quinta-feira, 22 de junho de 2017

Quem dança seus males espanta!







A dança foi uma das muitas coisas maravilhosas que minha irmã trouxe pra minha vida. Minha irmã sempre foi hiperativa e sempre estava pensando em mil brincadeiras agitadas enquanto eu deitava na minha cama grudada com um livro e de lá só levantava pra comer. Ela não parava quieta, eu era a quietude personificada. Então, não é difícil deduzir que todas as muitas atividades nas quais minha mãe me matriculou foram por iniciativa dela. 

Minha irmã decidiu fazer piano. Eu fui atrás. Ela fez um ano e desistiu. Tentou flauta e violão e viu que não dava pra ela. Eu insisti no piano, apaixonada sou até hoje pelo instrumento. Anos de estudo.... Obrigada, Sis!

Minha irmã decidiu estudar inglês. Lá fui eu atrás dela. No livro 3 do CCAA ela desistiu. Eu me formei professora de inglês e minha vida é o que é graças ao CCAA e ... À minha irmã!

Minha irmã - a rainha da iniciativa - quis fazer dança. Eu pensei: vou atrás dela. E fui. Ela não desistiu dessa vez e é fácil entender a razão: atividade de agito, movimentação corporal. Isso era com ela mesmo! Seguimos apaixonadas por dançar! A dança pagou minha faculdade particular porque eu tive bolsa por ser do corpo artístico da Gama. Só ganhei. Nunca perdi nada com essa paixão. 

Aí a vida enrola a gente.... Faculdade, namoro, casa, filhos. A vida vira uma "coisa séria" e a paixão é deixada de lado. Quando se tem outras paixões - e eu tinha! - ótimo, mas muitas vezes a paixão fica encostada num cantinho porque  precisamos ganhar dinheiro, prover, conquistar, construir. Quem nunca se viu em uma encruzilhada dessas na vida? 

Eu sou louca pelo meu trabalho. Adoro os alunos, gosto de estar com pessoas, minha equipe é um espetáculo. Eu ganho pra fazer o que gosto e por anos a dança não tinha mais espaço na minha vida. Até que, como a maior parte das coisas acontecem pra mim, do nada, sem que eu esperasse, ela veio retornando de pouquinho em pouquinho e eu abracei a oportunidade de fazer algo do qual sentia muita falta. Voltei a dançar. 

Não danço por dinheiro. Não tenho minha turma linda por causa de ganho material. E isso torna as coisas ainda mais apaixonantes pra mim! Minhas aulas são movidas única e exclusivamente pelo amor que tenho por dançar e por gente. Uma vez professora, sempre professora. Meus alunos da "dancinha" (assim chamo minha aula, carinhosamente) são importantes demais pra mim. Estou lá na frente olhando cada um que chega. Sei pelo rosto deles se estão bem ou não. E, mais que isso, sei que durante uma aula de dança somos capazes de esquecer de tudo lá fora. É terapia, é amor, é prazer. Nessa turma de dança, não importa se todos farão certinho, sincronizados. Importa sermos felizes, importa nos melhorarmos, incentivarmos um ao outro. 

Por isso, hoje, quando recebi uma festa tão linda de aniversário, totalmente de surpresa, já que a data de meu nascimento é dia 14/06, só me ocorreu agradecer. E é isso que quero fazer aqui de novo. Agradecer a cada um que se mobilizou pra me proporcionar esse momento lindo. Mais que os presentes  maravilhosos que ganhei, me encanta vocês terem planejado tudo, gasto um tempo da vida de vocês pensando em mim. Me emociona terem organizado a decoração, a mesa cheia de coisas gostosas. Aquece minha alma saber que chegaram às 6 da manhã pra que quando eu abrisse a porta da sala estivesse tudo pronto pra mim. Esquenta o coração saber que vocês acharam que eu valia o esforço.

O carinho que recebo de vocês é enorme. E não tenham dúvidas: eu sinto. Em cada aula, em cada risada, em cada pedido de nova coreografia. Tenho plena consciência do que recebo de vocês. O amor que circula em nossa sala de aula enche nossos dias de luz, fornece energia pra aguentar todas as chatices que a vida de todo mundo tem de vez em quando. 

Quero que tenham a certeza de que sou muito feliz quando estou com vocês, mesmo quando o ar condicionado da sala não funciona! Mesmo quando o cabo da caixa de som faz barulho. Mesmo que eu viva rouca porque a sala vive lotada e preciso de um microfone que a academia não tem. Enfim, quero que saibam que se eu tivesse tudo isso: ar condicionado bombando toda aula, microfone pra poupar minha voz e caixa de som de última geração, mas não tivesse vocês, não teria a menor graça!

Obrigada! De novo. Sempre!

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Amor cotidiano



Recebi essa mensagem do Namorado e, além de ter ficado feliz, fiquei pensando em cada gesto pequenininho que serve de adubo pros amores que vivemos. A gente não se dá conta, mas certas atenções, certos detalhes, são tão bonitos, são tão importantes... São eles que servem de cimento, de base, pra um relacionamento durar. 

Nenhum relacionamento é o mar de rosas que insistem em mostrar nas redes sociais. Claro, ninguém quer ver briga ou postar desavenças, mas todos nós sabemos, por mais que queiramos acreditar só no que convém, que a vida a dois tem seus dias difíceis. Há diferenças, tem a TPM, irritação, há rotina, mesmice. Há o desgaste, a falta de paciência.

Meu relacionamento com o Namorado não é diferente de nenhum outro. Temos nossas chatices, uns dias meio atravessados, períodos em que estamos mais distantes um do outro, períodos em que estamos apaixonados. Muito apaixonados. E isso é muito legal em relações longas: poder se reinventar, mudar e ver-se apaixonando pela mesma pessoa várias vezes. 

Passei muito tempo da minha vida acreditando em paixões, em amores de novela, daqueles que tiram o sono e fazem você não conseguir fazer nada, a não ser pensar no objeto de seu amor. Quebrei a cara solenemente diversas vezes até entender que o amor, muitas vezes, vem manso, sorrateiro, tomando conta de tudo bem de pouquinho em pouquinho. Esse amor que chega devagar é visto como um amor menor. É mais ou menos assim: se houvesse uma classificação para os tipos de amor, esse seria o menos valorizado. Por outro lado, o mais valorizado, sem dúvida, seria o retratado em novelas, filmes: o amor arrebatador, aquele que você olha pra pessoa e PÁ, cai no chão com a pancada. Só que amor é amor, independente das circunstâncias e as pessoas deveriam ter mais consciência disso. Se tivessem, talvez se permitissem viver outras histórias, talvez se permitissem enxergar pessoas que não enxergam por estarem presas à padrões que estabeleceram pra si mesmas. Talvez deixassem esse amor lento invadir a vida delas e ... ficar.  

Conheci o Namorado em um posto de gasolina, antes de uma saída, apresentados por uma amiga em comum. Depois, fui apresentada a ele mais umas duas vezes por essa mesma amiga porque eu nunca lembrava quem ele era quando voltávamos a nos encontrar. Óbvio que, por isso, ele me considerava a mais esnobe, entojada e indelicada das mulheres. Tanto que na terceira vez em fomos apresentados, ele me disse:

- Estou cansado de ser apresentado a você. Veja se não me esquece porque não vai ter outra vez. 

Bastou. Não esqueci mais. A partir daí foram várias saídas como amigos, muito papo, muita risada, muita cumplicidade. Até que um dia - e não me pergunte qual foi esse dia porque não saberia dizer - percebi que o Namorado deveria ser meu. E eu dele. Percebi que éramos felizes juntos. Não me apaixonei porque olhei pra ele e vi isso instantaneamente. Não me apaixonei porque o achei irresistível. Não me apaixonei porque ele era bem sucedido ou tinha uma família legal. Não foi nada grandioso, nada estupendo, o que me fez gostar dele. Mas foi um monte de coisinhas.... Um monte de coisinhas miúdas que formaram uma montanha enorme de bem querer, de delicadezas, de um sentimento leve, leve. Foi um telefonema no meio do meu dia pra escutar minha voz. Foi uma conversa na qual percebi que ele realmente me escutava ou se importava com minha opinião sobre algum assunto. Foram várias situações em que notei que ele era um cara seguro e que gostava de me ver brilhar. Foi lembrar do que eu gosto de comer e trazer pra mim. Foi rir junto comigo de alguma idiotice que falei, sem fazer com que me sentisse burra. Tudo isso fez nosso amor comum ser um amor sólido, duradouro. Único. Nosso. Lindo.

Não vivemos numa montanha russa de emoções, não vivemos em loucura. Não temos brigas enormes e não temos celebrações bombásticas para selar paz depois dessas brigas. Alguns dirão que é um relacionamento morno. Eu diria que vivenciamos um amor delicioso, calmo, lindo e feliz. Vivemos uma relação saudável de muita parceria, respeito e muita, muita confiança. Longe de sermos perfeitos, somos duas pessoas que se encaixaram. E isso aconteceu um pouquinho a cada dia desses 13 anos de convivência. Eu sei que nenhum relacionamento tem garantias de durar pra sempre. Eu sei que não dá pra prever nada na vida. Mas sei que se tivesse que apostar em algum "tipo de amor" (se isso existisse!) eu não pensaria duas vezes: eu apostaria no nosso. 

Eu aposto em nós dois, Namorado!