quarta-feira, 16 de maio de 2012

A Saga do Coco






Desfraldar totalmente uma criança pode ser fácil pra alguns, pra mim foi fácil em parte: a parte do xixi. Comecei a tirar a fralda do Miguel quando ele já tinha 2 anos e 7 meses. Sei que há crianças que começam bem antes disso, mas não achava meu filho maduro o suficiente. Em pouco tempo, ele não usava mais fraldas e hoje, aos 3 anos, vai ao banheiro sozinho pra fazer xixi, raramente pede minha ajuda. Acho muito fofo quando estou no meu quarto e ouço o barulho dele suspendendo a tábua do vaso sanitário pra fazer o xixi. É claro que vez ou outra, quando está brincando e fica com preguiça de parar a brincadeira, ele faz na roupa. É preciso ter paciência, mas confesso que depois de vê-lo fazer xixi sozinho milhões de vezes, não lido muito bem com o fato de o Miguel ser teimoso pra caramba! Várias vezes, antes de sair de casa, por exemplo, falo pra ele ir ao banheiro e ele diz que não quer, resultado: logo depois faz xixi na roupa e isso me aborrece, sim. A verdade é que não podemos perguntar pra criança se ela quer fazer xixi, é preciso dar uma voz de comando e pronto. Mas o xixi é assunto resolvido, não me dá problema. 

A questão aqui é o famigerado coco. Gente, conto nos dedos as vezes em que Miguel fez coco no vaso. Observo quando ele vai pra um cantinho, vejo que está fazendo força pra fazer coco, falo pra gente ir pro banheiro e tal e ele não quer de jeito nenhum. Eu fico com medo de ele ficar com prisão de ventre - o que aconteceu quando comecei a desfraldá-lo - e acabo deixando-o à vontade. Ele ainda pede: "Num olha não, mamãe. Vira pra lá." Enfim, lavar cuecas sujas de coco está virando rotina diária e me pergunto quando isso vai acabar. 

Não é que esteja preocupada com isso, na verdade estou até bem conformada com essa sina de lavar cuecas sujas, mas será que eu não deveria ser mais enfática com relação a este assunto? Simplesmente não estou me estressando com o fato do meu filho estar se recusando a fazer coco no vaso, estou dando o tempo que ele precisa. Mas como mãe é um ser que nunca sabe se está fazendo certo, fico me perguntando se deveria insistir mais e levá-lo pro banheiro na hora em que vejo que ele vai fazer coco. 

Em certas ocasiões, Miguel pede pra fazer coco no banheiro, em algumas realmente é o que acontece, mas na maioria das vezes ele fica sentadinho por um tempo e não faz nada. Logo depois ele faz... Na roupa. E assim vamos indo: ele fazendo coco na roupa e eu limpando e ainda agradecendo a Deus por ele não estar com prisão de ventre. E mãe é resignada, né? Nunca pensei que fosse lavar tanto coco sem ter ânsia de vômito. Deve ser porque coco do filho da gente é diferente... A que ponto chegamos por um filho ... Tem hora que dá vontade de pegar a cueca e jogar no lixo, mas eu respiro fundo e vou pro tanque, afinal, não sei quando essa estória vai acabar e, pelo andar da carruagem, se for jogar todas as cuecas cagadas fora, ainda vou gastar muito dinheiro comprando cuecas pro Miguel.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Parc Omega




O parque fica no caminho para Mont Tremblant e eu e o namorado realmente não sabíamos se deveríamos gastar nosso tempo e dinheiro fazendo esse passeio. O principal motivo é que não sou muito amante de animais, quer dizer, nunca trataria mal um bichinho, mas não gosto da idéia de tê-los. Bicho dá trabalho pra caramba e se é pra ter um bichinho é pra cuidar direito, como não tenho disposição e não quero dispor de mais tempo pra isso, sempre digo que não quero saber de bichos em casa. Enfim, por isso e por morar em um país cheio de animais, não estava vendo muita graça em fazer o tal passeio. 

Acontece que o parque não é um zoológico em que os bichos encontram-se enjaulados, na verdade, a gente passa por eles de carros e eles chegam muito perto, chegam a colocar a cabeça pra dentro se você tiver uma cenourinha pra oferecer. Além disso, as paisagens são bacanas e o parque é muito bem cuidado. E, é claro, vi bichos que nunca veria no Brasil, cervos, alces, búfalos, lobos, guaximins, veados  e o mais esperado de todos:  o urso. 

No final das contas, achei bem legal, foi uma experiência válida ainda mais que fica no caminho entre Ottawa e Montreal e não tivemos que desviar do caminho. Outras pessoas que gostam mais da vida animal estavam maravilhadas, não foi o meu caso, mas é porque, como já falei, não sou amante dos bichos. 









quinta-feira, 10 de maio de 2012

Terceiro Aniversário

Sempre achei fazer aniversário bom demais! E acho que meu filho herdou esse meu gostar. Miguel estava ansiosíssimo desde ontem, porque hoje seria o dia da festinha dele na escola. Já acordou animado, ganhando seu presente. Ficou brincando a manhã inteira e fez questão de levar o presente pra escola. 

De fato, Miguel teve um progresso absurdo nesses 3 meses em que está frequentando a nova escola. No princípio, pensei que fosse ficar bem tímido por mais tempo, mas o que aconteceu é que Miguel está interagindo maravilhosamente bem com os amigos, sua professora, as estagiárias e até com os professores das outras turmas que estão sempre  brincando com ele quando estou chegando na escola para deixá-lo. Miguel está à vontade e, hoje, especialmente feliz por estar completando 3 anos e comemorando junto com os colegas. 

À noite tem mais um "parabéns" lá em casa e sábado a festinha dele mesmo. Estou louca pra chegar logo e fico pensando em todos os preparativos e na alegria do meu filho. No dia de hoje, com tantos amigos meus desejando tudo de bom pro Miguel, pessoas que nem convivem com ele, mas que o conhecem de me ouvir falar, de contar suas estórias e travessuras, lembro do que sempre escutei minha mãe repetindo: "Quem meus filhos beija, minha boca adoça." Estou feliz hoje como se fosse meu aniversário, estou feliz hoje porque vejo o quanto meu filho é querido e isso é tão bom... Deixo aqui registrado minha cartinha pro Miguel, cartinha que um dia, eu sei, ele vai ler e entender um pouco do que sinto hoje. 


"Miguel, meu amor, minha delicinha... 

Não é segredo pra ninguém que eu não sabia se queria ter filhos. Acho que eu tinha medo de não ser uma boa mãe. Só que o tempo passou e vejo que aquele tic-tac no meu peito, aquele barulhinho de  relógio que me mostrava que o tempo estava correndo e que passou a me chatear toda noite quando eu ía dormir, foi um sinal de Deus para que eu acordasse, para que eu visse que precisava viver tudo isso que vivo diariamente com você. 

Quando eu e seu pai olhamos pro seu rostinho hoje de manhã, ainda dormindo, nos abraçamos e nos demos parabéns também. Parabéns por termos passado por esses três anos juntos, ainda mais unidos e fortalecidos por sua presença. Parabéns por termos arriscado formar uma família linda. Abraçados,  nos congratulamos por termos você. Você é nosso presente maior, nosso amor maior, nosso melhor sonho. Eu e seu pai temos muitos planos, muitos objetivos a serem atingidos, muitos projetos pra pôr em prática, muitos sonhos pra sonhar, mas de tudo o que queremos da vida, acredite, o que mais desejamos é que você seja feliz. 

Feliz aniversário, Miguel. Te amo.

Mamãe"

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ottawa

Chegamos ao meu lugar favorito da viagem ao Canadá!!! Nunca pensei, quando planejamos nossa viagem, que a cidade que me deixaria realmente encantada seria Ottawa. Mas foi. Simplesmente me apaixonei pelo lugar e, posso dizer, com certeza, que nenhuma das outras cidades que visitamos depois dela foi tão encantadora. Engraçado é que tantas pessoas falam muito de Montreal, Toronto e Quebec e não dão, na minha opinião, o devido valor a esse lugar lindo. Talvez porque Ottawa seja a mais pacata das cidades vizinhas e não tenha mesmo muita badalação. De repente foi por isso que gostei tanto, senti uma paz enorme na cidade e me senti em casa. Sou muito ligada em energia e amei o ritmo de lá.

Ottawa fica às margens do Rio Ottawa, pertinho de Quebec. Lá fica o maior ringue de patinação do mundo porque o canal Rideau congela e pode-se patinar no gelo por 8 quilometros. Estava fazendo um frio danado e, à noite, pegamos uns 2 graus em plena primavera. A arquitetura do lugar é maravilhosa, a cidade parece toda em harmonia e me deu vontade de ficar mais tempo. Lá está o Museu das Civilizaçoes, um dos museus mais legais que já visitei. Há uma parte só pra crianças que é imperdível, totalmente interativo, tem um pouquinho de cada país em miniatura, quer dizer do tamanho ideal da perspectiva de uma criança e elas brincam muito, participando de todas as atividades propostas pelos funcionários do museu. Me deu uma vontade enorme de estar com o Miguel lá porque sei que ele teria amado!

Um professor fofo que trabalha comigo está planejando uma visita ao Canada em suas férias e não havia incluído Ottawa em seus planos, principalmente depois que uma amiga lhe disse que Ottawa era "uma Brasília melhorada". Gente, eu conheço Brasília e, com todo respeito aos moradores da nossa capital, olhem as fotos e tirem suas próprias conclusões... Eu só posso entender que a pessoa que fez esse comentário infeliz nunca esteve em Ottawa ou nunca esteve em Brasília... 


Chegando em Ottawa - cidade ao fundo


Estátua do de um dos melhores pianistas de jazz do mundo: Oscar Peterson


Hotel Chateau Laurier ao fundo


Memorial da guerra








Parlamento




















Museu das Civilizações


Galeria Nacional de Arte


Catedral de Notre Dame



domingo, 6 de maio de 2012

A thousand Islands










No dia em que deixamos Toronto em direção a Ottawa, fizemos um passeio de barco pelas ilhas conhecidas como "A Thousand Islands". Nesse passeio navegamos pelo rio St. Lawrence e podemos ver algumas das mais de mil ilhas existentes alí. Umas maiores e outras bem pequenas, nelas existem casas simples e outras magníficas, castelos até, mas para serem consideradas uma das mais de mil ilhas, cada uma deve possuir, pelo menos, uma árvore. É uma área para férias de verão também, lógico que para os mais ricos. É ali também que podemos ver a menor ponte do mundo que liga duas ilhas em paises diferentes: uma do lado do Canadá e a outra do lado dos EUA. O passeio dura cerca de 1 hora e a paisagem é linda.







sábado, 5 de maio de 2012

Mãe e filho


7 meses


1 ano e 3 meses


1 ano e 10 meses


2 anos e 2 meses


2 anos e 4 meses


 2 anos e 10 meses



2 anos e 10 meses


O dia das mães está se aproximando e é inevitável pensar em tudo o que vivi com o Miguel até hoje. O dia das mães de 3 anos atrás marcou a chegada do meu filho à minha vida e nessa época sempre reflito a respeito de tudo o que vivo com ele. 

Sabe, no primeiro ano de existência de uma criança a gente se doa tanto, tudo é tanto pr'aquele bebezinho que é normal a gente se esquecer um pouco da mulher que era antes. Ou é normal sentir saudade da mulher que era antes. No segundo ano do bebê, a gente meio que já se acostumou com o caminhão de mudanças que estacionou em frente a sua casa e está lutando pra sobreviver a todas elas. Só que no terceiro ano... Ah, o terceiro ano é mágico. É nesse período que seu filho nota que ele não é o centro do universo, que ele começa a aprender que o mundo não gira em torno do próprio umbigo e essa transformação muda tudo. 

Nesse ano que passou, fui descobrindo um Miguel mais antenado com o que existe no mundo além dele mesmo e isso inclui a mim. Noto, a todo instante, que ele se preocupa comigo, começa a me enxergar não apenas como provedora, responsável por sua subsistência, mas como uma criatura que tem sentimentos. Ele me pergunta, com carinha de preocupado, se estou triste quando estou chorando e pergunta o que aconteceu. Depois, me abraça, me beija e pergunta: "Está feliz, mamãe?" Meu filho está crescendo e está interagindo comigo e com o mundo e isso me emociona. 

Esse terceiro ano é, de longe, melhor que qualquer experiência que já vivi. Miguel suga tudo o que vê e o que escuta. Aprende e usa no momento certo. Nada passa por ele sem ser notado. É esperto e conversa comigo feito um tagarela, está cada vez mais articulado... E usa palavras que eu uso com frequência e repete minhas caras e bocas, meus bicos, minhas expressões faciais. Na hora de se vestir, quer sair como o pai: se Hugo usa cinto, ele pede pra colocar o dele. Se o pai está usando boné, ele pede o dele também. Pais são exemplo a vida toda, mas nessa fase, somos como espelhos. 

É lindo me ver em meu filho. É lindo observar seu desenvolvimento e notar essa ligação que estamos criando, todo dia um pouquinho, ficar cada vez mais forte. Adoro ver que estou no caminho certo, que estar com o Miguel é tão delicioso pra mim quanto um pedaço de bolo de chocolate. Amo meu filho como jamais amei alguém em minha vida e recebê-lo foi o melhor presente de dia das mães que eu recebi. Há 3 anos minha vida não é a mesma, há três anos não sou a mesma. Meu Deus, Senhor de bondade e amor, obrigada por ter me concedido a benção de ser mãe e, assim, poder viver o maior amor do mundo! E, ainda, obrigada por ser a mãe do Miguel. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Niagara on the Lake

Perto de Niagara City, Niagara on the Lake é uma cidadezinha que fica à beira do rio com nítida influência britânica, mais ou menos 13 mil habitantes e é muito fofa demais. Parecia que eu tinha voltado no tempo e estava em alguma pequena cidade inglesa do interior. A influência inglesa na arquitetura é gritante. Eles vivem tanto pra época de verão que muitas lojas estavam com placas comunicando a data de reabertura para fins de abril, quando a primavera já está avançada e o verão próximo. 

Muitos canadenses gostam de ir pra lá pra descansar e passar as férias de verão, já que fica apenas a 1 hora e 30 minutos de distância de Toronto e a cidade vive do turismo. Entretanto, no inverno a cidadezinha  fica quase sem atividade, o movimento é apenas dos moradores. Dá pra conhecer tudo em uma caminhada de 1 hora, 1 hora e meia e é incrível como em plena primavera estávamos pegando 5 graus.