terça-feira, 29 de maio de 2012

A mãe da mãe de todos

Um dos passeios que fiz em Quebec foi ir até a Basílica de Sant´Ana, padroeira de Quebec. Fomos até lá pra apreciar a arquitetura - a igreja é mesmo uma das mais belas que tive a chance de conhecer. Em nenhum momento me passou pela cabeça que me emocionaria tanto ao estar lá dentro, ao observar aquelas imagens, ao sentir aquela energia.




Sant´Ana é a mãe de Maria, por isso, a mãe de todas nós, mães. Acho que se eu tivesse ido até lá antes de ser mãe, não teria sentido metade da emoção que senti. O marido de Sant´Ana era Joaquim e ambos eram muito criticados pela igreja por não terem filhos. Só que Ana já era mais velha e estéril e Joaquim vivia conflituado entre a esperança de acontecer um milagre e a triste realidade que parecia não querer lhe conceder a graça de ter filhos. Diz a Bíblia que São Joaquim, então, foi para o deserto para ficar só e rezar e que um anjo apareceu dizendo a ele que Deus havia escutado suas orações e lhe daria o que pedia. Joaquim voltou pra casa e pouco tempo depois Ana descobriu-se grávida. Ana seria mãe de ninguém menos que Maria, mãe de Jesus. 

Quando entrei na igreja de Sant´Ana senti meu coração acelerar, me senti abraçada e protegida. Caminhava pela igreja chegando perto do altar, atraída por aquela imagem linda da mãe de Jesus bebezinha. Maria envolta em uma manta azul - simbolizando o manto de Nossa Senhora - no colo de sua mãe Ana. Alí mesmo ajoelhei e chorei. Chorei por saber da graça que é receber a benção de ser mãe, carregar dentro de si um filho e ser responsável pela formação de seu caráter, de sua educação, de seu respeito ao próximo e pela natureza. Senti na pele um arrepio pelo simples fato de, em um aspecto simples, ser igual a Ana e a Maria. E agradeci porque em todos os momentos em que fraquejei e me senti desesperada ou incapaz de dar conta dessa missão tão grandiosa, pedi colo a Maria e recebi amparo dentro da minha fé. A sensação era a de estar em um lugar que lhe diz a todo instante: aqui há uma energia de compreensão com as dores maternas, aqui se entende o sofrimento inerente a maternidade por mais que lhe digam que esse sofrimento não existe, aqui enxergamos todas as mães com suas virtudes e seus defeitos.






Hugo, entendendo que eu estava vivendo um momento muito meu, me deixou a sós com minhas orações e percebeu que eu estava muito emocionada. As vezes eu acho que só Maria seria capaz de me entender, só Maria seria capaz de entender as neuras que invadem minha mente vez ou outra, meus medos, minhas aflições. E alí estava eu, pertinho de Maria, sendo protegida pelos braços de sua mãe, vivendo o carinho que só uma mãe pode proporcionar ao seu filho.



Na parte lateral da igreja existe uma escultura que representa a dor maior: é a imagem de Maria sentada abraçando Jesus desfalecido em seus braços. Nunca uma imagem falou tanto, mais que todas as palavras que poderiam ser ditas. Não existe dor maior nesse mundo que a dor de uma mãe que perde seu filho. Essa igreja é maternidade pura. Feita por homens que, tenho certeza, foram orientados por Deus em cada pedacinho da construção, para que uma mãe que alí entrasse sentisse isso. Em meu peito, estando alí, senti a felicidade de Ana ao dar à luz Maria. Senti a segurança de Maria por estar nos braços de Ana. Senti a força de Maria por toda a sua existência. Senti a dor de Maria pela perda de seu filho. Como mãe, hoje, só peço a Deus que Jesus não tenha morrido em vão. Que a humanidade aprenda a viver melhor, que saibamos respeitar nossa vida, nosso corpo, nossa família, nossos irmãos. Porque uma mãe nunca deveria perder um filho à toa e, por isso, peço que a morte de Jesus sirva, através dos tempos, para nos levar a uma reflexão e nos ajudar a evoluir espiritualmente. Peço que Maria nos ajude a criar nossos filhos deixando para este mundo seres humanos melhores.

Quebec

Quebec é linda. Anda-se muito pra conhecer cada cantinho, mas vale a pena. Eu adoro andar, dificilmente pego taxi ou ônibus quando estou viajando. Acho que andando ganhamos a oportunidade de ver coisas e detalhes que normalmente não vemos quando estamos em algum veículo. Quebec é a maior província do país e, diferente dos outros lugares que visitei antes de chegar lá, onde a influência inglesa ou escocesa é grande, pode-se notar que a influência francesa é gritante. Quebec é mesmo muito diferente das outras províncias e notamos isso no povo, na arquitetura, no idioma e no modo de vida.

A cidade tem a parte baixa e a parte alta. É possível ir de uma parte a outra andando, subindo escadas e usando o teleférico que fica bem perto do Chateau Frontenac que é um hotel castelo lindo. É legal entrar e conhecer o hotel por dentro.

Não conheço a Europa, ainda, mas pelo que existe no meu imaginário me senti por lá estando em Quebec. Tive problemas com a comunicação porque, ao contrário dos demais lugares, em Quebec o povo fala francês e não gosta de falar inglês. Francês é o único idioma oficial da província. E eu não falo francês. Resultado: foi a primeira vez na vida em que tive problemas para ser entendida uma vez que falo espanhol e inglês e saber francês nunca havia me feito falta. Pela primeira vez, me senti tolida e não gostei. Ainda por cima, a galera, como dizem que são os franceses, não faz o menor esforço pra lhe entender se você não falar o francês de cara. Aprendi umas frases básicas em francês de sobrevivência pra poder mudar pra  inglês depois, com aqueles poucos que falavam inglês. Voltei decidida a aprender francês e espero conseguir tempo pra isso.

Visitamos as cataratas de Montmorency que fica ao redor de Quebec e é um lugar lindo. Pelas fotos que vi de lá em pleno inverno, vale a visita em qualquer época do ano. Estávamos no início da primavera e achei lindo, tirei foto com as florzinhas azuis que são as primeiras flores da primavera de lá. Os habitantes dizem que a primavera finalmente chega quando começam a ver as tais flores. A cidade é cheia de parques, tudo parece muito amplo e são tantas paisagens bonitas que ficou difícil escolher algumas fotos pra postar aqui. 















Fihos e tabus

Recebi esse video da querida Renata Borges. Ela me enviou dizendo que se lembrou muito de mim assistindo e achei que deveria compartilhar aqui com vocês. Me identifiquei demais, por razões que vocês já conhecem uma vez que estou sempre falando sobre esses tabus por aqui.

http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/rufus_griscom_alisa_volkman_let_s_talk_parenting_taboos.html

terça-feira, 22 de maio de 2012

Dia das mães na escola

Esse dia das mães que passou teve um gostinho especial porque foi o primeiro dia das mães que o Miguel curtiu muito. Diferente dos dois anos anteriores, Miguel já sabia que era o meu dia e que eu devia ganhar um presente. Miguel fez questão de me dar o tal presente todo feliz e me cobrir de beijos. Logo pela manhã, já veio segurando uma caixa quase maior que ele pra me entregar. Foi uma delícia.





Nesse ano também teve a festinha da escola e tanto eu quanto ele estávamos bem ansiosos pra ver o que a turma tinha preparado pra nós, mães. Eu não estava com muitas expectativas quanto ao desempenho do meu filho. Não sabia se eles cantariam alguma musiquinha, se fariam alguma encenação, enfim, o que eu sabia é que achava muito provável que Miguel entrasse e ficasse parado, de repente tímido por ter tantas pessoas o observando à sua frente. 

Entretanto, como Miguel veio ao mundo pra me surpreender e mostrar que não podemos ter muitas expectativas e nem subestimar ou superestimar ninguém, ele entrou e pulava sem parar, rindo, sem um pingo de vergonha. Logo que ele entrou na sala caracterizado de sol, já me deu vontade de chorar... Aquele momento em que ele entrou, com os movimentos do corpo lentos, reticentes, desconfiados, mas com os olhinhos muito vivos, me buscando, me procurando, sabendo que a razão daquilo tudo era eu, me fez derreter. Não consegui filmar, só conseguia olhar pra ele, pulando lindo, sorrindo e olhando pra mim... Tive que fazer um esforço pra acordar do transe e tirar algumas fotografias pra mostrar pro Namorado depois. Só viver aquele momento me bastava. E eu que já estava chorando só de observar os filhotes das outras mães, não me aguentei mesmo e chorei boba, boba. 

Aquele instante único, em que os olhinhos dele encontraram os meus, ávido por se sentir seguro na minha presença, ansioso por mostrar pra mim o que havia ensaiado, fez meu coração disparar, feito coração apaixonado quando encontra o par, feito frio na barriga quando damos o primeiro beijo, feito adrenalina quando apresentamos um trabalho na escola e a professora diz que a apresentação foi maravilhosa... Miguel me faz sentir criança, Miguel me faz sentir a mulher mais viva do planeta, o ser mais amado, mais importante. Por isso, mesmo que ele não tivesse pulado que nem pipoca, nem dançado bonitinho pra mim, já teria valido a pena ver que seus olhinhos - rasgados como os meus - me procuram, onde quer que eu esteja, onde quer que eu vá.










segunda-feira, 21 de maio de 2012

E a Apple me pegou...

Sexta-feira passada meu celular querido, meu querido tijolinho, cansou. Simplesmente, todos me ouviam e eu não ouvia nada! A caixa de som do telefone foi pro espaço e eu, por mais louca que seja, nem pensei em mandar consertar um telefone tão antigo. Eu precisava de um celular novo. Minha irmã logo se prontificou para me dar o aparelho antigo dela, o que achei ótimo.

Todos no trabalho comemoraram o fato do aparelho velho não estar querendo trabalhar mais... Achavam que eu apareceria com um aparelho mais moderno. De fato, o aparelho cedido por minha irmã era BEM melhor que o aparelho que eu estava usando, mas também não era assim uma maravilha. Acho que foi a oportunidade que o namorado queria pra colocar na cabeça que precisávamos comprar um Iphone pra mim. Ele tentou fazer isso no sábado, eu resisti. Entretanto, no domingo, ele disse que compraria o telefone de qualquer jeito, que seria meu presente de aniversário (meu aniversário é em junho) e que eu me adaptaria facilmente já que tenho um Ipad (presente dele também) e gosto muito. 

Enfim, aqui estou para comunicar que, desde ontem, a Apple, definitivamente, me pegou e adivinha? Estou amando! Óbvio que não sei usar nem 20% das coisas que o telefone permite, mas, aos pouquinhos, quem sabe não chego lá? Engraçado é que estou recebendo "parabéns pela aquisição" ou "até que enfim um Iphone!" com uma frequência absurda!! Eu acho tudo muito engraçado e estou me divertindo com o fato de todos acharem que eu "merecia" um telefone bacana... Acho que o Namorado agora está bem mais feliz também e não terá mais motivos pra sentir vergonha todas as vezes que eu for tirar meu celular da bolsa pra ligar pra alguém...

sábado, 19 de maio de 2012

Irmão

Não sei se toda criança passa pela época em que pede irmãos aos pais. Eu não vivi isso porque a diferença entre mim e minha irmã é de apenas 1 ano e 8 meses, então desde que me entendo por gente tenho a minha irmã ao lado. Não sei o que é existir sem ter uma irmã. Miguel nunca mencionou isso, acho que é muito pequeno ainda pra se ligar nessas coisas e, com sorte, talvez ele nunca venha a questionar o fato de ser filho único. Espero que o convívio constante com as primas seja suficiente pra ele, não o faça desejar ter irmão. 

Há alguns meses, quando ele ainda estava na creche, as tias me relataram que estavam ouvindo a conversa dele com a amiguinha enquanto brincavam. A amiga disse: "Meu papai Mário." E o Miguel rebateu: "Meu papai Hugo." A amiga falou: "Minha mamãe Michele." E Miguel falou: "Minha mamãe Paula." Aí a amiguinha, pra seguir a ordem familiar, disse: "Meu irmão Marinho" E Miguel, que não se faz de rogado e tem resposta pra tudo, disparou: "Meu irmão Dudu e Fafá!!" Quero crer que seja assim que ele enxergue as primas Dudu e Rafa: como irmãs. Eu achei muito bonitinho que ele as considere assim. 

Tenho uma amiga, a Cris, que tem um filho de 6 anos, João, que vem pedindo muito pra ela lhe dar um irmão. Como eu, ela nem pensa nesse assunto, nem considera a possibilidade nem de forma mais remota. Enfim, depois de muito pedir, chorar e argumentar com a mãe, minha amiga, que já havia gasto toda a sua lista de bons motivos pra não ter outro filho, disse ao João que ela não tem mais idade pra ser mãe, já que está com 42 anos. Esse foi um motivo que o filho dela achou mais convincente. João apenas disse pra mãe que ela deveria ter lhe dado um irmão antes, mas, de fato, o argumento da idade foi algo compreensível e que fez sentido pra ele.

Questão encerrada, João não tocou mais no assunto por semanas. Até que uma noite, quando os dois estavam deitados na mesma cama antes de dormir, João se vira pra Cris e pergunta: "Mãe, até que idade uma mulher pode ter filhos?" Pra não dar maiores explicações que entrariam em contradição com o que havia dito ao filho anteriormente, Cris lhe disse que uma mulher poderia ter filhos até os 40. João ficou quieto por uns momentos e depois perguntou: "Quantos anos a tia Paula tem, mãe?" Cris respondeu que tenho 40. Pra surpresa da Cris, João que já estava deitado, sentou-se na cama de supetão e falou: "Mãe, liga agora pra tia Paula e fala pra ela fazer logo um irmão pro Miguel porque ainda dá tempo!"  

Foi aí que a Cris notou o tamanho da importância que o João estava dando pro fato de querer ter irmãos. João considera tão legal ter um irmão que, na impossibilidade dele de ter um, deseja que outra criança, no caso o Miguel, tenha. Nossa, achei muito fofinho quando a Cris me ligou pra contar isso. João nos mostrou o quanto preza o fato de se ter um irmão, tanto que quer pros outros o que não pode mais ter. E eu espero que Miguel nunca queira tanto assim um irmão porque, se quiser, vai ter que lidar com essa frustração. Está aí um assunto encerrado, de verdade, pra mim e pro namorado. 


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Mont Tremblant

Mont Tremblant é uma estação de esqui, uma das mais famosas do Canadá. Parece um cenário de filme: as lojinhas são fofas, a organização, a arquitetura. Parece que estamos em uma cidade de brinquedo, com casinhas coloridas e neve, uma praça principal onde as coisas acontecem à noite e uma atmosfera deliciosa de tranquilidade. Lá, assim como na cidade de Quebec, a maior parte das pessoas já fala só francês o que dificultou um pouco as coisas pra mim. 

Estava um friozinho delicioso e eu e o namorado compramos queijos e vinho pra comer a noite já que o hotel em que ficamos (Marriot Residence Inn) tinha apartamentos duplex com sala, lareira, cozinha equipada e, por isso, resolvemos comer no apartamento mesmo. Foi ótimo! Não estávamos visitando em alta temporada, mas imagino que toda a paz e calma que vimos por lá não deva permanecer o ano inteiro, quando a estação recebe muitos canadenses interessados em esquiar. De toda forma, o lugar é lindo e merece a visita.