quarta-feira, 28 de maio de 2014

Os Doentes da Novela





Depois que Miguel nasceu, não tive mais tempo de assistir novela. A última novela que assisti do início ao fim nesses últimos 5 anos foi o remake de "Paraíso". Era a novela das 18h, eu estava de licença maternidade e adorava assistir com o Miguel no meu colinho. Nem a novela "Avenida Brasil" da qual todos comentavam, quase estericamente, eu assisti. Um capítulo ou outro, esporadicamente, é o máximo que consigo hoje em dia. Geralmente, a televisão está ligada enquanto estou fazendo alguma outra coisa. Só que ainda por cima, quando resolvo prestar atenção a alguma cena, acabo chateando minha mãe porque tenho que fazer tantas perguntas sobre o que está rolando na trama, que acabo mais incomodando a pobre que entendendo os acontecimentos. Acabo deixando pra lá. 

Enfim, depois do nascimento do Miguel, assistir novela virou um luxo ao qual eu não tinha mais direito e, na verdade, sem ter tempo sobrando, o que aconteceu é que acabei priorizando meu tempo pra fazer coisas mais proveitosas e úteis. Acaba que o "ficar sem tempo" me fez um bem, porque ao invés de ver a novela quando sobravam uns minutos de paz, eu preferia ler um livro, uma vez que virou uma questão de não poder deixar o livro pra depois da novela. Afinal, era aquela brecha naquela hora ou deixar pra lá. Com filho pequeno a gente não tem muito como planejar o depois. 

Entretanto, como essa novela "Em família" é do Manoel Carlos, resolvi gravar os primeiros capítulos pra "ver qual era". Na boa, depois da primeira semana, me enojei tanto que larguei essa ideia besta pra lá. Eu nunca vi tanta gente doente em uma só novela. Aquilo foi me dando uma angústia, que nem sei. Não assisti mais. Não estou aqui pra ficar angustiada assistindo maluquice alheia. Maluca basta eu e a vida. E minha maluquice está controlada. Cuido dela com muito carinho pra não perturbar os outros, nem causar dores à toa em quem não merece.  

Vamos e venhamos: a personagem da Vanessa Gerbelli (desculpem mas 1 semana não foi suficiente pra gravar o nome das personagens todas), a mulher que tentava engravidar desesperadamente sem sucesso, resolve que a filha da empregada é sua filha. Totalmente fora da realidade. Não só entra nessa de que a menina é sua filha, como ensinou a garota a lhe chamar de mamãe! A Helena, personagem principal, é o tipinho de mulher que adora ter os homens orbitando ao seu redor, sorri pra um, faz um carinho em outro, charme aqui, charme ali. Enfim, fazendo o estilo "sou muito livre e faço o que me der na cabeça, ninguém é meu dono e quem quiser que me acompanhe", enlouquece o cabeção dos caras. Tudo de um jeito muito inocente, sabe? Quase sem querer. Esse tipo de mulher é um tipo perigoso. Desse jeito, colou com dois doidos como ela: o Virgílio (Humberto Martins) cheio de complexo de inferioridade, aceitava qualquer migalha. E o enjoado do Laerte, ciumento patológico, achou que Helena seria sempre dele. E taca-lhe controle, ciúme e brigas horrorosas. 

Minha mãe me disse hoje que o Virgílio está conseguindo romper o círculo vicioso, dando um basta nas loucuras da Helena. Talvez haja salvação pra essa criatura. Tomara.

Aí tem a tal da personagem da Helena Ranaldi. Gente, a mulher ouve da boca do namorado que a mulher da vida dele é outra e continua com ele. O cara diz "na lata" que não gosta de dormir junto com ela na mesma cama, ele acha que mesma cama é só pra transar, mas na hora de rolar um "dormir de conchinha", nem pensar. Cada um dorme em sua cama e ela aceita. Pior, ela sabe que o cara sai correndo atrás de tudo quanto é mulher que lhe lembre a tal da Helena e ... pasmem! Ela continua com ele. Não aguento. É forte demais.

Aí tem a Clara (Giovanna Antonelli). Nada contra ela se apaixonar pela fotógrafa. Pra mim, está tudo certo. Não faz diferença se ela vai largar o marido pra ficar com um novo homem ou mulher. O que me irrita é essa chatice de ela ficar "cozinhando em banho maria" o marido. Pelo amor de Deus! Não venha com essa história de que o cara está doente, que melhor seria deixar pra depois essa decisão de se separar ou não, isso é sacanagem com o cara. O marido está doente mas não é burro. 

Minha mãe me falou hoje que a filha da mulher que, no início da novela, foi estuprada por 2 caras, agora quer porque quer descobrir quem é seu pai. Agora veja você! E está se envolvendo nessa de prender tudo quanto é estuprador. Uma menina que faz sua faculdade, cheia coisas pra estudar, transformou em objetivo de vida ajudar a polícia a prender estupradores. E a mãe, coitada, tem que reviver através da filha, toda a dor que passou anos atrás. 

Pra piorar ainda mais, vi em um comercial que a Bruna Marquesine, quer dizer, a personagem dela, está namorando o ex da mãe que todo mundo sabe que não presta. Até o fato de namorar o ex da mãe, tudo certo. Não estou nem aí pra isso. Mas namorar o cara que deixou o pai com uma cicatriz horrível na cara e ainda tentou enterrá-lo vivo, já é demais. Quem, em sã consciência, que cresceu sabendo que o pai sofreu muito por conta desse episódio com o "melhor amigo", se aproximaria do tal do Laerte sem o menor pudor? Na boa, eu tenho nojinho só de olhar pros dois se beijando no comercial. 

E esses são só os doentes principais. Tem muitos outros. O Manoel Carlos se esmerou e conseguiu criar personagens mais doentes que nunca. E reuniu todos eles em uma única novela. Acho que ele estudou o que há de pior na literatura de psicoterapia e traçou o perfil desse povo. Definitivamente, não dá pra assistir isso. Estão subestimando muito minha inteligência. Eu não aguento. E não estou aqui pra ficar dando uma de intelectual que não assiste novela, não... Eu sempre gostei de novela. Mas é cada situação tão louca, é tudo tão surreal, que me desgasta só de assistir. E eu não estou nessa vida pra isso, gente. De doente, basta eu. Eu já sei que de perto ninguém é normal. Mas amor próprio é algo muito importante pra qualquer relação. E esse pessoal da novela está muito sem dignidade. Encheu minha paciência.

terça-feira, 27 de maio de 2014

TE AMO... Pra quem mesmo?




O primeiro "EU TE AMO" a gente nunca esquece. E eu estava esperando o dia que esse eu te amo do meu filho viria por escrito. Miguel é muito carinhoso e fala que me ama sempre. Mas como está começando a fazer as letras do alfabeto, estou esperando o dia de receber algum bilhetinho com essas três palavrinhas mágicas que tem o poder de fazer uma pessoa tão feliz. Mas até agora... Nada. Achei que no dia das mães ele fosse se animar pra me perguntar como se escrevem as tais palavrinhas, mas não rolou. "Tudo bem, continuo na espera desse dia", pensei.

Sábado passado foi aniversário do Itallo, padrinho do Miguel e marido da minha irmã. E o Miguel adora o padrinho. Eu não poderia ter escolhido melhor. Na minha família a gente tem uma tradição que pode parecer meio boba pra alguns, mas faz todo o sentido pra gente: sempre escolhemos família pra apadrinhar e escolhemos os mesmos padrinhos pros filhos. Eu e minha irmã temos os mesmos padrinhos. Minha irmã tem duas filhas e as duas são minhas afilhadas e de nosso primo Junior. E, se eu tivesse 10 filhos, todos seriam afilhados da minha irmã e do Itallo. 



Mas, voltando ao assunto principal - como geminiano fala, né? - Miguel decidiu fazer um desenho pra dar de presente ao padrinho. Achei ótima ideia. Ele fez um desenho bem acima da sua média, porque normalmente faz um monte de rabisco e não dá pra identificar muita coisa. Ele coloriu o desenho e disse que queria uma "coisa de botar dentro". Depois de muito insistir pra saber o que seria "essa coisa", acabei descobrindo que se tratava de um envelope. Ele dobrou o desenho e colocou no envelope. Aí perguntou onde colocava o nome dele, mostrei o local do remetente e ele escreveu seu nome. Miguel me perguntou como se escrevia o nome do padrinho. Mostrei e ele escreveu. E pra minha surpresa - ou seria ciúme? - disse que queria escrever "te amo" pro seu Dido (é assim que Miguel o chama).



Tentando ser uma mãe equilibrada, falei pra ele as letras e escrevi em um papel pra ele copiar. E ele o fez, sem a menor dificuldade. Não me aguentei e perguntei:

- Filho, quando é que você vai escrever "Mamãe, eu te amo"? 

Miguel respondeu:

- Não sei. Eu falo isso pra você toda hora. 
- Eu sei, filho, mas você nunca escreveu isso pra mim. Você bem que poderia fazer um desenho e escrever "TE AMO" pra mim, né?, insisti.
- Não, é só pro Dido mesmo. 

Meu filho tem o dom de encerrar um assunto sem a menor cerimônia. Doa a quem doer.

E assim, o primeiro "TE AMO" que meu filho escreveu não foi pra mãe e nem pro pai. O "TE AMO" provado, através de lápis e papel, foi endereçado ao padrinho. Quem entende cabeça e coração de criança? 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Meu amigo




Ontem eu e Miguel estávamos na cozinha comendo. Estávamos sozinhos porque o Namorado tinha ido tomar um chopp com os amigos. A televisão estava ligada e começou a passar a matéria semanal do Fantástico a respeito de câncer de mama. É um assunto que me toca muito porque o câncer é uma doença muito covarde e quem já teve ou tem alguém na família ou amigos que viveram isso, acaba sentindo um pouco mais.

A matéria de ontem me emocionou em especial porque mostrava uma mulher grávida que descobre uma recidiva. Os médicos pensam em um aborto, mas decidem adiar o início da quimioterapia quando constatam que ela está com 8 semanas. Arriscando um pouco mais a saúde da mãe, começam o tratamento somente depois dos 3 primeiros meses, quando o risco para o bebê cai muito. Então, aquela luta pra levar a gestação até o final, a vontade de ser mãe daquela mulher, tudo isso me comoveu muito. Depois que decidi que queria ser mãe, mesmo que essa decisão tenha demorado a chegar, eu quis com todas as minhas forças e lutaria até o fim para ter o Miguel em meus braços, exatamente como ela fez.

Eu comia e chorava. Assistia a matéria e chorava. Bebia coca-cola e chorava. Miguel ali, ao meu lado, olhando pra mim. E isso me fazia chorar um pouco mais porque eu tenho meu filho comigo, sem precisar lutar o tanto que aquela mulher estava lutando. 

Miguel perguntou:

- Mãe, você está triste, né? É porque a moça está doente?

E respondi:

- Sim, filho. Estou triste porque ela está doente e também o tratamento pode fazer mal ao bebê que está na barriga dela. Estou chorando porque tudo o que ela mais quer é ter um filho, é ver o bebezinho dela nascer. Tudo que ela quer é ter uma criança na vida dela, uma criança linda e especial como você é pra mim. Eu tenho você, filho. E eu queria muito que ela conseguisse também. 

Miguel sorriu pra mim e não falou mais. Largou o pão no prato e, sem dizer nada, apenas olhando nos meus olhos, estendeu sua mão com a palma aberta virada pra cima sobre a mesa em minha direção. Com a mão aberta, olhando pra mim, ficou esperando. E eu estendi meu braço e agarrei sua mãozinha chorando ainda mais. Chorando pela benção, não só de ter esse filho, mas por ter um filho tão especial, tão sensível, tão carinhoso. Um filho que sabe me consolar sem precisar dizer uma só palavra. Uma criança que entende o quanto é importante pra mim e o quanto sou feliz por tê-lo em minha vida.

Ele continuou comendo, segurando o pão com a outra mão. Eu continuei olhando pra TV. E nós continuamos de mãos dadas, até que eu parasse de chorar.


sábado, 24 de maio de 2014

Palmada

Nosso governo tem tanta coisa com a qual se preocupar e insiste em gastar precioso tempo pra mudar o que deveria estar em último lugar em uma lista de prioridades. Sempre deixo claro, aqui no blog e entre as pessoas que me conhecem, que não bato no meu filho. E não falo isso como quem levanta uma bandeira ou se sente mais ou melhor mãe por agir assim. A verdade é que sempre fui muito ruim em bater nos outros mesmo. Desde criança. Nunca entrei em briga física, nunca bati em ninguém. E tenho uma irmã que não me deixaria mentir. Mesmo sendo a irmã mais velha, eu é que apanhava dela. Minha Sis, sim, sempre foi boa de briga e batia mesmo em quem quer que fosse, menina ou menino, menor e maior que ela. Aliás, como sempre foi baixinha, ela batia, na grande maioria das vezes, em pessoas maiores que ela.

Então, não bato mas não condeno quem, de vez em quando, dá uma palmada no filho. Eu apanhei (pouco, é verdade, porque não era de fazer muita besteira), mas minha irmã apanhou muito. Por "muito" não se deve entender que ela foi espancada. O que acontecia é que todos os dias minha irmã arranjava um jeito de apanhar, quer dizer, ela sempre conseguia tirar minha mãe do sério. No fundo, a tolerância das duas tem o mesmo comprimento. E estamos aqui, eu e minha amada irmã, vivinhas da Silva, pessoas de bem, educadas e com respeito ao próximo. Aprendemos limites, aprendemos a respeitar o espaço alheio. Por tudo isso é que achei o texto de um ex-aluno aqui do CCAA, hoje advogado e amigo, Luis Carlos Vils Rolo, muito propício. E estou dividindo com vocês:


"Antes de falar sobre a "maravilhosa" Lei da Palmada, ou melhor, "Lei menino Bernardo", gostaria de fazer uma pequena enquete:


- Quem de vocês apanhou quando criança ao fazer alguma besteira e hoje está revoltado, traumatizado ou teve a vida destruída?

Primeiro, é preciso ter noção do que significa a família para a sociedade. O ser humano, ao nascer, não sabe falar, não sabe ler, não conhece valores éticos e morais, não possui limites, não tem roupa, não tem patrimônio, não tem cultura, nada.

A vida em sociedade exige regras. Em meu curso de Direito, aprendi que o Direito nasce quando existe o outro. Para quem vive sozinho em uma ilha deserta, o Direito não faz o menor sentido. Só existe Direito, porque entre você e o próximo é necessário haver limites, sob pena de termos a barbárie.

Então, é preciso que alguém transmita para este ser humano que nasceu estas regras para a vida em sociedade. Linguagem ,cultura, valores, enfim, todo o arcabouço normativo que permita a alguém conviver com o seu próximo de forma digna. Também é importante que este ser humano seja alimentado, tenha o que vestir e tenha onde morar. Se este ser humano que nasceu não consegue nada disso sozinho, alguém deve fazer por ele e, a esta altura do campeonato, todos vocês já concluíram mentalmente que quem deve ser responsável por isto é a família.

De fato, a própria existência da família pressupõe a existência de uma prole. Um casal que mora juntos, sem filhos, são apenas duas pessoas sobrevivendo juntas, mas, cada qual conseguindo manter seu próprio grau de individualidade. É a partir da prole que nascem obrigações recíprocas e a coalizão necessária para transformar indivíduos que coabitam em uma família.

Daí porque se diz que a família é a célula mais importante da sociedade. É no seio da família que os seres humanos que nascerem vão receber a formação ético-moral-linguística que os prepararão para a vida social.

Todavia, para transmitir valores a este ser humano que não possui nenhum, é preciso, muitas vezes, impor autoridade, demonstrar hierarquia e ensinar respeito. O ideal é que isto seja feito com palavras e afeto, mas em boa parte das vezes, é preciso utilizar o mecanismo do castigo para que este ser vivo se sinta desestimulado a praticar determinada conduta antissocial e se sinta efetivamente punido pelo erro praticado. Todo aquele que cria um filho sabe muito bem que o "não" muitas vezes não é suficiente. Quando a sua mãe dá um tapa quando você insiste em enfiar o dedo na tomada, é porque ela não quer que você tome uma descarga elétrica, que é muito pior. Os pais batem por amor.

O espancamento é crime hoje, com as leis que temos hoje. Educar é uma coisa. Torturar e maltratar é outra e não precisamos de nenhuma nova lei para ensinar isto às pessoas. Por outro lado, inexiste qualquer sensação social de "Impunidade" para quem espanca os filhos. Quem é denunciado está preso e foi destituído do Poder Familiar. Qualquer abuso deve ser punido, mas os pais não podem ser impedidos de cumprir a sua função social de educar seus filhos.

Mas não é o que pensa o nosso governo.

Contrariando a vontade da imensa maioria, nossos legisladores querem decidir como criar nossos filhos. Querem transformar a escola, que já falha em ensinar as ciências básicas, se transformem em centros de doutrinação, escolhendo que valores que as crianças devem receber. Ao impedir os pais de impor limites aos filhos, a nova lei da palmada criará uma geração de crianças mimadas, egoístas e incapazes de viver em sociedade.

O pior é que é este mesmo governo que hoje quer impedir os pais de educarem seus filhos, é o que apoia grupos abortistas. Ou seja, pela lógica, os pais não devem bater em seus filhos. Devem matá-los ainda dentro do útero (?!?!?!?).

A esquizofrenia dos legisladores brasileiros é tamanha que decidiram mudar até o nome da lei, que era "Lei da Palmada", para "Lei Menino Bernardo", como se comparasse a palmada educativa com o assassinato de Bernardo por uma injeção letal! - Os pais educam seus filhos com injeções letais???

Digo e repito: a família é a célula mais importante da sociedade. O governo, ao invés de destruí-la, deveria estimulá-la. Se fizesse isso, teríamos menos crimes, menos egoísmo, menos maldades e mais amor."

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Vamos nos ajudar?



"Fazer o bem não importa a quem". Essa é uma frase que faz muito sentido pra mim. Quando ajudamos alguém, quando nos importamos, seja doando tempo, força, ouvido, braço, esse bem feito é pra nós mesmos. Uma das melhores sensações da vida é ajudar o próximo. É como se uma leveza nos invadisse. 

Mesmo que me chamem de idiota ou inocente, acredito que o bem vence o mal. Acredito nos mocinhos. Acredito na verdade e na luz. Acredito no amor e em Deus. E acredito que quanto mais praticamos bondade e solidariedade, mais sentimos nossa vida em sua plenitude e serenidade, porque existe uma paz que só vem quando estamos em comunhão com a energia de Deus. E quando somos solidários, quando estendemos a mão, essa energia nos invade e envolve não só nosso corpo como o das pessoas perto de nós. 

Vamos viver melhor? Vamos nos ajudar? Não precisamos começar com coisas grandiosas. Caridade começa dentro de casa, começa com nossos colegas de trabalho, com nossos amigos. Começa dentro do ônibus que pegamos todos os dias pra ir trabalhar, na rua pela qual andamos. Sempre há alguém precisando de ajuda e sempre há alguém que pode ajudar. As oportunidades para fazer o bem são colocadas na nossa frente diariamente. É só estar pronto pra aproveitá-las. É só ter olhos pra enxergar a nossa volta. 


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Prada ou Chanel?

Conversando com uma pessoa muito próxima outro dia, escutava o caso que estava sendo contado pra mim e refletia a respeito de como nossa sociedade nos ensina, desde cedo, a dar valor a pessoas pelo que têm e não pelo que são. E fiquei me sentindo meio idiota, diante de tanta babaquice. 

Era a história de um almoço. Essa pessoa contava que foi almoçar no Gero - um restaurante caro aqui no Rio de Janeiro, na Barra - com uma amiga. Ao chegarem lá, notaram que devia estar acontecendo algum tipo de evento no local pela quantidade de caros estacionados, a maioria deles Range Rovers. Lá dentro, de fato, havia um evento. Dentro do restaurante, estavam mais de 40 mulheres comemorando o aniversário de uma delas. Todas estavam na faixa dos 30 anos. Todas muito bem vestidas, maquiadas, penteadas e muito magras. Segundo minha amiga, pouco comiam, apenas beliscavam e bebiam seus proseccos, sem falar que o bolo da aniversariante ficou praticamente intocado (açúcar?? Nem pensar!). Mas não é exatamente aí que quero chegar.

O que me chamou a atenção, assim como a dessa minha amiga que contava a história, é que sua companheira de almoço, uma mulher moradora da Barra também, não parava de olhar para as mulheres reunidas alí e dizer:

- "Nossa, aquela bolsa vermelha que ela está usando é uma Chanel! Custa 20 mil reais!" 
- "Olha lá! Aquela alí está usando um Louboutin lançamento!!"
- "Meu Deus, a outra está com uma bolsa Prada! Ela custa 18 mil!"
- "Aquela outra está com uma pulseira Cartier no pulso!"

E por aí seguiu em seus comentários a respeito das marcas das bolsas, vestidos, sapatos e seus respectivos preços. Seus comentários vinham carregados de uma certa admiração por aquelas mulheres, pessoas que tinham o que ela não tinha. As colocações a respeito do preço vinham com um quê de: pra frequentar esse mundo é preciso ser como elas. Só que aí é que o SER e o TER se confundem. Quem são aquelas mulheres? Quais seriam seus valores? Por quais causas lutam? Que virtudes as distinguem dos demais, as tornam únicas? Ou será que são únicas e diferentes dos demais apenas porque podem ter objetos que custam muito e, assim sendo, poucos podem tê-los e isso as torna especiais? Não estou aqui querendo julgar as mulheres até porque não as conheço. Elas podem comprar um "Manolo Blahnik" da mesma forma que eu compro um Schutz, fulaninha compra um "Andarella" e ciclaninha compra um "Di Santinni". O que me incomoda é como essas coisas, aos olhos da amiga da minha amiga, fazem com que aquelas mulheres sejam quase deusas. E, como ela, existem muitas outras pessoas assim. Pessoas que julgam pelas aparências, pro melhor e pro pior. 

Entendam, não me choca que aquelas mulheres estejam usando todos esses itens caríssimos (pra mim). Eram mulheres novas e todas devem ser extremamente bem sucedidas, ou ter maridos ricos ou serem oriundas de famílias ricas. Enfim, isso nem vem ao caso. Uma bolsa Victor Hugo é cara pra muita gente, assim como uma Arezzo ou Renner. Tudo depende de quanto você está disposta a gastar e de quanto você trabalha pra ganhar seu suado dinheirinho. Tudo depende de quanto você ganha. Há público para todo tipo de produto e de preço. Quem ganha mais, gasta mais, se quiser ou tiver vontade. O que me choca mesmo nessa história toda é a admiração da amiga da minha amiga pelas marcas e produtos utilizados. O que me espanta é que minha amiga disse que o almoço delas acabou ali, não havia mais assunto que fizesse sua companhia de almoço parar de olhar para os adereços que as mulheres do tal aniversário ostentavam. Nenhuma conversa fazia sentido ou prendia sua atenção, a não ser os vestidos, brincos e saltos. Era como se tudo aquilo fosse mais importante que o almoço em si. Era como se aqueles objetos imprimissem um valor maior àquelas pessoas que as usavam. E isso é muito esquisito.

Eu sei que todos julgam pelas aparências. Tento não fazer isso e venho melhorando muito, principalmente quando você lida com o público. Os ensinamentos chegam todos os dias, a todo instante. Não dá pra julgar. Quantas vezes vi mulheres cheirosas e bem vestidas ficarem devendo à escola. Quantas vezes me deparei com pessoas nas quais não coloquei a menor fé, mas que pagaram o semestre à vista. Quantas pessoas mal vestidas nunca atrasaram uma mensalidade de seus filhos. Por tudo isso é que sei que ninguém pode viver de aparência. Isso é só uma forma de enganar ou mascarar o que está atrás de tudo o que usamos. Muitas vezes somos o que mostramos ser. Mas nem sempre é assim. 

Eu sou uma pessoa que gosto muito de me vestir bem, usar bons sapatos, maquiagem de qualidade. Mas não acho que eu tenho mais valor que alguém que não usa as mesmas marcas com as quais me identifico e que meu bolso pode pagar. Se você tiver um bom olhar pra escolher, poderá vestir-se muito bem usando coisas baratas. Custar pouco não é sinal de coisa vagabunda. E tudo depende muito de como você se porta, de ter a cabeça erguida, da sua linguagem corporal perante o mundo. Não raro alguém elogia uma camisa minha e é tomada de surpresa quando digo que comprei na Renner. Mas temos a mania de achar que o belo custa muito. Que o de boa qualidade custa muito. Já vi coisas em lojas caras terem péssimo caimento e durabilidade. E o que eu coloco no meu corpo passa uma mensagem pro mundo, eu sei disso. Mas não me define. Eu não sou minha bolsa Chanel ou Prada (se eu as tivesse...kkkkkk). Eu sou muito mais. E não vou entender nunca se eu, pra ser aceita em determinado grupo social, tiver que comprar as "marcas" consideradas bacanas. Eu uso o que gosto, o que cai bem em mim e o que posso pagar. Permito-me comprar marcas caras de vez em quando - principalmente quando viajo pra poder pagar menos - mas isso não me faz mais ou menos feliz. E não quero que as pessoas achem que sou mais legal porque estou usando uma Cartier no pulso. Enfim, eu não sou o que eu uso. Isso mostra apenas uma pequena parte de mim.

Eu sou Paula, muito mais que Chanel ou Prada. Muito prazer. 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Disney com pequenos










Desde que voltei de Orlando, a pergunta que mais escuto é: "E aí... Como Miguel se comportou?" Na verdade, o que todos querem saber é se vale a pena levar seu filho pequeno pra andar em tantos parques - andar muito - e se ainda assim ele se diverte e aproveita o que há pra ser aproveitado por eles. O que todo mundo quer saber é se vale a pena investir tanta grana pra levar seu filho ainda tão novinho. E minha resposta é que depende. Depende do filho que você tem e do tipo de férias que você quer ter. 

Bom, cada experiência é uma experiência e, pra mim, o principal é você conhecer o filho que tem. Todo pai tem uma noção ou deveria ter do que esperar do seu filho em situações desgastantes. Disney World é divertido e tudo é muito lindo, sim, mas não dá pra tapar o sol com a peneira: seu filho vai ficar de lá pra cá o dia todo, pode ficar irritado, pode querer dormir até mais tarde, pode querer fazer coco no parque, pode chorar na hora de entrar em um brinquedo depois de quase uma hora de fila. Por isso, é melhor considerar todas as hipóteses antes de se decidir. E tem outra coisa a ser ponderada: você vai querer passar suas férias tendo mais trabalho do que teria se tivesse ficado em casa? Sim, porque quando você viaja com um bebê, é preciso carregar o mundo na mala e a cada dia o mundo deverá vir na mochila que carregará nas costas. Por tudo isso é que eu tinha certeza que antes dos 4, 5 anos, eu não viajaria pra Disney com o Miguel. Não era nem por ele, não. Era por mim mesmo. Férias são pra se divertir e esquecer dos probleminhas chatos do dia-a-dia e eu nem cogitava a possibilidade de passar minhas férias carregando um bebê que ficaria irritado no meio de tanta gente, de tanto barulho, de tanta luz. Não poderia cogitar a possibilidade de ter o mesmo trabalho que já se tem em casa quando se tem um bebê, com o agravante de você não estar na sua casa. Eu queria muito levar o Miguel pra Disney, mas queria que ele já tivesse maturidade pra aproveitar e pra me deixar aproveitar. 

Então, conforme Miguel foi crescendo e me mostrando seu comportamento em outras viagens menores, tive a certeza que o levaria com 5 anos ou quase cinco (Miguel fez 5 anos agora em maio e fomos em abril). Ele já tinha a altura mínima pra andar na maior parte dos brinquedos (42" ou 107 cm), desconsiderando as montanhas-russas, é claro, e mostrava, além de uma vontade muito grande de estar lá, um espírito leve e desencanado. Sendo assim, achamos que valeria a pena antecipar nossos planos, já que inicialmente pensamos em levá-lo quando estivesse com 7 anos. 

No primeiro dia de parque, notei que Miguel não estava esperando por aquilo que viu. Por mais que a gente imagine o que é estar em Disney World, não dá pra ter real noção a menos que se esteja lá. E foi isso o que aconteceu com ele. Notei uma certa insegurança com o ambiente. Nada que fugisse do esperado: Miguel é assim, precisa sentir as pessoas, o ambiente, precisa "entender como a banda toca" e qual o ritmo das pessoas com as quais está lidando, pra descobrir como se portar. Depois que ele entende isso, a coisa flui muito bem. E lá não foi diferente. Miguel logo entendeu a dinâmica de nossos dias, entendeu a hora de acordar e as atividades que fazíamos durante o dia, entendeu que não havia muita variedade de comida dentro dos parques e nem se importava de comer o que eu trazia pra ele. Se fosse nuggets, ok. Se fosse cachorro-quente, beleza. Se fosse pizza, melhor ainda. Miguel nunca reclamou de acordar cedo e nem de cansaço. Não dormiu durante o dia nem uma vezinha. Olhos bem abertos, não perdeu nem um detalhe. Miguel se divertiu e deixou que a gente se divertisse muito. 

Então, como cada criança é uma criança, não dá pra estabelecer uma idade ideal pra fazer esse tipo de viagem mais longa. Isso tem a ver com a viagem que você quer ter e com a criança que você tem. É como eu falei, eu não queria carregar um bebê pra cima e pra baixo, trocar fralda de coco, parar pra dar mamadeira. Queria viajar com meu filho entrando no meu ritmo, uma criança que já falasse claramente o que queria e o que não queria, que pudesse aproveitar realmente os parques. Não sei da realidade de outras pessoas, mas uma viagem pra Disney com filhos é um dinheiro considerável. Pelo menos pra mim. Eu queria fazer uma viagem confortável, que pudesse comprar pro meu filho os brinquedos que desejasse e nos programamos pra isso. E esse foi mais um motivo pra pensarmos em levar o Miguel com uma idade na qual pudesse, de verdade, tirar proveito de tudo. E estávamos certos. Fomos na idade ideal pra ele e pra nós. E fizemos uma viagem inesquecível, cheia de momentos lindos, de muitas gargalhadas, de muitas lágrimas (minhas, pra variar!) e de muitos olhares cúmplices. Uma viagem de bençãos e de muitos agradecimentos. Por isso tudo é que, quando ouço meu filho dizer com tanta felicidade "quero voltar pra Disney!!", sei que propiciamos a ele e a nós dias de divertimento em família únicos. E isso ficará guardado em nossos corações pra sempre.