segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Mundo louco

Essa manhã estava no consultório da minha ginecologista esperando a minha vez e na televisão estava a Ana Maria Braga. O programa era sobre perdão e ela estava contando a estória de uma senhora que 39 anos antes entregou a filha para ser criada por outra família. Depois disso, a senhora casou, teve outros filhos, mas queria muito encontrar a filha que entregou. Por sua vez, a filha também queria conhecer a mãe biológica mesmo tendo sido criada por uma família maravilhosa e, por suas próprias palavras, ter tido "uma super mãe". Foi a filha que, após anos de procura, conseguiu achar o paradeiro da mãe biológica.

O encontro foi durante o programa e não pude conter minhas lágrimas ao assistir. A filha, bem mais contida e inteira, abraçou a mãe com muito carinho. Entretanto, a mãe se desmanchou nos braços da filha doada e caiu em prantos, um pranto de dor, de arrependimento, de culpa. Eu choro fácil mesmo...

Estava eu sentada naquele consultório, tentando não borrar muito a minha maquiagem, quando uma das outras mulheres que também estava esperando sua vez diz: "Não consigo me comover com esse tipo de mãe que abandona seu filho, ela merece esse sofrimento e a filha nem deveria estar aí a abraçando. Eu sou mãe e NUNCA abandonaria meus filhos, nada nessa vida justifica o abandono de um filho."

Eu sei, o abandono de um filho também é algo totalmente descabido pra mim. Eu acho que nunca deixaria meu filho. Mas digo acho porque nunca passei por nenhuma situação limite, como pobreza ou fome e não sei se deixaria meu filho com outra pessoa se pensasse que ele poderia ter uma vida melhor. Dói só de pensar mas não sei dizer esse NUNCA com tanta veemência. Não estou dizendo aqui que seja certo ou errado o abandono, não podemos julgar a atitude dessa mãe. Mas a verdade é que o que a moça do consultório não entendeu é que minhas lágrimas não eram simplesmente por conta do reencontro. É que naquele abraço apertado da mãe que abandonou a filha para que outra família a criasse tinha tanto sentimento guardado, tinha tanta dor, que eu imaginei o quanto ela deve ter sofrido esses anos todos sabendo que tinha feito uma "besteira" e que esse erro seria irreparável. O que me emociona na vida é a capacidade do ser humano de reconhecer o erro, de tentar voltar atrás e se modificar, aprender com suas experiências. Naquele abraço eu percebi uma mulher sofrida demais, que viveu 39 anos com o peso da culpa em suas costas e que estava recebendo um abraço carinhoso da filha que foi privada da companhia de sua mãe biológica. E naquele abraço havia um perdão, havia uma chance para quem errou. E me emociono quando constato que temos a capacidade de aprender com nossos deslizes, quando vejo que sempre podemos começar de novo...

Um outro comentário feito pela mesma mulher no consultório também me fez pensar que eu devo estar muito errada ou vivendo em um mundo paralelo... Ela disse "Imagina a mãe que criou essa menina vendo essa cena da filha adotada, que amou, toda feliz por encontrar a mãe verdadeira... É uma falta de consideração." Ora, meu Deus, nessa frase existem duas coisas que me incomodam. A primeira é que não entendo porque a menina abandonada não possa dedicar carinho à mãe que a pôs no mundo e acho que isso não abranda em nada o amor que sente por sua mãe, a que a criou. Um amor não anula o outro. Nunca um amor anula outro. Podemos amar tanto e com tanta intensidade que arrisco achar que nossa capacidade de amar seja infinita. A segunda coisa que soou estranho foi a parte da "consideração". Como assim "falta de consideração" com a mãe que a criou demostrar carinho para com a mãe biológica? É como se todo filho adotado, não bastasse ter que conviver com a falta dos pais biológicos, ainda tenha que carregar o fardo de ter gratidão eterna por ter recebido essa caridade alheia de ter sido recolhido a um lar e recebido amor. Peraí!! Eu penso tão diferente... Um filho adotado é um filho. E não adianta adotar uma criança achando que ela lhe será eternamente grata e fará sempre de tudo para nunca lhe desagradar porque na condição de filho ele não se difere em nada de um filho gerado em nosso ventre e parido. Filho é filho. Tem vontade própria, sim, muitas vezes um filho fará escolhas que não são as escolhas que nós faríamos e se não cobramos gratidão eterna de filhos biológicos, porque cobrar dos adotados? Qual a diferença, meu Deus? Nenhuma. Filhos são filhos, saídos de dentro de nós ou escolhidos por nosso coração. As alegrias da maternidade, as dores, as decepções, as tristezas, preocupações e momentos felizes são os mesmos.

A palavra consideração na boca daquela mulher era como se dissesse que um filho adotado tem que pensar em "consideração" a mais porque recebeu amor e carinho quando não teria nada, é como se tivesse ganho na loteria pelo fato de ganhar uma família. E acho que isso é um fardo pesado demais para se carregar. Na minha cabeça, o bem que se faz ao outro é o bem que fazemos a nós mesmos. E, sendo assim, não pede nada em troca. Filhos são filhos e mães sempre estarão felizes enquanto seus filhos estiverem bem e felizes. Desde que o mundo é mundo mães querem o bem estar e felicidade de seus filhos. No meu modo de entender a vida, ver meu filho adotado encontrar sua mãe biológica e dar-lhe um abraço com carinho e amor, esse amor que perdoa, que cura as feridas, me faria me sentir feliz por ele.

Não, eu não sou santa. Eu sou egoísta e muitas vezes possessiva, tenho ciúme também. Tantos defeitos que não dá pra enumerar. Então, quando me pergunto se eu sentiria ciúme numa situação como essa, talvez a resposta seja SIM. Se ficaria insegura? Talvez, também. Mas isso já é outro assunto. Meu egoísmo e meu ciúme nunca ficariam acima do meu amor de mãe. E amor de mãe, como sempre me disseram e hoje vejo ser verdade, é o maior amor do mundo. É o amor mais livre, mais despudorado, mais intenso, altruista e generoso, mais sem orgulho ou medo que já vivi. Será que eu sou estranha? Ou o mundo é que é muito louco?

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Beyond the Sea




Música boa é reconhecida pelo coração, em qualquer tempo, em qualquer idade. E não importa ritmo, tipo, se é pop, rock, jazz, samba, MPB. Música boa é música boa e toca o coração da gente, emociona.

Miguel está assistindo "Procurando Nemo" direto. E, no final do filme, toca a música "Beyond the Sea", cantada pelo Robbie Williams. Toda vez que escuto essa música me dá uma vontade enorme de sair dançando e eu faço isso todas as vezes que o filme termina. Saio dançando pelo quarto dele e ele, normalmente, fica sentadinho na cama dele, me olhando e morrendo de rir. Deve pensar: "Que mãe louca é essa, meu Deus?"

Só que, na verdade, ele deve gostar de ter essa mãe maluca porque de uma semana pra cá, quando o filme termina e eu não estou no quarto pra começar a dançar, Miguel me chama e fala: "Dança, mamãe, dança!" E eu danço, abraço meu filho, pego no colo e saio dançando, dançando, dançando... E ficamos lá, dançando juntos, até a música acabar.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

500 mil roupas

Sabe aquele dia que já começa atravessado? Que os ponteiros do relógio vão passando tão rápido que mal dá tempo de escovar os dentes antes de sair de casa? Hoje foi assim de manhã.

Já começa que Miguel, que sempre acorda às 7 da matina, decidiu dormir até às 8:30. Pensei: "Ótimo! Enquanto isso vou tomar meu banho, maquiar, me arrumar pra ir pro trabalho." Só que eu, que normalmente me visto rápido e decido sem dificuldade o que vestir, não conseguia me sentir bem com roupa nenhuma. Gente, eu tenho muita roupa. Não era possível que dentro das minhas 9 portas de armário eu não conseguisse uma pecinha que me caisse bem nessa fatídica manhã de setembro!! 500 mil roupas e nenhuma fica bem? Como pode, senhor Jesus?

E bota roupa, tira roupa, bota roupa e tira roupa, a cama ficando abarrotada, os cabides se amontoando e eu suada, cansada e... feia. O cabelo que eu já tinha escovado estava desgrenhado, preso numa piranha. Nenhuma roupinha me dizia "sim" e o desespero chegando, o relógio bombando e eu com hora pra chegar no trabalho. Por fim, consegui me sentir razoável e era só pensar no Miguel, em levá-lo pra creche. Normalmente, quando termino de me vestir Miguel já está pronto, até passeando na rua com a Taninha. Adivinha o que aconteceu? O moleque não queria trocar de roupa, botar o sapato, enfim, não queria sair de casa. Alguém merece? Na força, fui logo falando que tinha hora, pra ele parar com a sacanagem e sentar logo pra colocar a roupa porque não poderia me atrasar mais que já estava atrasada. Na hora do sapato, Guel ainda ousou dizer que não queria aquele... E eu fui enfiando a sandália nele fazendo a mãe louca e surda. Pra entrar no carro tive de seduzí-lo com a oferta de uma balinha. Ai, nessas horas vale tudo, até enlouquecer o dentista.

Cheguei ao trabalho, atrasada para o compromisso, mas cheguei. Pior é arrumar o armário bagunçado depois... Em uma outra vez em que isso aconteceu comigo, de eu não conseguir escolher nada pra sair de casa, o namorado já estava arrumado e eu pelada no quarto, nem a calcinha e o sutiã eu tinha escolhido... Sim, porque mulher tem que escolher a lingerie de acordo com a roupa que vai usar. Dependendo da blusa, preciso de um sutiã meia-taça, nadador, frente única, enfim, precisamos saber a roupa até pra decidir a calcinha. Depois de meia hora parada de frente para as minhas tantas portas de armário abertas, tirando e colocando roupas de dentro do armário, olhando para meus sapatos, eis que abro uma gaveta, tiro uma calcinha branca e, finalmente, após longos 30 minutos, visto a tal da calcinha. Hugo, que eu achava que estava vendo televisão, dispara: "Ai, graças a Deus, já escolheu a calcinha, agora o resto vai mais rápido, né?" Eu tive uma crise de riso e aí é que não conseguia escolher mais nada!!! Mas não é que depois que escolhi a calcinha o resto foi fácil mesmo?

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Questões do Coração



Semana passada eu acabei de ler "Questões do Coração". Gostei bastante, é desses livros que a gente entra na estória desde o primeiro capítulo e não consegue parar de ler. E fiquei refletindo sobre muitas coisas depois de acabar a leitura.

A estória é sobre traição. Na maior parte dos livros, filmes, novelas e tal, quando uma mulher/homem trai a esposa/marido ou a esposa/marido não presta, ou a/o amante não vale nada. E assim fica fácil digerir, entender e até perdoar uma traição. Só que nesse livro a coisa é diferente. Ele nos mostra que nem sempre as coisas são assim e que muitas vezes a traição acontece por tantos outros fatores e não podemos ficar estigmatizando um ou outro lado da estória como mau caráter. O que ficou martelando na minha cabeça   quando virei a última página é que gente boa, com caráter, boa índole, também erra, faz besteira. E aí é que a porca torce o rabo... Quando a gente fica de cara com o fato de que somos tão plural, com tantas nuances que nem mesmo nós conhecemos todas as nossas facetas, fica um gosto meio aterrorizante na boca. Pelo menos na minha ficou.

No livro, acompanhamos a estória da esposa e da amante em paralelo e nos afeiçoamos às duas pessoas e até ao marido traídor. A autora consegue essa proeza: nos mostra as pessoas bacanas, com suas fragilidades, com suas falhas e a gente não sabe pra quem torcer, não sabe que fim quer que o livro tenha. A gente só gosta dos personagens e entende cada um dos motivos, enxerga, de fora, o que cada um está fazendo de errado e ainda consegue se enxergar na mesma situação, sem saber o que fazer.

Gente boa também erra. Gente bacana se arrepende e quer voltar atrás. Gente honesta derrapa e pede perdão. Difícil é a gente perdoar, porque um erro modifica a dinâmica do relacionamento entre duas pessoas, seja namoro, amizade, casamento. Principalmente quando se trata de traição, envolve preceitos de fidelidade, de confiança. E isso muda tudo. Tudo o que a gente acredita que tem, tudo no qual a gente aposta nossas fichas, de repente, parece pequeno, inútil, perda de tempo. Estranho. Acho que só quem passa ou já passou por uma situação dessas é que pode tentar explicar.

Sei que muitas vezes o erro serve pra mostrar o que a gente deve modificar, serve pra transformarmos nosso modo de encarar a vida, nosso dia-a-dia. O erro pode mostrar um outro caminho, pior, melhor? Não sei, mas pode ser um outro caminho que pode dar em algum lugar bonito, um lugar onde a gente pode se tornar pessoas melhores. Chato é que a gente precise errar ainda. Chato que a gente precise amadurecer tanto. Errar pode causar muita dor, nos outros, na gente mesmo. E muitas vezes precisamos desse processo doloroso pra crescer. Pena que, muita vezes, só o erro possa trazer o amadurecimento.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Rei Leão

Pipoca gostosa


Miguel e primas companheiras do primeiro cinema





Quando li que "O Rei Leão" estava sendo relançado no cinema em 3D, pensei que seria uma ótima oportunidade para levar o Miguel ao cinema pela primeira vez. O filme é de 1994 e eu me lembro de ter ido ao cinema assistir. Eu sempre gostei de ver filmes infantis, principalmente da Disney. Muita gente acha que é coisa pra criança apenas e não aprecia o trabalho, muitas vezes espetacular, para se fazer um filme infantil. "Shrek" e "Toy Story" estão aí pra provar isso e o cuidado que o pessoal da Disney tem na elaboração de seus filmes é incrível. A trilha sonora do filme "O Rei leão" é ganhadora do Oscar assim como melhor canção.

Por tudo isso, fiquei bem animada pra ver a reação do Miguel quando se deparasse com a telona. Eu amo cinema e queria muito dividir esse amor com meu filho. Tive duas experiências anteriores levando minhas afilhadas Duda e Rafaela ao cinema. Ambas foram comigo pela primeira vez, mais ou menos com a mesma idade, 2 anos e pouquinho. A Duda ficou mega quieta, nem se mexia, extremamente entretida com tudo. A Rafa já não parou, pediu pra ir ao banheiro, andava entre as cadeiras e eu estava curiosa pra saber como seria o comportamento do Guel.

Bem, na primeira meia hora ele ficou bem quietinho. Estava lá, com seu baldinho de pipoca, o copo com suco e estava meio bobo com o tamanho da tela, acho eu. Depois dessa primeira meia hora, a pipoca acabou e ele começou a pular de cadeira em cadeira, uma hora queria o meu colo, depois queria o colo do pai, depois queria ficar perto das primas, enfim... Quietinho, quietinho, não ficou... Mas também não pediu pra sair da sala. Estava gostando do ambiente e prestava atenção ao filme, mesmo inquieto.

Na hora em que o pai do Simbad morre e ele grita "Pai!", Miguel logo depois gritou bem alto, "pai" também e o cinema inteiro riu. Na cena em que Scar e Simbad estão lutando, Miguel dispara "Iiiihhh, bateu!! Castigo!!" A gente sempre fala pra ele que não deve bater nos amigos, bater é feio e tal e que ele vai ficar de castigo se fizer isso. Então, na cabeça dele, muito lógico seria se colocássemos os dois leões de castigo porque estavam se batendo. Sei que a palavra "castigo" está em desuso, o certo agora é ir "pro cantinho do pensamento", pra refletir sobre o que fez. Mas lá em casa a gente ainda não incorporou o novo termo e acabamos usando o bom e velho "castigo" e que no final dá no mesmo. Ele vai lá pro canto dele e fica pensando no que fez... Ou não... Quem vai saber? Bom, voltando ao filme, quando tocou a música "Hakuna Matata" - que ele nunca havia escutado - ficou animadíssimo e queria bater palmas e começou a dançar. A música ganhou o Miguel de cara.

Eu amei a experiência! O namorado ficou um pouco estressado com medo do Miguel esbarrar nas pessoas da fileira da frente, incomodar os outros, mas, no final, foi muito bom e vamos repetir muitas vezes!! Criança é criança e a reação espontânea é muito engraçada, todos acabam compreendendo e simpatizando com o bebê. As pessoas em volta já estavam rindo das reações do Miguel junto com a gente. Da próxima vez, só acho que vou comprar mais pipoca pra ele... Quem sabe a concentração do meu filho não vá durar mais de 30 minutos se acompanhada de mais pipoca?

domingo, 28 de agosto de 2011

Te amo






Eu sei que atitudes valem mais que mil palavras, já tenho idade suficiente pra ter aprendido isso. Acontece que toda mulher gosta de um "te amo" de vez em quando, faz bem pro coração, faz feliz a alma.

Eu falo "te amo, filho" pro Miguel sem nem saber se ele entende o tanto de sentimento que coloco nessas palavras, o peso que elas têm pra mim ...  "Eu te amo" só sai da minha boca quando eu realmente acredito nisso, quando meu peito se enche de tanto amor, tanto, tanto, que as palavras sobem do coração pra garganta e, por tanto amor, não consigo segurá-las na boca e aí sai o meu "te amo". Assim, sem pensar, só sentido.

Ontem, quando cheguei do trabalho fui até o quarto do Guel pra dar uns beijinhos, falar que já estava de volta. Ele estava sentado em sua caminha e eu ajoelhei perto dele e dei um monte de beijos. Parei de beijá-lo, falei que estava na hora do almoço e que depois nós iríamos ao cinema. Ele lá, olhando pra mim com aquela carinha de sapeca. De repente, sem que eu esperasse, se jogou em cima de mim passando os bracinhos em volta do meu pescoço e num abraço apertado disse: "te amo, mamãe, te amo!"

E eu chorei. E estou chorando de novo lembrando do sentimento que vivi naquele momento, do amor que me invadiu junto com o som daquelas palavras. Está eternizado o momento em que ouvi o Miguel dizer que me ama pela primeira vez. Tatuagem feita sem dor no meu coração.

sábado, 27 de agosto de 2011

Roberto Carlos


Todo mundo da minha geração cresceu com as músicas do Roberto Carlos tocando nas manhãs de domingo, exceto eu. Na minha casa a trilha sonora não tinha Roberto Carlos, não sei nem porquê. Quando eu escutava suas músicas era no rádio mesmo porque minha mãe não comprava os LPs - "LP" denuncia a idade totalmente, mas... A trilha sonora da minha casa nas manhãs de sábado e domingo era, disparado na frente, Chico Buarque, depois vinha a Bethânia, o Martinho da Vila e a Bete Carvalho.

Cresci escutando todo o repertório de Chico Buarque e, como qualquer outro adolescente que gosta de discordar dos pais, eu sempre dizia que queria escutar outras coisas mas acabava curtindo muito e hoje sou admiradora do cara e reconhecedora do quanto o Chico é um compositor genial. A voz da Bethânia é um capítulo à parte, a mulher canta demais e samba sempre esteve presente na minha vida, ainda mais da qualidade de Martinho e Bete Carvalho.

Voltando ao Rei, o pobre não marcou minha infância, não fez parte da minha vida e eu fui conhecendo aos poucos todas as vezes que ia na casa de uma amiga e a mãe estava escutando as músicas dele ou quando ía pra  casa da minha dinda - essa, sim, ganhava todo ano de Natal o LP do Rei. Só nessas ocasiões é que eu era apresentada à música do Roberto e do Tremendão, o maravilhoso Erasmo Carlos. Casamento perfeito esse de Roberto e Erasmo. Enfim, aos poucos fui conhecendo muito do trabalho dos dois e hoje sou fã. Não gosto de tudo, principalmente depois que começaram a fazer músicas pra gordinhas, mulheres de óculos, mulheres de 40, baixinhas e tal... Mas o que foi criado nos anos 60, 70 e 80, simplesmente, amo!!! E ando numa fase muito Roberto! Então hoje, na minha casa, nessa manhã de sábado, me arrumei pra vir pro trabalho ao som das músicas do Rei. E a última música que ouvi foi essa aí de cima: "Tudo Pára"...  É tão linda que me dá vontade só de ser feliz e mais nada. E bom sábado pra todo mundo!!