quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Filhos e sexo

Sempre me disseram que casamento acaba com a vida sexual do casal. Não acho que seja verdade. Falam muito da rotina que se tem quando se é casado, que a graça do sexo vai embora com essa rotina e eu não acredito nisso. Ao contrário, acho que a vida de casada é maravilhosa até sexualmente falando justamente porque a gente tem liberdade pra transar a hora que quiser e onde quiser. A rotina - de que tantos falam mal - eu acho maravilhosa. Adoro uma rotina, uma intimidade. E a intimidade que a rotina dentro de um casamento traz também me agrada. Intimidade pra dizer que não quer transar naquele momento. Intimidade pra dizer que quer, desesperadamente, transar em um outro momento que não seja tão "apropriado" sem parecer louca. Enfim, pode parecer incoerente, mas a rotina faz ficar legal quebrá-la de vez em quando. O fato, voltando ao assunto principal, é que sou casada há quase 7 anos e casamento nunca me deixou "na seca", se é que estou me fazendo entender.

Agora quando o assunto é filhos... Ai, meu Deus. Deviam ter me dito que quem atrapalha a vida sexual de um casal não é a rotina de viver sob o mesmo teto. Ela só leva a fama. Deviam ter me dito que o que dificulta e muito é o nascimento do filhote. Chega a ser engraçado que quando a gente põe na cabeça que quer ter um filho a gente comece a transar que nem louco. Eu já deveria ter imaginado que "dia de muito é véspera de pouco" já dizia minha avozinha. 

Em um primeiro momento, quando o filho nasce todas as forças e foco estão voltados para o bebê. Ele suga todas as nossas energias, tanto que a gente fica mesmo um tempo sem pensar em sexo e é verdade também que se a gente pensa, o cansaço faz a gente esquecer o pensamento rapidinho. Os três primeiros meses da vida do casal pós nascimento é exaustivo.

Pombas, mas passado esse período inicial em que o sexo dá uma rariada mesmo, a gente começa a ter pensamentos muito mais frequentes de querer transar, ninguém é ferro e mesmo que você ainda esteja acima do peso, se sentindo horrorosa e descabelada, sexo é bom e todo mundo gosta e faz uma falta danada... Só que aí é que entra a adaptação suprema à uma nova e inusitada rotina: assim como você não faz mais NADA na hora que dá vontade, você também não transa mais na hora que dá vontade. Só que essa falta de espontaneidade afeta muito a vida sexual do casal. Por exemplo, se você sente fome e não pode comer porque seu filho está chorando e quer mamar, você fica com fome mas vai comer mais tarde - sabe-se lá que horas, mas vai comer. Se você quer tomar banho e na hora que a água está quentinha o bebê faz coco e você precisa trocar a fralda, ok, o banho fica adiado pra mais tarde um pouquinho. Ou mais tarde um poucão. Mas quando você for tomar banho de novo, é só abrir o chuveiro e esperar a água esquentar novamente. Está com vontade de ir ao cinema e o filho ficou doente? Tudo bem, quando puder ir ao cinema, finalmente, a vontade vai ser igual. Com sexo, meu amor, a estória é bem diferente. Transa adiada é transa perdida.

Sempre achei que o legal do sexo é quando, de repente, os dois estão de bobeira e bate aquela vontade e a gente começa a tirar a roupa e rola. Depois que se tem filhos, muitas vezes, quer dizer, a maior parte das vezes, bate essa vontade de repente e o que a gente faz com ela? Segura a vontade porque não é o momento. Miguel está acordado. Ou, pior, rola a vontade, a criança está dormindo e o que acontece? Quando você acha que está bom demais, ouve um choro e a coisa é interrompida alí, no meio do caminho. Senhor... Sei que não é o caso de chamá-Lo nessa hora, mas tenha piedade de mim... Please... E pode acontecer o contrário também, a criança está dormindo e os dois sabem que tem que ser naquela hora, só que tem vezes que a gente não está a fim NAQUELA hora, só que é a única hora que dá e a gente se sente na obrigação de aproveitar, porque se não for naquele momento, sabe-se lá quando será. Isso não é legal. Não é legal também aprender a transar com pressa e chegar lá rapidinho porque a gente fica pensando que a qualquer momento o filho pode acordar e acabar com a brincadeira, então, sendo assim, é melhor a gente ir direto ao ponto. Que pecado. Aprender a transar quando não se está muito a fim mas pra garantir, porque não sabemos o dia de amanhã, definitivamente, não é digno. Sexo merece dignidade. Merece ser espontâneo, cheio de vontade, de tesão. E transar pra garantir tira qualquer dignidade do ato. Enfim, mas é isso que temos pra hoje e é assim que vamos levando.

Eu ainda tenho uma sorte de ter um marido louco por mim - amém - e pra ele não tem dia de sol ou tempo chuvoso que atrapalhe. O namorado chega junto em qualquer hora, mesmo sem clima, sem ser espontâneo, o cara está sempre disposto a parar tudo o que estiver fazendo pra atender a qualquer pedido meu, sexual então, nem se fale. Mas, mesmo assim, quero deixar claro aqui para os mais desavisados que casamento não atrapalha a vida sexual de ninguém, porém não posso dizer o mesmo dos filhos. Filho atrapalha, sim. E muito. É preciso muito amor, malabarismo, bom humor e certa dose de loucura pra dar conta da falta que o sexo descompromissado e livre faz na vida da gente. Mas tenho esperanças de que isso vai melhorar. A certeza de que o namorado me ama mesmo assim, e acima disso tudo, esquenta muito o meu coração. Melhor é rir da situação e bola pra frente. Na altura do campeonato, a esperança de que isso passa é a única coisa da qual não posso me dar o luxo de abrir mão.

sábado, 24 de dezembro de 2011

E lá vem a escola




Com o amigo Lucas


Foto hilária com a fofa da Manuela


A turminha toda


Na bagunça


Com tia Suzane


Com tia Miriam


Com as meninas


Com Rafael


Com o amigo xará


Com Rafael, de novo.


A vida passa rápido mesmo. Um dia a gente acorda e se olha no espelho e já vê rugas na cara e se pergunta como dormiu nova e acordou velha. Outro dia meu filho estava nascendo e ano que vem ele já deixará a creche e vai pra escola. Pois é. Miguel ano que vem vai pro Jardim I e eu e o namorado achamos melhor já colocá-lo em uma escola, na escola - podem rir que eu deixo, sei que sou doidinha mesmo - na qual eu já sabia que Miguel estudaria desde que soube que estava grávida. Acho que professor tem dessas loucuras, essa preocupação contínua de dar pro filho o que de melhor ele possa pagar pra que tenha uma educação formal excelente.

Enfim, o fato é que vai ser uma fase totalmente nova pra mim e pro Miguel. Minha vida vai ficar um pouco mais louca. A creche é período integral e a escola é só meio período e isso vai me dar trabalho e vai dar trabalho pros outros. Pela manhã, minha mãe e a Taninha vão ter que se virar em casa com ele. Eu vou ter que sair do trabalho na hora de buscá-lo da escola e terei que voltar ao trabalho porque não posso sair todos os dias às 17:30. Para o Miguel acho que as mudanças serão muito maiores. Novos amigos, novos professores, novo ambiente. Miguel deixa um lugar que é praticamente o quintal da casa dele, onde ele conhece todos os cantinhos, todas as cores, todas as regras e tem uma rotina bem definida, pra se aventurar em um lugar desconhecido com pessoas desconhecidas.

Na creche, Miguel é rei. Miguel tem um espírito de liderança que já posso observar e ao mesmo tempo que isso é bom, também me preocupa. Vejo os amigos fazendo suas vontades, vejo meu filho sendo bem malvadinho, às vezes. Só tem uma criança que de vez em quando se cansa da tirania do meu filho e resolve dar um basta com uns sopapos: o Lucas. E o Miguel gosta dele de montão. Brigam, se estapeiam, mas Miguel fala muito do Lucas, sente sua falta e sei que o Lucas fala muito do Miguel também. 

As tias Suzane e Miriam são um capítulo à parte. Tratam do meu filho como rei mesmo, fazem as vontades, aturam birra, cara feia, gripe, tosse. São como mães pra ele. Conhecem meu filho como eu o conheço. Ou será que o conhecem até melhor? De novo tenho que dizer, não tenho ciúme delas não... Sou muito agradecida por cada sorriso, por todas as vezes que me contaram o que aconteceu durante o dia, por todas as vezes que riam comigo de alguma gracinha que ele tenha feito ou travessura que tenha aprontado. Sou muito grata a Deus por ter colocado Suzane e Miriam na vida da minha delícia porque não é todo mundo que tem a vocação que elas têm pra cuidar desses bebês lindos. Algumas pessoas têm um brilho no olho quando estão rodeadas de crianças e essas duas são assim. Cansadas, com problemas, humanas como todos nós, estão sempre com um ou outro bebê no colo, socorrendo, dando atenção. Como fico feliz quando ouço a Suzane falar pro Miguel na hora de ir pra casa: "Vem me dar um beijo, filho. Te amo." Como diz minha mãe, muito sabiamente, "Quem beija meu filho, minha boca adoça". Portanto, Suzane e Miriam contribuiram e muito pra que minha vida fosse mais doce durante esse ano que passou.

Quando penso em todas as mudanças que estão acontecendo na minha vida e na do meu filho e tão rápido, vejo que tudo passa em um  instante mesmo e olho pro Guel e tenho a certeza de que vou sentir saudade de olhar pra essa mãozinha pequena, de ouvir ele chamando "mamãe" com a voz gostosa de bebê, de receber o olhar dele e ouví-lo dizer "deita aqui comigo, mamãe..." Nessa hora peço muito a Deus que ilumine minha vida, a vida do meu filho. Que o Miguel possa encontrar na escola amiguinhos bacanas e professores melhores ainda e que abençoe a vida da tia Suzane e da tia Miriam. Elas estarão sempre no meu coração por todo amor que dedicaram ao Miguel e farão parte de muito boas lembranças de uma época linda da vida do meu filho.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Mulher Maravilha



Quando o Miguel nasceu, eu, idiotamente - e isso eu só consigo enxergar hoje, 2 anos e 7 meses depois - imaginei que a capa da mulher maravilha estava nascendo também nas minhas costas. Só que passado esse tempo, vejo que, pra minha decepção, o fato de ser mãe não me torna uma super mulher e, pra piorar, me coloca de cara com todas as minhas fraquezas e falhas o tempo todo.

Quando o filho nasce queremos ser a melhor pessoa do mundo, queremos ter paciência, queremos não gritar, não chorar de desespero quando não sabemos mais o que fazer, queremos ter as soluções, queremos ser a solução. Acho que é por isso que me sinto tão frustrada e triste comigo mesma quando perco a paciência, quando me descabelo nas ocasiões em que não dou conta de tudo, porque, na minha cabeça louca, ao ser "elevada" à categoria de mãe, receberia junto com essa "promoção" vários superpoderes. Achei que seria onipresente, onipotente e onisciente. E a pergunta agora é: onde estão os meus superpoderes? Na falta desses poderes, vejo que minha condição humana impõe que eu trabalhe em cima das minhas falhas e isso é difícil pra caramba. 

Por um lado, me sinto levada ao extremo de saber o quanto preciso melhorar e crescer pra ser uma mãe bacana pro Miguel. Pro outro, me sinto grata à Deus pela chance de aprender, mesmo que de modo intensivo, a lidar comigo mesma. Por mais cansada que me sinta e estressada por ter imaginado que eu seria uma mãe que nunca levantaria a voz, que seria sempre tranquila e disciplinadora e ver que não é bem assim, sei que precisava passar por tudo isso e agradeço mesmo a Deus por essa oportunidade. O Miguel é o caminho mais louco que eu escolhi pra ver o que posso melhorar da forma mais clara possível. Quero muito melhorar, quero muito dar conta de tudo, mas preciso aceitar que não sou a mulher maravilha e que o meu filho tem uma mãe humana e que faz besteiras e se descontrola também.

Engraçado que toda essa estória de maternidade me fez ver que eu não sou uma heroína, mas também me fez olhar pra trás e ver o tamanho do valor da minha mãe. Quando lembro dos seus gritos, da sua luta pra cuidar do trabalho dela, da casa, do marido, de nós, vejo o quanto minha mãe foi guerreira. Ela é minha mulher maravilha, mesmo que tenha gritado comigo. Mesmo que tenha me ameaçado de morte. Mesmo que tenha chorado por meus erros. Como eu admiro essa minha mãe justamente por ela ser tão real.

Talvez demore a chegar o dia em que o Miguel vá entender que, não, eu não sou a mulher perfeita, o herói infalível que os filhos sempre imaginam que os pais sejam. Mas tenho certeza que no final das contas, o Miguel também vai entender que todos os super heróis têm suas fraquezas e que isso dá toda a graça pra suas estórias. Não existe nenhum super herói sem ponto fraco. Imagina eu, que não ganhei a capa da mulher maravilha quando ele nasceu... Um dia, queira Deus e isso me conforta muito, meu filho será pai, e vai entender toda a minha luta diária pra ser uma mãe legal. Vai olhar pra trás e enxergar todo o meu esforço pra ser a melhor mãe que minhas limitações permitem que eu seja e - tomara meu bom Deus - vai entender que todos os meus erros foram cometidos com a enorme vontade de acertar. Talvez nesse dia eu me transforme na sua mulher maravilha, do mesmo modo que minha mãe é a minha.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Sem noção

Tem coisas que agridem meus olhos e acho que as pessoas deveriam ter um pouco de cuidado - só um pouco, please - na hora de escolher o que vestir. Tenho reparado, cada vez mais, que o povo anda abusado demais com a escolha de suas roupas e fico pensando que essa liberdade de expressão (que passa pela escolha do que vestir para tal lugar) está deixando de lado certos critérios básicos. Não estou nem falando de ambiente profissional não... Estou falando de gente na rua, na praia, piscina, shopping. Desculpe, mas muitas vezes me sinto agredida pela indumentária que vejo por aí.

Temos liberdade, sim, a sociedade está bem menos severa com relação a isso, vemos a todo instante pessoas mais velhas que estão muito bem, com o corpo bacana, mas não precisamos exagerar e achar que somos gatinhas e sair botando a bunda de fora, né? Outro dia estava no shopping e passou uma senhora magra, quer dizer, magra, não, magérrima, muito magra demais, com um shortinho que mais parecia um cinto. A pele chegava a descolar dos ossos, sabe aquela pele sem viço, sem elasticidade, caindo em cima do joelho? Me poupe. Estando assim, é preciso saber que não dá mais pra usar shortinho, gente. Precisamos ter essa noção.

Tem gente que me fala: " Ah, Paula, o importante é ser feliz! Isso é uma questão de auto estima." Mas quem disse que eu quero que as pessoas sejam infelizes ou que não se gostem ou valorizem? E pra ser feliz precisa colocar as mazelas de fora? Pombas, é uma questão de bom senso. Hoje em dia é um tal de barrigas enormes caindo em cima das calças com a cintura baixíssima, tops que mal cobrem os peitos siliconados, decotes nas costas quando elas estão cheias de pneus dobrando e isso me deixa com um sentimento de estranheza. Sabe quando você está em uma festa e chega alguém com um decote tão grande que você não consegue fazer outra coisa a não ser ficar olhando aqueles peitos pulando? É constrangedor. Ou então aquele vestido que deixa à mostra as calcinhas ao menor movimento e você não consegue parar de olhar pra ver como aquela pessoa vai fazer pra se movimentar usando uma roupa tão apertada e curta. É constrangedor. A gente não pára de olhar mesmo e a pessoa deve ficar achando que está sendo o centro das atenções quando as pessoas só estão se perguntando porque ela escolheu aquela roupa...

Como uma pessoa tem coragem de ir ao mercado sem sutiã? Eu sou obrigada a olhar aqueles peitos mirando o chão, na altura da cintura? É falta de respeito. Comigo e com ela própria. Homem sair à rua sem cueca? É falta de respeito. E a famigerada regata que alguns homens adoram usar em qualquer lugar? Eu não sou obrigada a ficar olhando o sovaco cabeludo de ninguém! Está indo pra academia, pra praia, vai ficar em casa, ok, use a regata. Fora isso, regatas deveriam ser proibidas. É feio demais.

Esse final de semana estávamos na piscina e era tanta bunda de fora, coroas com os biquinis mínimos. Às vezes fico achando que meu espelho deve ser diferente do espelho dos outros. Só tem um tipo de bunda que fica bem com um biquini mínimo todo enfiado: a bunda perfeita, redondinha, empinada, sem celulite. E quantas mulheres conhecemos com bundas assim? Eu conheço uma ou duas. O resto - e me enquadro nesse grupo - pode ficar linda com um biquini maiorzinho, não precisa tampar todo o bumbum, não, mas nem tanto ao céu e nem tanto à terra.

Nunca fui puritana, já usei biquini minúsculo - quando tinha 18 anos. Já usei barriga de fora - quando tinha 20 anos. Já usei roupa curtérrima - quando tinha 25. Mas tudo tem seu tempo e envelhecer sabendo respeitar as transformações do corpo é uma virtude. Acho que ainda posso usar uma saia mais curta de vez em quando, um short no meio da coxa, mas me observo muito porque o que eu acho que as pessoas não vêem é que a linha que separa o "deixa ela ser feliz" do "estou ridícula" é muito fina. É só se olhar com critério e fazer um julgamento justo de si próprio. Eu tenho pânico de ficar parecendo uma "vovó-garota". Quero ser uma mulher que não tenta esconder a idade que tem e que sabe se vestir apropriadamente pra seu corpo, pra sua idade e pra cada ocasião. Saber envelhecer é preciso. Que me desculpem as loucas, mas ter noção é fundamental.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Festa de 50 anos do CCAA


Raquel, Bianquita, Lu e Ritinha



Chefes amigos: Raulzinho e Zoel

Eu adoro uma festa e todo mundo sabe disso. Tudo é  motivo pra eu inventar uma comemoração e reunir os amigos, dançar, estar com pessoas que gosto. E ir à festa da empresa onde trabalho, um lugar que amo, que é minha segunda casa, foi muito legal.

Uma empresa com 50 anos de mercado, sólida, sobrevivente a tantos momentos economicos difíceis, com um nome que é referência em ensino de idiomas, merece celebração mesmo. Entrei no CCAA com 12 anos achando inglês um bicho de sete cabeças e desde a primeira aula da qual, acreditem, me lembro perfeitamente, foi como se estivessem  tirando um véu da frente do meu rosto. Eu vi como inglês era fácil e simples e me identifiquei e descobri que, ao contrário do que pensava, tinha facilidade para idiomas. Trabalhar em uma empresa vencedora é motivo de muito orgulho pra mim, trabalhar em um lugar que me abriu tantas portas, me deu tantas possibilidades, me faz sentir gratidão por tudo o que consegui. É claro que quando entrei na unidade de Ramos do CCAA não imaginava que ele nunca mais sairia da minha vida. Já se vão 28 anos, sendo 19 deles como professora e diretora. Nunca trabalhei em outro lugar e me sinto extremamente feliz aqui.

Ontem estive junto com pessoas que não via há tempos, pessoas queridas que a vida vai afastando e senti falta de outras que não estavam lá mas que possuem o CCAA na veia. Ontem foi a primeira festa a que fui sem o Hugo e, confesso, senti a maior falta dele. Estou com o namorado há quase 8 anos, quase 7 casados, e em todo esse tempo nunca saí à noite sem ele. Foi novidade pra mim. Se me diverti? Claro! E muito. Só senti saudade.

A ressaca do corpo do dia seguinte é que é terrível. E eu não bebo uma gota de álcool... Imagina se bebesse. Fui dormir às 2 da manhã e às 7 da matina o tirano da casa, meu filho, já estava me chamando. Totalmente desgrenhada, com o cabelo ainda duro do laquê da minha maravilhosa trança, parecendo a mulher das cavernas, já estava eu andando com Miguel no colo ganhando consciência de que essas horas de sono "perdidas" na noite anterior me fariam muita falta no decorrer do dia. Estou destroçada hoje. E certa de que não vou recuperar o que não dormi. Agora entendo perfeitamente porque a gente passa a fazer tantos programas diurnos e evita sair à noite depois que tem filhos. É um misto de tudo: preguiça, cansaço, falta de vontade de arrumar toda a tralha pra sair com uma criança e sabedoria pra avaliar que no dia seguinte seu filho estará lindo e cheio de energia enquanto só o que você vai querer é se largar em estado vegetativo na horizontal em qualquer lugar onde ninguém chame seu nome.

Portanto, festa assim acho que ainda vai demorar pra eu me animar a ir novamente... Por enquanto, parabéns ao CCAA e por toda a sua estória de sucesso. Uma estória que se entrelaça com a minha, um casamento bem difícil de se dissolver.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Mãe Bruxa



Espero que Deus perdoe essa mãe louca. Espero que Deus saiba que as tantas besteiras que venho falando desde ontem são fruto do estresse, cansaço e vontade mega de ter uma noite de sono que dure, pelo menos, 8 horas. Reconheço que falei um monte de coisas feias pro Miguel e que estou sem paciência nenhuma e peço, humildemente, perdão.

Deve haver mães que nunca se abalam ou se estressam, que nunca gritam, nunca sentem vontade de levar a criança pra qualquer lugar no mundo onde não se escute o choro irritante que interrompe as noites de sono, a hora do jantar ou qualquer outra atividade pra qual você tente dedicar algum tempo. Eu não atingi esse grau de elevação e sou das que se descabelam vez ou outra e que gritam. Gritam muito. Acho que como não bato em ninguém, muito menos em criança, eu grito. Grito mesmo. Não é sempre, mas desde ontem tenho gritado com o Guel. Cheguei a dizer, aos berros: "Uma mulher quando sente que a vida está muito calma e tranquila, quando ela vê que pode fazer o que bem entender, dormir, sair, deitar na cama olhando pro teto sem ter hora pra levantar, ver filmes às pencas, ler todos os livros que encontrar pela frente, o que ela faz? Resolve enlouquecer e agitar um pouco a rotina. Qual a decisão dela? Ter um filho. Não tem problema? Tenha um filho! Tá com a vida previsível? Tenha um filho! Quer viver que nem malabarista de circo? Tenha um filho!"

Já imaginou a cara dos vizinhos me escutando falar isso? Quer dizer, falar não... Preciso ser honesta... "Berrar descontroladamente" seria a expressão mais indicada. Devem ter tido vontade de invadir minha casa e salvar meu bebê da bruxa meméia que se diz mãe da criança. Entendo. Quem nunca julgou uma mãe em pleno ataque dos nervos? Já julguei e agora sou julgada. É a vida, fazer o quê?

Estou cansada. O fim de ano está perto e, ao contrário da maior parte das pessoas, não posso pensar em férias. Agora é a hora que eu trabalho mais. Os meses iniciais do ano são importantíssimos pra mim, pra que eu possa alavancar um ano todo com alguma tranquilidade. O namorado, por sua vez, também está entrando em um período de muito aborrecimento e trabalho sem fim: o volta às aulas. E também está estressado e cheio de coisas pra resolver. Também está muito cansado. Enfim, fora o cansaço, acho que o sono acumulado desses 2 anos e meio está cada vez mais gritante. Eu sinto um cansaço crônico. Tenho vontade de dormir um dia inteiro. E aí, justamente nessa hora, o Miguel resolve ficar manhento, ranhetando toda hora, se queixando de dor na boca para onde olho e olho e não vejo nada. Pois é. Só que o coitadinho está com estomatite, soube hoje, e não consegue comer nada, mal está tomando água...

Minha mãe já tinha me dito: "Paula, seu filho não é chato assim... Ele está sentindo alguma coisa... Calma." Mas eu só queria dormir, não queria consolar ninguém que está com dor na boca. Queria me jogar em um canto e ficar quietinha por lá mesmo. Mas mãe não pode. Mãe tem que tirar forças sabe-se lá de onde, seguir e fazer o que é certo. E agora estou aqui morrendo de culpa por ter falado tanta besteira pro Miguel que é uma criança maravilhosa, que nunca fica doente e ainda tem que escutar a mãe descompensada gritando com ele quando está cheio de dor. Sou uma bruxa. Que Deus me perdoe e minha culpa diminua.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Vergonha tecnológica

Engraçado como tudo nessa vida são valores. Uns dão valor a coisas para as quais eu não dou a mínima atenção e vice-versa. Mas isso também é a graça da vida, afinal, o que seria do branco se todos gostassem do amarelo? Não acho que ter gostos diferentes atrapalhe relacionamentos de amor, amizade ou profissionais. Tenho uma amiga, a Cacau, que é mega diferente de mim em quase tudo. Somos unidas pelo amor à vida, pela energia do bem. Em compensação, sempre brincamos que se ela tivesse gostado de alguma roupa ou objeto, sabia que nunca compraria pra me dar de presente porque, na certa, eu iria detestar.

Eu e namorado temos muitos interesses em comum, mas, como já disse aqui, somos diferentes também em vários pontos e, no fundo, acho que nossas diferenças nos tornam um casal mais bacana. Temos muito respeito um pelo outro e por nossas diversidades. Acho que nos completamos justamente nessas diferenças todas e um acaba trazendo pro outro um olhar novo, uma nova possibilidade de enxergar nosso dia-a-dia.

Todo mundo sabe que eu não ligo pro mundo tecnológico, já o namorado é totalmente vidrado nessas coisas, em tudo que possa facilitar ao máximo sua vida. Ele adora a tal da maçãzinha e tudo dele tem que ser de última geração, o mais novo lançamento e o computador mais rápido ever! Eu não ligo não... Pra mim, se eu tiver um celular que fale já está ótimo, não preciso que faça mais nada. Meu celular é um celular simples da Samsung, já é o mesmo tem uns 3 anos, é velho de guerra e sobrevive a tombos, chuvas e trovoadas. Já me ofereceram várias promoções para que eu o trocasse por celulares mais modernos que fazem isso e aquilo, mas não quero. Não sinto necessidade.

Não preciso nem dizer que o celular do Hugo é um Iphone, né? E sempre que ele troca de telefone por um mais moderno, o meu amor tenta me convencer do quanto seria maravilhoso ter um celular assim. Ele insiste para que eu fique com o modelo mais antigo enquanto ele fica com o novo. Eu sempre falo que estou muito bem, obrigada, com meu aparelhinho modesto e o estimulo a vender o telefone antigo. E assim tem sido: ele acaba vendendo o iphone velho e eu sigo minha vida com meu aparelho medíocre.

Já vinha notando, já faz algum tempo, que todas as vezes que ia tirar o celular da bolsa pra telefonar pra alguém ele sempre se oferecia pra me emprestar o aparelho dele pra fazer a tal da ligação. Algumas vezes ele era mais rápido e eu acabava falando do celular dele, outras eu agradecia e dizia que não se importasse, porque o meu telefone já estava em minhas mãos. Só que, há alguns dias, aconteceu a mesma coisa e quando eu apertei o botão pra telefonar do meu modesto aparelhinho, ouço meu marido falar baixinho: "Ai, morro de vergonha desse celular..." O quê??? Já meio rindo, meio sem acreditar, perguntei: "O que você disse, namorado? Não escutei direito..." E aí, enchendo seu peito de coragem, quase um desabafo de algo reprimido, ele vomita em boa voz: "É isso mesmo, toda vez que você tira esse celular da bolsa eu morro de vergonha!"

Gente, quê isso, meu pai?? "Você não está falando sério, está?" E ele respondeu que sim, que era a mais pura verdade.

Tive um ataque de riso. Como é que pode? Alguém ter vergonha do celular do outro? Eu acho isso muito surreal, mas cada louco com suas manias. Tadinho do namorado... Mas continuo sem ver a menor necessidade de trocar de celular. Esse aparelho me atende muito bem e pronto. Não vou gastar dinheiro com isso. O namorado vai ter que aprender a conviver com sua vergonha tecnológica. Eu não sinto vergonha alguma do meu aparelho fora de moda. Acho até que depois do meu simples aparelhinho ser achincalhado e tratado com tamanha falta de respeito, criei uma relação de maior carinho com ele. Está decidido: agora só troco se ele emudecer ou estragar. E tenho dito!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Que vida é essa a sua?

Adoro quando coisas corriqueiras me dão motivos de sobra pra refletir. A maior parte dos acontecimentos que me fazem escrever no blog são coisas nada extraordinárias, são coisas comuns que acontecem com pessoas comuns.

Há uma semana eu estava conversando com uma das tias do Miguel da creche, a tia Mirian, e ela me disse que se pergunta que vida é essa a que eu tenho, afinal, nunca me vê triste, estou sempre de bom humor e feliz. Será que eu me aborreço com o Hugo, será que choro ou fico deprimida? Bem, a resposta é sim para todas as perguntas, mas a principal pergunta “Que vida é essa a que eu levo?” tem uma única resposta que foi a que eu dei a ela: É a vida que eu escolhi levar.

Sou uma pessoa normal, com muita vontade de acertar e de fazer o bem. Nem sempre consigo, muitas vezes faço as maiores burradas, mas escolhi levar a minha vida da melhor maneira possível, sem cara feia, sem me lamuriar, sem ficar parada de braços cruzados se existe algo que esteja me incomodando. Sou de resolver, não deixo nada me perturbando muito tempo. Não consigo viver com pontos de interrogação, tenho que pôr pra fora as perguntas, minhas dúvidas, conversar, resolver, mudar o que me machuca. E isso me ajuda muito.
Eu entendi que a vida é feita de escolhas. Muitas escolhas. Então, por mais que eu tenha brigado com o namorado no dia anterior, acho que todos no meu trabalho ou na creche do Miguel merecem o meu melhor "bom dia", o meu melhor sorriso. Ninguém tem culpa se minha noite não foi boa, se estou com problemas em casa, se estou sem dinheiro ou se tive uma noite péssima. Além disso, ficar com a cara amarrada, só faz com que me sinta mais derrotada e faz também a situação ficar pior do que é de verdade. Por isso, escolho a felicidade, mesmo que a tristeza esteja dando seus sinais de presença lá no fundinho. Escolhendo uma cara feliz, não é que a danada da deprê acaba dando meia volta?? Eu não dou ibope pro sofrimento.

Eu acredito na força do sorriso, na força da gentileza, na boa vontade, nos pensamentos positivos, na minha fé. Acredito em não dar chance pro mal me mantendo em vibrações de alegria e amor. Sei que a minha vida é muito boa mesmo: sou uma sortuda que nasceu em uma família linda, tive sempre todo o suporte do mundo pra estudar, progredir, acreditar em mim. Tive e tenho uma mãe lutadora, meu exemplo, meu porto seguro. Passei uma temporada complicada tentando encontrar alguém bacana pra chamar de meu... Mas o namorado chegou... E ele é maravilhoso sim, apesar de muitas vezes seu temperamento de enervar e de ficar irritada com ele – principalmente quando estou na TPM. Sem falar no meu bebê... Essa coisa linda, o melhor e maior presente que Deus poderia ter me dado. Tenho um trabalho que AMO, com pessoas que amo mais ainda. É, sim, sou sortuda e acho que essa vida que eu levo é fruto das minhas escolhas. As muitas escolhas que fiz ao longo da minha existência nessa vida e, pra quem acredita (e eu acredito muito!), em minhas outras vidas também.
 
 
Muitas vezes não podemos nos desviar de certos obstáculos. São necessários para nosso crescimento pessoal. Entretanto, podemos e devemos escolher o melhor modo de passar por eles. Que tal sorrindo? Que tal debochando de nós mesmos? Que tal acreditando que podemos mais e que vamos conseguir? Que tal criando coragem pra mudar nosso dia-a-dia, pra tomar decisões drásticas se for preciso? Adianta ficar em um emprego que destesta reclamando e não procurar outro? Adianta reclamar do marido e continuar na mesma situação? Ou parte pra outra ou vai à luta, lute por quem está ao seu lado então! Adianta reclamar da falta de dinheiro? Reclamar vai fazer o dinheiro nascer na sua carteira? 

Eu sempre acho que vou conseguir, mesmo que muitas vezes eu não consiga. Ok. Muitas vezes as coisas não são como a gente quer que sejam. Mas minha cabeça não abaixa, não abaixará. Só se for pra respirar fundo, dar aquela lamentadinha básica, porque ninguém é de ferro, e colocá-la no lugar onde deve estar: erguida, olhando pro futuro, fazendo planos, enchendo de esperança o meu coração. Essa é a vida que eu levo: a que eu escolho todos os dias viver.

sábado, 19 de novembro de 2011

Porque eu ainda me chateio?

Tá bom, eu já deveria saber que nem todo mundo é igual e que a maioria das pessoas só pensa em si mesmo. Mas, mesmo depois de tanta porrada, ainda não consigo evitar ficar triste com certas atitudes das pessoas. Hoje foi uma coisa idiota que me deixou pensando porque ainda fico triste com o egoismo do ser humano.

Eu e namorado fomos ao teatro no Leblon, levar o Miguel pra assistir Cocoricó. Chegamos faltando poucos minutos pro show das galinhas começar e fomos rapidamente para nosso lugar que era bem na frente no palco. Havia muitas mães com seus bebês, muitas mesmo. Poucos pais acompanhando. Coisa engraçada... Tudo bem que assistir "Cocoricó" não é mesmo dos melhores programas, mas nem pensar de eu ir sozinha se tenho marido e o Miguel tem pai. Podem me chamar de chata, mas se é dia de folga do Hugo, porque ele ficaria sozinho em casa? Enfim, deixa isso pra lá porque o post não é sobre isso, o caso não é esse.

Logo após chegarmos, uma mãe sozinha e grávida chegou com seu barrigão enorme e seu filho que devia ter a idade do Miguel. Eu estava pensando em ir até ao hall do teatro para pegar aquelas almofadas pra criança sentar em cima e ficar mais alta, vi que ela também estava procurando uma, mas comentou com o filho que não subiria toda a escada depois de já ter descido. Resolvi tentar conseguir a almofada pro Guel e subi todos os degraus pensando que traria duas almofadas, uma pra mim e outra pro filho dela. Chegando lá, perguntei a atendente do teatro que me disse que não havia mais almofadas sobrando, elas haviam acabado. "Que pena", pensei. Desci e voltei ao meu lugar. De repente, sabe-se Deus como, a tal mãe viu uma pessoa chegando com 3 almofadas na mão e disse que iria subir pra tentar uma pro filho dela.

Eu, com pena da gravidinha com a barrigona, virei pra trás e falei: "Não suba porque a atendente me informou que não há mais almofadas." Ela virou-se e disse que tentaria mesmo assim, subiu e voltou, não sei como, com uma almofada pro filho. E eu fiquei pensando que se tivesse sido eu a conseguir a almofada, teria tentado trazer pra ela também. E ela sabia que eu também estava querendo uma porque me viu subindo e porque eu falei com ela que havia falado com a atendente.

Bem, o caso é que eu nunca me preocupo só comigo. Estou sempre disposta a ajudar, a quebrar os galhos alheios e preciso aprender que nem todo mundo é assim. Lembro-me de quando estava em lua de mel em Cancún e estávamos fazendo um passeio em grupo e vi que um outro casal estava indo pro lado totalmente oposto do local marcado para o grupo se reunir para retornar e quis avisá-los, estava preocupada que eles perdessem a van. Será que outros em meu lugar teriam a mesma preocupação?

Desde que me conheceu o Hugo fala pra mim: "Paula, aquela pessoa é "Mariano"? (meu sobrenome) É "Franca de Carvalho"? (sobrenome dele) Se não, deixe que se ferre". Eu sei que no fundo o Hugo não é assim, já que é uma das melhores pessoas que conheço, com um coração enorme, mas ele não tem essa disposição pra ajudar a todo instante que eu tenho. Só que essa disposição muitas vezes me machuca, muitas vezes eu quero esquecer de ser assim definitivamente e adotar o velho ditado: "Farinha pouca, meu pirão primeiro." Sabe, talvez o Hugo é que esteja certo. Talvez ele tenha, de fato, encontrado a fórmula pra não se machucar com as atitudes alheias. Ou talvez eu é que tenha que aprender AINDA que devemos fazer as coisas pelos outros sem esperar que a atitude deles seja a mesma, devemos fazer o que achamos certo, o que vai fazer bem ao nosso coração e pronto. No final, acho que é isso o que vale nessa vida. E é isso - fazer as coisas de boa vontade, sem esperar nada em troca, "fazer o bem sem ver a quem", que deve me deixar feliz. O resto é o resto.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Desagregadores

Porque é que tem gente que adora uma briguinha, uma desavença? Gente, peço tanto a Deus para que eu seja uma pessoa agradável, conciliadora... É tão chato ter que lidar com gente que está sempre disposta a enxergar o pior, independente da situação. Rezo muito pra que os guias espirituais ajudem meu filho a escolher o caminho da paz, para que as pessoas que se aproximem dele se sintam confortáveis, que sintam que estar ao lado dele é prazeroso. Eu não entendo e muitas vezes me dá vontade de desistir de gente que se vitimiza, que acha que o mundo está contra eles.

Ontem, aqui no trabalho, uma professora que está a frente da organização de nosso almoço do Thanksgiving Day foi falar com as meninas que irão preparar a comida para entregar o dinheiro arrecadado e decidir os pratos da confraternização. Pronto. Bastou pra uma delas dizer que não foi incluída na conversa, que a pobre da professora ficou de costas pra ela, que a professora só quer saber das outras duas e por aí vai a listinha de abobrinhas. Coitada da professora... Cheia de vontade pra preparar tudo bacana e ainda tem que ouvir isso. E sem razão porque nada do que foi dito pela desagregadora - recorrente - tinha fundo de verdade.

Graças a Deus, esse tipo de gente a minha volta é exceção, mas o estrago que causam é grande. São capazes de tirar o tesão de pessoas bem intencionadas, são capazes de destruir atitudes feitas com a maior boa vontade, levam tudo pro lado pessoal e ainda acham que estão certas, se acham, definitivamente, a última coca-cola do deserto, o mundo se resume ao umbigo delas. Colocam suas inseguranças, dores, desamores, em tudo e vomitam em cima dos outros seus queixumes.

Todo mundo tem seus dias azedos, dias em que estão de mal com a vida, mal humorados, cansados. Todos nós temos dias assim. Eu posso garantir que poucas vezes tive dias de baixo astral, tenho mais é momentos ruins. Penso que eu não me aguentaria um dia inteiro com uma postura negativa. Eu não me aguento querendo fazer papel de vítima, não combina comigo. Então, é muito difícil pra mim lidar com gente que vive assim quase todos os dias.

Como é que pode a atitude negativa afetar tanto e a tanta gente? A impressão que tenho é que o mal é mais forte que o bem porque pode estar todo mundo em paz, feliz, se chegar alguém e destilar um veneninho, pronto, consegue afetar todo mundo, deixa a todos sem rebolado. Que isso, meu povo? Coisa mais estranha.

Eu acredito de verdade que o bem sempre vence o mal e que atitudes positivas valem muito mais que atitudes baixo astral, mas não dá pra negar que esse povo da escuridão dá um trabalho danado. E exige que estejamos sempre bem, vibrando muita energia de luz pra lidar com eles, porque se a gente dá mole, ou acorda num diazinho menos favorecido de positivismo, danou-se. A gente acaba entrando na onda, fala um monte de besteira, quer mandar pra´quele lugar e tudo o mais.

A impressão que dá é que a galera do bem é sempre muito exigida porque tem que aturar os desagregadores e ainda tem que tentar ter atitudes que anulem o efeito do veneno deles. Trabalhoso.... E cansa. Não pode todo mundo tentar ver o melhor das pessoas? Não pode parar de procurar encontrar coisas ruins ou segundas intenções onde o que existe é só aquilo que estamos mostrando mesmo? Seria tudo tão mais simples. Pra que complicar?



quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Tudo passa





Ontem levei o Miguel ao pediatra. A última consulta havia sido há 3 meses. Levei só por rotina mesmo, de vez em quando é bom verificar se está tudo bem. Miguel está ótimo, cresceu muito da última consulta pra essa e quase não engordou. Sinal que está esticando... Seu desenvolvimento está excelente, está muito articulado, já fala frases, sai sempre com umas tiradas engraçadas e está muito atento à tudo, observador demais. Meu filho me surpreende a cada dia, me fazendo ver o quanto está esperto e deixando claro que nada que se faça ou fale em sua presença passa despercebido.

Miguel sempre foi um inferno no consultório do pediatra. Desde a hora de tirar a roupa já começava o choro e todo o tempo do exame era uma agonia. O menino tinha que ser segurado até para que o médico pudesse examinar sua barriga. E a garganta? Cruz credo. Acho que os outros pacientes mirins na sala de espera, aguardando sua vez, deviam ter vontade de sair correndo só de imaginar o que poderia estar acontecendo com aquela criança que não parava de berrar. Então, já estou bem preparada para o comportamento estérico do meu filho quando se trata de estar no consultório do pediatra. Entretanto, dessa vez fiquei de boca aberta. Miguel não derramou uma lágrima!! Ao contrário, tirou a roupa sem problemas, se deixou examinar com uma calma absurda, abriu a boca voluntariamente para que sua garganta fosse verificada e virou a cabeça, também voluntariamente, para que a médica examinasse seus ouvidos!! Enfim, deixou tudo e no maior bom humor.

Três meses atrás, foi um inferno como de costume. Agora meu filho se comporta super bem como um menino fofo. Três meses na vida de uma criança fazem uma diferença enorme. Três meses e meu filho amadureceu. E eu fiquei lembrando do que a esposa do meu primo, Adriana, sempre me diz: "Paula, não esquenta a sua cabeça porque tudo isso passa."

Meu primo e a Adriana têm dois filhos, um casal. A menina já está com 11 anos e o menino com 8. Muitas vezes converso sobre as dificuldades pelas quais passamos com os filhos, as diversas fases. Falei com ela outro dia sobre as fraldas, sobre o Miguel dormir sozinho em seu quarto e algumas vezes, de repente, querer que a gente fique lá com ele, e por aí vai e ela me disse, mais uma vez, o que eu já sei: todo mundo tem uma receita pra resolver sua vida, os filhos dos outros são todos prodígios, só os nossos é que são normais. Todos têm uma fórmula mágica para fazer a criança dormir sozinha no quarto, comer de tudo, largar a mamadeira, não chupar chupeta, largar a fralda e poderíamos prosseguir em uma lista sem fim. Só que a gente não pode nem deve se estressar demais, porque "tudo isso passa".

Tenho uma amiga que teve dificuldades para que seu filho de 3 anos largasse a fralda na hora de fazer coco. O menino já fazia xixi no banheiro mas na hora de fazer coco pedia pra mãe colocar a fralda nele. Ela me disse que ficou chateada, tentou de tudo para que o menino usasse o banheiro não só para o xixi e todas as vezes em que insistia muito o menino ficava até com prisão de ventre. Enfim, foi uma luta. Até que ela pensou: "Nunca vi adulto fazendo coco nas fraldas. Vou deixar pra lá que uma hora dessas ele aprende. Chega. Quer botar a fralda pra fazer coco? Pois coloque." Assim ela fez. E hoje o menino, já com 4 anos, faz todas as necessidades no banheiro.

Pra quê gastamos tanta energia e tempo nos preocupando com tudo? Muitas vezes com coisas pequenas? Simplesmente cada criança tem seu tempo de amadurecimento e pronto. Sei que mãe, na verdade, só quer que seu filho seja maravilhoso. O filho maravilhoso é como um espelho, um reflexo da mãe maravilhosa que tem. Queremos filhos lindos e perfeitos para que todos nos achem também lindas e perfeitas. É como se os defeitos dos filhos fossem nossa culpa e as qualidades nossa virtude por tê-los educado tão bem. Só que a vida não é receita de bolo. As coisas não são assim. Mães maravilhosas nem sempre têm filhos exemplares. E filhos dedicados e inteligentes também têm mães estranhas. É a vida. Como diz Adriana, "tudo passa", e como diziam os Beatlles, "let it be".

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Avião





Fomos pra SP no sábado pra irmos a festinha da Rafa, filha de uma grande amiga: a Deo. Eu estava muito curiosa pra saber como o Miguel se comportaria e, no fundo, como toda mãe sabe ou deveria saber o filho que tem, estava um pouquinho nervosa pra ver se meu filho, agitado do jeito que é, conseguiria ficar 1 hora sentadinho dentro do avião.

Quando levo o Miguel pra cortar o cabelo, ele se comporta super bem. Fica quietinho olhando para o espelho exercitando seu "lado narciso", mas não pode ser algo demorado, se o cabeleireiro demorar mais que 15 minutos pra cortar o cabelo a coisa já começa a complicar. O poder de concentração de crianças pequenas é curto mesmo e não dá pra exigir demais. Acho que viajar em avião com bebês deve ser mais fácil que quando eles já têm mais de 1 ano e já têm mais autonomia de movimentos e controle do próprio corpo. Enfim, Miguel estava achando tudo o máximo e estava se divertindo. Eu e Hugo também.

Só que Miguel ficou tranquilo até a página 2. Conseguimos mantê-lo entretido e quieto em seu assento até o avião levantar voo, depois era um tal de senta e levanta, anda pra cá e pra lá, vai pra janela, depois corredor, colo do pai, colo da mãe. Pega um brinquedo daqui e um DVD dali. Ai, santo DVD. Conseguimos 20 minutos de paz e seria muito mais se não tivéssemos que desligar o equipamento para aterrissarmos. O garoto ficou inconformado e não queria colocar o cinto de segurança de jeito nenhum. Precisamos brigar com ele pra que sossegasse. O pior é que Miguel é esperto demais e observou o pai abrindo o cinto de segurança uma única vez e bastou para que aprendesse a desprender o dele sozinho.

Fomos e voltamos, valeu a experiência, mas nem pensar em fazer viagens longas com o Miguel por enquanto. Acho que até umas 2 horas e meia, três horas, eu aguento, mais que isso vou querer me jogar do avião e não vai rolar. Vou esperar ele estar mais amadurecido. Sei que isso varia muito de criança pra criança, a filha mais nova da minha irmã, por exemplo, estava com 2 anos e 9 meses - apenas 3 meses a mais que Miguel - quando viajou em avião pela primeira vez e se comportou como uma princesa. Ficou quietinha, sentada no assento o tempo todo. E olha que ela nunca foi das crianças mais quietas!! Talvez seja amadurecimento mesmo, acho que as meninas amadurecem mais rápido, menino é mais bobão. E Miguel não é moleza!! Acho que Deus já sabia que eu só teria um filho mesmo e mandou um bem danadinho pra mim. Dizem que o primeiro filho sempre é calmo para que os pais decidam ter outro. Aí vem o segundo filho que é sempre encapetado. No meu caso, isso não aconteceu, Miguel é genioso, mostra o que quer sem o menor constrangimento, enfim, meu filho já diz a que veio. E, no fundo, eu gosto disso.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Diferente




Duas pessoas diferentes falarem a mesma coisa pra você em dois dias é motivo para se considerar o que foi dito. Ontem, recebemos a visita da minha querida amiga Luciana e, enquanto estávamos no quarto da minha delícia, ela olhou pra mim e falou: "Paula, você está tão diferente!! Seus olhos estão diferentes, você olha pro Miguel de um jeito diferente..."

Hoje, estava conversando no trabalho e a Fernandinha falou: "Paula, é nítido a diferença de intensidade do seu amor pelo Miguel. Qualquer pessoa que acompanha seus posts no blog desde o princípio pode notar."

Fiquei me perguntando se é assim tão grande a diferença, afinal, sim, sei que mudei muito, mas será que a diferença é tão grande do jeito que essas duas queridas falaram? Tanto a Luciana quanto a Fernanda puderam acompanhar a chegada do Miguel em minha vida e estiveram comigo desde que o Miguel nasceu, acompanharam todas as modificações que ocorreram na minha rotina e a revolução que foi a chegada desse bebê que eu amo mais que tudo nesse mundo. E acho que o que elas querem dizer com "diferente" é que além de eu não ser mais a mesma pessoa, o amor que tenho por meu filho também foi se modificando ao longo desses 2 anos e 5 meses.

É impossível uma mulher permanecer a mesma depois que se torna mãe. Tudo muda. Muda sua vida, desde a hora em que abre os olhos até a hora em que consegue fechá-los pra dormir, muda seu jeito de ver o mundo, mudam suas prioridades, mudam as coisas às quais decide dedicar tempo maior ou menor, muda o seu tempo, muda sua programação do final de semana, mudam os pensamentos e as preocupações. Existe uma Paula antes do Miguel e depois dele. A maternidade, acredito eu, é a experiência de vida mais capaz de operar modificações em um ser humano, por dentro e por fora. Sempre digo que não sei se é difícil pra todo mundo, mas pra mim foi, muito. Não tive depressão pós parto, nunca quis jogar meu filho pela janela nem tive falta de vontade de cuidar dele, deixá-lo de lado. Aquele bebezinho estava acima de qualquer obrigação minha, era o topo da minha lista em qualquer circunstância. Mas tive uma certa melancolia, uma tristeza ao observar que todos a minha volta acordavam de manhã e iam pro trabalho, tomavam banho e vestiam uma roupa pra sair, pra viver suas vidas. A impressão que eu tinha era de que o mundo de todo mundo continuava girando e que o meu mundo estava parado. E o que não saía da minha cabeça era a pergunta: "Quando vou ter minha vida de volta? Será que algum dia vou ter minha vida de volta?"

Então, é muito lógico que a gente se modifique pra se adaptar a essa nova rotina. É o caso de escolher: ou muda e se adapta ou se lamenta. E eu não sou dessas que se lamentam. Eu sou das que se modificam e hoje, quando me sinto conseguindo colocar o nariz pra fora do oceano pra respirar, vejo o quanto a maternidade lhe obriga a viver em tão curto espaço de tempo. São tantas escolhas, tantos caminhos, tanta vontade de acertar... E uma vontade imensa de se encontrar dentro desse turbilhão de novidades. Eu tinha muita vontade de voltar a ser eu! E demorei pra entender que eu nunca mais voltaria a ser a Paula de antes. Demorei a entender que uma mãe nasceu junto com o nascimento do Miguel e que essa nova mãe era uma parte de mim que eu não conhecia. Entender que o nascimento do meu filho representava a felicidade de poder viver algo totalmente novo, mas que veio misturado com a dor do luto pela morte de uma vida que deixei pra trás foi difícil. Demorei a entender que não tinha mais que procurar a Paula antiga entre uma mamadeira e outra, na verdade, eu tinha que conhecer a Paula nova, entender essa nova dinâmica da minha vida e vivê-la da melhor forma possível.

A maior modificação de todas é o amor que sinto pelo Guel. Também não sei se com todo mundo é assim, e não me condenem, mas eu não era apaixonada pelo meu filho assim que ele nasceu. Eu tinha um instinto maternal forte, que me fazia querer tirá-lo da UTI o mais rápido possível, um instinto que me fazia protegê-lo, alimentá-lo, um instinto animal mesmo de querer que ele estivesse bem, que não chorasse, que estivesse calmo e feliz. Mas se isso era amor, não sei. Talvez fosse sim. Mas não é o amor que sinto hoje. Isso posso assegurar. Eu estava muito envolvida com tantos conflitos internos que talvez não me permitisse viver esse sentimento da forma mais plena e também porque acredito mesmo que meu amor por meu filho foi crescendo e crescendo e não pára de crescer com a convivência, em todos os momentos em que estamos juntos. Ele é meu primeiro pensamento do dia e é também o último. Quando saio do trabalho pra buscá-lo na creche, vou ansiosa pra saber do seu dia, das suas gracinhas, das novidades que descobriu. Quero ouvir sua voz, quero olhar aquela carinha sorridente louco pra me abraçar me dizendo "Que sodade, mamãe!" Eu morro pelo Miguel e seu sorriso me faz sentir como se estivesse nascendo de novo, me faz sentir mais viva que nunca.

É, Lu...

É verdade, Nanda.

Vocês têm toda razão. Eu não sou a mesma. E como poderia?

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ballet



Essa semana, fazendo minhas aulas de box training, fiquei pensando, entre socos e chutes, no quanto que ter feito uma atividade física desde menina me ajudou e ajuda até hoje. Lá na aula, no meio de tantos outros alunos, fico observando minha rapidez para repetir as sequências e como tenho ritmo e facilidade para não perder a contagem. Devo isso à dança.

Minha irmã tinha 5 anos quando pediu pra minha mãe colocá-la no ballet. Eu, a princípio, escolhi estudar piano, coisa que fiz até os 16 anos. Entretanto, enquanto esperava minha aula de piano, ficava, muitas vezes, observando minha irmã fazer suas aulas de dança e fiquei com vontade de entrar também. Logo estava eu calçando minhas sapatilhas e indo animada para o ballet. Começava ali um caso de amor que não morre nunca.

A dança é responsável por muito de mim, não só fisicamente, mas também culturalmente. Em minha casa tínhamos o hábito de escutar muito MPB, mas conheci a música clássica através do ballet. Depois, com a prática do piano, pude ir aprendendo minhas músicas favoritas, mas foi o ballet que me fez gostar de Mozart, Beethoven, Bach, Chopin, entre muitos outros. O ballet desperta nossos sentidos de uma forma inexplicável. Ganhamos consciência corporal, testamos nossos limites, buscamos ir além, ensina a superar nossas frustrações, mostra que o mundo é um lugar onde competição vai existir sempre e que precisamos dar o nosso melhor, em todos os momentos, não para nem por outros, mas por nós. Se conheço tão bem meu corpo, devo ao ballet. Se tenho postura e, muitas vezes, pessoas me acham mais alta do que sou, devo ao ballet.

Outra coisa maravilhosa é a rapidez de raciocínio que a dança desenvolve desde cedo. Precisamos decorar sequências, contagem, tempos e contratempos dentro de uma música e precisamos também bolar saídas para quando as coisas dão errado, em um segundo, de forma a não nos atrapalharmos mais e não atrapalharmos o grupo. E, garanto, quando minha mãe nos colocou para aprender dança, ela não fazia idéia do muito que estava dando a mim e a minha irmã.

A dança me deixou de herança essa facilidade para fazer qualquer atividade que envolva ritmo e corpo. Quando o tempo ficou raro e precisei ir pra academia apenas pra malhar, sempre fiz bem aulas de aeróbica, step, jump. Quando fiz dança de salão sempre aprendi com facilidade os passos de todos os ritmos - difícil mesmo pra quem fez ballet é ser conduzida pelo parceiro e não tomar a frente.

Na dança fiz muitos amigos, vivi momentos inesquecíveis. Pela dança fui uma adolescente mais calma, focada em ensaios e não apenas em meninos, beijos e namoro. Ganhei disciplina, respeito aos meus horários apertados, aprendi a dividir meu tempo de forma que conseguisse fazer todas as minhas atividades sem deixar nada faltando. Com a dança aprendi a gostar de mim com todos aqueles defeitos que via no grande espelho da sala da academia, porque dançando me sentia linda, sedutora, gigante e livre.

sábado, 15 de outubro de 2011

Palavrão






Fala-se muito palavrão na minha casa. Mesmo. Sempre foi assim. Minha mãe e meu pai, eu e minha irmã, meu cunhado também. O namorado não foge à regra. Por incrível que pareça, Rafaela e Duda não são de falar palavrão e espero que Miguel também não fale. Quer dizer, espero que ele não fale mais tarde, porque agora ele fala. E muito.

Estava vendo a hora em que passaria uma vergonha com ele e a hora chegou hoje, no final da festinha de 8 anos da Rafa. Estávamos prontos pra ir embora e a monitora da área baby foi chamar, a meu pedido, o Miguel pra irmos. Chamou a primeira, ele fingiu que não ouviu. Chamou a segunda, ele olhou pra ela e recomeçou sua brincadeira. Na terceira, a monitora disse que a festa tinha acabado e que eu já estava indo pra casa. Aí, o caldo entornou. Miguel virou pra ela, bateu com as mãos na lateral das pernas e disse: "que pariu! Festa cabô? Putaria..."

Gente... Fiquei olhando pro Hugo com meus olhos arregalados, morta de vergonha. O namorado é o maior culpado e o Itallo, padrinho do Guel também!!! A monitora teve um acesso de riso e não conseguia mais parar de rir, é óbvio que ela não esperava por essa. Nem eu. Peguei meu filho, que continuava com a maior cara de safado e o enfiei dentro do caro. Repreendi, disse que não falasse palavrão e tal, mas a verdade é que educação é um trio composto por amor-disciplina-exemplo. E, com relação a esse assunto, está faltando exemplo dentro da casa do Miguel.

A saga da fralda

Racionalmente sempre soube que não podemos comparar nossas crianças com as crianças dos outros. Ok. Mas na prática é difícil pra caramba não cair nessa armadilha. Atualmente, só fico observando os meninos da idade do Miguel pra ver se estão usando fralda ainda ou não. As meninas da minha irmã largaram a fralda com 2 anos e pouquinho, inclusive a Duda, em seu aniversário de 2 anos, já estava sem fralda. E o Miguel está com 2 anos e 5 meses e nada de tirar a fralda.

Estou acomodada porque estou esperando o sinal da creche para começar a deixá-lo sem fraldas em casa, não vai adiantar nada eu começar em casa se na creche ele ainda fica de fraldas. Ele está na mesma creche em que as meninas da Sis ficaram e, embora eu saiba que cada criança é uma criança, acho que já poderíamos ter começado a tirar a fralda dele. Ou será que não, que estou me precipitando? Sei lá.

Essa semana minha irmã foi até a escola onde a filha mais nova dela estuda e onde pretendo colocar o Miguel também. Lá encontrou com uma amiga que é a professora do maternal (crianças de 2 à 3 anos), conversa vai, conversa vem, soube que todas as crianças já estão sem fralda!!! Lógico que ela saiu de lá e me telefonou correndo... E eu fiquei mais preocupada. Uma semana depois, a diretora da escola me liga porque o nome do Miguel já está na fila de espera para entrar no jardim I desde que tinha 6 meses e ele entraria no Jardim I no ano que vem. Ela ligou pra saber se ele entraria em 2012 mesmo - Miguel é o primeiro da fila.

Fiquei muito tentada a antecipar a ida, já que tinha em mente somente colocá-lo lá em 2013 porque ele estaria maior e mais maduro e, assim, não perturbaria muito minha mãe e a Taninha em nossa casa, pela manhã, antes de ir pra escola. A diretora me explicou que o fato de o Miguel ainda não ter largado as fraldas não seria problema pra eles, mas eu fico pensando que seria muita mudança pro meu filho tirar a fralda e entrar em um colégio novo. E, dizem, a criança precisa ter confiança em quem vai estar ao lado deles nesse processo.

Bem, pelo sim, pelo não, pedi na creche que observassem o Miguel porque em casa ele já está irritado com a fralda e fica tirando toda hora. Eles ficaram de observar. Talvez Miguel não esteja pronto ainda e eu esteja preocupada à toa, mas acho mesmo, pelo que vejo do meu filho, que já poderíamos começar. Miguel vai ficar mais um ano na creche, pedi ao colégio que passassem o nome dele pra fila de espera de 2013 e vou tentar parar de olhar pra todos os meninos da idade dele pra ver se estão de fralda ou não. Quem sabe em janeiro, quando a creche disse que começaria a retirada das fraldas e o Miguel terá 2 anos e 8 meses, ele não larga rapidinho e aprende a fazer xixi no lugar certo?

Quando páro pra pensar em quanta coisa idiota uma mãe pensa, me dá até vontade de rir. Pode alguém ficar preocupada com a hora de tirar a fralda do filho? Parece até que quero arrumar problema. Ou que sou uma desocupada, que não faço nada o dia inteiro. Mas é mais forte que eu, fico mesmo me preocupando com essas coisas que, pra qualquer ser humano que não seja mãe, são a maior bobeira. Será que toda mãe é assim ou só eu?

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Fim de semana em Angra











No dia 03 de outubro foi aniversário do namorado e, para comemorar, fomos passar um final de semana em família em um resort em Angra dos Reis. Escolhemos o Vilá Galé e, na última quinta-feira, fomos pra lá eu, namorado, minha sogra e Miguel. Eu estava na maior expectativa porque seria a primeira vez que viajaríamos com o Guel e não queria esquecer de levar nada que ele pudesse querer ou precisar.

O final de semana foi maravilhoso, a começar pela escolha do resort que é excelente, principalmente para quem tem crianças. A estrutura do hotel é muito boa, com várias atividades e opções de lazer, a comida é muito diversificada, tem uma oferta enorme de vários pratos, todos muito bem feitos e gostosos. Existe um restaurante infantil, perfeito pros pequenos, com todas aquelas comidinhas que eles gostam e com mesinhas e talheres próprios pra eles. Enfim, o sistema "all iclusive" ajuda muito a quem viaja com crianças porque muitas vezes eles não têm vontade de comer em determinada hora e querem comer em outro momento não tão apropriado. Esse problema eu nunca tenho com o Miguel, porque ele come mesmo a qualquer hora. Aliás, desisti de levá-lo ao restaurante infantil antes de fazer minhas refeições no outro restaurante porque ele acabava comendo nos dois!! Meu filho é um poço sem fundo!

Os monitores pegam as crianças maiores - de 4 até 12 anos - após o café da manhã, levam pra almoçar, enfim, ficam com eles durante todo o dia e só depois devolvem para os pais que ficam descansando sob o sol, na praia ou piscina. Com crianças da idade do Miguel, ainda não e, por isso, foi uma benção minha sogra ter ido com a gente porque deu pra fazer um revezamento e não ficar tão cansado. Não foi um final de semana pra descansar porque criança da idade do Guel demanda muito, exige a presença e tal, precisa de alguém por perto na piscina ou parquinho, enfim. Mas ver a carinha dele, tão feliz, tão sorridente e participativo, atento à tudo, foi mais que gratificante.

Miguel estava totalmente à vontade com o ambiente, não estranhou nada e não parava quieto. Ele nem sabia o que fazer, piscina, praia, parquinho, futebol, desenho, dar comida para os peixes, era tanta coisa pra ele fazer que quando caía na cama dormia pesado. Deu gosto ver meu filho se divertir tanto e o melhor foi ver que ele curtiu o fato de estar em um local diferente, em um quarto diferente e em contato pessoas que não conhecia. Já deu pra notar que será um ótimo companheiro de viagem e que herdou o senso de direção do pai, graças a Deus: em pouquíssimo tempo, Miguel já sabia ir para todos os lugares, ía na nossa frente para o restaurante, para o riacho com peixes, piscina ... Muito diferente de mim, que sou capaz de sair do elevador e ir para o lado errado mil vezes, dominou o ambiente em pouco tempo e se orientava muito bem sem ajuda.

Aliás, Miguel não gosta mesmo dessa palavra "ajuda", o menino quer fazer tudo sozinho e muitas vezes eu quero ajudar pra facilitar ou ir mais rápido e ... nada. Lá vem ele me falando: "aiuda, não, sozinho!". É bem independente e genioso também. Tenho cortado um dobrado com esse lance de ele achar que tudo é dele. Pega os brinquedos dos outros pra brincar e não quer emprestar os dele e isso é muito chato. Fico tensa, prestando atenção à essas coisas porque quero que ele saiba dividir. Sei que criança de creche aprende isso logo cedo, mas Miguel parece um macho dominante, sabe? Desses que todo mundo acaba fazendo o que ele quer e ainda gosta?  Pois é, meu filho é assim. De vez em quando algum amigo da creche se rebela contra sua tirania e ele vem com marcas da luta: uma mordida aqui, um arranhão alí. Miguel não morde os amigos, definitivamente ele não veio com esse dispositivo de morder os outros, mas, em compensação, adora dar uns empurrões, tapão dos peitos ou, pior, arremessar carrinhos e outros brinquedos na direção dos colegas. Meu filho não é santo e é muito ditador, adora mandar... Será que puxou à mãe? Temo que sim. Sou mega mandona...

Bom, a próxima viagem será pra Sampa, vamos a festinha da minha afilhada e será a primeira vez que ele entrará em um avião. Fiquei bem animada e acho que tudo vai correr muito bem porque desde que Miguel esteja se divertindo, está tudo bem pra ele. Meu filho adora uma novidade! Que bom.

Nesses dias de sol, em que estava sentada à beira da piscina, parecia que estava assistindo a um filme... Olhava meu filho brincando, meu bebê, segurando seus brinquedos, jogando água pra cima, ou abraçando o Hugo e agradecia a Deus por esse momento lindo e, no meu intimo, rezava também porque sei que um dia, daqui alguns anos, vou me lembrar desse momento com o maior carinho do mundo e, porque não?, com muita saudade... Ainda vou sentir muita saudade do tempo que vivo hoje, em que rolo com meu filho no chão e a gente chora de tanto rir e ele me abraça apertado e me dá muitos beijos. Saudade de hoje, quando levo meu filho comigo pra onde quer que eu vá e ele vai satisfeito porque tudo o que ele mais quer é estar comigo. E, aos poucos, vou constatando que muito do que me falaram sobre maternidade, por mais insano que pareça, a princípio, é a mais pura verdade.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Amor


Assisti a esse video e fiquei pensando, entre muitas e muitas lágrimas, como somos tolos em gastar tempo e energia nos preocupando com coisas tão pequenas perto da grandiosidade do amor ou de uma atitude de amor.

Na vida sempre temos duas ou mais estradas pra escolher trilhar. Porque não escolher o caminho da felicidade? Porque não encarar as situações mais adversas com um olhar bondoso? Precisamos ser bondosos conosco, perdoar nossos defeitos, nos permitir aprender com o outro e com nossas limitações.

Existe chance pro bem até mesmo quando tudo parece que não vai dar certo. Existem possibilidades onde menos esperamos e tem que existir a paz até onde há guerra. O amor é tão maior que tudo, tão maior que todos nós, que podemos sentí-lo em todos os lugares. É só querer.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Já nasci velha

Nesses dias de Rock in Rio, essa agitação toda, fico meio atordoada... Adoro música, gosto de shows, sim, mas, aqui entre nós, muvuca não dá pra mim. Sempre gostei de sair pra dançar, sempre gostei de ir a shows, mas nunca gostei de sair da minha casa pra ficar apertada entre um bando de sovacos, sem poder me mexer direito, nem sair do lugar pra ir ao banheiro. É claro que existe a opção de assistir aos shows longe da galera toda, mais lá pra trás, mas aí... Qual a graça? Ver o Metallica como formiguinhas lá no palco... Sei lá. Me animo não... Fico em casa e assisto na tranquilidade do meu lar. Acho que já nasci velha.

Nunca tive saco pra certos programas que muitos amigos curtiam, tipo acampar. Euzinha? Acampar? Taí um programa que ninguém nunca me viu fazer e nem verá! Não saio da minha cama confortável pra dormir dentro de uma barraca, montada em cima da areia, com uma mosquitada em volta ... Cruz credo. Nem por amor. Nem por muito amor.

Outro programa do qual sempre estive fora é alugar casa de praia junto com os amigos. Uma casa com 2 banheiros com 20 pessoas dentro? Socorro!! Nem pense nisso. Fila pra tomar banho em um banheiro com areia pra todos os lados? Banho de chinelo? Aff... Eu não aguento. E na hora da comida? E a louça se acumulando na pia? É mais forte que eu, chamem de frescura, de futilidade, do que seja. Eu não gosto.

E aquelas pousadinhas que quando a gente chega lá tem aquele espelho pendurado na porta e a cama faz barulho só de você se virar de um lado pro outro? Nem adianta. Eu não vou mesmo. Pra eu sair da minha casa, do meu banheiro limpinho, com água quente e toalhas felpudas, do meu quarto com ar condicionado, só se for pra um lugar bacana, no qual vou, de fato, poder descansar. Essa coisa aventureira do tipo "vamos lá, depois a gente arruma um canto pra ficar" é totalmente inimaginável pra mim. Nunca fui de aventuras. Admiro quem consegue se divertir até nessas circunstâncias, almas jovens bem desprendidas. Eu sou uma velhota que já nasceu assim: fresca e chatinha.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Ataque de Perereca

Sábado tive um sonho horrível. Sabe esses sonhos que parecem reais e que a gente acorda aos prantos? Ou daqueles que alguém faz alguma maldade ou sacanagem com você e você acorda raivosa? E ainda tem aqueles que a gente tenta fugir ou se livrar de alguma situação de perigo e tenta gritar e a voz não sai... Então, de sábado pra domingo sonhei que o Hugo me deixava. Assim, sem choro nem vela, tipo "Tchau, Paula, acabou, estou indo embora." E ele pegou as coisas dele e, sem mais nem menos, sem explicação, foi.

Gente, minha tristeza era tão grande, minha incredulidade era tão imensa, minha dor era tão intensa que acordei ainda meio boba, igual quando uma bola que a gente nem sabe de onde veio bate na gente e a gente só fica sentindo a porrada. Me lembro de, ainda sonhando, eu dizer pra mim mesma que não tinha feito nada de errado, que tinha sido sempre uma esposa fiel e companheira, boa mãe pro filho dele... Como, de repente, ele me vem com essa estória de "estou indo embora"?

Acordei mal. Em pleno domingo de manhã, eu com a boca amarga. Até com raivinha dele. Raivinha não, raivão. Coitado.

Então, eu já estava meio de mal com a vida quando ele saiu pra jogar tenis com um amigo e meu cunhado. Normalmente, ele já está de volta antes do almoço, mais ou menos 11, 11 e meia. Só que nesse domingo, justamente nesse domingo, ele só chegou às 12:45 e não atendia minhas ligações (lógico, estava jogando) e eu fui ficando com uma ira, uma queimação por dentro... Eu, heim... Só sei que quando, finalmente, ele chegou, cheio de carinho e eu com aquela carona bem feia pra ele, dei um ataque de perereca. Falei um monte, disse que ele tinha que atender meus telefonemas ou passar um torpedo pelo menos pra avisar que estava atrasado e tal, falei besteira, me descabelei. Aí, o namorado que já sabe lidar comigo muito bem, engrossou logo a voz e disse pra eu parar com o ataque porque não tinha sentido nenhum tudo o que eu estava falando uma vez que eu sabia muito bem onde ele estava, com quem e que tinha chuviscado e que isso significava que só puderam entrar na quadra quando o tempo melhorou. Enfim, me tirou do transe psicótico e trouxe pra realidade. É... Eu, às vezes, preciso mesmo de uma voz de comando firme, do contrário monto mesmo, meio que enlouqueço.

Aí, louca, louca, comecei a chorar e disse que tinha tido um sonho horrível no qual ele me deixava e que quando ele se atrasou eu só conseguia pensar que queria que ele estivesse perto de mim, pra almoçar comigo... Um perfeito ataque de perereca desses que ninguém entende e que só homem apaixonado aguenta. Ainda bem que eu só tenho esses ataques de vem em quando. Acho que nem eu mesma me aguentaria se minha loucura fosse frequente. No final, pedi desculpas pelo surto - mas mantive a posição de que um torpedo comunicando o atraso seria de bom tom - e fizemos as pazes. Mas eu podia ter resolvido tudo sem o ataque, acho que o abandono que sofri no sonho me deixou meio doidinha, sei lá.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Sonhos




Sempre fui muito sonhadora. Muito mesmo. Já tive sonhos grandiosos, bobos, inconfessáveis, idiotas. Já quis ser miss - que coisa mais antiga! Já sonhei ser atriz, sonhei dar a volta ao mundo, sonhei morar fora do Brasil, sonhei ser mais alta, sonhei ser rica, ser bailarina. Só que com o tempo os sonhos da gente vão mudando... Acho que vão mudando conforme vamos envelhecendo e ganhando consciência de quem somos e também do tempo que temos para realizar isso ou aquilo.

Adoro sonhar, adoro imaginar o que quero se tornando realidade mas acontece mesmo de a gente se pegar, de repente, sonhando com coisas mais palpáveis, deixando de lado aquele sentimento infantil e, depois, adolescente de que tudo podemos e que somos invencíveis.

Essa manhã aconteceu algo engraçado, que deixou registrado o quanto mudei nesses últimos anos, o quanto mudei, principalmente, depois que o Miguel entrou na minha vida... Eu estava indo levar o Miguel pra creche e a Rafaela, minha afilhada, também estava comigo indo para o CCAA ter a aula de inglês dela. Deixamos o Guel na creche e como Miguel adora ver os peixinhos do aquário da creche, começamos a falar sobre bichos. Descambamos para os passarinhos e a Rafa me disse que seu maior sonho era poder voar. Uau!! Um sonho e tanto. E aí ela me pergunta: "Nina, qual seu maior sonho?" E, pra minha surpresa, sem piscar, sem demorar nem um segundo pensando, falei: "Meu sonho é ver o Miguel crescer." Rafaela responde com sua sapiência infantil: "Que sonho mais besta, Nina..." Pois é, sei que ela estava esperando uma resposta mais interessante, talvez à altura do seu maior sonho que é poder voar.

O que a Rafa não sabe ainda é que, naquele momento, me dei conta de que sei que tenho prazo de validade e que decidi ter filho mais tarde e que o que mais quero nesse mundo é estar aqui pra acompanhar meu filho em sua caminhada o máximo de tempo que Deus me permitir. E que eu rezo, todos os dias, para que eu fique o tempo suficiente para vê-lo criado, adulto, seguro, firme, um homem de bem. Esse é o meu maior sonho...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Mundo louco

Essa manhã estava no consultório da minha ginecologista esperando a minha vez e na televisão estava a Ana Maria Braga. O programa era sobre perdão e ela estava contando a estória de uma senhora que 39 anos antes entregou a filha para ser criada por outra família. Depois disso, a senhora casou, teve outros filhos, mas queria muito encontrar a filha que entregou. Por sua vez, a filha também queria conhecer a mãe biológica mesmo tendo sido criada por uma família maravilhosa e, por suas próprias palavras, ter tido "uma super mãe". Foi a filha que, após anos de procura, conseguiu achar o paradeiro da mãe biológica.

O encontro foi durante o programa e não pude conter minhas lágrimas ao assistir. A filha, bem mais contida e inteira, abraçou a mãe com muito carinho. Entretanto, a mãe se desmanchou nos braços da filha doada e caiu em prantos, um pranto de dor, de arrependimento, de culpa. Eu choro fácil mesmo...

Estava eu sentada naquele consultório, tentando não borrar muito a minha maquiagem, quando uma das outras mulheres que também estava esperando sua vez diz: "Não consigo me comover com esse tipo de mãe que abandona seu filho, ela merece esse sofrimento e a filha nem deveria estar aí a abraçando. Eu sou mãe e NUNCA abandonaria meus filhos, nada nessa vida justifica o abandono de um filho."

Eu sei, o abandono de um filho também é algo totalmente descabido pra mim. Eu acho que nunca deixaria meu filho. Mas digo acho porque nunca passei por nenhuma situação limite, como pobreza ou fome e não sei se deixaria meu filho com outra pessoa se pensasse que ele poderia ter uma vida melhor. Dói só de pensar mas não sei dizer esse NUNCA com tanta veemência. Não estou dizendo aqui que seja certo ou errado o abandono, não podemos julgar a atitude dessa mãe. Mas a verdade é que o que a moça do consultório não entendeu é que minhas lágrimas não eram simplesmente por conta do reencontro. É que naquele abraço apertado da mãe que abandonou a filha para que outra família a criasse tinha tanto sentimento guardado, tinha tanta dor, que eu imaginei o quanto ela deve ter sofrido esses anos todos sabendo que tinha feito uma "besteira" e que esse erro seria irreparável. O que me emociona na vida é a capacidade do ser humano de reconhecer o erro, de tentar voltar atrás e se modificar, aprender com suas experiências. Naquele abraço eu percebi uma mulher sofrida demais, que viveu 39 anos com o peso da culpa em suas costas e que estava recebendo um abraço carinhoso da filha que foi privada da companhia de sua mãe biológica. E naquele abraço havia um perdão, havia uma chance para quem errou. E me emociono quando constato que temos a capacidade de aprender com nossos deslizes, quando vejo que sempre podemos começar de novo...

Um outro comentário feito pela mesma mulher no consultório também me fez pensar que eu devo estar muito errada ou vivendo em um mundo paralelo... Ela disse "Imagina a mãe que criou essa menina vendo essa cena da filha adotada, que amou, toda feliz por encontrar a mãe verdadeira... É uma falta de consideração." Ora, meu Deus, nessa frase existem duas coisas que me incomodam. A primeira é que não entendo porque a menina abandonada não possa dedicar carinho à mãe que a pôs no mundo e acho que isso não abranda em nada o amor que sente por sua mãe, a que a criou. Um amor não anula o outro. Nunca um amor anula outro. Podemos amar tanto e com tanta intensidade que arrisco achar que nossa capacidade de amar seja infinita. A segunda coisa que soou estranho foi a parte da "consideração". Como assim "falta de consideração" com a mãe que a criou demostrar carinho para com a mãe biológica? É como se todo filho adotado, não bastasse ter que conviver com a falta dos pais biológicos, ainda tenha que carregar o fardo de ter gratidão eterna por ter recebido essa caridade alheia de ter sido recolhido a um lar e recebido amor. Peraí!! Eu penso tão diferente... Um filho adotado é um filho. E não adianta adotar uma criança achando que ela lhe será eternamente grata e fará sempre de tudo para nunca lhe desagradar porque na condição de filho ele não se difere em nada de um filho gerado em nosso ventre e parido. Filho é filho. Tem vontade própria, sim, muitas vezes um filho fará escolhas que não são as escolhas que nós faríamos e se não cobramos gratidão eterna de filhos biológicos, porque cobrar dos adotados? Qual a diferença, meu Deus? Nenhuma. Filhos são filhos, saídos de dentro de nós ou escolhidos por nosso coração. As alegrias da maternidade, as dores, as decepções, as tristezas, preocupações e momentos felizes são os mesmos.

A palavra consideração na boca daquela mulher era como se dissesse que um filho adotado tem que pensar em "consideração" a mais porque recebeu amor e carinho quando não teria nada, é como se tivesse ganho na loteria pelo fato de ganhar uma família. E acho que isso é um fardo pesado demais para se carregar. Na minha cabeça, o bem que se faz ao outro é o bem que fazemos a nós mesmos. E, sendo assim, não pede nada em troca. Filhos são filhos e mães sempre estarão felizes enquanto seus filhos estiverem bem e felizes. Desde que o mundo é mundo mães querem o bem estar e felicidade de seus filhos. No meu modo de entender a vida, ver meu filho adotado encontrar sua mãe biológica e dar-lhe um abraço com carinho e amor, esse amor que perdoa, que cura as feridas, me faria me sentir feliz por ele.

Não, eu não sou santa. Eu sou egoísta e muitas vezes possessiva, tenho ciúme também. Tantos defeitos que não dá pra enumerar. Então, quando me pergunto se eu sentiria ciúme numa situação como essa, talvez a resposta seja SIM. Se ficaria insegura? Talvez, também. Mas isso já é outro assunto. Meu egoísmo e meu ciúme nunca ficariam acima do meu amor de mãe. E amor de mãe, como sempre me disseram e hoje vejo ser verdade, é o maior amor do mundo. É o amor mais livre, mais despudorado, mais intenso, altruista e generoso, mais sem orgulho ou medo que já vivi. Será que eu sou estranha? Ou o mundo é que é muito louco?