhos de casa do Miguel foi produzir um texto descrevendo sua mãe. Fiquei curiosa e ele, que sempre me pede ajuda pra montar ideias a respeito do que deve escrever quando o assunto é produção textual, não me solicitou.

Voltei da academia e fui logo perguntando se já tinha acabado o dever de casa. Pedi pra ver.

Como toda mãe, acho, fiquei emocionada por ver o texto direitinho. Falta uma vírgula aqui, outra ali, falta acento em alguma palavra, tem errinho em como se escreve uma outra, talvez a organização dos parágrafos pudesse estar melhor, mas... Havia ali no texto algo muito tocante pra mim.

Miguel não escreveu que sou a melhor mãe do mundo. Miguel não disse que me ama mais que tudo. Miguel não disse se sou morena ou loira, gorda ou magra, alta ou baixa. Não falou da cor dos meus olhos e nem do comprimento dos meus cabelos. Ele foi além.

Ali, no texto, era eu. Sem nenhuma descrição física, Miguel me descreveu. Descreveu o que há de mais importante em uma pessoa: seus gostos, suas vontades, seus prazeres, suas chatices, seus hábitos. Entendi, naquelas poucas linhas, que meu filho me enxerga. Ele sabe de mim. Ele é capaz de ler nas entrelinhas, sem muito romance, sem muito floreio, meu filho me conhece. Ele repara o quanto choro quando estou lendo um livro triste... Como sou feliz quando estou com meus amigos. Como amo dançar. Sabe como sou correta no meu trabalho, como sou cumpridora de minhas obrigações. Ele repara em mim. Me nota. Ele sabe quem eu sou por dentro. E isso disse muito pro meu coração.... Disse muito sobre nossa intimidade, sobre nosso convívio, disse muito a respeito de como nos posicionamos um pro outro. Disse muito sobre os exemplos que quero dar e, pelo visto, estou dando.

Como mãe é idiota.... Eu chorei de felicidade ao ler:

"O nome da minha mãe é Paula, ela é uma pessoa bem responsável. Gosta de dançar e fazer as atividades do trabalho.

E também ela gosta de sair com os amigos para comer pizza. Minha mãe é bonita, alegre e sorridente. Gosta de ver novela e gosta muito de fruta.

Lê livros interessantes, legais e tristes. Às vezes, minha mãe briga comigo, quando eu faço uma besteira ou algo errado. Mesmo ela brigando comigo, gosto dela."


terça-feira, 25 de julho de 2017

Quando a vida te desnorteia



Odeio traçar um plano e não cumpri-lo. Detesto ter metas e não atingi-las. Adoro ter o controle. Não gosto de perder. Gosto da minha vida do jeito que está e uma reviravolta não estava programada pra mim, por mim. Definitivamente. Amo ser a mãe do Miguel mas não pensava, nem por um segundo, ser mãe de outra criança. Não pensava, nem sonhando, em ter o segundo filho. Não era um plano, nem uma vontade, já que estava tudo bom demais.  Eu não queria repetir a experiência que aceitei viver há 8 anos cheia de medo. Criei Miguel pra ser filho único porque tinha plena consciência de que não daria ao meu filho a oportunidade de ter um irmão (coisa maravilhosa no meu caso por sinal!).

Eu sempre tive pavor de me sentir presa. Sempre tive horror de querer fazer ou viver coisas e não poder e, que me desculpem as mães românticas de plantão, filho faz isso com a gente. Tira nossa liberdade até de ir ao banheiro na hora que se tem vontade, principalmente nos loucos e inesquecíveis - ou seriam traumatizantes? - 2 primeiros anos de vida. Só de pensar em ir ao pediatra pras consultas de acompanhamento todo mês, nos dentinhos nascendo, nas cólicas, nas noites sem dormir, nas fraldas,... Ai, meu Deus... Pensava só: "ainda bem que já passou!!" ou "Deus me livre disso tudo de novo!"

Não me entendam mal, embora eu saiba que é do ser humano julgar: se com a gravidez do Miguel eu achava que estava preparadíssima pra ser mãe e vi que estava redondamente enganada, dessa vez tenho consciência de que não estou NADA preparada pra viver essa experiência de novo. Descobrir de surpresa, aos 46 anos, que engravidei depois de transar UMA ÚNICA VEZ sem camisinha no nono dia do ciclo, foi como se tivessem tirado meu chão. Eu pensando em menopausa por estar atrasada e fui pega totalmente desprevenida, totalmente sem esperar. Meu único motivo pra ter comprado o exame de farmácia depois de 8 dias de menstruação atrasada foi porque comecei a sentir o mesmo enjoo que sentia estando grávida do Guel e achei que já estivesse tão louca que havia começado a fabricar sintomas de gravidez. 

Comprado o exame na hora do almoço, fui correndo pra casa. Fiz o xixi e larguei o treco lá na pia. Fiquei conversando com minha irmã muito calmamente porque a certeza de que daria negativo e que eu teria, então, tranquilidade pra cuidar da minha menopausa era imensa. Depois de um tempo, entrei no banheiro, peguei o treco e olhei. Pisquei. Olhei de novo. Letras brilhantes me diziam que eu estava GRAVIDA. Oi????? 

Em estado de choque. Não conseguia rir nem chorar. Acho que levei uns 15 minutos pra processar as letras que insistiam em olhar pra mim. O mundo ficou preto e branco e os sons ficaram distantes. Achei que fosse desmaiar. Minha irmã entrou no banheiro. Olhou pro exame. Olhou pra mim e falou: "calma".

Calma??? Como calma??? 

Eu perguntava pra ela, abestadamente e com um fiapo de voz: "Como isso foi acontecer? Como eu posso ter ficado grávida?" E ela, sabiamente, me poupou de me dar uma aula de educação sexual, afinal seria realmente muito tosco ensinar pra uma mulher feita de 46 anos, já com um filho de 8, como se fabrica um bebê. Seria muito humilhante dizer que tabelinha NUNCA dá certo. Eu usei o tal do livre arbítrio pra dar chance pro plano de Deus e Ele não deixou passar. 

Depois disso vivi momentos terríveis. De verdade. Pensei as piores besteiras - todas as que uma mulher tem todo o direito de pensar nessa hora. E vivi um luto. Chorei copiosamente por 4 dias. Chorava pela morte da minha vida atual, a que eu estava gostando pra caramba de viver. O mundo fugiu de mim e só existia a força insana que me fazia levantar da cama todos os dias pra trabalhar. Não sou mulher de faltar trabalho e essa é a minha sorte. Isso salva a gente muitas vezes, sabe? Se não fosse minha obrigação com as aulas de dança e minha fase de rematrícula do CCAA rolando, eu teria passado 4 dias sem levantar da cama. 

Hugo sentia-se péssimo porque estava feliz e não conseguia me ver sofrendo. Sabendo que não havia muito o que fazer por mim, esperou. 

Marquei minha gineco, que já é uma amiga. Me ajudou a engravidar do Miguel quando tive dificuldade. Pois é. Contando agora parece brincadeira, mas eu tive dificuldade pra engravidar do Miguel. Quem diria... Dra. Carla conversou longamente comigo e passou vários exames. BetaHCG feito, a confirmação. De novo. Era mesmo verdade. Atualmente, 7 semanas. 

Ainda estou apavorada. Tem dias que mais, tem dias que menos. E acredito, firmemente, que o pavor vai passar. Não, não acredito que me apaixonarei pela barriga. Eu não sou do tipo que ama ficar grávida, ama a barriga, ama os peitões, ama engordar e não caber numa calça jeans. Não amei antes, não vou amar agora. Encaro como um caminho necessário, faz parte do processo de gerar uma criança. Também não sou o estilo de mãe que diz "sou apaixonada por meu filho desde que soube que estava dentro de mim". Oops! Sorry! Não. Meu amor pelo Miguel é gigantesco, sem medida, mas foi um crescente desde que nasceu, com a convivência, com cada sorrisinho, cada noite em claro juntos, cada batalha vencida. Por isso, estou me dando esse tempo. 

Sei que esse amor vai me pegar de jeito de novo. Mesmo que tenha sido sem eu querer, sem eu planejar. Mesmo que venha a virar minha vida de cabeça pra baixo mais uma vez. Mas no tempo certo, sem pressa. Não posso e nem tenho condições de me apressar. Ainda é muito difícil pra mim. Aceito apenas a vontade de encarar chegando de mansinho porque adoro um desafio. Aceito o fato de ser uma mulher que tem um homem lindo ao lado e que quer viver essa loucura comigo de novo. Agradeço ter uma família maravilhosa que me enche de força pra seguir. Amigos que me enchem de carinho e que tem MUITA paciência pra me escutar e aguentar (sou uma grávida agressiva, gente...) 

Por hora, e acima de tudo, perdoo minha insanidade, perdoo meu medo, perdoo minha insegurança, perdoo o fato de não imaginar colocar nesse mundo louco outro serzinho, perdoo minha vontade de continuar com a minha vida exatamente do jeito que era. Me perdoo, sim, e não peço o perdão de ninguém, porque, desculpem, não preciso. E, como Zeca Pagodinho, deixo a vida me levar porque a vida está aqui dentro e Deus só pode estar sabendo o que fez. 




quinta-feira, 22 de junho de 2017

Quem dança seus males espanta!







A dança foi uma das muitas coisas maravilhosas que minha irmã trouxe pra minha vida. Minha irmã sempre foi hiperativa e sempre estava pensando em mil brincadeiras agitadas enquanto eu deitava na minha cama grudada com um livro e de lá só levantava pra comer. Ela não parava quieta, eu era a quietude personificada. Então, não é difícil deduzir que todas as muitas atividades nas quais minha mãe me matriculou foram por iniciativa dela. 

Minha irmã decidiu fazer piano. Eu fui atrás. Ela fez um ano e desistiu. Tentou flauta e violão e viu que não dava pra ela. Eu insisti no piano, apaixonada sou até hoje pelo instrumento. Anos de estudo.... Obrigada, Sis!

Minha irmã decidiu estudar inglês. Lá fui eu atrás dela. No livro 3 do CCAA ela desistiu. Eu me formei professora de inglês e minha vida é o que é graças ao CCAA e ... À minha irmã!

Minha irmã - a rainha da iniciativa - quis fazer dança. Eu pensei: vou atrás dela. E fui. Ela não desistiu dessa vez e é fácil entender a razão: atividade de agito, movimentação corporal. Isso era com ela mesmo! Seguimos apaixonadas por dançar! A dança pagou minha faculdade particular porque eu tive bolsa por ser do corpo artístico da Gama. Só ganhei. Nunca perdi nada com essa paixão. 

Aí a vida enrola a gente.... Faculdade, namoro, casa, filhos. A vida vira uma "coisa séria" e a paixão é deixada de lado. Quando se tem outras paixões - e eu tinha! - ótimo, mas muitas vezes a paixão fica encostada num cantinho porque  precisamos ganhar dinheiro, prover, conquistar, construir. Quem nunca se viu em uma encruzilhada dessas na vida? 

Eu sou louca pelo meu trabalho. Adoro os alunos, gosto de estar com pessoas, minha equipe é um espetáculo. Eu ganho pra fazer o que gosto e por anos a dança não tinha mais espaço na minha vida. Até que, como a maior parte das coisas acontecem pra mim, do nada, sem que eu esperasse, ela veio retornando de pouquinho em pouquinho e eu abracei a oportunidade de fazer algo do qual sentia muita falta. Voltei a dançar. 

Não danço por dinheiro. Não tenho minha turma linda por causa de ganho material. E isso torna as coisas ainda mais apaixonantes pra mim! Minhas aulas são movidas única e exclusivamente pelo amor que tenho por dançar e por gente. Uma vez professora, sempre professora. Meus alunos da "dancinha" (assim chamo minha aula, carinhosamente) são importantes demais pra mim. Estou lá na frente olhando cada um que chega. Sei pelo rosto deles se estão bem ou não. E, mais que isso, sei que durante uma aula de dança somos capazes de esquecer de tudo lá fora. É terapia, é amor, é prazer. Nessa turma de dança, não importa se todos farão certinho, sincronizados. Importa sermos felizes, importa nos melhorarmos, incentivarmos um ao outro. 

Por isso, hoje, quando recebi uma festa tão linda de aniversário, totalmente de surpresa, já que a data de meu nascimento é dia 14/06, só me ocorreu agradecer. E é isso que quero fazer aqui de novo. Agradecer a cada um que se mobilizou pra me proporcionar esse momento lindo. Mais que os presentes  maravilhosos que ganhei, me encanta vocês terem planejado tudo, gasto um tempo da vida de vocês pensando em mim. Me emociona terem organizado a decoração, a mesa cheia de coisas gostosas. Aquece minha alma saber que chegaram às 6 da manhã pra que quando eu abrisse a porta da sala estivesse tudo pronto pra mim. Esquenta o coração saber que vocês acharam que eu valia o esforço.

O carinho que recebo de vocês é enorme. E não tenham dúvidas: eu sinto. Em cada aula, em cada risada, em cada pedido de nova coreografia. Tenho plena consciência do que recebo de vocês. O amor que circula em nossa sala de aula enche nossos dias de luz, fornece energia pra aguentar todas as chatices que a vida de todo mundo tem de vez em quando. 

Quero que tenham a certeza de que sou muito feliz quando estou com vocês, mesmo quando o ar condicionado da sala não funciona! Mesmo quando o cabo da caixa de som faz barulho. Mesmo que eu viva rouca porque a sala vive lotada e preciso de um microfone que a academia não tem. Enfim, quero que saibam que se eu tivesse tudo isso: ar condicionado bombando toda aula, microfone pra poupar minha voz e caixa de som de última geração, mas não tivesse vocês, não teria a menor graça!

Obrigada! De novo. Sempre!

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Amor cotidiano



Recebi essa mensagem do Namorado e, além de ter ficado feliz, fiquei pensando em cada gesto pequenininho que serve de adubo pros amores que vivemos. A gente não se dá conta, mas certas atenções, certos detalhes, são tão bonitos, são tão importantes... São eles que servem de cimento, de base, pra um relacionamento durar. 

Nenhum relacionamento é o mar de rosas que insistem em mostrar nas redes sociais. Claro, ninguém quer ver briga ou postar desavenças, mas todos nós sabemos, por mais que queiramos acreditar só no que convém, que a vida a dois tem seus dias difíceis. Há diferenças, tem a TPM, irritação, há rotina, mesmice. Há o desgaste, a falta de paciência.

Meu relacionamento com o Namorado não é diferente de nenhum outro. Temos nossas chatices, uns dias meio atravessados, períodos em que estamos mais distantes um do outro, períodos em que estamos apaixonados. Muito apaixonados. E isso é muito legal em relações longas: poder se reinventar, mudar e ver-se apaixonando pela mesma pessoa várias vezes. 

Passei muito tempo da minha vida acreditando em paixões, em amores de novela, daqueles que tiram o sono e fazem você não conseguir fazer nada, a não ser pensar no objeto de seu amor. Quebrei a cara solenemente diversas vezes até entender que o amor, muitas vezes, vem manso, sorrateiro, tomando conta de tudo bem de pouquinho em pouquinho. Esse amor que chega devagar é visto como um amor menor. É mais ou menos assim: se houvesse uma classificação para os tipos de amor, esse seria o menos valorizado. Por outro lado, o mais valorizado, sem dúvida, seria o retratado em novelas, filmes: o amor arrebatador, aquele que você olha pra pessoa e PÁ, cai no chão com a pancada. Só que amor é amor, independente das circunstâncias e as pessoas deveriam ter mais consciência disso. Se tivessem, talvez se permitissem viver outras histórias, talvez se permitissem enxergar pessoas que não enxergam por estarem presas à padrões que estabeleceram pra si mesmas. Talvez deixassem esse amor lento invadir a vida delas e ... ficar.  

Conheci o Namorado em um posto de gasolina, antes de uma saída, apresentados por uma amiga em comum. Depois, fui apresentada a ele mais umas duas vezes por essa mesma amiga porque eu nunca lembrava quem ele era quando voltávamos a nos encontrar. Óbvio que, por isso, ele me considerava a mais esnobe, entojada e indelicada das mulheres. Tanto que na terceira vez em fomos apresentados, ele me disse:

- Estou cansado de ser apresentado a você. Veja se não me esquece porque não vai ter outra vez. 

Bastou. Não esqueci mais. A partir daí foram várias saídas como amigos, muito papo, muita risada, muita cumplicidade. Até que um dia - e não me pergunte qual foi esse dia porque não saberia dizer - percebi que o Namorado deveria ser meu. E eu dele. Percebi que éramos felizes juntos. Não me apaixonei porque olhei pra ele e vi isso instantaneamente. Não me apaixonei porque o achei irresistível. Não me apaixonei porque ele era bem sucedido ou tinha uma família legal. Não foi nada grandioso, nada estupendo, o que me fez gostar dele. Mas foi um monte de coisinhas.... Um monte de coisinhas miúdas que formaram uma montanha enorme de bem querer, de delicadezas, de um sentimento leve, leve. Foi um telefonema no meio do meu dia pra escutar minha voz. Foi uma conversa na qual percebi que ele realmente me escutava ou se importava com minha opinião sobre algum assunto. Foram várias situações em que notei que ele era um cara seguro e que gostava de me ver brilhar. Foi lembrar do que eu gosto de comer e trazer pra mim. Foi rir junto comigo de alguma idiotice que falei, sem fazer com que me sentisse burra. Tudo isso fez nosso amor comum ser um amor sólido, duradouro. Único. Nosso. Lindo.

Não vivemos numa montanha russa de emoções, não vivemos em loucura. Não temos brigas enormes e não temos celebrações bombásticas para selar paz depois dessas brigas. Alguns dirão que é um relacionamento morno. Eu diria que vivenciamos um amor delicioso, calmo, lindo e feliz. Vivemos uma relação saudável de muita parceria, respeito e muita, muita confiança. Longe de sermos perfeitos, somos duas pessoas que se encaixaram. E isso aconteceu um pouquinho a cada dia desses 13 anos de convivência. Eu sei que nenhum relacionamento tem garantias de durar pra sempre. Eu sei que não dá pra prever nada na vida. Mas sei que se tivesse que apostar em algum "tipo de amor" (se isso existisse!) eu não pensaria duas vezes: eu apostaria no nosso. 

Eu aposto em nós dois, Namorado! 






quarta-feira, 10 de maio de 2017

8 anos




Miguel, tanto pra te dizer e ao mesmo tempo nada diferente do que falo pra você todos os dias. Nosso relacionamento é íntimo, é forte, é de entrega total. Eu me entrego pra você como nunca antes a ninguém. E você se entrega a mim lindamente. 

Relacionamentos são construídos feito uma casa, filho. Uma boa base e, depois, tijolinho por tijolinho vamos formando uma residência resistente, firme e bonita. Nosso amor é assim também: vai aumentando todo dia, vai ficando ainda mais forte e vamos construindo uma intimidade e confiança muito gostoso de se ver. Confiança não vem do dia pra noite. Dá trabalho, é conquistada no dia-a-dia, em nossas batalhas diárias. 

Não sei se é porque você é meu único filho (tenho impressão que não é por isso), mas não perco nada da gente. Não adio nada, não protelo nada. Tudo com relação a você pra mim é urgência, é prioridade, é topo. Absorvo tudo o que aprendo com você e tomo desse amor todo dia, como se fosse um poção que vai me garantir um dia feliz. Há oito anos minha vida tem mais graça, tem mais cor, tem mais loucura, tem mais intensidade. Há 8 anos tenho mais preocupação, tenho mais vontade de ser mais bacana. Há 8 anos acordo pensando em você e é você meu último pensamento antes de dormir. Há 8 anos morro de medo de que algo lhe aconteça, morro de medo de que você seja arrancado de mim e de ter que lidar com essa dor. Há 8 anos lido com sua mão na minha quando a gente anda na rua. Há 8 anos a melhor música é o som da sua gargalhada e dos barulhinhos que você faz brincando com seu inseparável tubarão, braço de dinossauro e machadinha verde. E eu não me canso de você. Nunca.

Pra quem está de fora, posso parecer uma mãe que mima o filho. Talvez eu seja criticada por isso. Talvez digam que eu viva demais pra você. Talvez tenham razão, mas o fato é que eu não quero ser diferente. Sim, mimo você. Dou tudo o que posso. Sempre. Além de jogos e bonecos, dou meu tempo, minha paz, meu colo, meu amor. E, ao contrário do que dizem os psicólogos de plantão, vejo você crescendo um menino educado, sensível, atento às necessidades dos que o cercam, carinhoso demais, bonito. Um menino que não me questiona quando digo que não posso comprar alguma coisa pra você porque tem a certeza de que será a primeira coisa que farei quando puder dar a você o que pede. Ao contrário do que os especialistas alardeiam, vou dormir na sua cama com você quando você diz que está com saudade de dormir comigo e levo você pra viajar comigo e com o papai mesmo quando me dizem que o casal precisa de momentos a sós. Sabe porque não ligo a mínima pro que dizem, filho? Porque não vai demorar muito você vai preferir sair com seus amigos a sair com seus pais, vai preferir dormir na cama com sua namorada e não vai mais querer conversar comigo no escurinho do quarto antes de pegar no sono. Você terá seus interesses e esses podem não ser iguais aos meus e... tudo bem! É pra isso que estou educando você, filho. Pra você voar. Então, não vou apressar esse tempo em que você não vai precisar mais tanto de mim. Ele vai chegar no momento certo e enquanto não chega eu aproveito TUDO. 

Outro dia, depois de chegar em casa cansada e vindo do mercado onde comprei várias coisas que você gosta de comer, você me disse que queria comer bolo. E não tinha bolo em casa. Ofereci um desses bolinhos prontos e você me disse que não era esse o bolinho que queria, você queria bolo fresquinho, do forno. Respirei fundo, pensei no banho que já pensava em tomar e na sua vontade não satisfeita. Calcei meus sapatos de novo e peguei a chave do carro. Falei pra você que iria sair pra comprar o bolo que você queria. Você disse que vinha comigo. Fomos.

Estacionei o carro e saimos caminhando de mãos dadas. Você me disse:

- Nossa, mãe, você é a melhor mãe do mundo. Já tinha vindo do trabalho e mesmo assim saiu de novo só pra comprar o bolo que eu quero... Obrigada!

Eu falei pra ele:
- Filho, você merece. Mas sabe de uma coisa? Um dia, quando eu era da sua idade, falei pra minha mãe que queria comer um biscoito que não tinha na minha casa. Minha mãe também estava cansada, mas ela se vestiu e saiu pra comprar o biscoito que eu queria comer. Ela fez por mim o que estou fazendo por você. Feliz. E eu estou feliz de poder fazer isso por você. E, tenho certeza, um dia você fará o mesmo por seu filho. 

Você olhou pra mim e nada falou, assentiu com a cabeça e sorriu. 

Miguel, você é um menino especial pra mim. Sempre será. Saiba que não é especial pro mundo todo, aprenda que sempre haverá alguém mais inteligente, mais bonito, mais corajoso. Entenda que não é o centro do universo. Entretanto, nunca esqueça que você é único, que não existe ninguém que seja igual a você. Suas qualidades são inúmeras, seu carisma é incrível, mas sua maior qualidade é sua persistência, sua garra. Não desista do que quer. Não se entregue fácil. A vida é dura mas você é forte, filho. Eu estarei com você, sempre a seu lado. De longe ou de perto. Eu fui escolhida pra ser sua mãe, você me aceitou como sua companheira nessa jornada e eu vou fazer de tudo pra cumprir bem meu papel. 

Você é um filho maravilhoso. Uma alegria, uma luz. É meu bebê. Minha vida. Meu preto. Meu rei. Meu Guel. Te amo.

Parabéns, filho!

Mamãe.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Obrigada, Sheila!




Sheila, 

quando o Miguel tentou fazer natação pela primeira vez, com 3 anos, foi um fracasso. A professora não tinha jeito com ele, ele não se sentiu à vontade com a professora do clube e, por fim, acabei deixando pra lá porque Miguel estava ficando mais apavorado que motivado pra entrar na piscina. De qualquer forma, o episódio serviu para que eu observasse seu trabalho com outras crianças, enquanto tentava fazer Miguel entrar na piscina. E eu gostei do que vi. Guardei a imagem de você dando aula e pensei que com você, quem sabe, meu filho pudesse ter mais vontade de entrar na piscina. 

Passado 1 ano, Miguel já com 4, conversando com minha irmã que já conhecia seu trabalho, surgiu a ideia de Miguel fazer aulas particulares com você. Assim, acertamos os dias e os horários e você conheceu um menino ainda medroso, desconfiado e sem muita vontade de fazer natação. Um menino reclamão e que só queria brincar com você. Perdi a conta das inúmeras vezes que ele interrompia a aula dizendo que queria fazer xixi, só pra sair da piscina. Você nunca perdeu a paciência, você sempre encontrou um jeito de trazê-lo de volta, você sacou, quase imediatamente, que pegaria o Miguel no lado lúdico, que ensinaria meu filho a nadar através de brincadeiras. Outra coisa importante: entendeu que Miguel não é menino cheio de frescuras e sempre conversou com ele de igual pra igual. E, brincadeira vai, brincadeira vem, vi meu filho dando suas primeiras braçadas. Vi Miguel atravessar a piscina nadando, vi você deixar que ele ganhasse de você nas competições que fazia com ele e vi também a hora em que você já não conseguia mais ganhar de seu aluno. 

Encantada, porque nunca aprendi a nadar, notei que ele tinha talento nas piscinas, havia puxado ao pai que foi excelente nadador e campeão, inclusive, de vários campeonatos estaduais e brasileiros. Orgulhosa do nosso peixinho, vi que ele era um garoto corajoso que entrava na piscina até no inverno e encarava junto com você a piscina de água fria ao ar livre. O clube vazio, só eu sentada assistindo e vocês dois dentro da água. Eu ia chegando perto da piscina e todos os funcionários já nos diziam: chegou o garoto mais corajoso do clube! E Miguel seguia em direção a piscina todo vaidoso. Ao término da aula, saia tremendo de frio algumas vezes, mas sempre vitorioso. Não reclamava mais, nem pedia pra ir ao banheiro. O progresso foi nítido. 

Por tudo isso, Sheila, é que quero que saiba o quanto sou grata a você. Muito. Você não ensinou meu filho apenas a nadar. Você deu a ele coragem pra participar de competições, aumentou sua auto-estima absurdamente, fez com que ele soubesse que pode ganhar se houver dedicação e que ele tem talento. Você mostrou em todas as aulas o quanto acreditava no potencial dele nas piscinas. Mostrou que nem sempre se ganha, mas sempre se deve dar o melhor. 

Muito obrigada por ter tratado o Miguel de um jeito único, talvez o único que fosse despertar nele a vontade de ficar na piscina com você. Obrigada por ter dado a confiança necessária pro Miguel fazer o teste pra entrar na equipe de natação do VASCO.  Ele conseguiu e devemos isso a você! Você sempre estará guardadinha no nosso coração, eternizada na história da vida do Miguel. 

Obrigada por ser essa professora maravilhosa... Você é assim porque ama o que faz! Obrigada por ter recebido um bebê inseguro de 4 anos e estar observando seu menino de quase 8 nadar pra longe de você. Longe dos olhos, mas sempre pertinho do seu coração. 

Com amor, 

Paula 



sábado, 24 de dezembro de 2016

Papai Noel

Li um artigo outro dia com uma ótima sugestão para contar pra crianças que estejam desconfiando da existência de Papai Noel. Achei muito apropriado pra mim porque Miguel vem me perguntando a respeito. Então, vou deixar aqui registrado a cartinha que escrevi pra ele em nome do Papai Noel porque o presente que ele queria ganhar não chegou. Acho que vai dar certo....

Miguel, quero lhe pedir desculpas porque esse ano eu me enrolei muito com a compra dos presentes de Natal. Cada vez existem mais crianças no mundo e muitas não tem nada, sabe? Mas eu não desisto de ajudar e de tentar fazer com que o Natal seja um dia mais feliz. Eu esqueci de trazer seu brinquedo (Lego Dimensions) da Finlândia – onde fica a minha casa – e quero que me perdoe por isso. Deixei uma lembrança e quero que você saiba que seu presente vai ser enviado pelos correios. Assim que eu chegar em minha casa para descansar de todo esse trabalho, vou enviar seu presente.
Você foi um menino ótimo durante o ano todo! Merece ganhar o que pediu, sim. É muito carinhoso com suas avós, respeitador com seus professores e colegas e uma alegria na vida de seus pais. Além disso, está lutando para ter boas notas, vencendo seus medos. Eu vejo seu esforço e dedicação.
Quero conversar com você também sobre outro assunto... Você cresceu muito no último ano, está mais alto, mais responsável. Mas tem uma coisa que nem todo mundo consegue ver, mas eu vejo: seu coração está maior também. Eu posso perceber o tamanho do seu coração bondoso quando não deixa sua avó caminhar sozinha pelo shopping, quando tentar ajudar alguém, quando chora emocionado com um filme, quando quer proteger sua mãe na rua e quando tem sempre um sorriso no rosto para todos que chegam perto de você.
Na verdade, Miguel, seu coração cresceu tanto que estou certo de que você está pronto para se tornar um Papai Noel. Você provavelmente notou que a maioria dos Papais Noeis que você vê são pessoas vestidas como ele. Alguns de seus amigos já devem ter lhe contato que Papai Noel não existe. Muitas crianças pensam isso porque elas ainda não estão preparadas para ser um Papai Noel. Mas você está.
Papai Noel é qualquer pessoa que queira ajudar, qualquer pessoa que faça o bem, que divida o que tem com outra pessoa. Pode ser um copo de água, um prato de comida, um carinho, um sorriso. Todos podemos ser Papai Noel, é só querer. Muitos demoram mais tempo para ficar prontos, alguns nunca ficam prontos e preferem acreditar que Papai Noel não existe. 
Eu reparei que você está pronto! Não precisa mais tanto de mim porque de hoje em diante será também um Papai Noel. Tive certeza disso quando você esteve com sua mãe naquela festa, ajudando aquelas crianças que não tem brinquedos e coisas gostosas para comer em suas casas. Você deu picolé para elas, brincou, sorriu, teve paciência e ajudou a entregar os presentes. Vi que você está pronto quando conversou com a Katia querendo saber de seus problemas e tentando encontrar uma solução. Sem dúvida, você está preparado para ser um Papai Noel, assim como seu pai e sua mãe também são.
Por isso, a partir de hoje, você sabe que eu existo. E que tenho muitos amigos que também são Papai Noel espalhados pelo mundo inteiro. Você também é Papai Noel e tem uma missão secreta que não deve contar a ninguém, somente para seu pai e sua mãe. Todas as vezes que você encontrar alguém precisando de alguma coisa e notar que você pode ajudar, ajude. Essa é a tarefa do Papai Noel. Você não pode fazer mais que suas possibilidades, mas pode contar com a ajuda de seu pai e sua mãe para ajudar quem você quiser e achar que precisa de ajuda, está bem? Continue assim e eu continuarei a lhe trazer seu presente todo final de ano. Você merece! Boa sorte com seu novo trabalho como Papai Noel! E lembre-se sempre: fazer o bem e dar amor só traz ainda mais bondade e amor para nossa vida.
Lembre-se: tenha paciência porque logo, logo seu presente chegará!
Com amor,


Papai Noel. 

terça-feira, 10 de maio de 2016

7 anos




Miguel, hoje é seu sétimo aniversário. Não consigo evitar me emocionar nesse dia tão importante pra mim. Na verdade, um dividor de águas na minha vida porque seu nascimento separou a Paula de antes do Miguel da Paula de depois do Miguel. 

Então vou falar de mim, das mudanças que sua presença em minha vida operou. 

Você virou tudo de cabeça pra baixo e confesso que quase enlouqueci. Foram 3 anos sem dormir uma noite inteira porque você sempre foi bom de boca e acordava pra mamar. Eu não tinha mais tempo pra mim, eu só tinha olhos pra você e sentia falta da minha vida livre e descompromissada de antes de você. Tudo parecia muito pesado, a rotina extenuante. Eu que sempre devorei livros, passei quase dois anos inteiros sem ler nada. Pra algumas mulheres é fácil, filho. Pra mim, foi bem complicado. 

Mas a mágica da maternidade começou a atuar na minha existência. De pouquinho em pouquinho, me descobri uma mulher diferente, com meu coração e olhos ligados em você. Cheia de interesses diversos dos seus, mas com um amor capaz de me fazer abrir mão de muita coisa pra estar perto de você e pra ver você feliz. Hoje sou uma Paula muito chorona, uma Paula cada vez mais ciente de minhas limitações e com muita vontade de superá-las porque você existe. Eu quero ser melhor pra poder deixar você livre, quero ser melhor pra poder deixar você voar sabendo que seu ninho sempre estará guardado no quentinho do meu colo. 

Ontem, quando você cismou que queria comer sonho e eu dei um jeito de achar o tal do sonho pra você, feliz por ver você feliz se lambuzando de doce de leite, lhe disse:

- Essa sua mãe sempre dá um jeitinho de fazer você feliz, né, Guel?

Muito pé no chão, muito maduro, me deu aula na resposta, como está virando costume:

- Sim, mãe. Mas, olha, nem sempre você consegue.... Mas eu sei que você sempre tenta me fazer feliz. Você sempre se esforça, você nunca desiste, mãe... 

Filho, uma vez desejei que você soubesse  que não sou a mulher maravilha, que sou humana e cheia de falhas. E você me mostrou que aos 7 anos já entendeu isso. Sou somente uma mulher que se tornou mãe ao seu lado e que se esforça arduamente em cada minuto do seu dia pra acertar. E é verdade, Miguel... Nem sempre consigo. Que maravilha saber que você sabe que eu tento, sempre e muito, com todas as minhas forças, fazer você feliz. 

Obrigada por esses 7 anos ao meu lado. Te amo mais que tudo. Você é minha vida, meu presente.

Feliz aniversário!!

Mamãe

sábado, 7 de maio de 2016

O mais importante



Essa nossa última viagem de férias foi uma grata surpresa. Recebemos tantos presentes do universo, foram tantos momentos felizes, divertidos e encantadores que fica difícil escolher um. Uma sequência de dias lindos que incluíram ver neve caindo e baleias pulando no mar da costa do Oregon enquanto tomávamos café da manhã. E o inesperado é sempre tão mágico, tão delicioso. Não dá pra esquecer.

No último dia de viagem estávamos jantando e foi inevitável que a conversa girasse em torno de tudo o que tínhamos tido a oportunidade de viver, de conhecer, de aprender durante nossas férias. Na conversa, houve um momento em que me lembrei desse video aí do post. Nele, pergunta-se a vários pais quem eles escolheriam para jantar se pudessem escolher qualquer pessoa, viva ou morta, para viverem esse momento de partilharem uma refeição. A mesma pergunta foi feita para os fihos desses adultos minutos depois. 

Lembrei do video porque em dado momento cada um de nós começou a pontuar seu momento preferido ou lugar preferido da viagem. Namorado disse que seu momento preferido foi ter conhecido a fábrica da Boeing em Seattle. Berenice disse que amou o Crater Lake National Park (que é mesmo de tirar o fôlego de qualquer um!) e eu disse que amei ser surpreendida pela baleia saltitante em sua rota de retorno depois do inverno em nosso café da manhã em Yachats. Aí chegou o momento do Miguel dizer o que mais havia gostado em toda a viagem. E aí meu bebê, aquele que outro dia ficava no meu colinho o dia inteiro, usando fraldinhas, dormindo em seu berço, falou assim:

- Nossa... Eu gostei de tudo, sabe, mãe? Nossa viagem foi linda. Mas o que eu mais gostei mesmo foi de ter passado todos esses dias juntinho com a minha família!

Eu, Namorado e Berê trocamos olhares emocionados. Todos preplexos com a pureza da resposta e sua grandiosidade. Eu chorei. A lágrima pulou do meu olho sem eu querer. E eu quero, de novo e de novo e de novo, agradecer a Deus por ter um filho como o Miguel. Alguém que me faz lembrar o que realmente é importante na vida. Como eu amo esse menino....

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Intimidade



Intimidade é algo construído dia-a-dia. Não é algo que se adquire de uma hora pra outra. Desconfio muito de relacionamentos que parecem íntimos de repente, do nada. Na minha cabeça, é difícil eu conhecer alguém hoje e amanhã ser a melhor amiga de infância. Na minha casa convivia com meu pai muito mais tempo que com minha mãe (meu pai passava mais tempo em casa que minha mãe), mas tinha muito mais intimidade com minha mãe que com meu pai. Minha mãe estava disponível pra me escutar, meu pai representava o imprevisível, era o que eu não conhecia e isso me dava medo. A bebida interferiu muito na nossa relação uma vez que qualquer pessoa torna-se duas se bebe: uma quando está sóbria e outra quando está sob efeito do álcool. Eu ficava um pouco perdida, meio sem saber como agir e isso só mudou quando eu já era bem adulta, com maior compreensão. Conforme fui perdendo a revolta pelo tempo perdido, mais fácil foi perdoar e seguir em frente. 

Desde que Miguel nasceu, tenho em minha cabeça esse objetivo: de que meu filho tenha confiança em mim, que a gente possa ter intimidade pra me contar suas dificuldades, suas faltas, suas vitórias, seus medos, seus anseios. E como sei que intimidade se constrói todo dia um pouquinho, nas pequenas atitudes, nas coisas bobas do nosso cotidiano, fui procurando estar dispoível pra ele, ao alcance de sua mão, mesmo longe fisicamente, por vezes, mas presente na qualidade do nosso tempo. 

Eu quero conhecer meu filho e me surpreendo e me chateio com tudo o que vou aprendendo sobre ele. Ele não veio ao mundo pra satisfazer minhas expectativas, não veio ao meu encontro pra mostrar pro mundo o quão boa mãe eu sou. Ele veio pra ser ele e eu repito isso como um mantra para que possa aprender e respeitar. 

Sempre procuro saber do dia do meu filho. O que aconteceu na escola, o que o fez feliz, o que o fez dar risada e sei, só de olhar pra ele, se viveu algum momento de tensão, insatisfação. Se brigou com algum amigo, se está com raiva por alguma razão. Na maior parte das vezes, quando não quer falar na hora que eu pergunto, sei que mais tarde ele virá me contar o que houve, no tempo dele. Todos os dias antes de dormir rezamos e conversamos. A conversa gira em torno das coisas bobas do dia, o que vamos fazer no final de semana, o que gostaríamos que acontecesse. E é no escurinho do quarto que nos abrimos mais. Ele fala muito dele mesmo porque eu pergunto muito o que ele pensa disso e daquilo. Sobre a escola, assunto recorrente em nossas conversas, pergunto sempre se tem ficado de boquinha fechada (ele conversa muito e é agitado), se tem se atrasado pra fazer as atividades propostas pela professora (com tanta conversa, algumas vezes se atrasa pra copiar as atividades), se conseguiu ir pro recreio (às vezes ele perde o recreio pra colocar suas tarefas em dia), enfim, busco saber dele e dou conselhos. 

Essa semana, depois dessa nossa conversa que acaba quando já estou com os olhos fechando de tanto sono (não raro ele ainda quer continuar a conversa quando já nem aguento mais abrir minha boca), fui dizer boa noite e ele falou:

- Não, mãe... Peraí... Quero saber umas coisas de você. Posso perguntar? 

Respondi que sim e esperei. Miguel começou:

- E no seu trabalho, mãe? Como foi o seu dia? Os alunos estão indo pra escola? Tem alguém que está faltando muito? Você teve que conversar com muitos pais hoje? Você fez todas as suas atividades ou tem alguma atrasada? Você conversou com seus amigos do trabalho?

Nossa... Fiquei rindo por dentro e fui respondendo cada uma daquelas perguntas muito impressionada por meu filho saber tanta coisa do meu local de trabalho. As perguntas que me fez são muito pertinentes ao meu dia-a-dia, ele escuta minhas conversas com o Namorado e sabe muita coisa sobre o meu dia. E também sabe transferir as preocupações que mostro ter com sua escola para o meu trabalho. 

Eu achei tão lindo ele demonstrar essa preocupação, querer saber de mim, do meu dia, da minha rotina. Senti uma parceria bonita crescendo, fazendo parte do nosso relacionamento. Senti um carinho verdadeiro, uma entrega. Ele se importa comigo, tanto quanto me importo com ele. E isso é tão bom de sentir, principalmente no relacionamento mãe e filhos. Estamos tão acostumadas a nos doar sem esperar NADA em troca que ficamos surpresas quando vemos que o filho se importa com a gente. Talvez porque pra mãe o mais importante é ver o filho feliz, não estamos acostumadas a pensar em retorno quando tratamos desse tipo de relacionamento. Por isso que dizem por aí que é o único amor incondicional. E é a mais pura verdade. 

Eu e Miguel estamos construindo nosso relacionamento um pouquinho a cada dia. E é muito bonito de ver que sinto estar indo pro caminho certo nesse sentido. Estamos ficando íntimos, de pouquinho em pouquinho. Miguel me devolve, em suas atitudes, muito, muito amor. E ele nem sonha o quanto sou feliz só por ele existir em minha vida... 


segunda-feira, 21 de março de 2016

Coelho da Páscoa



Quando pequena, minha mãe sempre escondeu os ovos de Páscoa dizendo que o coelho os havia trazido. Nunca fiz isso com o Miguel. Sempre comprei o ovo de chocolate pra dar a ele, a família toda sempre o presenteou com ovos de Páscoa, mas realmente nunca fiz a brincadeira de domingo de Páscoa com ele. Esse meu jeito muito prático de ser, muitas vezes atrapalha. Eu faço o estilo "a vida nua e crua" e deixo a desejar no que diz respeito à fantasias. Até porque tenho preguiça dessas coisas, sabe? Fazer pegadinhas de coelho com adesivos pela casa ou com talco, fazer o rastro do coelho pra levar até os ovos de chocolate, deixar pistas pela casa... aff... Canso só de pensar. Podem me julgar, mas não tenho o menor saco pra essas coisas. 

Esse ano, com o preço do ovo de Páscoa nas alturas, fui conversar com meu filho e lhe disse:

- Filhote, esse ano a mamãe não vai comprar ovo de Páscoa pra ninguém, estão muito caros. Além disso, a gente tem sempre chocolate em casa e não vale a pena gastar esse dinheiro só pra comer chocolate em forma de ovo. Seria uma bobagem. Tudo bem, Miguel?

Aí, meu filho que me escutava atentamente, manda essa pérola, muito sério:

- Tá bom, mãe. Também... Esse coelho da Páscoa NUNCA me trouxe um ovo mesmo... Se nem ele me trouxe ovo, eu não vou ficar chateado se você não me der.

Fiquei olhando pra cara dele, sem ter o que dizer. Me dei conta, naquele instante, que o fato de eu nunca ter escondido os ovos de Páscoa pela casa na intenção de fazer meu filho acreditar que tinham sido trazidos pelo coelho, não fez Miguel não acreditar no tal coelho, apenas fez com que ele acreditasse que o coelho, sabe-se lá por que motivo, nunca esteve lá em casa, nunca lembrou de trazer o ovo dele. 

Decidi que esse ano serei "uma mãe melhor" e que vou esconder o ovo "trazido pelo coelho". Conversando com o Miguel, disse que tinha passado um email para o coelho da Páscoa - tempos modernos! - pra conferir se ele sabia exatamente onde ficava nossa casa. E que o coelho disse que estava com o endereço errado por todos esses anos, mas que dessa vez acharia nossa casa, com toda certeza. Aí, Miguel me perguntou:

- Mãe, por onde será que o coelho vai entrar na nossa casa?

Respondi:
- O Coelho da Páscoa sempre acha um jeito, eles são muito rápidos e espertos. 

Miguel continuou:
- Mas, mãe, você pode passar outro email pro coelho pra gente pedir outra coisa pra ele?

Meu Deus, pensei, o que mais esse garoto vai querer que o tal do coelho faça? Entretanto, mediante a culpa de ter deixado meu filho sem a fantasia lúdica do ovo de Páscoa trazido pelo coelhinho por todos esses anos, disse ao Miguel que tudo bem, poderia passar outro email e perguntei o que ele queria que eu escrevesse pro coelho. Miguel respondeu:

- Mãe, será que você pode pedir pro coelho esconder meu ovo em um lugar bem fácil de encontrar? Fala pra ele, mãe, que eu sou um menino preguiçoso pra ficar procurando muito tempo...

Resumo da ópera: eu sou a mãe perfeita pro meu filho. Eu com preguiça de esconder os ovos, ele com preguiça de procurá-los. Deus é ou não é maravilhoso?




terça-feira, 15 de março de 2016

Aniversário de CCAA




Entrei no CCAA com 13 anos. Nem pensava em estudar inglês fora da escola, onde tinha sérios problemas pra entender o verbo TO BE. Minha irmã surgiu com a ideia em casa e minha mãe nos matriculou. Desde a primeira aula, achei o máximo. Entendia tudo o que passei anos achando dificílimo. Nunca pensei que essa escola marcaria tanto a minha vida. Tive professores maravilhosos (Edna, Mansur, Soraya Farage) e, mesmo já cansada por tantos anos de estudo, devo a eles a alegria de ir pras aulas durante 6 anos e meio. Nunca imaginei que o CCAA não mais sairia da minha vida. Lá se vão 32 anos. 

Quando terminei o curso, sentia que ainda não era a hora de ficar longe do idioma pelo qual me apaixonei. Resolvi fazer o Teacher´s Course. No meio do caminho, senti um fogo aquecendo meu coração. Fazia faculdade de Relações Públicas, mas só pensava em dar aulas. Por isso, quando em 13 de março recebi o telefonema me oferecendo uma turminha que começaria no dia seguinte, eu exultava de felicidade. Depois, soube que a tal turminha era em Niterói e fiquei meio murcha. Tinha 21 anos, filhinha de mamãe, não tinha a menor ideia de como chegar em Niterói, mesmo assim aceitei. Telefonei pra minha mãe e contei a novidade dizendo que achava que não tinha feito muito bem em aceitar, afinal de contas, nem sabia como chegaria no CCAA de Niterói. Minha mãe, sempre sábia, disse o que eu precisava ouvir:

- Filha, não interessa se você não sabe. Se não sabe, aprende! Você começa com uma turminha longe de casa, amanhã estará com outras mais perto. O importante é começar. Vai aceitar, sim!!

Lógico que aceitei. O CCAA de Niterói foi um local de muito aprendizado pra mim. Não só dentro da sala de aula, onde cada vez me sentia mais feliz, mas porque lá conheci pessoas que me incentivaram e ensinaram muito. Meu primeiro diretor, o Mauro, sempre foi muito bacana e educado, sempre teve um jeito tranquilo de colocar suas críticas, sempre buscando o crescimento de quem estava a seu redor. No CCAA de Niterói fiz amigos pra vida toda. Dei risadas deliciosas, chorei, vivi momentos que ficarão pra sempre. Tive outros diretores nos muitos CCAAs onde tive o prazer de trabalhar, Ana Lucia, de Ramos, Marisa, de São Cristóvão, Marcia, aqui da Ilha. Sempre serei grata pelo tanto que aprendi com essas pessoas.  

O CCAA sempre acreditou em mim. As pessoas do departamento de ensino, do departamento de coordenação, sempre viram em mim algo que eu não enxergava na época. Sempre vivi a vida sem pensar tanto no futuro, sem muito planejamento de carreira. Eu estava feliz e pronto. Por causa de uma das coordenadoras, a Jane, sou diretora hoje. Ela foi quem me chamou e disse que eu seria excelente diretora quando isso nem de longe passava pela minha cabeça. Devo muito ao antigo diretor de RH, o Nielson. Depois de 6 meses no progama trainee cobrindo a licença maternidade da querida Valnice, o cara simplesmente me chamou pra dizer que eu assumiria a unidade da Ilha do Governador, unidade muito maior que Del Castilho, onde eu estava. Quando sai da sala dele com essa notícia, achei que não fosse conseguir chegar até meu carro. Minhas pernas tremiam com o peso da confiança absurda depositada em mim e que eu sempre fiz questão de honrar. E no CCAA Ilha estou até hoje. São 18 anos aqui.

Olhando pra esses 23 anos como funcionária do CCAA, sinto uma enorme vontade de agradecer. Aos meus professores de TC: Thomaz, Eliana Borges e Eloisa Cardoso. A todos do Departamento de Ensino da época em que eu estava dando aulas por tantos aprendizados a cada aula minha assistida, a cada treinamento e em cada conversa: Deise, Lobato, Rosangela Ferreira, Leticia...

Preciso agradecer ao pessoal do antigo DECOR por cada vez que vinham fazer uma auditoria, com eles aprendi muito. Madalena, Elaine, Jane, Sandra... A Sandra me deu o maior esporro que tomei na vida. Um esporro classudo, sem levantar a voz, sem se alterar, dentro da minha sala, essa mesma sala onde estou agora escrevendo esse texto. Porta fechada, me "descascou". Devo muito a ela por conta dessa bronca. Quando a lavagem de roupa suja acabou, prometi que NUNCA MAIS cometeria os mesmos erros. E cumpri. Cometo erros, sim, nunca os mesmos. 

Sou tão grata a essas pessoas que não tenho como colocar em palavras. Só posso dizer que devo a todos eles pela profissional que sou hoje, devo também aos professores meus colegas e aos diretores meus colegas com quem trabalhei e com quem trabalho até hoje e de quem "roubei" tudo o que achava bacana em cada um deles. Agradeço aos professores e secretários que fazem parte do meu time, com quem aprendo diariamente. E agradeço a todos os que foram meus alunos porque com eles aprendi demais, com certeza mais que ensinei.

No último domingo, dia 13 de março, fiz aniversário de empresa. Aqui estou contribuindo e dando meu sangue há 23 anos. Nunca trabalhei em outro lugar. Sempre fui muito feliz aqui. O CCAA é a minha casa. Tão minha casa quanto a casa onde durmo todas as noites. Tenho um amor enorme por esse lugar, um respeito absurdo. Tudo o que tenho e que conquistei, o fiz enquanto estava aqui dentro. O CCAA é uma parte importante da minha vida, aqui sou extremamente satisfeita. Por isso é que quando meu filho me perguntou hoje de manhã porque é que eu trabalho, fiz questão de lhe dizer:

- Porque eu amo meu trabalho, filho! Eu sou feliz trabalhando no CCAA! 

segunda-feira, 7 de março de 2016

O que tem valor pra você?




Dia desses eu estava nas redes sociais e me deparei com essa frase aí de cima. Nada poderia ser mais distante de mim. Não porque não dê valor a tudo que é difícil de conseguir ou conquistar, mas porque não consigo compreender achar que SÓ o que é difícil vale a pena ou tem valor. Na minha vida muitas coisas muito valiosas vieram com facilidade.

Vamos pensar. Será que aquela viagem que você planejou por um ano inteiro ou mais, pra qual você economizou cada centavo e fez várias horas extras no trabalho se privando, muitas vezes, de saídas e mais horas de sono vai ser mais legal que aquela de última hora, pra qual você é convidada assim, sem esperar, e mete as caras e vai? 

Será que aquela pessoa que você considera maravilhosa e que amaria que fosse seu companheiro, por quem você fica nutrindo uma paixão platônica por meses e que, finalmente, resolve lhe chamar pra sair ou aceitar um convite seu vai ser um parceiro melhor que aquela pessoa que surgiu do nada, quase sem querer, sem sentir, fácil, fácil? 

Será que aquela oportunidade na empresa, a promoção com a qual você tanto sonha e pra qual você vem se preparando há tempos, será mais gratificante que aquela promoção que chega pra você de surpresa?

Eu acho que não, sinceramente. Não estou dizendo aqui que não devemos sonhar, nos preparar pra uma oportunidade, buscar caminhos, estudar. Acho que precisamos estar prontos pra entrar quando a porta que queremos que se abra pra nós finalmente se abrir. Mas valorizar só o que é difícil, só o que chega após um longo caminho percorrido, após uma estrada cheia de obstáculos, depois de muito esforço, é deixar de lado tantas coisas maravilhosas que se apresentam na vida da gente e que muitas vezes não vemos porque estamos preocupados demais olhando o que está ou o que parece estar tão longe. 

O dar ou não dar valor a alguma coisa ou alguém está muito mais em nós que no objeto de desejo. Nós é que atribuímos valor a tudo que nos cerca. E esse valor é relativo. Difere de pessoa pra pessoa. Mas quando aprendemos a dar valor ao que está perto de nós, ao possível, ganhamos a consciência de que sonhar é muito bacana mas que a realização de um sonho não terá mais valor que aquele presente que recebi sem pedir ou lutar por ele. Eu agarrei todas as oportunidades que apareceram pra mim e muitas delas cairam no meu colo, sem muito esforço da minha parte. 

Veja bem, para ocupar o cargo de direção que tenho hoje, fui praticamente inscrita por uma terceira pessoa que disse que eu TINHA que participar porque eu tinha todo perfil de administradora quando nem pensava nisso, estava muito feliz com minha vida dentro da sala de aula, obrigada. Participei do processo seletivo sem tanta gana, porque dava muito valor ao que tinha já e... Pronto. Fui selecionada. O cargo caiu no meu colo e eu não poderia dar mais valor a ele. Sou extremamente feliz e não fico querendo pular de galho em galho porque me sinto satisfeita aqui. Não acho que se eu tivesse participado de 5 processos seletivos, na ânsia de um cargo administrativo e depois de tempos, finalmente, ter conseguido eu daria mais valor que dou ao papel que ocupo dentro da empresa. Uns me chamam de acomodada, eu me chamo de satisfeita. 

Enquanto eu insistia em procurar o cara que eu achava que tinha o perfil pra ser meu companheiro, meu amigo, meu namorado, em caras que claramente não tinham nada a ver comigo, enquanto buscava alguém que quisesse dividir a vida comigo em pessoas distantes, inalcansáveis pra mim naquele momento de vida, continuava sozinha. Um belo dia resolvi olhar pra quem estava ali pertinho, ao alcance da minha mão, querendo estar comigo e... PUM! Era o cara certo! Enquanto eu olhava para o que parecia tão difícil e que supostamente teria um gosto todo especial de conquistar, perdia a beleza do viver um "amor tranquilo, com sabor de fruta mordida". 

Hoje valorizo muito tudo o que tenho. Minha vida, minha casa, meus amigos, minha família, meu amor. Valorizo o vestido que pude comprar e nem ligo se achei um vestido lindo totalmente fora do meu bolso. Esse eu deixo pra lá. Não me interessa. Querer ler um livro que não tenho, me arrumar,  pegar o carro e ir ao shopping pra comprá-lo não faz o livro ser mais bacana que ganhá-lo, do nada, de presente de um amigo. Você pode não acreditar em mim, mas esse é o valor que dou às minhas conquistas e aos presentes que recebo da vida.

Já reparou quando você pergunta pra alguém onde vai passar as férias e a pessoa vai pra algum lugar próximo, ela fala: "Vou ali pra Cabo Frio mesmo..." Quase se desculpando por não falar um "lugar melhor" ou mais excitante, sei lá. E daí como muitas pessoas conhecem Cabo Frio, raras as pessoas falam: "Nossa, mas as praias de lá são maravilhosas, areia fininha e branca... Aproveite ao máximo aquelas belezas!!" Entretanto, quando a pessoa vai pra um lugar distante, badalado, considerado bacana, tipo Ibiza, por exemplo, logo se seguem os comentários: "Uau! Arrasou! Tá rica! Chiquérrima! Aproveite muito. Divirta-se!"

Se não posso viajar pro Caribe, de verdade, serei feliz em Maceió. Porque todos esses lugares tem valor se você os valorizar. O dia em que eu visitar Paris não será mais feliz que o dia em que visitei Gramado. Eu sou feliz quando estou em Arraial do Cabo e valorizo muito estar deitada na minha cama, dentro do meu quarto. Não acho que viajar pra Europa tenha mais valor que conhecer Machu Pichu. E não acho que comprar uma bolsa Chanel me dê mais prazer que comprar uma Arezzo. E se não posso comprar nada, aquela bolsa que está distante de mim, na vitrine, não faz as bolsas que tenho em casa valerem menos. Eu luto pelo que quero mas não acho que só o que chega pra mim com esforço vale a pena. 

Pode ser que você ache muito simplórias essas minhas comparações, mas pra mim viver é simples. A gente é que complica querendo que "as melhores coisas sejam as mais difíceis". Acho que não é isso, não. Vai por mim. 

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Nude




Quinta-feira passada resolvi dar uma de Juliana Paes na novela Totalmente Demais: fui pra manicure com o firme propósito de pintar a unha em algum tom de nude, exatamente como a personagem usa na novela. Acho muito lindo e chique e estava com vontade de ficar rica e elegante com minhas unhas nude. Saí do salão me achando a própria riqueza, lacrando na classe.

Mas sabe o que acontece com quem nasceu pra ser colorida e resolve ser nude? Mais ou menos assim:

Quinta-feira - Nossa, amei essa cor!!! Estou muito classuda! Apaixonada!!
Sexta-feira - É... Minhas unhas até que estão bonitinhas assim, discretas...
Sábado - Essa história de nude é meio sem graça, né não??
Domingo - Não aguento mais essas unhas sem cor. Quero vermelho, azul marinho, vinho, marrom!!! Que chaticeeeeeeeee!!!!!

Agora meu estágio é: compasso de espera até chegar o dia de fazer as unhas novamente e colorir minha mão. 

Gosto de cor, de vida, de luz. Sei que o nude tem seu valor, mas não combina comigo. 

Melhor eu abraçar o fato de não saber rir socialmente (rio alto, gargalhadas sonoras e cometo ainda o pecado de jogar a cabeça pra trás de tanto rir ou bater com a mão na mesa se estiver perto de uma), também não sei falar baixo...  Sou espontânea, minha cara diz muito, até mais que eu gostaria muitas vezes. Não sou blasé, discreta, sem sal. Então, pra quem não sabe ficar em cima do muro, o nude não é a cor mais indicada. 

Não me sinto fria e nem me sinto quente. Estou morninha com essas unhas discretas e ricas. Não sou eu, definitivamente. 

Moral da história: melhor a gente não tentar ser uma pessoa que não é. Dentro da nossa pele é o melhor lugar pra estar, quando a gente aprende a se aceitar. 

E pra resumir: estou doida por um esmalte vermelho!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Mudei

Coisa boa da vida é ter amigos. E melhor ainda é ter amigos do peito, desses que são capazes de lhe falar as verdades "na lata", mesmo que doa. Detesto o que chamo de "amigo foca": aquele que só bate palma pra tudo o que você faz ou pretende fazer, sempre rindo e achando bonito, falando, na maior parte das vezes da boca pra fora, palavras de incentivo. Eu gosto de amigo que se posiciona como eu: avalia uma situação, pontua o que é positivo e levanta as questões negativas para que o amigo possa se preparar, porque já passei da fase de achar que só existem flores na caminhada e acho que amigo que é amigo mesmo gosta de chamar o outro pra realidade da vida, mesmo que não seja o que o amigo quer escutar. Quem se preocupa com o outro não fica só rindo e batendo palma pra tudo. Embora eu saiba que muitas vezes sou mal interpretada por não ser "amiga foca", gosto de me cercar de gente que se preocupa comigo e que me ajude a colocar os pés no chão quando estou louca demais. Bem... Eu tenho amigos assim e gosto que seja desse jeito. Dispenso amigo pra me dar tapinha nas costas e concordar com tudo o que faço e penso.

Essa semana, alguns desses amigos me chamaram a atenção pra uma coisa que vem acontecendo. Disseram que achavam que eu preciso fazer algo a respeito porque sou uma Paula mais mãe que mulher hoje em dia. Eu era uma Paula antes de ser mãe. Cheia de ideias de independência  e de preservação do meu relacionamento com o Namorado. Consegui colocar em prática muito do que penso ser importantíssimo para o casal durante bastante tempo: consegui viajar com o Namorado algumas vezes deixando o Miguel com minha irmã, deixava o Miguel com minha sogra pra ir ao cinema quase todo final de semana, Miguel nunca dormiu na minha cama. E tudo corria muito bem até meu bebê ter uns 4 anos, acho. Escrevo "acho" porque não sei exatamente onde as coisas começaram a mudar. Fazendo uma reflexão após a conversa com esses amigos, cheguei a conclusão que a mudança começou a acontecer depois que Miguel ficou mais antenado com o mundo ao redor, mais articulado, querendo estar com a gente, seus pais. 

Miguel é uma criança que não pensa duas vezes antes de deixar a gente pra trás se for pra sair com algum amigo ou viajar com a madrinha ou avó sem a nossa presença. É um garoto independente e acho ótimo que não dependa emocionalmente de nós, que não precise que estejamos ao seu lado para que seja feliz. O problema está em mim. Vou exemplificar. Sempre achei que viajaria sem o Miguel uma vez por ano, nem que fosse por poucos dias. Só que quando faço isso agora, sinto culpa. Porque ele não é mais um bebezinho sem noção de tempo. Ele já entende e gosta de viajar. Outro dia, conversando com ele sobre uma possível viagem, perguntei se gostaria de ficar em casa com a avó ou se preferiria ficar na casa de seu Dido e Dida enquanto nós passaríamos uns dias fora. Ele disse: prefiro viajar com vocês! Outro exemplo: sinto falta de ir ao cinema sozinha com o Namorado, mas quando vou ao cinema e ele se mostra animado pra ir, tenho dificuldade pra dizer a ele que será um momento só meu e do pai, que ele ficará com a avó. E nessa onda meu relacionamento com o Namorado vem sofrendo um pouco... E fico sem saber se adoto uma postura mais radical e morro de culpa ou se respiro fundo e vivo essa fase da vida do meu filho porque ela vai passar, e vai passar em um piscar de olhos. 

Sei que meus amigos se preocupam comigo e querem o melhor pra mim. Sei que não posso esquecer que sou mulher, a Namorada do Namorado. Não sou só mãe e sempre preguei isso, sempre defendi essa importância. Mas concordo com meus amigos de que meu discurso está distante da prática, do meu dia-a-dia. O que acontece e que talvez seja difícil de entender é que estou feliz. Sou feliz com a presença do Miguel nos meus passeios, e sou feliz quando ele não está ao meu lado porque está em outra programação por sua própria escolha. 

Não sei se estou certa ou errada, só sei que penso que logo meu filho vai preferir a companhia de seus amigos a minha. Eu vejo isso acontecendo ao redor, com os filhos mais velhos de amigos. Miguel terá seus próprios interesses, vai viajar para outros lados, terá suas festinhas, seus encontros. Sei que escolherá os filmes que vai assistir e com quem. E eu sei também que estarei sempre esperando sua volta. E eu quero viver tudo. Eu quero saborear cada momento. Não, não quero perder a Paula que namora, que ama o marido, que gosta de andar por aí de mãos dadas com o Namorado. Mas quero viver esse meu filho. Quero assistir de perto seu crescimento. E se a gente for contar, temos tão pouco tempo. Principalmente quando se é uma mãe que trabalha fora do lar. 

Quando olho pra vida da minha irmã, que sempre se doou tanto em prol das filhas, sempre trabalhou muito pra poder proporcionar o melhor pras meninas, sempre abdicou de tantas saídas a sós com o marido por elas, vejo que ela nunca cobrou das meninas nada em troca. Hoje, elas tem 12 e 16 anos, têm seus próprios interesses, suas festinhas, seus programas, vejo minha irmã voltando a namorar o marido, indo muito ao cinema, jantando juntos. As meninas estão aí, felizes. Adoram viajar em família, continuam gostando de desfrutar da presença de seus pais, mas tem sua própria agenda social o que permite que minha irmã volte a ser mais mulher. Eu fico olhando e vejo que só tenho feito o que meu coração manda. Aproveito muito os momentos em que o Miguel não está em casa, os momentos - poucos - em que estou só com o Namorado, e aproveito muito a companhia do Guel. Aproveito seu cheiro, seu abraço, sua presença. A vida é curta. E eu não quero abrir mão enquanto meu filho quiser estar comigo. 

Amigas que me amam e que se mostram preocupadas, sou eternamente grata por estarem ao meu lado. Vou procurar o equilibrio, juro. Mas, entendam: quando eu decidi ser mãe eu sabia que seria uma decisão  que mudaria toda a minha vida, que mudaria, simplesmente, tudo. Por mais que eu tivesse planos de manter várias coisas como antes, todos eles foram por água abaixo. Só que está tudo bem, eu estou feliz assim. Eu e Hugo passaremos por tudo isso juntos, tenho fé. Vamos olhar pra trás, olhando o Miguel crescido e vamos ter a certeza de termos feito um bom trabalho. Por ora, vou estar com ele enquanto ele quiser estar comigo. Sempre. Estou assumindo publicamente que mudei. Mudei, sim. Não consigo ir contra meu coração bobo. Simplesmente, não consigo agir diferente.