quinta-feira, 6 de setembro de 2012

As Pontes de Madison



Eu amo cinema. Minha vida seria menos feliz se não fizesse parte dela essa arte pela qual sou tão apaixonada. Cinema e música são duas coisas que são quase essenciais pra mim. Meu programa predileto é ir ao cinema com o Namorado e já procurei iniciar o Miguel nessa paixão. Pelo que vejo, Miguel também será um apaixonado, ele já curte muito ir ao cinema. 

Muitos filmes são inesquecíveis pra mim. Muitos marcaram época em minha vida, muitos têm cheiro de flashback, uns marcaram pela sensação que deixaram registrada na minha alma ao deixar a sala de projeção: medo, angustia, felicidade, amor. Mas tem um filme, em especial, que me marcou muito pela sensibilidade,  pela grandeza do sentimento que me atingiu quando o vi a primeira vez, por sua história de amor linda. Engraçado que não vi "As Pontes de Madison" no cinema. E esse filme merecia ter sido visto em uma tela enorme, no escuro, sem interrupções. Ainda assim, mesmo tendo assistido o filme em minha casa, fiquei tão tocada, tão mexida, que após o término do filme, ainda me vi chorando por uns bons 15 minutos. 

A primeira vez que vi "As Pontes de Madison" foi há alguns anos, depois disso já o assisti de novo algumas vezes. Meu sentimento é sempre o mesmo, minha emoção também. Choro a mesma quantidade de vezes, nas mesmas cenas, só que toda vez que estou tranquila e preparada pra carga emocional que sinto ao ver o filme de novo, consigo achar mais e mais poesia e beleza nessa obra de arte.

Pra variar, Meryl Streep foi indicada ao Oscar por sua atuação nesse filme e Clint Eastwood estava maravilhoso. Excelentes atores, nos levam, através de uma história linda, a refletir sobre amor verdadeiro, sobre a importância da família, sobre do quanto podemos abrir mão em nossa vida e se devemos ou não abrir mão de um grande amor, faz refletir sobre escolhas. Mais ainda, faz pensar a respeito da intensidade com que certas coisas acontecem em nossas vidas e, de tão intensas, mesmo que durem apenas 4 dias, deixam marcas eternas. 

Nos quatro dias em que o amor aconteceu pra Francesca e Robert, ela redescobre a mulher que ficou escondida por suas escolhas. Escolhas pelas quais ela é responsável. Somos nossas escolhas e não podemos nos livrar disso onde quer que a gente vá. Há certas coisas que, hoje, uma mulher casada, não posso viver. Tenho responsabilidade com minha família, com a vida que escolhi levar. Não digo isso com um quê de arrependimento ou com uma pontinha de quem acha que está perdendo alguma coisa. De jeito nenhum: escolhi estar casada com esse homem, construindo essa vida que estamos levando. Mas é preciso ter plena consciência de que escolher é não poder ter tudo. Não se pode ter tudo. Fato. E a personagem do filme sabe disso. No caso da Francesca, uma mulher que parecia invisível para o marido e filhos, seu encontro com esse grande amor, foi um encontro com ela mesma, foi como se se tornasse visível novamente. E é lindo observar isso tudo acontecendo. 

Em determinado momento do filme, quando Robert e Francesca estão em seu último dia juntos, ela fala pra ele:  "Ninguém entende que quando uma mulher resolve casar e ter filhos, por um lado sua vida se inicia, por outro termina. Ela constrói uma vida de detalhes e simplesmente pára, fica imóvel para que seus filhos se movimentem. E quando eles se vão, levam sua vida de detalhes com eles. Espera-se que você retome sua vida. Mas do que era mesmo que você gostava? Ninguém perguntou nesse meio tempo. Nem eles. Nem o marido. Nem você mesma."  

Essa parte me marcou muito. É muito importante que a gente nunca perca quem realmente somos, independente de nossos filhos, de nosso marido ou da vida que a gente leva com nossa família. Não quero olhar pro Hugo um belo dia e me perguntar porque ainda estou casada com ele. Não quero, quando meu filho tiver sua própria vida, seus amigos, sua vida social, olhar pro Hugo e perguntar: "E agora? O que a gente vai fazer? Do que a gente gosta mesmo, além de cuidar do Miguel?" É por isso que não deixo de sair a sós com ele, não deixo de viajar. Mesmo que doa um pouquinho. 

Enfim, esse filme é lindo demais e dá tema pra muitas e muitas reflexões. Todo mundo deveria assistir. É mais tocante pra alguns que pra outros, é claro. Mas, mesmo que a história não seja tão comovente pra você quanto é pra mim, só a atuação desses dois monstros do cinema já vale o tempo dedicado ao filme.  Pra mim, é imperdível. Está na minha listinha dos 10 melhores ever










segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Vida que segue






É engraçado pensar que só 3 anos e pouco depois que o Miguel nasceu, algumas coisas da vida antiga que eu levava começam a voltar pro lugar. Esse final de semana que passou foi o primeiro em que eu e o Namorado não trabalhamos no sábado e ficamos em casa juntos, como nos velhos e bons tempos em que nossa vida era só nossa. 

Eu e Hugo trabalhamos aos sábados, de 15 em 15 dias, e antes de termos o Miguel nos programávamos  para trabalhar nos mesmos sábados de forma que tivéssemos um final de semana inteiro pra gente. Com o Miguel em nossas vidas, esse planejamento acabou e deu lugar a outro, justamente contrário: fizemos nossa escala de forma que eu ficasse em casa no sábado em que ele tivesse que trabalhar e vice-versa. Assim, um de nós sempre estaria disponível pra ficar com o Miguel sem ter que pedir ajuda pra minha irmã, meu cunhado ou pra Taninha. Um bebê pequeno sempre precisa de colo e minha mãe não poderia me ajudar se tivesse que ficar com o Miguel quando era um bebê. Então, meu final de semana com o Hugo se resumiu, durante esses três anos, ao domingo. Passávamos os sábados separados porque quando ele estava em casa, eu estava trabalhando e quando ele estava trabalhando era eu que estava em casa. 

De uns 3 meses pra cá, observando que Miguel já é uma criança que não precisa de colo, não pede colo e que gosta de ficar vendo seus filmes e brincando com seus bonecos e carrinhos em seu quarto, pensamos na possibilidade de igualarmos novamente nossas escalas para termos o final de semana inteiro juntos. Minha mãe já dá conta de ficar com ele sem mais ninguém por perto. Então, esse final de semana que passou, depois de 3 anos, passamos juntos, inteirinho juntos. E é muito legal observar agora, depois que a fase inicial de furacão total já passou, que, aos pouquinhos, estamos conseguindo retomar velhos hábitos, coisas que gostávamos de fazer e que não pudemos nesse período inicial da vida do Miguel. 

Pode parecer uma coisa à toa, uma bobeira, mas ter um final de semana inteiro juntos - é claro, com a presença do meu filho, não estamos mais só nós dois - foi maravilhoso. Teve um gostinho de reaver algo que se perdeu, sabe? Foi como encontrar um amigo que não vemos há muito tempo. Eu tive uma sensação gostosa de ter uma parte da minha vida antiga de volta e foi muito bom. Deu pra acreditar que, é verdade, nossa vida nunca mais vai ser igual a vida de um casal sem filhos, mas que, mesmo devagar, a gente vai recuperando algumas coisas que nos davam prazer. 

E aí, começo a observar algo muito bonito que está começando a acontecer com meu filho... Cada vez mais observo o Miguel indivíduo, separado do papai e da mamãe. Estou vendo acontecer, bem na minha frente, uma transformação que começa a ficar mais palpável agora: meu filho está se mostrando pro mundo. Mais que isso, Miguel está desbravando esse mundo corajosamente. Miguel está começando a dizer a que veio, colocando pra fora seus gostos e desgostos. Miguel está abrindo a boca pra dizer "NÃO" e "SIM" , pra mim, pra ele mesmo, pra vida. 

É chegada a hora de ficar bem atenta pra não perder nem o menor dos detalhes porque meu filho está ganhando esse mundo, está tendo seus próprios interesses e eu estou achando lindo ver suas asinhas, ainda pequenas e curtas, nascerem em suas costas. Asas que daqui um tempo vão estar grandes e vistosas, asas que o Miguel vai abrir e que vão levá-lo por aí, voando pra lugares em que nem sempre eu estarei. Tudo bem, só quero que Deus me conceda a graça de ver, mesmo que de longe, meu filho voando alto, livre, senhor de si, dono de suas escolhas, do seu nariz e da sua vida. E eu, que decidi ser mãe tarde, só peço, com todo meu coração, que eu esteja viva pra ver esse voo do meu filho e que seja um voo bonito, seguro e cheio de amor. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Saudade de Bebê















Semana passada, enquanto estava no salão conversando com outra cliente da minha manicure, ela me disse que está com saudade de ter um bebê em casa. Sua filha é mais velha 1 ano que o Miguel e eu disse a ela, sem pensar duas vezes, que ela devia estar louca. Ainda trago na minha memória recente o estrago que ter um bebezinho chorando de cólica toda hora provocou na minha vida. Ainda trago muito vivo em minha mente o que eu sentia todas as vezes que a  noite ia caindo e eu sabia que todos iriam ter uma noite de sono tranquila e eu veria vários programas durante a madrugada, segurando minha cabeça em cima do pescoço pra não dormir em pé. Ou pior: pra não cair dormindo em cima do Miguel que estava no meu colo. Lembro muito claramente de não conseguir fazer nada, nada mesmo, que não fosse cuidar do Miguel durante TODOS os meus finais de semana. Do fundo do meu coração? Ainda digo mais e me desculpem a sinceridade: durante esse tempo, eu odiava quando a sexta-feira chegava. Sexta-feira significava não ter vida própria, significava viver apenas pra cuidar daquele bebê cheio de demandas. Não... Eu não quero outro bebezinho na minha vida. 

Mas confesso que sinto saudade de ter o meu bebê gordinho, cheio de dobrinhas, com aquele sorriso desdentado. Aquele bebê que, por não saber falar, falava com os olhinhos brilhantes. Daquele meu bebê que mordia o dedão do pé e que mal andava direito, tentando se equilibrar nas pernas gordas e curtas. Saudade do bebezinho que ficava sentadinho na banheira durante um banho de horas e que jogava água pra todo lado. Saudade do meu bebê que foi carequinha até 1 ano de idade! Saudade de um bebê pesado, mas que cabia direitinho no meu colo. 

Quando olho pro Miguel hoje, ainda enxergo o meu bebê... Mas é um bebê sem a cinturinha de ovo, um bebê com a carinha que está se transformando na cara de um menino, um bebê grande, mais magro, com menos bochecha e cheio de cabelo. Meu bebê hoje já sabe falar e fala bem. E muito. Fala sem parar e, por saber se expressar, também já me responde atravessado. Diz o que quer, cobra, pede. Diz que não gostou, questiona, conclui. 

Mais pra frente, talvez, eu tenha mais saudade de ter um bebê. Talvez, não sei. Acho até que não. Porque a saudade que tenho é do meu bebê que vejo nas fotos, um bebê que aparece sempre lindo e sorridente. Não tenho saudade do dia-a-dia que se tem quando há um bebezinho em casa. Ah, me desculpe, daqueles dias insanos, em que eu mal tinha tempo pra tomar um banho, em que eu não tinha mais autonomia nem pra comer com calma ou escovar o cabelo, eu não tenho saudade não... E, de verdade, acho que nunca vou ter. 

domingo, 26 de agosto de 2012

Pérolas do Miguel






Criança é mesmo uma coisa linda... São engraçados e tudo na cabeça deles é muito simples. Tão simples que ando me perguntando se as coisas não são, de fato, assim, simples e a gente é que complica tudo conforme vai crescendo e enxergando as mil nuances que a vida tem. Pra criança as coisas são ou não são, vai ou não vai e ponto. Sem estresse, sem complicação. E o Miguel mostra que assim deveria ser pelo modo como encara as mais variadas situações do nosso dia-a-dia.

Tínhamos uma cachorrinha muito fofa e que estava velhinha demais e sofrendo. Enfim, a Godiva (nome da cadelinha) morreu e Miguel perguntou pra onde ela tinha ido. Dissemos que ela estava com Papai do Céu, que Ele cuidaria dela daqui por diante e isso foi suficiente pra ele. Isso aconteceu há uns 3 meses. Bom, domingo passado fomos pra piscina e minha mãe não quis ir porque era a hora da missa dela de todo domingo. Chegando na piscina, Miguel, conversando com o Namorado, falou:
- "Vovó não veio pra piscina com a gente..."
Hugo comentou:
- "É que ela foi a igreja, foi à missa."
- "Igreja?", Miguel perguntou.
- "Isso, filho, na casa do Papai do Céu."
- "Onde está a Pretinha?" (Miguel não chamava a Godiva pelo nome, a chamava de Pretinha.)

Impressionados com a rapidez com que ele ligou as duas estórias, respondemos que sim, era onde estava a Pretinha. Chegando em casa, ao encontrar com a minha mãe, Miguel ainda perguntou a ela: "Vovó, a Pretinha está bem?" Expliquei rapidamente pra minha mãe o que tinha acontecido pra que ela pudesse responder a pergunta do Miguel. Enfim, nada passa por essas crianças. Nada. 

Ontem à tarde, depois que cheguei do trabalho, Miguel pediu pra ver o filme Carros e eu estava arrumando o meu quarto. Miguel pediu pra que eu ficasse assistindo o filme com ele (meu Deus, não aguento mais assistir esse filme!) e eu respondi que tinha que arrumar a casa. Na mesma hora, ele falou: "Tá bom, você vai ficar sem o Miguel!" Simples assim. Tipo: se você prefere arrumar a casa a ficar comigo, está perdendo a oportunidade de ficar comigo. Ai, meu Deus. Na cabeça do meu filho, muito lógico, não é ele que fica sem mim, nesse caso. A leitura dele é muito clara das coisas: você está preferindo fazer outra coisa, então: "Você vai ficar sem o Miguel!".

Hoje de manhã, lá estava eu conversando com ele, de novo, pela bilhonésima vez, sobre fazer coco no vaso e não por aí, em qualquer lugar da casa, nas cuecas. Falei que ele está crescendo e que logo vai pra casa dos amiguinhos pra brincar com eles e peguntei como seria se ele quisesse fazer coco e não fosse fazer o coco no banheiro. Ainda continuei:
- "Como vai ser isso, filho? Você não vai poder fazer coco nas calças. Precisa ir ao banheiro. Se não, a mãe do seu amiguinho vai ter que limpar a sua bunda??? A mãe do seu amigo não tem que limpar a sua bunda!" E Miguel falou, pra encerrar o assunto: "Mas se eu fizer coco na casa dela, tem que sim!" Meu Deus, fiquei imaginando Miguel na casa de algum amigo fazendo coco e a mãe desse amigo limpando a bunda do meu filho e, pior, lavando a cueca cagada. Nunca mais Miguel seria convidado pra brincar na casa de ninguém... 

Enfim, tudo parece tão simples na cabecinha do meu filho, ele faz parecer tudo descomplicado e livre. E, de repente, as coisas não só parecem simples, elas são simples de verdade. A gente é que complica tudo.

sábado, 25 de agosto de 2012

Padrinhos









Eu e minha irmã temos a mesma madrinha e o mesmo padrinho. Até nisso minha mãe não quis fazer diferença... E acertou em cheio! Tivemos os melhores padrinhos que alguém pode ter: participativos, chegados, carinhosos, amigos. Quando minha Dinda e meu Dindo se separaram, pensei logo que seria uma pena perder o contato com meu padrinho já que minha madrinha é que é irmã do meu pai. Mas isso não aconteceu, mesmo sendo uma separação motivada por traição, eles sempre souberam separar as coisas e meu padrinho continuou o mesmo de sempre: um cara carinhoso demais, um babão por suas afilhadas e continuou a frequentar as festas de família como deve ser em toda família civilizada. 

Eu acho mesmo de extrema importância a escolha dos padrinhos. É uma delícia apadrinhar alguém, mas é também uma grande responsabilidade. De acordo com a igreja, o padrinho tem a função de ser um guia para seu afilhado em sua vida religiosa, significa estar ao lado do pai e da mãe na difícil tarefa de educar. Nossa, que responsabilidade! Por isso, não acho legal escolher para padrinho amigos porque sempre tive muito medo de não dar a meu filho um padrinho que, por um motivo ou outro, não estivesse presente em sua vida. 

Sou madrinha das duas filhas da minha irmã e, por termos uma convivência tão próxima, as sinto como minhas filhas também.  Eu não poderia pensar em nenhuma outra pessoa nesse mundo para apadrinhar meu filho que não fosse minha irmã e meu cunhado. E digo mais: se tivesse outro filho, continuaria sem pensar em outras pessoas para apadrinhar meu filho. Minha irmã e o Itallo seriam os padrinhos desse irmão ou irmã imaginário do Miguel. Sem nenhuma dúvida posso afirmar: ninguém nesse mundo, da minha família ou não, poderia desempenhar melhor esse papel dado a esses dois. 

O fato de nos vermos todos os dias, faz da minha irmã e do Itallo um pouco pai e mãe do Miguel também. Confio neles plenamente e na minha falta e na falta do Hugo, gostaria que eles criassem minha delícia. Sei que eles teriam a preocupação de dar a ele a melhor escola possível, que fosse educado, que fosse um homem de bem e, além disso, sei que seriam carinhosos e atentos, que saberiam escutar suas dores e teriam paciência caso ele não estivesse passando bem pela adolescência insana. 

Um padrinho nunca deveria estar presente apenas nas datas comemorativas, um padrinho deveria ser íntimo de seu afilhado, amigo. E intimidade não se consegue de um dia para outro. Intimidade é algo que se conquista no dia-a-dia, com a convivência, é algo que se ganha mesmo aos trancos e barrancos porque conviver não é fácil. Entretanto, é nessa convivência que conhecemos realmente as pessoas, é que aprendemos a conhecer cada carinha dos nossos afilhados, cada gesto, cada torcida de nariz, cada palavra mal dita, cada mau humor. Infelizmente, essa relação tão próxima só tive com minhas afilhadas filhas da minha irmã: Duda e Rafa. Meus outros 3 afilhados não convivem comigo de perto. O Renan já está um homem, lindo por sinal, já tem 19 anos, mas só o vejo em aniversários. A Rafaella, filha da minha grande amiga Deo, mora em SP e fica mesmo difícil conhecer minha afilhada de verdade e ser mais participativa. E o João, filho da minha outra amiga Samira, também mora longe e a própria rotina diária não permite que estejamos juntos o quanto gostaríamos.  

O fato da minha rotina se entrelaçar com a da minha irmã e por sermos amigas, acima de tudo, dessas que se falam mil vezes por dia e dessas que podem falar sobre qualquer assunto idiota que ele vira conversa pra horas, ajuda bastante na minha convivência com as meninas e na deles com o Miguel. 

Quando meu filho está com os padrinhos, o que eles dizem é lei. Confio plenamente que farão por ele o que fariam por suas filhas e me sinto em paz, mesmo quando estou viajando e distante porque sei que Miguel está em companhia do Itallo e da Sis. Com eles, meu filho está em casa. Com eles, meu filho tem amor, aquele amor mais parecido com o amor de um pai e de uma mãe por seu filho: o amor que educa, que briga, que exige, mas também o amor que se delicia, que enche o coração, que faz chorar de alegria. Eu sei que Miguel sente esse amor quando está com seus padrinhos. E isso é prova de que acertei em cheio quando escolhi minha irmã de sangue e meu irmão de coração para padrinhos do meu bebê. 

Fico muito feliz por ver que minha irmã conseguirá ter com meu filho o mesmo tipo de relação que tenho com suas filhas: de amizade verdadeira. Amo quando os olhos do Miguel brilham cada vez que o Itallo chega lá em casa e já vai logo começando uma brincadeira com ele. Amo quando Miguel vem todo feliz me falar: "Mamãe, a Dida chegou!!" Minha irmã e meu cunhado dão banho, dão comida, dão esporro, dão presentes, fazem vontades, brigam, dizem que meu filho é mimado, dizem que ele é um chato, dizem que Miguel é muito engraçado, muito fofo, muito gostoso. Olham pra ele com olhos de admiração e deleite que só os pais têm. Olham pro Miguel com olhos irritados pela pirraça e manha que crianças só fazem com quem tem intimidade. Itallo e Sis olham pro meu filho como se olhassem para uma criança que pertence a eles também. Olham pro Miguel com olhos cheios de carinho. 

Que Deus os ilumine a me ajudar nessa dura tarefa de transformar meu filho em um homem de verdade. 

sábado, 18 de agosto de 2012

Carinho é bom e todo mundo gosta

Miguel e Duda em momento de carinho


Miguel é uma criança muito carinhosa com a gente. Vive nos dando muitos beijos, faz carinho e já solicita carinho também. Não raro, na hora de dormir, vira-se pra mim e pede: "Mãe, faz carinho na minha cabeça?"  Todas as vezes, quando chego em casa na hora do almoço pra levá-lo à escola, ele corre e me abraça com tanta alegria que parece que estive fora por meses. Todo dia é a mesma coisa, a mesma felicidade em me ver na hora do almoço. 

Ele também fica muito feliz quando digo que é meu dia de buscá-lo na escola. Abre o maior sorrisão e me deixa cheia de felicidade, mesmo que eu saiba que aquele será um dia muito mais corrido pra mim no trabalho e onde as coisas todas que tenho que fazer tenham que ser feitas em menos tempo. Meu cunhado, minha irmã, eu e o Namorado nos alternamos na hora de buscar na escola, assim fica melhor pra todo mundo, mas o meu dia de buscar tem gostinho especial apesar da correria.

É engraçado como o ser humano gosta de palavras de carinho e, por mais que as atitudes sejam coerentes com o que se diz, a palavra faz falta. Miguel gosta de me levar até o carro todas as manhãs quando estou de saída pro trabalho. Sempre me abaixo perto dele, lhe dou um abraço, beijo e digo que lhe amo. Ele muitas vezes diz que me ama também e ainda diz: "Bom trabaio, mamãe!" Só que essa semana eu estava atrasada e dei um beijo apressado nele e fui logo entrando no carro, aí, já dentro do carro abri a janela do lado do carona pra dizer que voltaria na hora do almoço e o Miguel olhou pra mim e perguntou: "Mamãe, você ama eu?" Ai... Que fofo esse meu filho... Eu que digo que o amo todos os dias antes de sair, naquele dia não disse e ele sentiu mas também não guardou pra ele essa dúvida, resolveu me perguntar. Miguel me deu a chance de dizer a ele, já que tinha esquecido, que, sim, o amo muito, mais que tudo nessa vida. 

Muitas vezes, por mais que a gente preserve atitudes corretas com as pessoas que nos cercam e estejamos sempre dispostos a ajudar, esquecemos de falar o que sentimos. E é tão bom falar que gostamos, que sentimos falta, que o amigo está lindo com tal roupa, que sentimos saudade, que amamos. Falar essas coisas é tão delicioso quanto escutar. Palavras podem ser só palavras ao vento mesmo, se não são acompanhadas de exemplos práticos na rotina diária, mas quando ditas com o coração, com sentimento, tem muito valor. E quem não gosta de um "eu te amo" visceral, sentido, carregado de amor? Quem não gosta?


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Amizade Real

Fui criada pra enxergar o mundo como se ele fosse todo cor de rosa. Fui criada pra ver sempre o lado bom das pessoas e, por ter vivido esse tipo de criação, posso afirmar, não é bom achar tudo sempre lindo e que no final vai dar tudo certo, simplesmente porque a vida é linda. Viver assim é fugir da realidade, é confundir otimismo com ilusão. 

Apesar de ser uma otimista, de pensar positivo, a vida me ensinou com algumas porradas que é preciso tirar o véu da nossa frente e enxergar o mundo como ele é, sem tons pastel e sem colocar cores mais fortes que as cores da verdade. Não gosto de me iludir e tirar meus pés do chão. Tiro meus pés do chão quando sonho, quando imagino, mas, hoje, aprendi que tirar os pés do chão quando estamos tratando de situações do nosso dia-a-dia, é péssimo. Não dá pra ficar fantasiando e nem mascarando. Não sou daquelas que olham o copo pela metade e o veem quase vazio. Mas também não sou dessas que olham o mesmo copo e o veem quase cheio. Enxergar um copo pela metade como quase cheio é um perigo. Eu enxergo um copo com água pela metade como um copo que está com água pela metade. Mas esse modo de pensar me causa transtornos, às vezes, com relação à amizades. 

Sou uma pessoa com alguns bons amigos. Sou cercada de pessoas queridas a quem respeito muito e quero bem e tenho a sorte de ter pessoas bacanas convivendo comigo, a quem posso recorrer em momentos difíceis. Entretanto, há muito deixei de acreditar que TODOS são meus amigos. Aprendi a separar amizade de coleguismo. Não foi fácil pra uma pessoa que sempre quis ser gostada e que em algum ponto da vida achou que seria uma unanimidade, cair em si de que não é bem assim e aceitar que receber um NÃO das pessoas ao redor, não quer dizer que elas não gostem de mim. Simplesmente, não é pessoal. 

À medida que fui caindo na real, foi inevitável me tornar uma pessoa com foco na realidade, uma pessoa que lida com o que tem em mãos. No trabalho, não gosto de estabelecer metas impossíveis, frustrantes. Gosto de colocar meu braço onde alcanço e não gosto de enfeitar o pavão. E aí é que está: vejo que a maior parte das pessoas A D O R A "enfeitar o tal do pavão". Jesus disse algumas vezes antes de ser crucificado: "Quem tem ouvidos pra ouvir, ouça."  E essa frase diz muito. Pra mim, diz que nem todos nós estamos preparados pra ouvir a verdade. É mais fácil ouvir as palavras que queremos escutar. Quem  nunca pediu a opinião sincera de um amigo quando no fundo o que queria ouvir era que a opinião do amigo era a mesma que a sua? 

Ter uma amiga que diz a verdade, muitas vezes pode ser uma dor de cabeça. E, não me entendam mal, quem me conhece sabe que sou uma pessoa educada e não sou capaz de indelicadezas ou de magoar as pessoas deliberadamente. Mas não gosto de palavrinhas doces quando o caso é pra palavras duras. Também não quero ser a dona da verdade, longe disso. Mas não aguento pessoas que observam seus amigos tomarem decisões loucas sem nada falar e, mais longe, ainda incentivam dizendo que, no final, vai tudo terminar bem. 

Vou exemplificar o que acontece comigo: há pouco tempo uma amiga linda de quem gosto demais fez uma tatuagem insana nas costas. O desenho estava tão feio e borrado que cheguei a pensar que tratava-se de uma tatuagem de henna que estivesse saindo. Várias pessoas olhavam a tatuagem sem conseguir definir que desenho era aquele. Aí começa o que eu chamo de enfeitar o pavão: uns diziam que estava feio porque não estava terminada ainda. Outros diziam que não estava tão bom porque estava recente, depois iria melhorar. E eu? Falei logo que era um absurdo minha amiga, uma mulher linda, ter confiado as costas à um tatuador  pra ele fazer uma bobagem daquelas e que ela procurasse outro profissional pra consertar aquele estrago urgentemente. Além de mandar a real, ainda me vi nervosa com toda a situação. Graças a Deus, a tatuagem dela hoje está linda, pois seguiu meu conselho.

Outra amiga minha ficou grávida de uma transa avulsa com um cara que mora em outro estado. Meu Deus. O que dizer? Pra mim, só há um caminho: a realidade. Enquanto eu falei que seria muito duro, que ter um filho com o suporte do marido já é barra pesada, imagina sozinha sem suporte financeiro do pai da criança e, principalmente, sem suporte emocional, todas as outras pessoas romantizaram dizendo que seria uma maravilha ter um bebê, que todos ajudariam a criar, que ela nunca estaria sozinha. Ha, ha, ha. Não preciso nem dizer quem estava com a razão. Eu só queria que ela estivesse preparada para algo muito difícil e que não adianta todo mundo dizer que vai ajudar porque hoje ela está sozinha, tendo que cuidar de uma criança cheia de necessidades, nesse processo solitário e doloroso que é o de ser mãe e pai. Porque ninguém consegue ser mãe e pai. São papéis distintos.

Estou exemplificando pra tentar mostrar que me sinto uma boba por falar as coisas da forma mais próxima da realidade que posso porque nem todo mundo está preparado pra isso. No fundo, a maior parte das pessoas deve achar que eu não devia falar, que no momento em que estamos vivendo uma situação difícil só o que queremos escutar são palavras de consolo e esperança, mas será que a vida é isso mesmo? Será que muitas vezes não é melhor encarar a verdade e partir pra atitudes que possam nos levar, mais na frente, a um desfecho mais feliz, mesmo que doa nesse momento? Vamos agora ficar ouvindo palavras de carinho e sentar no sofá esperando que Deus resolva? Colocar nossa vida totalmente nas mãos da esperança? Nossa vida é nossa vida, está em nossas mãos. E Deus só ajuda a quem sabe onde quer chegar.

Por tudo isso é que fico pensando que o Namorado foi mesmo feito certinho pra mim. Todas as vezes que pergunto a ele se ele me ama pra sempre, pra vida toda, ele me responde: "Namorada, eu te amo hoje. Pra sempre, não posso afirmar." Por mais que eu goste de ouvir essas coisas românticas do tipo "Te amo pra vida inteira" ou "Vou te amar pra sempre", sei que no fundo ele tem toda razão. Não podemos prever o futuro. Lidamos com o agora, com esse momento. E o fato do Namorado ser real comigo, me dizer a verdade e não o que eu quero ouvir, é um alento. Faz com que eu acredite ainda mais em nós dois. 

Eu tenho muita fé. Muita mesmo. Sou esperançosa com relação a minha vida, mas não perco mais o foco do que é real. Já perdi. Já vivi acreditando apenas no que eu queria acreditar, já vivi relacionamentos em que não importava o que os outros me dissessem, eu não tinha ouvidos pra ouvir a real. Eu só ouvia os "amigos" que me diziam pra acreditar que tudo ficaria bem, que todos se modificam ou que a vida é bela e no final tudo dá certo. Quem me dera ter ouvido quem me disse que tem gente que não, nunca se modifica. Teria me poupado um bocado de sofrimento.  Eu tento ser pros meus amigos o que gostaria que eles fossem pra mim. Tento ser o pé no chão, tento ser o que chama pra terra, a amiga que faz refletir. Sou assim com meus amigos porque não quero só escutar opiniões que batam com as minhas, prefiro saber o que vai no coração deles de fato. Não quero que fiquem com medo de me magoar, de me machucar com suas opiniões verdadeiras. Hoje eu acredito que tudo dá certo, sim, se eu trabalhar pra isso. Se eu fizer escolhas conscientes. Se eu tiver ouvidos pra ouvir e, sabendo a verdade, poder tomar minhas decisões com base em realidade e não apenas em sonhos.