sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Qual o seu limite?






O mundo está muito competitivo. A todo instante queremos ser os melhores em alguma coisa, queremos ser os mais rápidos, mais espertos, mais fortes, mais bonitos. Todo mundo é medido quase o tempo todo e a régua que mede tudo isso é a régua de quem se propõe a medir. Nunca é uma medida feita por nós mesmos, sempre é o outro que serve como referência. E isso não está muito certo.

Sempre fui uma pessoa chamada de competitiva. Durante um tempo meus amigos do trabalho me chamavam de "Monica Geller" (personagem do seriado Friends que nunca aceitava perder). E eu aceito que sou, sim, competitiva, mas não no sentido de ter que ganhar de você ou de qualquer outra pessoa. Sou competitiva porque tenho que fazer o meu melhor SEMPRE. Eu não gosto de deixar tarefas inacabadas, não gosto de não me dedicar integralmente ao que faço ou falar: "ah, não está excelente, mas dá pro gasto." Minha competição é comigo mesma, minha competição é pra não deixar fios soltos, é pra chegar ao final da jornada sabendo que dei o meu melhor. Não posso dizer que não me importo se não cruzar a linha de chegada em primeiro lugar, porque me importo. Mas isso não será o fim do mundo pra mim caso eu tenha dado o meu máximo. O fato de não conseguir o primeiro lugar, serve de estímulo, impulsiona, me move. Mas se eu não chegar em primeiro porque não dei tudo o que podia dar, aí a derrota é doída. Porque terei perdido pra mim mesma.

Aqui no trabalho tento estabelecer metas viáveis e não me interesso se a unidade A, B ou C tem um número X ou Y de alunos. Eu sei da minha realidade, eu sei do potencial do meu time e da capacidade da minha escola. Eu sei do que somos capazes e cobro empenho igual de todos. Meu time não tolera alguém que trabalha menos, que se doa pela metade. É entrar alguém preguiçoso e ser expulso pelo grupo em seguida. Preciso estar cercada de gente que queira aprender e ensinar, de gente que tenha brilho nos olhos e sede de vitória. Mesmo que ela não chegue, sempre nos restará a certeza e o orgulho de termos lutado. 

Tenho tentado passar isso pro Miguel também. Tenho tentado explicar pra ele que ele precisa dar o melhor de si, que não importa se fulano ou beltrano já conseguiu isso ou aquilo. O que importa é o esforço que está colocando pra se desenvolver e cumprir suas tarefas. E, então, hoje, por ter sido a primeira vez que Miguel nadou 50 metros na aula de natação, a professora resolveu pegar uma medalha e dar a ele. Foi muito bonitinho o gesto, Miguel ficou todo feliz, quis que eu tirasse uma foto "pra mandar pro meu papai". Só que enquanto caminhávamos para o carro, ele me perguntou:

- Mas, mãe... Eu ganhei de quem na competição pra Sheila me dar essa medalha?

E eu respondi:

- Miguel, a Sheila resolveu de presentear com essa medalha pra você saber que nadou muito bem hoje. Ela quis lhe dar a medalha pra marcar o dia em que você nadou sozinho 50 metros. Você não ganhou de outra pessoa, mas você ganhou de você mesmo. 

Miguel olhou pra mim com cara de dúvida. Eu aguardei a pergunta que eu sabia que viria em seguida.

- Mãe, como assim? Eu ganhei de mim mesmo?? 

Continuei:

- Sim, filho. Você não nadava nada quando começou a fazer aulas de natação, tinha medo até de entrar na piscina. Depois perdeu o medo. Começou a pular na piscina e aprender a nadar. Conseguiu nadar 25 metros e hoje nadou 50 metros! A cada dia você melhora mais um pouco e isso está acontecendo porque você tem se dedicado, se esforçado pra aprender. Logo você estará nadando mais metros e depois começará a contar o tempo em que percorre as distâncias. E vai querer nadar cada vez mais em um tempo mais curto. E isso, filho, é ganhar de você mesmo. E no final das contas, Miguel, é essa a medalha que mais importa.

No final, o maior limite é aquele que você mesmo se impõe.


“Se você quer ser bem sucedido, precisa ter dedicação total, buscar seu último limite e dar o melhor de si.”  (Ayrton Senna)


quarta-feira, 29 de julho de 2015

Mãe é coisa besta



Mãe é uma coisa besta mesmo. A gente pode falar mal do filho da gente, mas não suporta que ninguém mais fale. É uma coisa que mexe com nossas entranhas, que revira alguma coisa por dentro que nem sei explicar. Quando falam mal com razão, a gente até agradece por ter a chance de poder consertar o filho ou pelo menos tentar. Pra mim, a verdade é sempre bem vinda, sempre uma oportunidade de melhorar, por mais que doa. Mas quando falam mal sem razão, a coisa fica feia pra valer...

Mãe é uma coisa besta mesmo. Normalmente a gente é mais comedido em elogiar os filhos, não quer deixá-los metidos ou presunçosos, cautela é bom pra não criar filhos egocentrados e que se acham a última bolacha do pacote. Mas quando os outros elogiam seu filho, seja porque motivo for, alguma coisa linda acontece dentro da gente, revira alguma coisa por dentro que eu também não sei explicar e vem uma vontade louca de gritar pra todo mundo ouvir. A verdade é que ter filhos maravilhosos faz com que a gente se sinta maravilhosa, mesmo que eu saiba que isso é loucura.

Meu filho, graças a Deus e por enquanto - porque o futuro a Deus pertence - é mais elogiado que criticado, seja por seus atributos físicos, seja por seu comportamento ou educação. E isso é uma benção pra uma mãe que se empenha em criar filhos bacanas. É como uma brisa fresca que mostra que toda a sua chatice está valendo a pena.

Semana passada estávamos saindo de um restaurante e Miguel se adiantou. passando pela porta de saída antes de nós. Sentou em um banco que estava bem em frente a porta onde duas atendentes recepcionavam os clientes. Como eu vinha atrás e resolvi parar pouco antes da porta pra esperar o Namorado, minha mãe e minha sogra, as moças não perceberam que eu era a mãe do menino de quem estavam falando:

- Nossa, já reparou naquele menino? Como é charmoso!

A segunda moça completou:

- Sim! Ele é lindo! Tem um jeitinho de homem mesmo, olha como coloca as mãos no bolso... Um gato!

A primeira continuou:

- Os olhos puxadinhos dele são demais, amiga!! Ele é MUITO estiloso!

Ai, gente.... Eu vinha me aproximando e escutando e a cada passo que eu dava mais difícil ficava de conter meu sorriso de orelha a orelha.... Uma vontade louca de gritar pra todo mundo ouvir:

- Esse menino lindo é MEU FILHOOOOOOOOO!!!! É meu!!! Eu que fiz!! Com o maior amor!!! Meu, todo meu!!! ahahhahahahahaaaaaaa

Mãe é uma coisa besta mesmo.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Olhar o Céu



Desde que o blog nasceu nunca fiquei tanto tempo sem postar. Sei lá. Uma mistura de muito trabalho - muito trabalho mesmo - com preguiça. Falta de tempo é algo que existe sim, mas quem não sofre de falta de tempo hoje em dia? Acho que é quase o mal do século. Por isso, não acho que falta de tempo seja desculpa. É mesmo uma mistura de muito trabalho e uma preguiça estranha que me manteve longe daqui por quase 1 mês. E acho que certas coisas na vida são pra gente deixar como estão porque não adianta ficar forçando nada. Estava de saco cheio de me pressionar pra escrever alguma coisa e, simplesmente, não queria me sentir assim. Detesto que me pressionem, principalmente detesto que eu mesma me pressione. 

Daí ... Foi isso. Não dei às caras mesmo e não me senti mal. Agora voltei. Estou aqui. Com vontade de estar. E isso é o mais importante pra mim. Fazer as coisas que tenho vontade é maravilhoso. Já temos que fazer tantas coisas sem vontade na vida, não dá pra gente ainda se obrigar a fazer mais nada que não esteja a fim. Se não, fica feio, sem cor, sem graça. 

Levei Miguel ao teatro outro dia. Atrás do Miguel estava sentada uma menina muito chata, dessas que ficam chutando a cadeira da frente, puxando o encosto da cadeira e falando alto. Depois de muitos minutos aguentando as reclamações do Miguel que dizia que a menina era muito sem educação, resolvi olhar pra trás pra saber com quem estava aquela criança. Estava com a mãe. Só que a mãe não fazia a menor ideia do que estava acontecendo, nem a respeito do comportamento da filha e nem do que ocorria no palco do teatro. A mãe estava com a cara no celular, quase que abduzida pela rede social, alheia a tudo a seu redor, alheia à própria filha. Como se não bastasse, a mãe começou a tirar fotos (self) e a postar. Exatamente isso. Enquanto a peça rolava, a filha ria, ficava em pé em seu assento, gritava e a mãe continuava olhando para o celular. Não existia mais nada pra mulher, só o celular.

A vida rola enquanto olhamos o celular. A vida acontece enquanto estamos preocupados em tirar fotos e postá-las. Tudo o que é demais, é excesso, já dizia minha sábia avó. Não estou me tirando dessa lista de pessoas que gasta um tempo considerável de suas preciosas vidas com redes sociais. Isso é uma realidade. Mas sou uma das pessoas que começou a refletir o quanto isso está corrompendo relações, roubando nosso tempo do que importa de verdade. Ali, naquele teatro, o mais importante pra mim eram as carinhas do meu filho, suas reações, seus risos, sua alegria, seu espanto. Essas carinhas do Miguel com 6 anos assistindo "A Formiga e a Cigarra" não se repetirão. São únicas. Eu preciso viver isso. Eu preciso olhar todas elas, gravá-las em mim. Eu não vou olhar o celular. E se você pensa que seu filho não nota isso, está redondamente enganado.

Toda sexta-feira é meu dia de levar o Miguel pra natação. Muitas vezes estou na maior correria e levá-lo significa chegar mais tarde no trabalho e já começar o dia com tarefas acumuladas. Por isso, na maior parte desses dias, enquanto ele nada, eu faço ligações, adianto meu trabalho à distância como posso e já vou dando uma olhada nas minhas tarefas do dia. Enfim, ele nada e eu olho a agenda do celular. Ele nada e eu falo no grupo do Whatsapp do trabalho dando coordenadas. Ele nada e eu telefono pra pessoas com quem fiquei de falar no decorrer do dia. Aí, em determinado momento, numa dessas sextas, Miguel vira-se pra mim de dentro da piscina e grita:

- Mãeeeeeeeeee!!!! Olha pra mim!!! Estou nadando sozinho!! Você vai ficar só olhando pro celular??

Nossa. Gelei. Congelei debaixo de um sol de 35 graus.

Morri de vergonha. Sheila, a professora, riu. Não sei se pra mim ou de mim. Mas era um riso de cumplicidade com o Miguel, um riso de quem concorda com ele. Na mesma hora, guardei o celular. Meu filho está aprendendo a nadar. Que se ferrem as tarefas todas que tenho que fazer. Que se danem os milhões de telefonemas que tenho que dar. Ninguém vai morrer se eu sumir por 40 minutos. Esses 40 minutinhos deveriam ser só do Miguel. Eu não deveria aceitar dividir esse tempo com mais ninguém, com mais nada. Guardadas as devidas proporções, me senti um pouco como aquela mãe no teatro e fiquei com vergonha. 

Os filhos crescem e crescem rápido. Preciso aproveitar tudo. Não vou deixar escapar o momento. A vida é o que temos agora, enquanto digito essas palavras e você lê esse texto. Preciso largar o cel e olhar pro céu. 





quinta-feira, 25 de junho de 2015

Mais Dinossauro e Menos Princesa

Não consigo me imaginar sendo mãe de menina "menininha" mesmo, sabe? Talvez se fosse mãe de uma menina moleca, menos princesa, fosse estranhar menos. Eu que sempre fui uma garota que não gostava de brincar de bonecas e de casinha teria dificuldades, acredito. Paula brincando de panelinhas? Nem pensar! Está aí uma coisa que raramente foi presenciada, até mesmo pela minha irmã. Fica difícil entender esse universo feminino cheio de laços e frufrus, embora entenda todas as minhas amigas mães de meninas que se vêem encantadas ao viver a experiência de terem bonecas vivas que podem vestir e enfeitar. 

O universo masculino é muito diferente. O comportamento, o jeito de olhar pra cada situação, o humor, a força, a agressividade, a falta de delicadeza até pra fazer um carinho. Eu que venho de uma família de muitas mulheres e poucos homens, fico bebendo dessa energia e aprendendo com esse mundo novo pra mim. E, assim, me divirto horrores. 

Hoje de manhã, antes de eu sair pro trabalho, Miguel me chamou pra mostrar um video. Depois de uma overdose de Frozen em todos os lugares por onde se olha - mochilas, copos, camisetas, vestidos, música, 432 mil festas infantis com esse tema - dá pra imaginar que chega uma hora que enche o saco de qualquer cristão por melhor que o filme seja (e nesse caso é muito legal mesmo!). Então, quando Miguel me chamou e falou:

- Mãe, olha esse video... Depois de tanto "let it go" pra cá e tanto "lei it go" pra lá, você é menina mas também vai achar engraçado!!

Olha o que ele me mostrou:



Desculpe, gente... Morri de rir. Aliás, eu e ele. Rimos muito. Meu dia começou muito bem hoje! Um viva aos dinossauros!!! Viva o Jurassic World!!

quarta-feira, 17 de junho de 2015

História de Academia

Estamos vivendo em um mundo muito louco mesmo. Tão louco que eu penso que chegamos em um ponto que fica difícil de acreditar em certas situações, certas cenas que vemos diariamente. Do mesmo modo como convivo com pessoas tão maravilhosas, tão generosas, vejo perto de mim pessoas tão egoístas, tão centradas em si mesmas, como se o universo existisse por conta delas e de suas vontades. E a cada dia que passa fica mais difícil ver certas cenas sem indignação. Cada dia que passa fica mais difícil entender que não, com algumas pessoas, simplesmente, não adianta tentar conversar e mostrar um outro lado porque existe gente que só enxerga o que quer enxergar. A visão do outro não importa. A realidade do outro também não. 

Todo mundo é exposto todos os dias as mais variadas situações. Todo mundo vive diariamente experiências que enriquecem nossa vida, que trazem um aprendizado. Eu gosto de aprender e gosto de gente. Por isso sempre presto atenção ao que as pessoas têm a dizer. Gosto de ouvir histórias e gosto de achar que posso aprender com a experiência alheia. Por isso, o que o outro tem a dizer pode ser interessante pra mim. Nada que escuto é jogado fora imediantamente. Antes de decidir se alguma coisa que escutei presta ou não pra mim, pra minha vida, reflito. Tento analisar um lado que não tinha visto antes, entender porque nunca havia pensado de determinado modo e, algumas vezes, concluo que o que escutei não faz mesmo o menor sentido pra mim e descarto. Outras vezes, aprendo mais um pouco. 

Ontem durante minha aula de box, uma pessoa começou a contar sua experiência na aula de spinning do sábado anterior. Disse que durante a aula a música estava altíssima e que estava sentindo-se incomodada com o volume. Disse também que o tipo de música - eletrõnica - não estava de seu agrado e que estava ficando irritada. A pessoa disse que perguntou ao professor se ele poderia abaixar o volume e que o professor teria dito que não. Disse que perguntou ao professor se ele poderia mudar o tipo de música e que o professor teria dito que a aula dele já estava preparada com base naquelas músicas pré-selecionadas. Sendo assim, diante da atitude, segundo ela, "inflexível" do professor, ela decidiu abandonar a aula. Até aí, tudo bem. Se algo não a estava agradando e se ela já havia falado com o professor e ele não quis ou não podia mudar sua aula, melhor ir embora mesmo que ficar irritada. Só que ela não se contentou em ir embora simplesmente. 

Segundo a própria pessoa em questão, antes de ir embora da aula de spinning ela pensou "vou cagar na cabeça desse professor" (palavras dela). Aproximou-se do professor e disparou:

- Meu filho, vou embora. Não estou aguentando essa música chata. Sabe o que é? Eu acabei de voltar de Viena! Muitos dias escutando música clássica e ópera. Está muito radical essa mudança de estilo musical pra mim. Eu tenho bom gosto. Você nem sabe o que é isso. 

Depois de ter dito isso, virou as costas e foi embora. 

Sinceramente, pior que ter dito isso pro professor, foi ter contado pra todo mundo o que ela fez com tom de vitória, com risinho nos lábios como se isso a tornasse bem "espertinha", como se isso a deixasse "por cima" da situação. E eu fico enjoada escutando essas coisas. Poxa, logo de manhã cedo? Por essas e outras é que não gostaria de prestar atenção ao que certas pessoas dizem. Porque certas coisas não tem graça. O que ela contou rindo e se gabando, me causou incredulidade, uma falta de paciência e não é bom sentir-se assim. Fiquei com vontade falar um monte pra ela, dizer que ela devia ter vergonha de contar uma história dessas, que ela tem todo o direito de não gostar do volume ou das músicas escolhidas pelo professor, mas não tem o direito de ser esnobe e boba, deixando o rapaz em uma posição desfavorável até pra responder à altura, uma vez que ele é empregado da academia e uma discussão poderia até lhe custar o emprego. Mas achei melhor deixar pra lá e não me aborrecer. Tem gente que não está pronto pra ouvir umas verdades. Simplesmente, não está. 

Vida que segue. 

domingo, 14 de junho de 2015

Agradecimento de aniversário

Celebrar é algo que combina comigo. Acho a vida uma dádiva e tudo, tudo mesmo, merece comemoração. Conquistar algo, ganhar alguma coisa, fazer aniversário... Enfim, fui criada ouvindo minha mãe dizer "Em tudo dai graças" e aprendi que toda situação, até as que parecem péssimas aos nossos olhos, são situações necessárias pra nosso crescimento e devemos agradecer a oportunidade de aprendizado, por mais difícil que seja na hora. Por isso, fazer aniversário pra mim é motivo de festa, sim, de estar com quem gosto, de agradecer a Deus pelo maior presente que poderia ter me dado: minha existência. 

Todo o carinho que recebo nesse dia, seja daqueles que vieram até minha casa, daqueles que me telefonaram (coisa rara hoje em dia...), daqueles que tiraram um tempinho pra deixar uma mensagem pra mim, faz meu dia mais bonito e enche meu coração de amor. Fico com vontade de gritar a felicidade que sinto. Ainda mais quanto olho pro lado e vejo o tanto que tenho.

Ouvindo as pessoas e lendo as muitas mensagens que recebi hoje, duas coisas são como uma interseção em todas elas. A primeira é que "eu mereço" tudo de bom. Acredito que se colhe o que se planta, mas ninguém conhece o outro tão bem quanto a gente mesmo se conhece. E, sim, sei que tenho muitas qualidades e procuro sempre ajudar a quem está por perto, não sendo alheia ao que acontece à minha volta, mas tenho plena consciência, melhor que ninguém, dos meus muitos defeitos. Eu conheço meus pensamentos mais sombrios, minhas faltas. E por me conhecer tão bem é que não sei se esse "eu mereço tudo de bom" se enquadra tão bem pra mim... Tenho muito, muito mais que mereço e tenho muito, muito mais que preciso. Por isso é que sei que poderia fazer muito, muito mais por meu semelhante e acabo não fazendo tudo o que deveria fazer, tudo o que eu poderia fazer. 

A segunda coisa presente em quase todas as mensagens fala do meu riso largo, da minha alegria. E isso é muito bom de escutar/ler... Acredito na força do sorriso, na energia positiva e, é verdade, estou sempre rindo. Procuro ver graça no corre corre, nas situações estressantes, procuro rir com meus colegas de trabalho sobre minhas mazelas e as dos demais. A vida fica mais leve quando temos a capacidade de rir, quando temos a capacidade de dar "bom dia" sorrindo. Sorrindo, vamos vivendo com mais leveza. E, como diz minha querida mãe, Dona Iris, ela de novo: "água e um sorriso não se nega a ninguém!".  E eu sigo sorrindo... E se a maior parte das pessoas consegue notar isso, consegue enxergar meu sorriso largo, antes de notar qualquer outra coisa, é sinal que estou conseguindo! Isso me faz muito feliz!

Obrigada a todos por terem feito meu dia mais bonito. Além do céu azul, do sol maravilhoso que tivemos hoje, da família reunida ao redor da mesa cheia de comida gostosa, todos que me reservaram um pensamento, um minutinho, estiveram comigo. À vocês, prometo continuar ofertando meu melhor sorriso!

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Aniversário sem festa???





Quando vamos ter um filho, ficamos imaginando como ele será fisicamente, que qualidades herdará da mãe e do pai e quais os defeitos também. Miguel é uma misturinha boa de duas pessoas muito diferentes, mas posso afirmar que tem muito do meu jeito. É um menino de riso fácil, engraçado, carinhoso e muito, muito festeiro. Como eu. 

Desde muito pequena amo fazer aniversário. E amo reunir amigos, estar com gente querida. Lembro, como se fosse hoje, o dia em que minha mãe resolveu que viajaríamos pra Saquarema em um dos meus aniversários, não sei se de 8 ou 9 anos. Era feriado de Corpus Christi e minha mãe conseguiu emendar com o final de semana. Que tristeza. Fiquei o feriado todo com cara triste, chateada mesmo. Viajar no meu aniversário significava passar a data apenas com alguns familiares e sempre gostei de ter família e amigos. Muitos. Viajei amuada, mesmo minha mãe tendo encomendado um bolo lindo pra mim. Estava tão triste que acho que os céus me entenderam e mandaram uma chuva que durou todo o feriadão, o que combinou perfeitamente com meu estado de espírito. 

Lá em casa sou famosa por minhas festas porque sempre que digo que a festa será pra 50 pessoas, aparecem 100. Todos são bem vindos e não raro minhas festas estavam cheias de amigos, amigos de amigos e todos bem recebidos. Já fiz festa pro Miguel pra 120 pessoas e, no final, tinham 160. Meu casamento foi pra 400 pessoas. Enfim, não sei fazer petit comite. E Miguel vai pelo mesmo caminho. Ele não me pede presente. Não quer ganhar isso ou aquilo. Mas ele pede uma festa. Por isso me esforço pra sempre fazer alguma coisa porque vale a pena ver como meu filho gosta, como vibra com cada convidado que chega, como se entrega aos preparativos. Quer escolher como vai ser o bolo, o tema da festa, as cores. Ele quer ir comigo ao local, quer ajudar a arrumar, dar opinião. É muito participativo. 

A única coisa chata é que não dá mais pra chamar meus amigos e os do Namorado - tantos e tão queridos - e chamar os amigos da escola do Miguel. Não há bolso que resista. Por isso, desde o ano passado, mesmo morrendo de vontade de estar com meus amigos pra comemorar o aniversário do meu filho e sabendo que ficariam felizes em partilhar esse momento feliz comigo, faço a lista de convidados pensando no que é importante pro Miguel. Quer dizer, nesse momento, essencial é a presença de sua família e de seus amigos da escola. 

Eu que sempre levei minhas afilhadas a muitas festinhas quando eram menores e depois de 6 anos frequentando todo tipo de casa de festas infantis, estou mega enjoada dessa barulheira que há em casas desse tipo, bem como o animador chato falando aos berros no microfone. Desculpa, gente, mas cansei. Procurei uma alternativa no ano passado e não me arrependi. Esse ano busquei também outro caminho e encontrei o Quintal Verde. É uma casa de festas do jeito que eu queria, simples, sem brinquedos eletrônicos, com um gramado grande e árvores. Uma parte é coberta (a área onde ficam os convidados) e o serviço maravilhoso. Optei por churrasco, pra combinar com o tom informal, e tudo, das saladas à picanha, foi de muito boa qualidade e muito bem servido. Não quis colocar nem pula-pula, nem DJ, só mesmo uma equipe de recreação pra brincar de brincadeiras tradicionais, muita bola, roda e jogos. Criança não dá a mínima pra música que está tocando e se está tocando alguma. Eles querem saber de brincar e se divertir. E os pais querem conversar sem ter que gritar e sair roucos ao final da festa. 

Resultado: acertei na escolha e foi uma tarde muito agradável e feliz. Miguel estava radiante, aproveitando cada minuto da sua festa, a tão esperada festa de 6 anos. E eu, feliz por vê-lo tão contente. E, também, por que lá no fundinho, eu concordo com o Miguel quando ele fala que aniversário sem festa não tem a mesma graça!!