quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Energia

Quando penso na minha vida e nas coisas que faço todos os dias, vejo como sou sortuda e tenho mil motivos para agradecer. Fico até com vergonha de ficar pedindo a Deus coisas pra mim, peço apenas para que eu saiba conduzir as situações que a mim se apresentam da melhor forma possível e que eu saiba usar as palavras certas no momento propício. Ele sempre me atende. Às vezes, quando não estou entendendo alguma coisa, algum perrengue, algum sofrimento, elevo meu pensamento e digo a Deus, com toda fé, mesmo diante do maior desespero, que sei, do fundo do meu coração, que Ele tem um propósito para tanto despautério ou dor e que, também sei, lá na frente vou entender tudo, todos os Seus caminhos, tudo o que quis me ensinar.

Eu não sou uma pessoa pela metade. Não consigo trabalhar pela metade, não consigo amar pela metade, chorar pela metade, rir pela metade, não sei não me entregar às tarefas diárias, não sei deixar pra depois. Por isso, visto a camisa da empresa onde trabalho e da empresa pra qual presto serviços como guia. Quando vou entrar em sala de aula com uma nova turma pela primeira vez, minha barriga dá voltas de nervoso, não importa a experiência que eu tenha. No final de semana antes da primeira semana de aulas, fico na expectativa de ter muitas matrículas e me dá um nervoso enorme. Sempre. Há 14 anos faço a mesma coisa e o nervoso não muda. Meu prazer em bater metas também não muda. Gosto de conseguir, gosto de chegar lá e gosto muito da luta até chegar ao topo. Cansa, mas vale a pena. Quando vou conhecer o grupo que vai viajar comigo e com quem vou passar 15 dias, 24 horas por dia, fico nervosa e sempre rezo para que Deus coloque em meu caminho pessoas bacanas, que combinem com minha energia e que, se não for possível, Ele me faça aprender com quem é muito diferente de mim e com quem não tenho a menor afinidade. 

Deus foi extremamente bondoso comigo nesse julho de 2012. 

O grupo Disney/2012 foi excepcional. Senti um carinho de cara por todas as 42 pessoas que estavam sob minha responsabilidade e com quem compartilhei momentos inesquecíveis, pra eles e pra mim. Formávamos uma turma do bem, uma turma que se entendeu desde o primeiro instante. É claro, sempre há uns desentendimentos aqui e alí,  mas nada que não pudesse ser contornado porque todos tinham muita vontade de viver bem. Acredito em energia, acredito que meus pensamentos tenham atraído essas pessoas pra perto de mim e sou muito grata a Deus pela experiência que vivi. Saber que eu, hoje, faço parte da estória de 42 pessoas é gratificante. Saber que, mais uma vez, me entreguei ao trabalho com a mesma vontade com que acordo todos os dias, mesmo estando longe do homem que amo e do Miguel, me faz sentir como se me renovasse por dentro. Ponho minha energia em tudo o que faço e tentei levar alegria e tranquilidade àqueles que comigo compartilharam o sonho de conhecer a Disney. E saí do aeroporto na volta da viagem com esse grupo lindo com a sensação de dever mega cumprido. 

À essas pessoas lindas que tive o prazer de conhecer, adultos, adolescentes e crianças maravilhosos, meu muito obrigada por toda a colaboração, mesmo quando o cansaço foi grande. Saibam que sempre estarão em meu coração. Como disse o Gabriel Paiva quando eu falei minha idade após terem perguntado: a Disney me faz bem! Ele tem um pouco de razão, mas, na verdade, o que me faz bem é tentar encarar com alegria tudo o que faço, é olhar o trabalho e não pensar que será chato e, sim, arregaçar as mangas e pôr a mão na massa. O que me faz bem é não viver pela metade. 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

De volta





Sempre que viajo fico preocupada com o que o Miguel está sentindo, se sente minha falta, se está com saudades. Além de lidar com o aperto no meu peito, uma saudade imensa do meu bebezão, ainda tenho que lidar com meus pensamentos que chegam até o meu filho e que não me deixam esquecer de que ele está longe de mim. Fico me perguntando se está comendo direito, se está dormindo bem, se está feliz, se está triste com minha ausência. Nossa, que saudade a minha... Que falta que o Hugo faz, que o Miguel faz. Sinto falta da minha mãe também quando estou longe e das mil vezes por dia em que falo ao telefone com minha irmã. 

Normalmente, quando volto de viagem chego cheia de carinho, louca pra agarrar meu filho e cobri-lo de beijos e ele sempre reage com certa indiferença até. Fica me olhando, enquanto eu faço escândalo. Com um olhar desses enviesados, olhando de rabo de olho pra mim, olhando fingindo não querer olhar e com um meio sorriso nos lábios, me faz entender que sou meio esquisita quando falo sem parar que estava morrendo de saudades e o aperto contra meu peito. Sempre demora um pouco pra que ele se entregue ao meu abraço, pra que ele se entregue aos meus carinhos. Nunca sei se esse é o modo do Miguel de mostrar que sentiu minha falta ou se ele fica com vergonha da cena que faço quando encontro com ele depois de ter ficado longe e então fica com aquele ar de "quem é essa maluca me agarrando e chorando?". 

Bem, dessa vez em todas as ocasiões em que falei com Miguel ao telefone ele se mostrou muito falante. Cheguei a comentar com o Hugo a respeito de como ele estava se expressando melhor. Contava onde foi, qual o filme que viu no cinema e o que estava fazendo com a madrinha, com a avó ou com o pai. Pegava o telefone e falava logo: "Oi, Mamãe!" Aí eu me desmanchava, falava que estava morrendo de saudades, que estava louca pra abraçá-lo e dar muitos beijinhos. E ele falou muitas vezes: "Também tô com sodade, volta logo." No penúltimo dia de viagem, quando telefonei, ele chegou a me dizer: "Mamãe, quero você." Gente, que mãe aguenta isso? Eu sozinha, no orelhão em Epcot Center, chorando que nem idiota naquele calor de inferno. 

O Namorado disse que Miguel continuou se alimentando bem, dormiu bem, brincou como sempre, mas perguntava quando eu ia voltar e pelos brinquedos que prometi trazer. Não pedia minha presença à noite, ou chamava por mim. Meu filho tem uma inteligência emocional que me assusta, às vezes. Ele sabe com quem contar e que não adianta ficar chamando por quem não está presente. A novidade é que, dessa vez, já maior, mostrou claramente que sentiu a minha falta. E ao contrário do que muitas pessoas possam pensar, isso não me conforta em nada. Meu coração vaidoso de mãe que sabe que é amada por seu filho não ficou feliz. Sei que saudade é natural, que faz parte da vida, principalmente porque essa é a minha vida, mas antes,  quando Miguel reagia com indiferença, eu tinha ainda uma esperança de que ele não sentisse tanto a minha ausência. Era como se ele estivesse me dando passe livre, sabe? Só que agora eu tenho que aprender a lidar com o fato do meu filho mostrar claramente que sente minha falta e que, se pudesse escolher, não gostaria que eu viajasse. 

Dessa vez, quando Hugo foi me buscar no aeroporto Miguel não veio junto. Mas foi estacionarmos o carro em frente de casa, para que minha mãe abrisse a porta e o Miguel saísse correndo ao meu encontro, sem vergonha de nada, sem olhar de banda. Miguel me olhou de frente, olho no olho, e pulou no meu colo e me abraçou tão forte que eu pensei que o mundo poderia acabar naquele abraço. Aquelas mãozinhas dentro dos meus cabelos, os bracinhos enlaçando meu pescoço, suas pernas enrolando minha cintura, pendurado em mim feito um macaquinho alegre e risonho... Que delícia de retorno! E eu ouvi, muitas e muitas vezes, Miguel dizer, pertinho do meu ouvido: "Que sodade!! Mamãe, eu gosto muito de você. Te amo". E Miguel me apertou, como nunca havia feito antes. E eu pensei que toda a minha vida estava alí, bem pertinho de mim, com sua bochecha colada à minha. E nada mais importava: eu estava de volta à minha casa,  com meu namorado e com o que há de mais importante nessa minha existência louca: meu filho. 


sábado, 4 de agosto de 2012

Dream come true





Sempre quis nadar com golfinhos. Coisa de menina, curiosidade, vontade de chegar perto desses bichinhos lindos. 

"Nadar", aliás, não é bem o termo correto uma vez que não sei nadar. Mas queria estar no mesmo lugar que golfinhos e chegar perto, dar um beijinho. 

Nas muitas vezes em que estive em Orlando, nunca deu pra reservar um dia pra fazer isso, sempre colocava outras coisas como prioridade e quando tinha tempo pra conhecer os golfinhos, ficava sem coragem de dar o dinheiro. 

Na minha lua-de-mel, eu e o namorado fomos pra Cancún e lá é comum oferecerem esse opcional. Acontece que na nossa lua-de-mel eu e o Hugo estávamos mais duros que côco, tínhamos quebrado o cofrinho pra pagar a festa pra 400 convidados, queríamos tudo do jeito que achávamos que deveria ser e viajamos em lua-de-mel bem apertados, sem dinheiro pra estripulias e sem nada na poupança. Lembro que tomávamos café da manhã bem reforçado e enquanto a galera comia nos restaurantes nos parques que visitávamos, nós comíamos um sanduíche que havíamos feito e guardado na mochila. E a gente ria muito disso, da nossa pobreza no meio de um lugar tão maravilhoso e ríamos também porque o fato de não termos um único centavo no banco não nos fazia menos felizes. Longe disso: estávamos exultantes de felicidade, apaixonados e sem ligar pra mais nada que não fosse aquele momento. Por isso, é claro que o nado com golfinhos não poderia rolar. 

Em Fernando de Noronha, vimos golfinhos bem de pertinho, eles acompanharam nosso barco por um longo percurso e eu já achei maravilhoso estar tão próxima desses bichos fofos. 

E, então, finalmente, eis que esse ano fui a escolhida pra ir ao Discovery Cove levando parte do grupo que quis fazer esse opcional durante a viagem a Disney e, é claro, havia chegado a minha vez de nadar com os golfinhos!! Animação máxima, lá fui eu, toda feliz. 

Estando lá, tive a certeza de que vou voltar levando o Miguel. Meu filho é louco por vida marinha, adora peixes e fiquei imaginando todo o tempo como seria a carinha dele quando pusesse suas mãos sobre os golfinhos, quando sentisse sua pele tão macia, aveludada. Além disso, lá é possível nadar com peixes lindos, grandes e coloridos e arraias enormes, lado a lado. Amei a experiência e sei que vou repetir ao lado do Namorado e do Miguel. Adorei o dia e saí de lá com a sensação de ter tido um sonho realizado, feliz, feliz... Só esse dia já valeu todo o cansaço, correria e trabalho da viagem. Sonho realizado!!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Culpa nível máximo






Por que minha culpa não diminui, mesmo com tanta análise? Mesmo depois de quase 10 anos, vejo que ainda preciso do divã por mais 10. Talvez 20 anos. Quando viajo tirando férias, só eu e o namorado, tenho culpa porque estou deixando o Miguel. Ok. É compreensível que tenha culpa, afinal viagem de férias é algo que se faz por puro prazer, é uma escolha minha. Escolho e sinto culpa. Aí, quando a  viagem é a trabalho a cabeça me diz que não deveria me sentir culpada, já que se trata de trabalho e não de descanso, mas cadê?

Cadê que meu coração me deixa em paz? Fica aqui no meu peito, apertando, apertando, me dizendo que o Miguel está de férias e que eu não estarei aqui pra levá-lo pra sair de vez em quando, pra passear. Eu falo pro danado do meu coração que mesmo que não fosse viajar a trabalho, teria que trabalhar, ora bolas, e não poderia, da mesma forma, levar o Miguel pra passear. Enfim, fato é que lá vou eu ficar longe 15 dias dos meus amores: Miguelito e Namorado. Lá vou eu sentir um caminhão de saudade, uma falta enorme desses dois perto de mim...

São escolhas, cada um faz as suas. Eu gosto das escolhas que faço. Acho que é uma coisa do ser humano isso de querer ter tudo. Quero viajar a trabalho, quero ser bem sucedida, quero ganhar dinheiro e quero não sentir saudade, quero passear com meu filho várias vezes durante suas férias e quero dormir com meu marido todo dia, mesmo que esteja longe. É possível?  Ai, que pena que não... E fico eu aqui pensando e pensando, sabendo que depois de amanhã viajo, sabendo que vou morrer de saudade. Vou querendo ir, mas querendo ficar também. Quem entende? Será que alguém me entende? Ou será que sou eu a mais louca de todas as mães loucas? Vai entender... Quem sabe algum voluntário decifra esse sentimento maluco de querer ser livre de culpa. Será que existe alguma mãe livre de culpa? A julgar por mim, acho muito difícil. Mas seria bom conversar com uma mãe não culpada, sem culpa por nada. Eita, mas será que é normal não ter culpa por nada? Nem uma culpinha que seja? Ai, isso fica pro próximo encontro com minha terapeuta. Já estou me complicando demais.

Peço a Deus que Miguel fique bem e que eu também fique. Que a culpa me deixe trabalhar direito, que eu seja profissional o bastante pra saber organizar meus sentimentos conflitantes. Peço que o Namorado continue sendo esse companheiro maravilhoso que cuida do nosso bebê sem minha ajuda nesses dias em que estou longe. E que Deus guie meu caminho e minhas atitudes, que Ele tenha piedade dessa pobre mãe culpada.

domingo, 15 de julho de 2012

Miguel na Night












Quando temos filhos não sabemos quem é aquela criaturinha que sai de dentro da gente. Por mais que a gente queira acreditar que ninguém conhece nosso filho tão bem quanto nós, sempre há algo que ninguém mostra, algo escondido que não revelamos nem pro nosso travesseiro. Por isso, procuro encarar o Miguel como alguém a ser descoberto, conhecido aos poucos, no decorrer do nosso dia-a-dia.



De tudo que venho descobrindo a respeito dele nesses 3 anos de existência, o que mais me surpreende é a capacidade do meu filho de se divertir onde quer que esteja. Não importa se a festa é de criança desconhecida ou dos amigos da escola, Miguel se diverte. Um pouco mais ou um pouco menos, mas se diverte. Vai sentir o ambiente nos primeiros 20 minutos, depois disso fica soltinho, soltinho... Talvez, por ser filho único, também não importa se a festa não tem mais nenhuma criança, se só há adultos, o carinha vai ficar na boa, vai dançar, vai conversar com quem não conhece e não vai ficar grudado na barra da minha saia.


No vídeo do link desse post, estávamos na festinha da prima do Miguel, a Natália. Pouquíssimos adultos - só os da família - muitos adolescentes, é claro, e o Miguel, único ser abaixo de 14 anos. Pensam que ele me perturbou? Só se foi pra pedir pra ir pra pista de dança toda hora! Ele amou a música alta, as luzes e a fumaça. O menino só queria dançar. Com perdão da palavra, minha mãe, vovó Iris, já diz que "Miguel é do cu riscado". E sua outra vovó, a Berê, já diz: "Esse menino é da fofoca!". Começo a acreditar que as avós do Miguel têm toda a razão!

sábado, 14 de julho de 2012

NY




Bom, finalmente achei um tempinho pra colocar aqui algumas fotos do último lugar em que estivemos na nossa viagem de férias: New York. Eu e o namorado amamos essa cidade e não importa quantas vezes a gente vá lá, sempre voltamos com a sensação de que ainda poderíamos ter feito mais.

Porque NY é assim, muito viva, mutante, cheia de ângulos e detalhes e, ao mesmo tempo, fácil de entender. Dá vontade de conhecer mais, de andar mais, de procurar mais. Quando Frank Sinatra disse que "If I can make it there, I´ll make it anywhere", não poderia estar mais certo. Se você me perguntar se acho NY bonita, vou dizer que não. Mas a cidade é charmosa ao extremo, como nenhuma outra que conheci. É como uma mulher que não precisa de beleza porque sabe que é encantadora por sua alegria, vivacidade, inteligência, charme. E NY, como as mulheres que são assim, sabe fazer uso disso. A energia do lugar é incrível, principalmente para pessoas agitadinhas como eu. Não há nada parado na "Big Apple", tudo parece estar se movendo o tempo todo e eu gosto disso.







Por isso, terminar nossas férias lá foi terminar com chave de ouro. A cada vez que voltamos em NY a cidade fica melhor, parece uma velha conhecida ainda cheia de magia, ainda cheia de cantinhos a serem descobertos e explorados, sempre com uma novidade, sempre com algo diferente acontecendo. Eu penso como Alicia Keys "These streets will make you feel brand new, big lights will inspire you", me sinto renovada pela energia e ritmo alucinante do lugar, me sinto pronta pra voltar pro meu mundo toda vez que volto de NY. Eu, simplesmente, sou louca por essa cidade!!










quinta-feira, 5 de julho de 2012

Sou mãe e trabalho



Eu ando sumida daqui, sem tempo pra escrever. Aliás, sem tempo pra muita coisa. Essa época do ano é muito corrida, muito trabalho, muita coisa pra organizar e, além do que habitualmente tenho que fazer em julho, agora ainda tenho que adiantar o que normalmente faço no decorrer de todo o mês pra fazer em 15 dias, já que viajo trabalhando também nesse mês.

No meio disso tudo, ainda tem o Miguel que estará de férias pela primeira vez. Ano passado ele estava na creche e, abençoadas sejam as creches, não há férias por lá. Falei outro dia pro Miguel que iria viajar de novo, dessa vez trabalhando, e ele fez um beicinho de charme e perguntou com uma cara de anjinho: "E eu vou ficar sozinho?" Putz, quase morri. Expliquei que ele ficaria com o papai e com as avós e que eu precisava trabalhar. E aí, quase sem pensar, quis falar pra ele que traria um monte de presentes e tudo o que a gente costuma falar pra tentar compensar nossa ausência, mas acabei falando a verdade: "Filho, a mamãe precisa trabalhar porque todo mundo precisa de dinheiro, mas a mamãe trabalha porque gosta. Eu gosto de trabalhar, meu amor. Eu amo ficar com você, mas também gosto de ir pro trabalho. Eu sou feliz quando estou em casa, com você, e sou feliz quando estou no trabalho."

Miguel ficou me olhando e perguntou: "Você gosta de ir pro trabalho?" Respondi que sim e que sou feliz quando estou trabalhando. Miguel mudou de assunto e não falou mais nisso. Talvez, por hora, minha explicação tenha sido suficiente pra ele.

E é a mais pura verdade. Não posso me enganar ou enganar meu filho dizendo a ele que só trabalho porque preciso pagar contas, porque preciso de dinheiro pra comprar brinquedos pra ele, pra gente passear e comer. Tenho que falar pra ele que trabalho porque preciso trabalhar pra ser feliz. Eu gosto de trabalhar. E da mesma forma que não consigo imaginar minha vida sem que Miguel esteja nela, não consigo me imaginar em casa, sem fazer algo produtivo, sem estar em contato com outras pessoas, aprendendo coisas novas. Não estou desmerecendo de modo algum as mulheres que optaram por ser mães em tempo integral, que optaram por cuidar da casa e dos filhos. Ao contrário, acho até que, no final das contas, elas trabalham tanto quanto eu. Ou mais... Sei lá. Mas não é pra mim essa vida de mãe que está com os filhos o tempo todo.

Muitas vezes, foi difícil admitir que sou muito feliz fora de casa também. Difícil admitir que gosto de trabalhar e que preciso ter esse tempo pra fazer coisas minhas. Difícil admitir pros outros e até pra mim mesma. Como admitir que estava doida pra acabar a minha licença maternidade? Como falar pras pessoas que não via a hora de me arrumar, passar um batom e ter outras tarefas além de fraldas e mamadas? É claro que senti um aperto na hora de deixar meu filho sob os cuidados de outras pessoas, mas eu não estava aguentando mais. Eu queria ir pro mundo, eu queria ter um pouquinho da minha vida "de antes do Miguel" de volta. E hoje não quero nem vou jogar no meu filho o peso de ele achar que eu trabalho apenas para proporcionar a ele uma vida melhor e que ir pro trabalho é um sacrifício pra mim. Miguel precisa saber que o trabalho é parte da minha vida e é uma parte da qual gosto muito e da qual não pretendo abrir mão.