sábado, 24 de dezembro de 2016

Papai Noel

Li um artigo outro dia com uma ótima sugestão para contar pra crianças que estejam desconfiando da existência de Papai Noel. Achei muito apropriado pra mim porque Miguel vem me perguntando a respeito. Então, vou deixar aqui registrado a cartinha que escrevi pra ele em nome do Papai Noel porque o presente que ele queria ganhar não chegou. Acho que vai dar certo....

Miguel, quero lhe pedir desculpas porque esse ano eu me enrolei muito com a compra dos presentes de Natal. Cada vez existem mais crianças no mundo e muitas não tem nada, sabe? Mas eu não desisto de ajudar e de tentar fazer com que o Natal seja um dia mais feliz. Eu esqueci de trazer seu brinquedo (Lego Dimensions) da Finlândia – onde fica a minha casa – e quero que me perdoe por isso. Deixei uma lembrança e quero que você saiba que seu presente vai ser enviado pelos correios. Assim que eu chegar em minha casa para descansar de todo esse trabalho, vou enviar seu presente.
Você foi um menino ótimo durante o ano todo! Merece ganhar o que pediu, sim. É muito carinhoso com suas avós, respeitador com seus professores e colegas e uma alegria na vida de seus pais. Além disso, está lutando para ter boas notas, vencendo seus medos. Eu vejo seu esforço e dedicação.
Quero conversar com você também sobre outro assunto... Você cresceu muito no último ano, está mais alto, mais responsável. Mas tem uma coisa que nem todo mundo consegue ver, mas eu vejo: seu coração está maior também. Eu posso perceber o tamanho do seu coração bondoso quando não deixa sua avó caminhar sozinha pelo shopping, quando tentar ajudar alguém, quando chora emocionado com um filme, quando quer proteger sua mãe na rua e quando tem sempre um sorriso no rosto para todos que chegam perto de você.
Na verdade, Miguel, seu coração cresceu tanto que estou certo de que você está pronto para se tornar um Papai Noel. Você provavelmente notou que a maioria dos Papais Noeis que você vê são pessoas vestidas como ele. Alguns de seus amigos já devem ter lhe contato que Papai Noel não existe. Muitas crianças pensam isso porque elas ainda não estão preparadas para ser um Papai Noel. Mas você está.
Papai Noel é qualquer pessoa que queira ajudar, qualquer pessoa que faça o bem, que divida o que tem com outra pessoa. Pode ser um copo de água, um prato de comida, um carinho, um sorriso. Todos podemos ser Papai Noel, é só querer. Muitos demoram mais tempo para ficar prontos, alguns nunca ficam prontos e preferem acreditar que Papai Noel não existe. 
Eu reparei que você está pronto! Não precisa mais tanto de mim porque de hoje em diante será também um Papai Noel. Tive certeza disso quando você esteve com sua mãe naquela festa, ajudando aquelas crianças que não tem brinquedos e coisas gostosas para comer em suas casas. Você deu picolé para elas, brincou, sorriu, teve paciência e ajudou a entregar os presentes. Vi que você está pronto quando conversou com a Katia querendo saber de seus problemas e tentando encontrar uma solução. Sem dúvida, você está preparado para ser um Papai Noel, assim como seu pai e sua mãe também são.
Por isso, a partir de hoje, você sabe que eu existo. E que tenho muitos amigos que também são Papai Noel espalhados pelo mundo inteiro. Você também é Papai Noel e tem uma missão secreta que não deve contar a ninguém, somente para seu pai e sua mãe. Todas as vezes que você encontrar alguém precisando de alguma coisa e notar que você pode ajudar, ajude. Essa é a tarefa do Papai Noel. Você não pode fazer mais que suas possibilidades, mas pode contar com a ajuda de seu pai e sua mãe para ajudar quem você quiser e achar que precisa de ajuda, está bem? Continue assim e eu continuarei a lhe trazer seu presente todo final de ano. Você merece! Boa sorte com seu novo trabalho como Papai Noel! E lembre-se sempre: fazer o bem e dar amor só traz ainda mais bondade e amor para nossa vida.
Lembre-se: tenha paciência porque logo, logo seu presente chegará!
Com amor,


Papai Noel. 

terça-feira, 10 de maio de 2016

7 anos




Miguel, hoje é seu sétimo aniversário. Não consigo evitar me emocionar nesse dia tão importante pra mim. Na verdade, um dividor de águas na minha vida porque seu nascimento separou a Paula de antes do Miguel da Paula de depois do Miguel. 

Então vou falar de mim, das mudanças que sua presença em minha vida operou. 

Você virou tudo de cabeça pra baixo e confesso que quase enlouqueci. Foram 3 anos sem dormir uma noite inteira porque você sempre foi bom de boca e acordava pra mamar. Eu não tinha mais tempo pra mim, eu só tinha olhos pra você e sentia falta da minha vida livre e descompromissada de antes de você. Tudo parecia muito pesado, a rotina extenuante. Eu que sempre devorei livros, passei quase dois anos inteiros sem ler nada. Pra algumas mulheres é fácil, filho. Pra mim, foi bem complicado. 

Mas a mágica da maternidade começou a atuar na minha existência. De pouquinho em pouquinho, me descobri uma mulher diferente, com meu coração e olhos ligados em você. Cheia de interesses diversos dos seus, mas com um amor capaz de me fazer abrir mão de muita coisa pra estar perto de você e pra ver você feliz. Hoje sou uma Paula muito chorona, uma Paula cada vez mais ciente de minhas limitações e com muita vontade de superá-las porque você existe. Eu quero ser melhor pra poder deixar você livre, quero ser melhor pra poder deixar você voar sabendo que seu ninho sempre estará guardado no quentinho do meu colo. 

Ontem, quando você cismou que queria comer sonho e eu dei um jeito de achar o tal do sonho pra você, feliz por ver você feliz se lambuzando de doce de leite, lhe disse:

- Essa sua mãe sempre dá um jeitinho de fazer você feliz, né, Guel?

Muito pé no chão, muito maduro, me deu aula na resposta, como está virando costume:

- Sim, mãe. Mas, olha, nem sempre você consegue.... Mas eu sei que você sempre tenta me fazer feliz. Você sempre se esforça, você nunca desiste, mãe... 

Filho, uma vez desejei que você soubesse  que não sou a mulher maravilha, que sou humana e cheia de falhas. E você me mostrou que aos 7 anos já entendeu isso. Sou somente uma mulher que se tornou mãe ao seu lado e que se esforça arduamente em cada minuto do seu dia pra acertar. E é verdade, Miguel... Nem sempre consigo. Que maravilha saber que você sabe que eu tento, sempre e muito, com todas as minhas forças, fazer você feliz. 

Obrigada por esses 7 anos ao meu lado. Te amo mais que tudo. Você é minha vida, meu presente.

Feliz aniversário!!

Mamãe

sábado, 7 de maio de 2016

O mais importante



Essa nossa última viagem de férias foi uma grata surpresa. Recebemos tantos presentes do universo, foram tantos momentos felizes, divertidos e encantadores que fica difícil escolher um. Uma sequência de dias lindos que incluíram ver neve caindo e baleias pulando no mar da costa do Oregon enquanto tomávamos café da manhã. E o inesperado é sempre tão mágico, tão delicioso. Não dá pra esquecer.

No último dia de viagem estávamos jantando e foi inevitável que a conversa girasse em torno de tudo o que tínhamos tido a oportunidade de viver, de conhecer, de aprender durante nossas férias. Na conversa, houve um momento em que me lembrei desse video aí do post. Nele, pergunta-se a vários pais quem eles escolheriam para jantar se pudessem escolher qualquer pessoa, viva ou morta, para viverem esse momento de partilharem uma refeição. A mesma pergunta foi feita para os fihos desses adultos minutos depois. 

Lembrei do video porque em dado momento cada um de nós começou a pontuar seu momento preferido ou lugar preferido da viagem. Namorado disse que seu momento preferido foi ter conhecido a fábrica da Boeing em Seattle. Berenice disse que amou o Crater Lake National Park (que é mesmo de tirar o fôlego de qualquer um!) e eu disse que amei ser surpreendida pela baleia saltitante em sua rota de retorno depois do inverno em nosso café da manhã em Yachats. Aí chegou o momento do Miguel dizer o que mais havia gostado em toda a viagem. E aí meu bebê, aquele que outro dia ficava no meu colinho o dia inteiro, usando fraldinhas, dormindo em seu berço, falou assim:

- Nossa... Eu gostei de tudo, sabe, mãe? Nossa viagem foi linda. Mas o que eu mais gostei mesmo foi de ter passado todos esses dias juntinho com a minha família!

Eu, Namorado e Berê trocamos olhares emocionados. Todos preplexos com a pureza da resposta e sua grandiosidade. Eu chorei. A lágrima pulou do meu olho sem eu querer. E eu quero, de novo e de novo e de novo, agradecer a Deus por ter um filho como o Miguel. Alguém que me faz lembrar o que realmente é importante na vida. Como eu amo esse menino....

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Intimidade



Intimidade é algo construído dia-a-dia. Não é algo que se adquire de uma hora pra outra. Desconfio muito de relacionamentos que parecem íntimos de repente, do nada. Na minha cabeça, é difícil eu conhecer alguém hoje e amanhã ser a melhor amiga de infância. Na minha casa convivia com meu pai muito mais tempo que com minha mãe (meu pai passava mais tempo em casa que minha mãe), mas tinha muito mais intimidade com minha mãe que com meu pai. Minha mãe estava disponível pra me escutar, meu pai representava o imprevisível, era o que eu não conhecia e isso me dava medo. A bebida interferiu muito na nossa relação uma vez que qualquer pessoa torna-se duas se bebe: uma quando está sóbria e outra quando está sob efeito do álcool. Eu ficava um pouco perdida, meio sem saber como agir e isso só mudou quando eu já era bem adulta, com maior compreensão. Conforme fui perdendo a revolta pelo tempo perdido, mais fácil foi perdoar e seguir em frente. 

Desde que Miguel nasceu, tenho em minha cabeça esse objetivo: de que meu filho tenha confiança em mim, que a gente possa ter intimidade pra me contar suas dificuldades, suas faltas, suas vitórias, seus medos, seus anseios. E como sei que intimidade se constrói todo dia um pouquinho, nas pequenas atitudes, nas coisas bobas do nosso cotidiano, fui procurando estar dispoível pra ele, ao alcance de sua mão, mesmo longe fisicamente, por vezes, mas presente na qualidade do nosso tempo. 

Eu quero conhecer meu filho e me surpreendo e me chateio com tudo o que vou aprendendo sobre ele. Ele não veio ao mundo pra satisfazer minhas expectativas, não veio ao meu encontro pra mostrar pro mundo o quão boa mãe eu sou. Ele veio pra ser ele e eu repito isso como um mantra para que possa aprender e respeitar. 

Sempre procuro saber do dia do meu filho. O que aconteceu na escola, o que o fez feliz, o que o fez dar risada e sei, só de olhar pra ele, se viveu algum momento de tensão, insatisfação. Se brigou com algum amigo, se está com raiva por alguma razão. Na maior parte das vezes, quando não quer falar na hora que eu pergunto, sei que mais tarde ele virá me contar o que houve, no tempo dele. Todos os dias antes de dormir rezamos e conversamos. A conversa gira em torno das coisas bobas do dia, o que vamos fazer no final de semana, o que gostaríamos que acontecesse. E é no escurinho do quarto que nos abrimos mais. Ele fala muito dele mesmo porque eu pergunto muito o que ele pensa disso e daquilo. Sobre a escola, assunto recorrente em nossas conversas, pergunto sempre se tem ficado de boquinha fechada (ele conversa muito e é agitado), se tem se atrasado pra fazer as atividades propostas pela professora (com tanta conversa, algumas vezes se atrasa pra copiar as atividades), se conseguiu ir pro recreio (às vezes ele perde o recreio pra colocar suas tarefas em dia), enfim, busco saber dele e dou conselhos. 

Essa semana, depois dessa nossa conversa que acaba quando já estou com os olhos fechando de tanto sono (não raro ele ainda quer continuar a conversa quando já nem aguento mais abrir minha boca), fui dizer boa noite e ele falou:

- Não, mãe... Peraí... Quero saber umas coisas de você. Posso perguntar? 

Respondi que sim e esperei. Miguel começou:

- E no seu trabalho, mãe? Como foi o seu dia? Os alunos estão indo pra escola? Tem alguém que está faltando muito? Você teve que conversar com muitos pais hoje? Você fez todas as suas atividades ou tem alguma atrasada? Você conversou com seus amigos do trabalho?

Nossa... Fiquei rindo por dentro e fui respondendo cada uma daquelas perguntas muito impressionada por meu filho saber tanta coisa do meu local de trabalho. As perguntas que me fez são muito pertinentes ao meu dia-a-dia, ele escuta minhas conversas com o Namorado e sabe muita coisa sobre o meu dia. E também sabe transferir as preocupações que mostro ter com sua escola para o meu trabalho. 

Eu achei tão lindo ele demonstrar essa preocupação, querer saber de mim, do meu dia, da minha rotina. Senti uma parceria bonita crescendo, fazendo parte do nosso relacionamento. Senti um carinho verdadeiro, uma entrega. Ele se importa comigo, tanto quanto me importo com ele. E isso é tão bom de sentir, principalmente no relacionamento mãe e filhos. Estamos tão acostumadas a nos doar sem esperar NADA em troca que ficamos surpresas quando vemos que o filho se importa com a gente. Talvez porque pra mãe o mais importante é ver o filho feliz, não estamos acostumadas a pensar em retorno quando tratamos desse tipo de relacionamento. Por isso que dizem por aí que é o único amor incondicional. E é a mais pura verdade. 

Eu e Miguel estamos construindo nosso relacionamento um pouquinho a cada dia. E é muito bonito de ver que sinto estar indo pro caminho certo nesse sentido. Estamos ficando íntimos, de pouquinho em pouquinho. Miguel me devolve, em suas atitudes, muito, muito amor. E ele nem sonha o quanto sou feliz só por ele existir em minha vida... 


segunda-feira, 21 de março de 2016

Coelho da Páscoa



Quando pequena, minha mãe sempre escondeu os ovos de Páscoa dizendo que o coelho os havia trazido. Nunca fiz isso com o Miguel. Sempre comprei o ovo de chocolate pra dar a ele, a família toda sempre o presenteou com ovos de Páscoa, mas realmente nunca fiz a brincadeira de domingo de Páscoa com ele. Esse meu jeito muito prático de ser, muitas vezes atrapalha. Eu faço o estilo "a vida nua e crua" e deixo a desejar no que diz respeito à fantasias. Até porque tenho preguiça dessas coisas, sabe? Fazer pegadinhas de coelho com adesivos pela casa ou com talco, fazer o rastro do coelho pra levar até os ovos de chocolate, deixar pistas pela casa... aff... Canso só de pensar. Podem me julgar, mas não tenho o menor saco pra essas coisas. 

Esse ano, com o preço do ovo de Páscoa nas alturas, fui conversar com meu filho e lhe disse:

- Filhote, esse ano a mamãe não vai comprar ovo de Páscoa pra ninguém, estão muito caros. Além disso, a gente tem sempre chocolate em casa e não vale a pena gastar esse dinheiro só pra comer chocolate em forma de ovo. Seria uma bobagem. Tudo bem, Miguel?

Aí, meu filho que me escutava atentamente, manda essa pérola, muito sério:

- Tá bom, mãe. Também... Esse coelho da Páscoa NUNCA me trouxe um ovo mesmo... Se nem ele me trouxe ovo, eu não vou ficar chateado se você não me der.

Fiquei olhando pra cara dele, sem ter o que dizer. Me dei conta, naquele instante, que o fato de eu nunca ter escondido os ovos de Páscoa pela casa na intenção de fazer meu filho acreditar que tinham sido trazidos pelo coelho, não fez Miguel não acreditar no tal coelho, apenas fez com que ele acreditasse que o coelho, sabe-se lá por que motivo, nunca esteve lá em casa, nunca lembrou de trazer o ovo dele. 

Decidi que esse ano serei "uma mãe melhor" e que vou esconder o ovo "trazido pelo coelho". Conversando com o Miguel, disse que tinha passado um email para o coelho da Páscoa - tempos modernos! - pra conferir se ele sabia exatamente onde ficava nossa casa. E que o coelho disse que estava com o endereço errado por todos esses anos, mas que dessa vez acharia nossa casa, com toda certeza. Aí, Miguel me perguntou:

- Mãe, por onde será que o coelho vai entrar na nossa casa?

Respondi:
- O Coelho da Páscoa sempre acha um jeito, eles são muito rápidos e espertos. 

Miguel continuou:
- Mas, mãe, você pode passar outro email pro coelho pra gente pedir outra coisa pra ele?

Meu Deus, pensei, o que mais esse garoto vai querer que o tal do coelho faça? Entretanto, mediante a culpa de ter deixado meu filho sem a fantasia lúdica do ovo de Páscoa trazido pelo coelhinho por todos esses anos, disse ao Miguel que tudo bem, poderia passar outro email e perguntei o que ele queria que eu escrevesse pro coelho. Miguel respondeu:

- Mãe, será que você pode pedir pro coelho esconder meu ovo em um lugar bem fácil de encontrar? Fala pra ele, mãe, que eu sou um menino preguiçoso pra ficar procurando muito tempo...

Resumo da ópera: eu sou a mãe perfeita pro meu filho. Eu com preguiça de esconder os ovos, ele com preguiça de procurá-los. Deus é ou não é maravilhoso?




terça-feira, 15 de março de 2016

Aniversário de CCAA




Entrei no CCAA com 13 anos. Nem pensava em estudar inglês fora da escola, onde tinha sérios problemas pra entender o verbo TO BE. Minha irmã surgiu com a ideia em casa e minha mãe nos matriculou. Desde a primeira aula, achei o máximo. Entendia tudo o que passei anos achando dificílimo. Nunca pensei que essa escola marcaria tanto a minha vida. Tive professores maravilhosos (Edna, Mansur, Soraya Farage) e, mesmo já cansada por tantos anos de estudo, devo a eles a alegria de ir pras aulas durante 6 anos e meio. Nunca imaginei que o CCAA não mais sairia da minha vida. Lá se vão 32 anos. 

Quando terminei o curso, sentia que ainda não era a hora de ficar longe do idioma pelo qual me apaixonei. Resolvi fazer o Teacher´s Course. No meio do caminho, senti um fogo aquecendo meu coração. Fazia faculdade de Relações Públicas, mas só pensava em dar aulas. Por isso, quando em 13 de março recebi o telefonema me oferecendo uma turminha que começaria no dia seguinte, eu exultava de felicidade. Depois, soube que a tal turminha era em Niterói e fiquei meio murcha. Tinha 21 anos, filhinha de mamãe, não tinha a menor ideia de como chegar em Niterói, mesmo assim aceitei. Telefonei pra minha mãe e contei a novidade dizendo que achava que não tinha feito muito bem em aceitar, afinal de contas, nem sabia como chegaria no CCAA de Niterói. Minha mãe, sempre sábia, disse o que eu precisava ouvir:

- Filha, não interessa se você não sabe. Se não sabe, aprende! Você começa com uma turminha longe de casa, amanhã estará com outras mais perto. O importante é começar. Vai aceitar, sim!!

Lógico que aceitei. O CCAA de Niterói foi um local de muito aprendizado pra mim. Não só dentro da sala de aula, onde cada vez me sentia mais feliz, mas porque lá conheci pessoas que me incentivaram e ensinaram muito. Meu primeiro diretor, o Mauro, sempre foi muito bacana e educado, sempre teve um jeito tranquilo de colocar suas críticas, sempre buscando o crescimento de quem estava a seu redor. No CCAA de Niterói fiz amigos pra vida toda. Dei risadas deliciosas, chorei, vivi momentos que ficarão pra sempre. Tive outros diretores nos muitos CCAAs onde tive o prazer de trabalhar, Ana Lucia, de Ramos, Marisa, de São Cristóvão, Marcia, aqui da Ilha. Sempre serei grata pelo tanto que aprendi com essas pessoas.  

O CCAA sempre acreditou em mim. As pessoas do departamento de ensino, do departamento de coordenação, sempre viram em mim algo que eu não enxergava na época. Sempre vivi a vida sem pensar tanto no futuro, sem muito planejamento de carreira. Eu estava feliz e pronto. Por causa de uma das coordenadoras, a Jane, sou diretora hoje. Ela foi quem me chamou e disse que eu seria excelente diretora quando isso nem de longe passava pela minha cabeça. Devo muito ao antigo diretor de RH, o Nielson. Depois de 6 meses no progama trainee cobrindo a licença maternidade da querida Valnice, o cara simplesmente me chamou pra dizer que eu assumiria a unidade da Ilha do Governador, unidade muito maior que Del Castilho, onde eu estava. Quando sai da sala dele com essa notícia, achei que não fosse conseguir chegar até meu carro. Minhas pernas tremiam com o peso da confiança absurda depositada em mim e que eu sempre fiz questão de honrar. E no CCAA Ilha estou até hoje. São 18 anos aqui.

Olhando pra esses 23 anos como funcionária do CCAA, sinto uma enorme vontade de agradecer. Aos meus professores de TC: Thomaz, Eliana Borges e Eloisa Cardoso. A todos do Departamento de Ensino da época em que eu estava dando aulas por tantos aprendizados a cada aula minha assistida, a cada treinamento e em cada conversa: Deise, Lobato, Rosangela Ferreira, Leticia...

Preciso agradecer ao pessoal do antigo DECOR por cada vez que vinham fazer uma auditoria, com eles aprendi muito. Madalena, Elaine, Jane, Sandra... A Sandra me deu o maior esporro que tomei na vida. Um esporro classudo, sem levantar a voz, sem se alterar, dentro da minha sala, essa mesma sala onde estou agora escrevendo esse texto. Porta fechada, me "descascou". Devo muito a ela por conta dessa bronca. Quando a lavagem de roupa suja acabou, prometi que NUNCA MAIS cometeria os mesmos erros. E cumpri. Cometo erros, sim, nunca os mesmos. 

Sou tão grata a essas pessoas que não tenho como colocar em palavras. Só posso dizer que devo a todos eles pela profissional que sou hoje, devo também aos professores meus colegas e aos diretores meus colegas com quem trabalhei e com quem trabalho até hoje e de quem "roubei" tudo o que achava bacana em cada um deles. Agradeço aos professores e secretários que fazem parte do meu time, com quem aprendo diariamente. E agradeço a todos os que foram meus alunos porque com eles aprendi demais, com certeza mais que ensinei.

No último domingo, dia 13 de março, fiz aniversário de empresa. Aqui estou contribuindo e dando meu sangue há 23 anos. Nunca trabalhei em outro lugar. Sempre fui muito feliz aqui. O CCAA é a minha casa. Tão minha casa quanto a casa onde durmo todas as noites. Tenho um amor enorme por esse lugar, um respeito absurdo. Tudo o que tenho e que conquistei, o fiz enquanto estava aqui dentro. O CCAA é uma parte importante da minha vida, aqui sou extremamente satisfeita. Por isso é que quando meu filho me perguntou hoje de manhã porque é que eu trabalho, fiz questão de lhe dizer:

- Porque eu amo meu trabalho, filho! Eu sou feliz trabalhando no CCAA! 

segunda-feira, 7 de março de 2016

O que tem valor pra você?




Dia desses eu estava nas redes sociais e me deparei com essa frase aí de cima. Nada poderia ser mais distante de mim. Não porque não dê valor a tudo que é difícil de conseguir ou conquistar, mas porque não consigo compreender achar que SÓ o que é difícil vale a pena ou tem valor. Na minha vida muitas coisas muito valiosas vieram com facilidade.

Vamos pensar. Será que aquela viagem que você planejou por um ano inteiro ou mais, pra qual você economizou cada centavo e fez várias horas extras no trabalho se privando, muitas vezes, de saídas e mais horas de sono vai ser mais legal que aquela de última hora, pra qual você é convidada assim, sem esperar, e mete as caras e vai? 

Será que aquela pessoa que você considera maravilhosa e que amaria que fosse seu companheiro, por quem você fica nutrindo uma paixão platônica por meses e que, finalmente, resolve lhe chamar pra sair ou aceitar um convite seu vai ser um parceiro melhor que aquela pessoa que surgiu do nada, quase sem querer, sem sentir, fácil, fácil? 

Será que aquela oportunidade na empresa, a promoção com a qual você tanto sonha e pra qual você vem se preparando há tempos, será mais gratificante que aquela promoção que chega pra você de surpresa?

Eu acho que não, sinceramente. Não estou dizendo aqui que não devemos sonhar, nos preparar pra uma oportunidade, buscar caminhos, estudar. Acho que precisamos estar prontos pra entrar quando a porta que queremos que se abra pra nós finalmente se abrir. Mas valorizar só o que é difícil, só o que chega após um longo caminho percorrido, após uma estrada cheia de obstáculos, depois de muito esforço, é deixar de lado tantas coisas maravilhosas que se apresentam na vida da gente e que muitas vezes não vemos porque estamos preocupados demais olhando o que está ou o que parece estar tão longe. 

O dar ou não dar valor a alguma coisa ou alguém está muito mais em nós que no objeto de desejo. Nós é que atribuímos valor a tudo que nos cerca. E esse valor é relativo. Difere de pessoa pra pessoa. Mas quando aprendemos a dar valor ao que está perto de nós, ao possível, ganhamos a consciência de que sonhar é muito bacana mas que a realização de um sonho não terá mais valor que aquele presente que recebi sem pedir ou lutar por ele. Eu agarrei todas as oportunidades que apareceram pra mim e muitas delas cairam no meu colo, sem muito esforço da minha parte. 

Veja bem, para ocupar o cargo de direção que tenho hoje, fui praticamente inscrita por uma terceira pessoa que disse que eu TINHA que participar porque eu tinha todo perfil de administradora quando nem pensava nisso, estava muito feliz com minha vida dentro da sala de aula, obrigada. Participei do processo seletivo sem tanta gana, porque dava muito valor ao que tinha já e... Pronto. Fui selecionada. O cargo caiu no meu colo e eu não poderia dar mais valor a ele. Sou extremamente feliz e não fico querendo pular de galho em galho porque me sinto satisfeita aqui. Não acho que se eu tivesse participado de 5 processos seletivos, na ânsia de um cargo administrativo e depois de tempos, finalmente, ter conseguido eu daria mais valor que dou ao papel que ocupo dentro da empresa. Uns me chamam de acomodada, eu me chamo de satisfeita. 

Enquanto eu insistia em procurar o cara que eu achava que tinha o perfil pra ser meu companheiro, meu amigo, meu namorado, em caras que claramente não tinham nada a ver comigo, enquanto buscava alguém que quisesse dividir a vida comigo em pessoas distantes, inalcansáveis pra mim naquele momento de vida, continuava sozinha. Um belo dia resolvi olhar pra quem estava ali pertinho, ao alcance da minha mão, querendo estar comigo e... PUM! Era o cara certo! Enquanto eu olhava para o que parecia tão difícil e que supostamente teria um gosto todo especial de conquistar, perdia a beleza do viver um "amor tranquilo, com sabor de fruta mordida". 

Hoje valorizo muito tudo o que tenho. Minha vida, minha casa, meus amigos, minha família, meu amor. Valorizo o vestido que pude comprar e nem ligo se achei um vestido lindo totalmente fora do meu bolso. Esse eu deixo pra lá. Não me interessa. Querer ler um livro que não tenho, me arrumar,  pegar o carro e ir ao shopping pra comprá-lo não faz o livro ser mais bacana que ganhá-lo, do nada, de presente de um amigo. Você pode não acreditar em mim, mas esse é o valor que dou às minhas conquistas e aos presentes que recebo da vida.

Já reparou quando você pergunta pra alguém onde vai passar as férias e a pessoa vai pra algum lugar próximo, ela fala: "Vou ali pra Cabo Frio mesmo..." Quase se desculpando por não falar um "lugar melhor" ou mais excitante, sei lá. E daí como muitas pessoas conhecem Cabo Frio, raras as pessoas falam: "Nossa, mas as praias de lá são maravilhosas, areia fininha e branca... Aproveite ao máximo aquelas belezas!!" Entretanto, quando a pessoa vai pra um lugar distante, badalado, considerado bacana, tipo Ibiza, por exemplo, logo se seguem os comentários: "Uau! Arrasou! Tá rica! Chiquérrima! Aproveite muito. Divirta-se!"

Se não posso viajar pro Caribe, de verdade, serei feliz em Maceió. Porque todos esses lugares tem valor se você os valorizar. O dia em que eu visitar Paris não será mais feliz que o dia em que visitei Gramado. Eu sou feliz quando estou em Arraial do Cabo e valorizo muito estar deitada na minha cama, dentro do meu quarto. Não acho que viajar pra Europa tenha mais valor que conhecer Machu Pichu. E não acho que comprar uma bolsa Chanel me dê mais prazer que comprar uma Arezzo. E se não posso comprar nada, aquela bolsa que está distante de mim, na vitrine, não faz as bolsas que tenho em casa valerem menos. Eu luto pelo que quero mas não acho que só o que chega pra mim com esforço vale a pena. 

Pode ser que você ache muito simplórias essas minhas comparações, mas pra mim viver é simples. A gente é que complica querendo que "as melhores coisas sejam as mais difíceis". Acho que não é isso, não. Vai por mim.