quinta-feira, 22 de junho de 2017

Quem dança seus males espanta!


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A dança foi uma das muitas coisas maravilhosas que minha irmã trouxe pra minha vida. Minha irmã sempre foi hiperativa e sempre estava pensando em mil brincadeiras agitadas enquanto eu deitava na minha cama grudada com um livro e de lá só levantava pra comer. Ela não parava quieta, eu era a quietude personificada. Então, não é difícil deduzir que todas as muitas atividades nas quais minha mãe me matriculou foram por iniciativa dela. 

Minha irmã decidiu fazer piano. Eu fui atrás. Ela fez um ano e desistiu. Tentou flauta e violão e viu que não dava pra ela. Eu insisti no piano, apaixonada sou até hoje pelo instrumento. Anos de estudo.... Obrigada, Sis!

Minha irmã decidiu estudar inglês. Lá fui eu atrás dela. No livro 3 do CCAA ela desistiu. Eu me formei professora de inglês e minha vida é o que é graças ao CCAA e ... À minha irmã!

Minha irmã - a rainha da iniciativa - quis fazer dança. Eu pensei: vou atrás dela. E fui. Ela não desistiu dessa vez e é fácil entender a razão: atividade de agito, movimentação corporal. Isso era com ela mesmo! Seguimos apaixonadas por dançar! A dança pagou minha faculdade particular porque eu tive bolsa por ser do corpo artístico da Gama. Só ganhei. Nunca perdi nada com essa paixão. 

Aí a vida enrola a gente.... Faculdade, namoro, casa, filhos. A vida vira uma "coisa séria" e a paixão é deixada de lado. Quando se tem outras paixões - e eu tinha! - ótimo, mas muitas vezes a paixão fica encostada num cantinho porque  precisamos ganhar dinheiro, prover, conquistar, construir. Quem nunca se viu em uma encruzilhada dessas na vida? 

Eu sou louca pelo meu trabalho. Adoro os alunos, gosto de estar com pessoas, minha equipe é um espetáculo. Eu ganho pra fazer o que gosto e por anos a dança não tinha mais espaço na minha vida. Até que, como a maior parte das coisas acontecem pra mim, do nada, sem que eu esperasse, ela veio retornando de pouquinho em pouquinho e eu abracei a oportunidade de fazer algo do qual sentia muita falta. Voltei a dançar. 

Não danço por dinheiro. Não tenho minha turma linda por causa de ganho material. E isso torna as coisas ainda mais apaixonantes pra mim! Minhas aulas são movidas única e exclusivamente pelo amor que tenho por dançar e por gente. Uma vez professora, sempre professora. Meus alunos da "dancinha" (assim chamo minha aula, carinhosamente) são importantes demais pra mim. Estou lá na frente olhando cada um que chega. Sei pelo rosto deles se estão bem ou não. E, mais que isso, sei que durante uma aula de dança somos capazes de esquecer de tudo lá fora. É terapia, é amor, é prazer. Nessa turma de dança, não importa se todos farão certinho, sincronizados. Importa sermos felizes, importa nos melhorarmos, incentivarmos um ao outro. 

Por isso, hoje, quando recebi uma festa tão linda de aniversário, totalmente de surpresa, já que a data de meu nascimento é dia 14/06, só me ocorreu agradecer. E é isso que quero fazer aqui de novo. Agradecer a cada um que se mobilizou pra me proporcionar esse momento lindo. Mais que os presentes  maravilhosos que ganhei, me encanta vocês terem planejado tudo, gasto um tempo da vida de vocês pensando em mim. Me emociona terem organizado a decoração, a mesa cheia de coisas gostosas. Aquece minha alma saber que chegaram às 6 da manhã pra que quando eu abrisse a porta da sala estivesse tudo pronto pra mim. Esquenta o coração saber que vocês acharam que eu valia o esforço.

O carinho que recebo de vocês é enorme. E não tenham dúvidas: eu sinto. Em cada aula, em cada risada, em cada pedido de nova coreografia. Tenho plena consciência do que recebo de vocês. O amor que circula em nossa sala de aula enche nossos dias de luz, fornece energia pra aguentar todas as chatices que a vida de todo mundo tem de vez em quando. 

Quero que tenham a certeza de que sou muito feliz quando estou com vocês, mesmo quando o ar condicionado da sala não funciona! Mesmo quando o cabo da caixa de som faz barulho. Mesmo que eu viva rouca porque a sala vive lotada e preciso de um microfone que a academia não tem. Enfim, quero que saibam que se eu tivesse tudo isso: ar condicionado bombando toda aula, microfone pra poupar minha voz e caixa de som de última geração, mas não tivesse vocês, não teria a menor graça!

Obrigada! De novo. Sempre!

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Amor cotidiano



Recebi essa mensagem do Namorado e, além de ter ficado feliz, fiquei pensando em cada gesto pequenininho que serve de adubo pros amores que vivemos. A gente não se dá conta, mas certas atenções, certos detalhes, são tão bonitos, são tão importantes... São eles que servem de cimento, de base, pra um relacionamento durar. 

Nenhum relacionamento é o mar de rosas que insistem em mostrar nas redes sociais. Claro, ninguém quer ver briga ou postar desavenças, mas todos nós sabemos, por mais que queiramos acreditar só no que convém, que a vida a dois tem seus dias difíceis. Há diferenças, tem a TPM, irritação, há rotina, mesmice. Há o desgaste, a falta de paciência.

Meu relacionamento com o Namorado não é diferente de nenhum outro. Temos nossas chatices, uns dias meio atravessados, períodos em que estamos mais distantes um do outro, períodos em que estamos apaixonados. Muito apaixonados. E isso é muito legal em relações longas: poder se reinventar, mudar e ver-se apaixonando pela mesma pessoa várias vezes. 

Passei muito tempo da minha vida acreditando em paixões, em amores de novela, daqueles que tiram o sono e fazem você não conseguir fazer nada, a não ser pensar no objeto de seu amor. Quebrei a cara solenemente diversas vezes até entender que o amor, muitas vezes, vem manso, sorrateiro, tomando conta de tudo bem de pouquinho em pouquinho. Esse amor que chega devagar é visto como um amor menor. É mais ou menos assim: se houvesse uma classificação para os tipos de amor, esse seria o menos valorizado. Por outro lado, o mais valorizado, sem dúvida, seria o retratado em novelas, filmes: o amor arrebatador, aquele que você olha pra pessoa e PÁ, cai no chão com a pancada. Só que amor é amor, independente das circunstâncias e as pessoas deveriam ter mais consciência disso. Se tivessem, talvez se permitissem viver outras histórias, talvez se permitissem enxergar pessoas que não enxergam por estarem presas à padrões que estabeleceram pra si mesmas. Talvez deixassem esse amor lento invadir a vida delas e ... ficar.  

Conheci o Namorado em um posto de gasolina, antes de uma saída, apresentados por uma amiga em comum. Depois, fui apresentada a ele mais umas duas vezes por essa mesma amiga porque eu nunca lembrava quem ele era quando voltávamos a nos encontrar. Óbvio que, por isso, ele me considerava a mais esnobe, entojada e indelicada das mulheres. Tanto que na terceira vez em fomos apresentados, ele me disse:

- Estou cansado de ser apresentado a você. Veja se não me esquece porque não vai ter outra vez. 

Bastou. Não esqueci mais. A partir daí foram várias saídas como amigos, muito papo, muita risada, muita cumplicidade. Até que um dia - e não me pergunte qual foi esse dia porque não saberia dizer - percebi que o Namorado deveria ser meu. E eu dele. Percebi que éramos felizes juntos. Não me apaixonei porque olhei pra ele e vi isso instantaneamente. Não me apaixonei porque o achei irresistível. Não me apaixonei porque ele era bem sucedido ou tinha uma família legal. Não foi nada grandioso, nada estupendo, o que me fez gostar dele. Mas foi um monte de coisinhas.... Um monte de coisinhas miúdas que formaram uma montanha enorme de bem querer, de delicadezas, de um sentimento leve, leve. Foi um telefonema no meio do meu dia pra escutar minha voz. Foi uma conversa na qual percebi que ele realmente me escutava ou se importava com minha opinião sobre algum assunto. Foram várias situações em que notei que ele era um cara seguro e que gostava de me ver brilhar. Foi lembrar do que eu gosto de comer e trazer pra mim. Foi rir junto comigo de alguma idiotice que falei, sem fazer com que me sentisse burra. Tudo isso fez nosso amor comum ser um amor sólido, duradouro. Único. Nosso. Lindo.

Não vivemos numa montanha russa de emoções, não vivemos em loucura. Não temos brigas enormes e não temos celebrações bombásticas para selar paz depois dessas brigas. Alguns dirão que é um relacionamento morno. Eu diria que vivenciamos um amor delicioso, calmo, lindo e feliz. Vivemos uma relação saudável de muita parceria, respeito e muita, muita confiança. Longe de sermos perfeitos, somos duas pessoas que se encaixaram. E isso aconteceu um pouquinho a cada dia desses 13 anos de convivência. Eu sei que nenhum relacionamento tem garantias de durar pra sempre. Eu sei que não dá pra prever nada na vida. Mas sei que se tivesse que apostar em algum "tipo de amor" (se isso existisse!) eu não pensaria duas vezes: eu apostaria no nosso. 

Eu aposto em nós dois, Namorado! 






quarta-feira, 10 de maio de 2017

8 anos




Miguel, tanto pra te dizer e ao mesmo tempo nada diferente do que falo pra você todos os dias. Nosso relacionamento é íntimo, é forte, é de entrega total. Eu me entrego pra você como nunca antes a ninguém. E você se entrega a mim lindamente. 

Relacionamentos são construídos feito uma casa, filho. Uma boa base e, depois, tijolinho por tijolinho vamos formando uma residência resistente, firme e bonita. Nosso amor é assim também: vai aumentando todo dia, vai ficando ainda mais forte e vamos construindo uma intimidade e confiança muito gostoso de se ver. Confiança não vem do dia pra noite. Dá trabalho, é conquistada no dia-a-dia, em nossas batalhas diárias. 

Não sei se é porque você é meu único filho (tenho impressão que não é por isso), mas não perco nada da gente. Não adio nada, não protelo nada. Tudo com relação a você pra mim é urgência, é prioridade, é topo. Absorvo tudo o que aprendo com você e tomo desse amor todo dia, como se fosse um poção que vai me garantir um dia feliz. Há oito anos minha vida tem mais graça, tem mais cor, tem mais loucura, tem mais intensidade. Há 8 anos tenho mais preocupação, tenho mais vontade de ser mais bacana. Há 8 anos acordo pensando em você e é você meu último pensamento antes de dormir. Há 8 anos morro de medo de que algo lhe aconteça, morro de medo de que você seja arrancado de mim e de ter que lidar com essa dor. Há 8 anos lido com sua mão na minha quando a gente anda na rua. Há 8 anos a melhor música é o som da sua gargalhada e dos barulhinhos que você faz brincando com seu inseparável tubarão, braço de dinossauro e machadinha verde. E eu não me canso de você. Nunca.

Pra quem está de fora, posso parecer uma mãe que mima o filho. Talvez eu seja criticada por isso. Talvez digam que eu viva demais pra você. Talvez tenham razão, mas o fato é que eu não quero ser diferente. Sim, mimo você. Dou tudo o que posso. Sempre. Além de jogos e bonecos, dou meu tempo, minha paz, meu colo, meu amor. E, ao contrário do que dizem os psicólogos de plantão, vejo você crescendo um menino educado, sensível, atento às necessidades dos que o cercam, carinhoso demais, bonito. Um menino que não me questiona quando digo que não posso comprar alguma coisa pra você porque tem a certeza de que será a primeira coisa que farei quando puder dar a você o que pede. Ao contrário do que os especialistas alardeiam, vou dormir na sua cama com você quando você diz que está com saudade de dormir comigo e levo você pra viajar comigo e com o papai mesmo quando me dizem que o casal precisa de momentos a sós. Sabe porque não ligo a mínima pro que dizem, filho? Porque não vai demorar muito você vai preferir sair com seus amigos a sair com seus pais, vai preferir dormir na cama com sua namorada e não vai mais querer conversar comigo no escurinho do quarto antes de pegar no sono. Você terá seus interesses e esses podem não ser iguais aos meus e... tudo bem! É pra isso que estou educando você, filho. Pra você voar. Então, não vou apressar esse tempo em que você não vai precisar mais tanto de mim. Ele vai chegar no momento certo e enquanto não chega eu aproveito TUDO. 

Outro dia, depois de chegar em casa cansada e vindo do mercado onde comprei várias coisas que você gosta de comer, você me disse que queria comer bolo. E não tinha bolo em casa. Ofereci um desses bolinhos prontos e você me disse que não era esse o bolinho que queria, você queria bolo fresquinho, do forno. Respirei fundo, pensei no banho que já pensava em tomar e na sua vontade não satisfeita. Calcei meus sapatos de novo e peguei a chave do carro. Falei pra você que iria sair pra comprar o bolo que você queria. Você disse que vinha comigo. Fomos.

Estacionei o carro e saimos caminhando de mãos dadas. Você me disse:

- Nossa, mãe, você é a melhor mãe do mundo. Já tinha vindo do trabalho e mesmo assim saiu de novo só pra comprar o bolo que eu quero... Obrigada!

Eu falei pra ele:
- Filho, você merece. Mas sabe de uma coisa? Um dia, quando eu era da sua idade, falei pra minha mãe que queria comer um biscoito que não tinha na minha casa. Minha mãe também estava cansada, mas ela se vestiu e saiu pra comprar o biscoito que eu queria comer. Ela fez por mim o que estou fazendo por você. Feliz. E eu estou feliz de poder fazer isso por você. E, tenho certeza, um dia você fará o mesmo por seu filho. 

Você olhou pra mim e nada falou, assentiu com a cabeça e sorriu. 

Miguel, você é um menino especial pra mim. Sempre será. Saiba que não é especial pro mundo todo, aprenda que sempre haverá alguém mais inteligente, mais bonito, mais corajoso. Entenda que não é o centro do universo. Entretanto, nunca esqueça que você é único, que não existe ninguém que seja igual a você. Suas qualidades são inúmeras, seu carisma é incrível, mas sua maior qualidade é sua persistência, sua garra. Não desista do que quer. Não se entregue fácil. A vida é dura mas você é forte, filho. Eu estarei com você, sempre a seu lado. De longe ou de perto. Eu fui escolhida pra ser sua mãe, você me aceitou como sua companheira nessa jornada e eu vou fazer de tudo pra cumprir bem meu papel. 

Você é um filho maravilhoso. Uma alegria, uma luz. É meu bebê. Minha vida. Meu preto. Meu rei. Meu Guel. Te amo.

Parabéns, filho!

Mamãe.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Obrigada, Sheila!




Sheila, 

quando o Miguel tentou fazer natação pela primeira vez, com 3 anos, foi um fracasso. A professora não tinha jeito com ele, ele não se sentiu à vontade com a professora do clube e, por fim, acabei deixando pra lá porque Miguel estava ficando mais apavorado que motivado pra entrar na piscina. De qualquer forma, o episódio serviu para que eu observasse seu trabalho com outras crianças, enquanto tentava fazer Miguel entrar na piscina. E eu gostei do que vi. Guardei a imagem de você dando aula e pensei que com você, quem sabe, meu filho pudesse ter mais vontade de entrar na piscina. 

Passado 1 ano, Miguel já com 4, conversando com minha irmã que já conhecia seu trabalho, surgiu a ideia de Miguel fazer aulas particulares com você. Assim, acertamos os dias e os horários e você conheceu um menino ainda medroso, desconfiado e sem muita vontade de fazer natação. Um menino reclamão e que só queria brincar com você. Perdi a conta das inúmeras vezes que ele interrompia a aula dizendo que queria fazer xixi, só pra sair da piscina. Você nunca perdeu a paciência, você sempre encontrou um jeito de trazê-lo de volta, você sacou, quase imediatamente, que pegaria o Miguel no lado lúdico, que ensinaria meu filho a nadar através de brincadeiras. Outra coisa importante: entendeu que Miguel não é menino cheio de frescuras e sempre conversou com ele de igual pra igual. E, brincadeira vai, brincadeira vem, vi meu filho dando suas primeiras braçadas. Vi Miguel atravessar a piscina nadando, vi você deixar que ele ganhasse de você nas competições que fazia com ele e vi também a hora em que você já não conseguia mais ganhar de seu aluno. 

Encantada, porque nunca aprendi a nadar, notei que ele tinha talento nas piscinas, havia puxado ao pai que foi excelente nadador e campeão, inclusive, de vários campeonatos estaduais e brasileiros. Orgulhosa do nosso peixinho, vi que ele era um garoto corajoso que entrava na piscina até no inverno e encarava junto com você a piscina de água fria ao ar livre. O clube vazio, só eu sentada assistindo e vocês dois dentro da água. Eu ia chegando perto da piscina e todos os funcionários já nos diziam: chegou o garoto mais corajoso do clube! E Miguel seguia em direção a piscina todo vaidoso. Ao término da aula, saia tremendo de frio algumas vezes, mas sempre vitorioso. Não reclamava mais, nem pedia pra ir ao banheiro. O progresso foi nítido. 

Por tudo isso, Sheila, é que quero que saiba o quanto sou grata a você. Muito. Você não ensinou meu filho apenas a nadar. Você deu a ele coragem pra participar de competições, aumentou sua auto-estima absurdamente, fez com que ele soubesse que pode ganhar se houver dedicação e que ele tem talento. Você mostrou em todas as aulas o quanto acreditava no potencial dele nas piscinas. Mostrou que nem sempre se ganha, mas sempre se deve dar o melhor. 

Muito obrigada por ter tratado o Miguel de um jeito único, talvez o único que fosse despertar nele a vontade de ficar na piscina com você. Obrigada por ter dado a confiança necessária pro Miguel fazer o teste pra entrar na equipe de natação do VASCO.  Ele conseguiu e devemos isso a você! Você sempre estará guardadinha no nosso coração, eternizada na história da vida do Miguel. 

Obrigada por ser essa professora maravilhosa... Você é assim porque ama o que faz! Obrigada por ter recebido um bebê inseguro de 4 anos e estar observando seu menino de quase 8 nadar pra longe de você. Longe dos olhos, mas sempre pertinho do seu coração. 

Com amor, 

Paula 



sábado, 24 de dezembro de 2016

Papai Noel

Li um artigo outro dia com uma ótima sugestão para contar pra crianças que estejam desconfiando da existência de Papai Noel. Achei muito apropriado pra mim porque Miguel vem me perguntando a respeito. Então, vou deixar aqui registrado a cartinha que escrevi pra ele em nome do Papai Noel porque o presente que ele queria ganhar não chegou. Acho que vai dar certo....

Miguel, quero lhe pedir desculpas porque esse ano eu me enrolei muito com a compra dos presentes de Natal. Cada vez existem mais crianças no mundo e muitas não tem nada, sabe? Mas eu não desisto de ajudar e de tentar fazer com que o Natal seja um dia mais feliz. Eu esqueci de trazer seu brinquedo (Lego Dimensions) da Finlândia – onde fica a minha casa – e quero que me perdoe por isso. Deixei uma lembrança e quero que você saiba que seu presente vai ser enviado pelos correios. Assim que eu chegar em minha casa para descansar de todo esse trabalho, vou enviar seu presente.
Você foi um menino ótimo durante o ano todo! Merece ganhar o que pediu, sim. É muito carinhoso com suas avós, respeitador com seus professores e colegas e uma alegria na vida de seus pais. Além disso, está lutando para ter boas notas, vencendo seus medos. Eu vejo seu esforço e dedicação.
Quero conversar com você também sobre outro assunto... Você cresceu muito no último ano, está mais alto, mais responsável. Mas tem uma coisa que nem todo mundo consegue ver, mas eu vejo: seu coração está maior também. Eu posso perceber o tamanho do seu coração bondoso quando não deixa sua avó caminhar sozinha pelo shopping, quando tentar ajudar alguém, quando chora emocionado com um filme, quando quer proteger sua mãe na rua e quando tem sempre um sorriso no rosto para todos que chegam perto de você.
Na verdade, Miguel, seu coração cresceu tanto que estou certo de que você está pronto para se tornar um Papai Noel. Você provavelmente notou que a maioria dos Papais Noeis que você vê são pessoas vestidas como ele. Alguns de seus amigos já devem ter lhe contato que Papai Noel não existe. Muitas crianças pensam isso porque elas ainda não estão preparadas para ser um Papai Noel. Mas você está.
Papai Noel é qualquer pessoa que queira ajudar, qualquer pessoa que faça o bem, que divida o que tem com outra pessoa. Pode ser um copo de água, um prato de comida, um carinho, um sorriso. Todos podemos ser Papai Noel, é só querer. Muitos demoram mais tempo para ficar prontos, alguns nunca ficam prontos e preferem acreditar que Papai Noel não existe. 
Eu reparei que você está pronto! Não precisa mais tanto de mim porque de hoje em diante será também um Papai Noel. Tive certeza disso quando você esteve com sua mãe naquela festa, ajudando aquelas crianças que não tem brinquedos e coisas gostosas para comer em suas casas. Você deu picolé para elas, brincou, sorriu, teve paciência e ajudou a entregar os presentes. Vi que você está pronto quando conversou com a Katia querendo saber de seus problemas e tentando encontrar uma solução. Sem dúvida, você está preparado para ser um Papai Noel, assim como seu pai e sua mãe também são.
Por isso, a partir de hoje, você sabe que eu existo. E que tenho muitos amigos que também são Papai Noel espalhados pelo mundo inteiro. Você também é Papai Noel e tem uma missão secreta que não deve contar a ninguém, somente para seu pai e sua mãe. Todas as vezes que você encontrar alguém precisando de alguma coisa e notar que você pode ajudar, ajude. Essa é a tarefa do Papai Noel. Você não pode fazer mais que suas possibilidades, mas pode contar com a ajuda de seu pai e sua mãe para ajudar quem você quiser e achar que precisa de ajuda, está bem? Continue assim e eu continuarei a lhe trazer seu presente todo final de ano. Você merece! Boa sorte com seu novo trabalho como Papai Noel! E lembre-se sempre: fazer o bem e dar amor só traz ainda mais bondade e amor para nossa vida.
Lembre-se: tenha paciência porque logo, logo seu presente chegará!
Com amor,


Papai Noel. 

terça-feira, 10 de maio de 2016

7 anos




Miguel, hoje é seu sétimo aniversário. Não consigo evitar me emocionar nesse dia tão importante pra mim. Na verdade, um dividor de águas na minha vida porque seu nascimento separou a Paula de antes do Miguel da Paula de depois do Miguel. 

Então vou falar de mim, das mudanças que sua presença em minha vida operou. 

Você virou tudo de cabeça pra baixo e confesso que quase enlouqueci. Foram 3 anos sem dormir uma noite inteira porque você sempre foi bom de boca e acordava pra mamar. Eu não tinha mais tempo pra mim, eu só tinha olhos pra você e sentia falta da minha vida livre e descompromissada de antes de você. Tudo parecia muito pesado, a rotina extenuante. Eu que sempre devorei livros, passei quase dois anos inteiros sem ler nada. Pra algumas mulheres é fácil, filho. Pra mim, foi bem complicado. 

Mas a mágica da maternidade começou a atuar na minha existência. De pouquinho em pouquinho, me descobri uma mulher diferente, com meu coração e olhos ligados em você. Cheia de interesses diversos dos seus, mas com um amor capaz de me fazer abrir mão de muita coisa pra estar perto de você e pra ver você feliz. Hoje sou uma Paula muito chorona, uma Paula cada vez mais ciente de minhas limitações e com muita vontade de superá-las porque você existe. Eu quero ser melhor pra poder deixar você livre, quero ser melhor pra poder deixar você voar sabendo que seu ninho sempre estará guardado no quentinho do meu colo. 

Ontem, quando você cismou que queria comer sonho e eu dei um jeito de achar o tal do sonho pra você, feliz por ver você feliz se lambuzando de doce de leite, lhe disse:

- Essa sua mãe sempre dá um jeitinho de fazer você feliz, né, Guel?

Muito pé no chão, muito maduro, me deu aula na resposta, como está virando costume:

- Sim, mãe. Mas, olha, nem sempre você consegue.... Mas eu sei que você sempre tenta me fazer feliz. Você sempre se esforça, você nunca desiste, mãe... 

Filho, uma vez desejei que você soubesse  que não sou a mulher maravilha, que sou humana e cheia de falhas. E você me mostrou que aos 7 anos já entendeu isso. Sou somente uma mulher que se tornou mãe ao seu lado e que se esforça arduamente em cada minuto do seu dia pra acertar. E é verdade, Miguel... Nem sempre consigo. Que maravilha saber que você sabe que eu tento, sempre e muito, com todas as minhas forças, fazer você feliz. 

Obrigada por esses 7 anos ao meu lado. Te amo mais que tudo. Você é minha vida, meu presente.

Feliz aniversário!!

Mamãe

sábado, 7 de maio de 2016

O mais importante



Essa nossa última viagem de férias foi uma grata surpresa. Recebemos tantos presentes do universo, foram tantos momentos felizes, divertidos e encantadores que fica difícil escolher um. Uma sequência de dias lindos que incluíram ver neve caindo e baleias pulando no mar da costa do Oregon enquanto tomávamos café da manhã. E o inesperado é sempre tão mágico, tão delicioso. Não dá pra esquecer.

No último dia de viagem estávamos jantando e foi inevitável que a conversa girasse em torno de tudo o que tínhamos tido a oportunidade de viver, de conhecer, de aprender durante nossas férias. Na conversa, houve um momento em que me lembrei desse video aí do post. Nele, pergunta-se a vários pais quem eles escolheriam para jantar se pudessem escolher qualquer pessoa, viva ou morta, para viverem esse momento de partilharem uma refeição. A mesma pergunta foi feita para os fihos desses adultos minutos depois. 

Lembrei do video porque em dado momento cada um de nós começou a pontuar seu momento preferido ou lugar preferido da viagem. Namorado disse que seu momento preferido foi ter conhecido a fábrica da Boeing em Seattle. Berenice disse que amou o Crater Lake National Park (que é mesmo de tirar o fôlego de qualquer um!) e eu disse que amei ser surpreendida pela baleia saltitante em sua rota de retorno depois do inverno em nosso café da manhã em Yachats. Aí chegou o momento do Miguel dizer o que mais havia gostado em toda a viagem. E aí meu bebê, aquele que outro dia ficava no meu colinho o dia inteiro, usando fraldinhas, dormindo em seu berço, falou assim:

- Nossa... Eu gostei de tudo, sabe, mãe? Nossa viagem foi linda. Mas o que eu mais gostei mesmo foi de ter passado todos esses dias juntinho com a minha família!

Eu, Namorado e Berê trocamos olhares emocionados. Todos preplexos com a pureza da resposta e sua grandiosidade. Eu chorei. A lágrima pulou do meu olho sem eu querer. E eu quero, de novo e de novo e de novo, agradecer a Deus por ter um filho como o Miguel. Alguém que me faz lembrar o que realmente é importante na vida. Como eu amo esse menino....