quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O mundo está do avesso



Eu sei que é até besteira, com tanta coisa mais importante acontecendo no mundo, eu parar por alguns minutos pra escrever sobre isso, mas do mesmo modo que o ser humano surpreende a gente com tantas atitudes bacanas, cheias de amor e preocupação com o próximo, o ser humano também nos decepciona com atitudes de preconceito e futilidade. 

Bom, eu amo moda, adoro acompanhar as tendências, gosto de saber o que cai bem em mim, no meu tipo de corpo, cores, tecido, caimento. A roupa que usamos não é tudo, mas não dá pra negar que passa uma mensagem sobre nós. Enfim, é um assunto que desperta me interesse e do qual não me canso. Muitos acham idiotice prestar atenção à isso, mas dou valor ao estudo e trabalho sério que muitos profissionais desempenham até a roupa chegar até às lojas e, depois, ao nosso guarda-roupas. 

E eis que ontem eu me deparo com o video da campanha de Natal da marca de calçados femininos AREZZO. Vi que a pessoa escolhida pra estrear a campanha foi a Anitta. Achei bem fofo o video, a música escolhida, as cores. As sandálias mostradas no video não são o tipo de sandália que gosto pra mim, mas combinou com o todo. Ok. Quando já ia mudar pra outra página e ver outra coisa, meus olhos bateram em alguns comentários feitos abaixo da publicação:

"Arezzo com Anitta é o fim. Péssimo gosto."
"Em tempos de crise, não deu pra contratar algo melhor"
"Arezzo acabou de assinar atestado de brega com esse clipe"
"Desvalorizou a marca."
"Arezzo caiu no meu conceito"
"Acabou com a imagem da empresa, corram meninas.. .Ainda temos a Carmen Steffens."
"O que essa cidadã tem a ver com a marca que sempre inspirou elegância, exclusividade e a segurança de uma mulher bem sucedida? Se for pra virar povão, bom saber que mudo de marca. Decepcionada."
"A marca ficou com cara de pobre"
"Depois de Juliana Paes, Giovana Antonelli e Fernanda Lima... Anitta. É o fim da picada."

Fiquei uns bons minutos olhando incrédula para os comentários. Não é que morra de amores pela Anitta, não iria a um show dela, mas tenho essa música nova na minha playlist (hahaha) e posso me acabar de dançar suas músicas em qualquer festinha, sim! A garota está aí, ganhando seu dinheiro honestamente. Se a gente não gosta das roupas pequenas que ela usa ou do jeito como dança, é outra história. É apenas a sua opinião. Mas o que faz Juliana Paes ser melhor pra qualquer marca que Anitta? Em um dos comentários a pessoa fala em "ser bem sucedida". O que é ser bem sucedida? Anitta não está feliz fazendo o que gosta? Assim como Juliana Paes, por exemplo? Outro comentário fala de "exclusividade". Jura que isso é importante? Pra quem? Quem foi que disse que Anitta não pode ser elegante? Será por que ela canta músicas populares? Será por que ela já disse que não liga pra marcas e que usa o que gostar independente se é Chanel ou Riachuelo? Achei tanto preconceito, uma babaquice sem fim. 

Eu e uma amiga do trabalho, a Larissa, brincamos sempre que o mundo só pode estar do avesso e ninguém avisou nada pra gente. Quer dizer que agora na hora de comprar o meu sapato eu não tenho só que observar se os sapatos em questão me agradam visualmente, se calçam bem meu pé feio com joanete, se ficam confortáveis, se posso pagar por eles e se valem o valor que estão pedindo. Agora eu tenho que me preocupar se a garota propaganda é alguém que inspira elegância e riqueza? Ah, me poupem! Desculpe a falsa de modéstia, mas eu posso estar usando shortinho e sandália rasteira e terei a mesma elegância se estivesse usando salto e vestido longo. Sabe por quê?

Eu me importo com meu semelhante. Eu trato a todos como eu gostaria de ser tratada. Eu tenho sempre um sorriso guardado pra dar pra alguém que esteja precisando de um. Eu dou bom dia pra pessoas que não conheço e que cruzam comigo na rua pela manhã. Eu sei dizer "por favor", "obrigada" e "me desculpe". Eu sei respeitar quem pensa diferente de mim. Eu sei dar valor a pequenos gestos. Eu acho que ser bem sucedido na vida não é, necessariamente, ter um pote cheio de dinheiro. Ser bem sucedido é fazer o que se ama e é viver bem, fazendo o bem. Eu ouço os problemas das pessoas e sei me colocar no lugar delas. Isso pra mim é elegância. Isso pra mim é saber viver e não importa onde você comprou seu sapato. Se você não sabe viver, será deselegante até com um Laboutin nos pés. 

Anitta, arrebentou na propaganda. Tá bonita. Tá bacana. 

O mundo está do avesso e esqueceram de me avisar. É isso. Só pode ser.  

sábado, 28 de novembro de 2015

Missão Cumprida, Liara!




No início desse ano eu sabia que teria pela frente um ano difícil pra mim. Ano de alfabetização do Miguel. Eu teria que lidar com minha ansiedade, com minhas expectativas, teria que equilibrar a vontade de ver meu filho progredir e a vontade de respeitar o seu tempo. Teria que entender que seria importante não me importar com o progresso de vizinhos, que se A já aprendeu a fazer isso ou aquilo, pouco importa porque o mais importante pra mim é como o Miguel está. Enfim, em fevereiro rezei muito pra que eu tivesse orientação e calma.

Fui atendida. Talvez não tenha tido a calma que achei que deveria ter em muitos momentos. Talvez tenha pressionado meu filho um pouco além do que pretendia. Mas tive ajuda pra respirar fundo quando achei que as coisas não dariam certo, tive amparo quando chorei achando que tinha feito escolhas erradas pro meu filho (Será que essa escola que eu tanto amo é a mais certa pra ele? Será que esse método de alfabetização vai funcionar com o meu filho? Será que não seria melhor um método mais tradicional? Será? Será?). 

A ajuda veio de vários lugares diferentes, de várias pessoas diferentes. O Namorado, sempre disposto a me escutar e a me resgatar de momentos de desespero quando achei que a coisa não ia dar certo. Minha mãe, por sempre me lembrar que essencial é ter calma. Minha irmã, por ser tão sincera e agressiva em suas convicções e, em sua agressividade, sempre me dizer se estou no meio de algum ataque de insanidade. Minha sogra, por me lembrar que Miguel é muito inteligente e que tudo se desenvolveria em seu tempo. Itallo, o Dido do Miguel, por cada abraço de confiança e amor dado no meu filho.Todos os meus amigos, por escutarem minhas histórias. E uma ajuda mais que especial e mais que bemvinda: a ajuda do anjo que Deus colocou pra alfabetizar meu filho e seus amigos. Uma ajuda chamada Liara. 

Eu realmente acredito que ser professor é pra poucos e bons. Ser professor não é profissão que se escolha, ser professor é chamado divino. E ser alfabetizador vai um pouco além. É como ser um herói. Sabe aquele herói dos filmes que aparece quando a pessoa está vivendo em um mundo escuro e sem muitas possibilidades e pega na mão dessa pessoa, a levanta - muitas vezes a carrega no colo - conduzindo-a pra um mundo colorido, cheio de luz, caminhos variados a serem escolhidos, estradas com um sem fim de flores e frutas? Esse herói é o professor da alfabetização. Que trabalho lindo, que vocação especial ... Quase magia. Deus colocou Liara pra ser essa heroína na minha vida, do Miguel e de todas as crianças da turma 18. Total admiração por essa mulher.

E não foi só isso. Liara sempre me escutou. Liara sempre esteve disposta a ouvir minhas dúvidas, meus medos. Muitas vezes cheguei na escola preocupada, despejei tudo em cima dela e saí de lá mais leve porque Liara acreditava no progresso do Miguel mais que eu mesma. Eu sei que alguns podem achar loucura eu dizer isso: que a professora acreditava mais no meu filho que eu. Mas é que tenho pavor de ser dessas mães iludidas, dessas que não sabem o filho que têm, dessas que batem do peito pra dizer "meu filho não mente", "meu filho não faz isso ou aquilo". Eu olho pro Miguel com um olhar crítico, procurando enxergar meu filho do jeito que ele é, sem as vendas que o amor muitas vezes coloca em nossos olhos. E a Liara nunca se desesperou ou se contaminou com minha desesperança. Ao contrário, sempre me ouviu e encorajou a continuar ao lado dele, incentivando de todas as maneiras possíveis. É óbvio que nunca nem passou pela minha cabeça desistir, porque se tem algo que procuro ensinar ao meu menino é a ser perseverante na busca de seus objetivos. E também porque sou mãe e mãe tem amor inesgotável, mãe nunca desiste de um filho. Mas nunca terei como agradecer a força e apoio que sempre recebi dessa professora quase mágica que Deus colocou no caminho do Miguel.

Eu amo meu filho do jeito que ele é. Sabendo que é adorável, charmoso, sedutor, alegre, engraçado, carinhoso, espirituoso, sagaz, sensível com uma inteligência emocional que poucas vezes reconheci em alguém, protetor. Amo meu filho sabendo também que não é santo, sabendo que gosta de conversar e de fazer bagunça, sabendo que faz o dever de casa com pressa, doido pra começar a pegar seus bonecos e ir brincar. Não, meu filho não lê o jornal aos domingos. Nem em dia nenhum. Na verdade, ele não quer nem saber disso. Apesar de eu comprar 500 gibis pro Miguel ficar sentadinho no quarto dele lendo, ele finge que ficou imensamente feliz quando dou as revistinhas de presente pra ele, lê duas páginas só pra me agradar e larga os gibis em algum canto. E ficariam nesse canto pra sempre caso eu não as colocasse dentro do armário. Enquanto o tão famoso "clic" da leitura pra alguns se deu logo no início do ano, outros em maio, junho, outros em agosto ou setembro, o despertar verdadeiro pra leitura, aquela hora em que notei que ele lia todas as placas e outdoors que encontrava por seu caminho, se deu agora em novembro. E quer saber? Liara é que estava certa. Ela sempre esteve certa. Que diferença isso faz pra vida do meu filho? Que diferença faz se ele aprendeu a ler com 4, 5, ou 6 anos? No que isso vai influenciar sua vida? No que isso vai fazer com que ele seja mais feliz daqui 20 anos? O importante é que ele lê! Miguel desvenda o mundo agora! 

Preciso confessar que aprender a ler não modificou meu filho brincalhão e malandrinho. Ele continua a não se interessar pelas revistinhas que compro e nem tanto pelos livrinhos de leitura da escola. Afinal de contas, ele continua sendo o mesmo Miguel de sempre. O meu Miguel. E o meu Miguel quer ler o que está escrito nos videogames dele. Ele quer ler tudo o que está escrito nos aviões onde viaja por aí. Ele quer ler o que está escrito nas legendas dos filmes inadequados pra sua idade. Ele quer pesquisar na internet e ler quando aquele filme de seu herói favorito vai ser lançado. Ele quer ler a letra da música que gosta de cantar. Hoje, Miguel é alfabetizado. Mais que isso, Miguel é um garoto letrado. Um menino que começa a ter senso crítico, questionador, com mente inquieta. E isso pra mim é ouro. 

Liara, eu nunca saberia como lhe agradecer. Nada que eu lhe compre fará jus a seu feito.  Nada que eu diga poderá significar minha gratidão. A imagem que ficará pra sempre gravada na minha alma e no meu coração é a que eu vivi hoje, quando você se dirigiu a mim com uma genuína alegria, com esse seu jeito animado e sempre cheia de vida, sorriso aberto, olhou dentro dos meus olhos, abriu os braços e me abraçou dizendo: "Viu, Paula? Nós conseguimos!! Nós conseguimos!!" 

Sim, Liara! E tenha a certeza que eu não teria conseguido sem você. Deus abençoe sua vida. E que você nunca se canse de realizar essa sua mágica porque muitas outras crianças com "um jeitinho Miguel de ser" ainda precisarão do apoio de suas mãos de super herói pra conduzí-las nessa viagem que é o 1º ano. Muito obrigada de todo o meu coração. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Ele me supreende




Taninha trabalha lá em casa há 12 anos. É tanto tempo e vivemos tanta coisa juntas que não sabemos mais onde começa a relação de trabalho e onde termina a relação familiar. Taninha é muito querida e amada por nós. Sempre foi extremamente participativa na criação do Miguel e, depois de mim e do Namorado, é ela quem mais tem entrada com ele. Dá banho, comida, conversa e brinca. Enfim, Miguel cresceu com ela ali em casa e ela sabe tanto de nós e nós dela que não consigo imaginar como vai ser quando Taninha não estiver mais ali.

Pois é. Esse dia vai chegar. Taninha disse que está com saudade da família na Bahia e que vai voltar pra junto dos seus. Vai com marido e filha encontrar o filho que lá já está e outros parentes. Está saudosa de suas raizes. Além disso, o marido perdeu o emprego e as coisas estão mais difíceis por aqui. Nós queremos muito o melhor pra ela. Mas receber a notícia foi como tomar um soco no estômago. 

Fiquei muito mal ontem. Uma mistura de dor da saudade com a nova rotina que terá que se instalar na minha casa, talvez com uma pessoa nova com quem não temos intimidade e que não sabe nada de nós, invadiu meu coração com força. E chorei. Não conseguia dormir. E ficava me perguntando como ela se acostumará a morar em um local tão sem recursos, com escolas  ruins, como dará uma vida melhor pra seus filhos, como ela vai trabalhar por lá? Será que ela está fazendo a coisa certa? Minha mente não parava, invadida por todos esses pensamentos e também de como será minha vida, a vida da minha mãe, sem ela. 

Alguém da família se mudaria pra longe e restaria a saudade e a certeza de que será muito raro estarmos juntos novamente. Uma sensação estranha, quase um desamparo. Uma sensação conhecida pra mim. Vivi exatamente a mesma coisa quando a Cleo que trabalhou na nossa casa por muitos anos resolveu voltar pro Maranhão. Quanto carinho por essa mulher que nunca mais vi. Ainda nos falamos algumas vezes ao telefone, mas o toque, o cheiro, a presença física, nunca mais. E acho que será assim com a Taninha também. Eu já conheço a história e a dor da saudade é só a antecipação do grande afastamento que está por vir. 

Miguel me viu chorando e perguntou o porquê de eu estar tão triste. Eu expliquei. E eu continuava chorando. Minhas lágrimas não paravam de cair. Aí meu filho que parece uma alma antiga e cheia de sabedoria, olhou bem nos meus olhos e falou:

- Mãe, vamos conversar sobre isso, beleza? Escuta o que vou lhe dizer.

Ok. Pensei em meio as lágrimas. Beleza.

- Você sabe, mãe, que chorar não vai adiantar nada, não é? Você toma as suas decisões pra sua vida. A Taninha toma as decisões pra vida dela. Se a Taninha decidiu que precisa parar de trabalhar e voltar pra casa dela na Bahia, ela é que escolhe. Entende, mãe: a escolha da Taninha é a escolha dela. E a sua escolha é sua. Não adianta chorar. 

Cara, eu faço terapia há quase 13 anos e meu filho já nasceu analisado. Do jeitinho infantil dele, cheio de carinhas e gestos, ele me disse exatamente o que é fato: eu não posso mudar as escolhas de ninguém e não devo ficar sofrendo se a escolha do outro não seria a minha. Como disse Miguel em outras palavras: não há nada que eu possa fazer. A escolha do outro não depende de mim. É pessoal e única e exclusivamente de responsabilidade do outro. Sequei minhas lágrimas. 

Hoje pela manhã, a caminho do curso de inglês, agradeci meu filho por ter me consolado no dia anterior, por ter conversado comigo e ter sido tão bacana. E ele me disse:

- Mãe, você chorou ontem, mas a gente é feliz. Hoje é um bom dia pra ser feliz, não é? 

Com vontade de chorar de novo por Deus ter me dado a dádiva de conviver com essa criança tão especial, tão meu amigo, tão cheio de sabedoria, respondi:

- Sim, meu gostosinho. Hoje também é um bom dia pra ser feliz. 

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Ciúme

Sentimento mais chato é esse tal de ciúme. É ruim para quem sente e ruim pra quem é alvo. Nunca fui ciumenta, nem de coisas materiais e nem de pessoas. Não que seja totalmente desprovida desse sentimento, isso não é verdade. Sinto ciúme, sim. Mas sinto ciúme quando tenho alguma situação concreta pra sentí-lo. Detesto controlar a vida dos outros com a mesma intensidade que detesto que controlem - ou tentem - controlar a minha. Não gosto de me sentir presa, podada. Não gosto de presenciar situações em que pessoas riem e abraçam amigos quando estão sozinhas e não se sentem confortáveis pra agir do mesmo modo quando estão com seus namorados ou maridos. Enfim, acho muito chato ter que dar satisfação de tudo o que faço ou deixo de fazer durante o dia e não peço satisfação ao Namorado também. Nós somos casados, mas não somos donos um do outro. Somos duas pessoas diferentes, com vida e interesses distintos, que se gostam. 

Por isso é que fico um pouco surpresa quando Miguel mostra um pouco de ciúme ou desconforto em certas situações vividas comigo. Outro dia eu tinha que ir até a escola dele por alguma razão que não lembro agora. Estava com roupa de ginástica ainda, mas estava conversando com ele que naquele dia entraria na escola pra resolver o que tinha que fazer lá. Ele estava me olhando muito sério e falou: "mas não vai com essa roupa de malhar, né?" Lógico que eu não iria até a escola com roupa de academia, não acho legal, não me sinto bem nem acho apropriado. Estranhei a frase dele mas deixei pra lá. Nessas férias, estávamos a noite em um bar na rua, no centro de Curaçao, com música ao vivo e levantei pra dançar. Hugo não foi dançar comigo mas estava lá, por perto, todo feliz. Ele não se importa mesmo. Acho até que fica contente por me ver contente. 

Voltei pra perto do Namorado e do Miguel e encontrei meu filho com a cara fechada, como se estivesse zangado. Perguntei a ele o que tinha acontecido e ele me disse que não gostou "nem um pouco" de eu ter ido dançar sozinha! E ainda repetiu: "não gostei mesmo, nem um pouco disso". Hugo riu e falou pra ele que estava sendo bobo e que eu era livre pra fazer o que me fizesse bem. Ainda disse que ele não tinha motivo nenhum pra ficar chateado. Enfim, estamos tentando que nosso filho não leve esse comportamento idiota pra frente.

Bom, estou vendo desde já que Miguel tem essa tendência a ser controlador. Pode ser que isso passe e seja apenas uma fase. Mas vou ficar atenta. Seria um sofrimento pra ele e pra quem estivesse por perto conviver com esse sentimento de ciúme que ainda se mistura com posse. Terrível. Muitas pessoas acham que podem medir o nível de amor que o parceiro sente de acordo com o tanto de ciúme que ele ou ela mostra. Nossa... Duas coisas tão dissonantes pra mim. Muitas vezes escuto pessoas dizerem: "Olha, mas ele morre de ciúme de mim!" como se isso indicasse o quanto são amadas. Tenho vontade de rir por ver tanta inocência na minha frente. Ciúme nunca foi e nunca será sinal de amor. É sinal de insegurança, de imaturidade. Em alguns momentos, sinto ciúme. Sou humana e se pegar o Namorado olhando muito pra uma outra mulher, ficarei enciumada. E falo "olhando muito" porque também acho natural que ele olhe pra mulheres bonitas. O belo atrai. O belo é gostoso de se admirar. Então se por nós cruza uma mulher bonita e Hugo lança um olhar pra ela, dá aquela conferida com o canto do olho, acho normal. Não vou gostar é que ele vire o pescoço pra olhar mais. Aí ficarei triste. Nem sei se de ciúme ou se pela falta de respeito.

Tem gente que acha que quando estamos comprometidos (namorando ou casados) é como se isso excluísse qualquer possibilidade de acharmos outras pessoas interessantes. Só que pessoas charmosas, atraentes, belas, tesudas, inteligentes e cheirosas vão cruzar nossa vida o tempo todo. Elas estão aí, passam ao nosso lado e acho normal, sim, que pessoas assim atraiam nossa atenção, nosso olhar. Isso acontece comigo. E, é óbvio, acontece com o Namorado. Ele está casado mas não está cego. E o fato de ele achar outra mulher linda, atraente, charmosa, não quer dizer que ele vai transar com ela. 

O mundo já está muito louco pra gente ficar dando espaço pra sentimentos desnecessários. É preciso que sejamos racionais e que busquemos tranquilidade pra vida da gente. Poxa, sente muito ciúme? É bom analisar se é porque você é doente mesmo e precisa de tratamento, se você não confia no seu taco, tem a autoestime baixa, se o outro não lhe dá segurança e faz com que você seja inseguro ou se é tudo isso junto né? Tem relacionamentos que só sobrevivem porque um alimenta a doença do outro. 

Já estive em relacionamentos com muito ciúme e foram um inferno. Ciúme tem o dom de estragar o entorno de onde chega. Meu pensamento é: ninguém está ao meu lado amarrado. Ninguém está com uma faca no peito que o obrigue a ficar comigo. Se alguém está comigo é porque quer, se sente bem, gosta da minha companhia, do sexo, de como a vida fica boa quando estou nela. E o contrário também. Portanto, se for a hora de quem está ao meu lado achar que não vale mais a pena, não há NADA que eu possa fazer pra mudar isso. E não adianta nada sofrer antecipando algo ruim. Eu prefiro deixar meu coração livre pra viver outros sentimentos que me fazem mais feliz agora, não fico dando espaço pra ciúme besta. Eu não sou dona do Hugo. E se ele mudar de ideia com relação a nós dois, só posso sofrer e chorar. Chorar mais um pouco. Ficar arrasada por um tempo. Um bom tempo, talvez. Depois levantar minha cabeça e ficar pronta pra próxima. E vou amar de novo se for o caso. E de novo sem ciúme. Porque cada estória é uma estória e cada recomeço merece uma chance real.

A vida é muito curta pra viver atormentada por algo que não depende só da gente. 

A vida é muito curta pra gente deixar de viver o amor e ser feliz com quem se ama. 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Casamento



Amo casamentos. E desde que casei, vivo querendo casar de novo. Sim, com o mesmo marido. Muitas vezes já pensamos em renovar os votos e juntar todo mundo que estava no primeiro casório há 11 anos, depois o lado romântico é deixado de lado e o financeiro fala mais alto. Casar é caro. 

Quando algumas pessoas conversam comigo se questionando se devem guardar o dinheiro pra viajar ou comprar um imóvel e não gastar tudo em uma festa de casamento, eu compreendo perfeitamente o questionamento. E acho que elas tem muita razão em pensar assim. Só que o dia do casamento é tão mágico, tão feliz, que não posso nem imaginar não ter gasto o dinheiro que gastei pra fazer meu casamento, do jeitinho que eu queria, dentro da minha realidade, é claro. Eu sempre acho que a celebração vale a pena. Amo festa, fazer o quê?

Eu e Namorado entramos juntos na onda de fazermos o melhor casamento que a gente pudesse, dentro daquilo que nossas possibilidades da época permitissem. Fizemos festa pra 400 pessoas, no lugar que eu escolhi e com o qual sonhava, com o padre que eu queria, com as músicas escolhidas por nós e com a nossa cara, com o fotógrafo com quem nos identificamos - e que foi um presente que entrou pra nossas vidas, rodeados dos amigos que selecionamos pra testemunharem esse momento importante pra gente. Dançamos a festa inteira e não perdemos tempo, o tempo era pouco pra gente ser feliz. Nós queríamos viver o ritual. Queríamos marcar esse momento de nossas vidas. Viajamos em lua de mel com POUQUÍSSIMO dinheiro no bolso, mas o coração cheio de felicidade. 

Quando falo pras pessoas que a energia do dia 16 de abril de 2005 nos alimenta até hoje, muitos dão risada. E eu sei que a mesma fórmula não funciona pra todos. Só que eu casei com a certeza de que queríamos muito que fosse pra sempre. O Namorado também. Pode até não durar pra sempre, mas no dia do casamento os noivos tem que ter certeza de que querem que seja pra sempre. Foi assim com a gente.

Gosto de festas e, em especial, as de casamento porque quando a gente está feliz, é bom demais dividir com quem a gente gosta. Uns não gostam de dividir nada, nem tristeza e nem felicidade. Eu já acho que felicidade compartilhada se multiplica. E tristeza compartilhada diminui. Enfim, foi com esse pensamento que nos casamos e mesmo que dissessem que era uma desperdício de dinheiro e que dessem mil outras formas de gastar o que gastamos com coisas mais "duráveis" ou "rentáveis", nada nos demoveria da ideia do casamento com festa. Tudo é muito relativo nessa vida né? Eu acho que aquela noite de 16 de abril dura até hoje. Ela nos abastece, ela dá impulso todas as vezes em que a vida está pesada. Aquele sábado de abril de 2005 é até hoje um dos lugares onde encontramos uma energia que não pára de render pro nosso relacionamento. Foram momentos inesquecíveis pra nós dois e em cima deles e do nosso sentimento é que estamos construindo tudo o que somos desde então. 

Sim, eu casaria de novo. Sim, eu faria uma festa. Eu me vestiria de noiva novamente. De branco com rendas e brilhos. Sim! Sim! Sim! Ou casaria em uma praia pra fazer diferente, com o sol se pondo no céu e o vento embaraçando meus cabelos. Do jeitinho que seria o casamento que estava prestes a acontecer em Aruba, na praia, pertinho do mar, enquanto estávamos lá. Como olhar essa foto e não querer casar de novo? No dia em que tiramos essa foto do post, eu e Namorado conversamos muito sobre toda essa história de casamento. Lembramos de tudo o que fizemos pra realizar nossa festa, das contas bancárias limpinhas, sem nenhum tostão pra contar a estória, mas lembramos também de todos os presentes que ganhamos, de todo o carinho, de cada abraço e voto de felicidade. Lembramos do nosso amor, um amor lá em seu início e que ainda viveria tanta coisa. Juntos. Tudo isso está sendo pra sempre. E esperamos que assim continue. 

Olhando a praia sendo arrumada pra mais um casamento ao pôr do sol, eu pedi o Namorado em casamento. E ele disse SIM! Que bom saber que mesmo depois de 11 anos, eu ainda seria sua escolha. Ele continua sendo a minha. 


terça-feira, 13 de outubro de 2015

Benção

Tem uma cena que vejo, seja onde for: novela, filme ou qualquer programa sobre maternidade, que me faz feliz e triste ao mesmo tempo. Sabe quando o bebê nasce e o pai leva o filho até aquele vidro do berçário pra toda família conhecer seu novo membro? Pois é. Eu choro. 

Eu choro de felicidade por aquela família que está tendo a chance de viver essa emoção. Choro porque é muito lindo assistir a chegada de uma nova pessoa no mundo, alguém esperado, desejado e que nasceu com saúde. Mas não posso deixar de admitir que choro por mim também. Por alguns poucos minutos, entro em um processo de autopiedade e choro mesmo. Choro por não ter vivido isso com o Miguel, choro pela angústia que me invade quando lembro do nascimento dele de forma tão inesperada, tão antes do tempo. Choro porque não pude mostrar meu filho pra ninguém quando ele nasceu porque ele foi direto pra UTI neonatal. E choro porque saí do hospital sem carregar meu filho comigo.





Depois de me dar o direito de chorar, olho pro meu filho hoje e paro. As coisas são do jeito que devem ser. Eu precisava de tudo o que vivi, com certeza. Deus sabia que seria um importante aprendizado pra mim e me deu a chance de começar a valorizar a maternidade naqueles dias de angústia em que vi meu filho na UTI, lutando pra se fortalecer. Naqueles dias em que passei horas no lactário tentando arrancar dos meus peitos algum leite pra ele. Naqueles dias em que passei dentro da UTI com meu filho observando o sobe e desce de seu peito, um sobe e desce cheio de esforço, pra se manter comigo. Naqueles dias em que ver o Miguel sugar 10 ml em 45 minutos era uma vitória enorme. Naqueles dias em que tínhamos medo que o telefone tocasse durante a noite porque poderia ser alguma notícia ruim. Naqueles dias em que acordávamos bem cedo e a primeira coisa que fazíamos era ligar pro hospital, tremendo por dentro, pra saber como o Miguel estava. A cada sonda retirada, a cada movimento mais firme, a cada mamada mais forte e rápida, a cada grama que ganhava, a cada respiração sem tanto esforço, a cada aparelho sendo desligado, eu o amei mais. Eu senti a presença de Deus. Eu tornei-me mãe em meio ao meu sofrimento, meu e o de tantas outras mães.  

Por isso tudo é que quando vejo cenas assim ou reportagens como a do Fantástico, sobre bebês prematuros, de domingo passado, eu choro. É que isso me leva de volta àqueles dias e a todas as emoções que senti. Tanto amor e tanta dor e medo, tudo misturado. Na reportagem, eles estavam mostrando um trabalho muito lindo de um fotógrafo registrando a criança quando nasceu prematura e como está hoje. E enquanto eu assistia, foi passando esse filme todo pela minha cabeça. Foi passando tudo o que eu e o Hugo vivemos juntos, sempre de mãos dadas, nos tornando mais fortes a cada vitória do nosso bebê. Naquele domingo, com a televisão ligada, recebi uma mensagem de uma amiga querida que acompanhou meu desespero naqueles dias de UTI, assim como as demais pessoas que viveram minha gestação junto comigo sempre me dando incentivo e força. Ana Maria Sales escreveu assim:

"Estou vendo a reportagem do Fantástico sobre crianças prematuras vencedoras e outras que ainda não conseguiram e lembrei de você, de sua luta e o quanto você foi abençoada com esse menino lindo, saudável, que faz vocês tão felizes. Lembrei de você, mulher vitoriosa e fiquei feliz por isso. Bençãos divinas."

Através da Sales, percebi o que meu coração já sabia: que sou abençoada por ter vivido o que vivi. Hoje, aquele pequenininho que nasceu antes do tempo, com 32 semanas e 6 dias, sem respirar direito, é um menino lindo, forte, alegre, gentil, carinhoso. Miguel é inquieto, é vivo e é minha paz. É sensível, solidário, nunca está alheio ao mundo, ao sentimento do próximo. É cheio de saúde, raramente fica gripadinho! Meu filho é um touro! Olhar pra ele hoje faz com que eu agradeça a Deus por sua vida e pela oportunidade de ser sua mãe. Olhar pro Miguel me faz agradecer a Deus pela oportunidade de ter sido eu a escolhida pra viver tudo o que vivi com ele. 

Você está certíssima, Sales... Bençãos divinas!!





sábado, 10 de outubro de 2015

Curaçao




 


Chegar em Curaçao não foi tão fácil porque eu estava deixando Aruba pra trás. Como se apaixonar se você ainda está apaixonado? Aruba dificultou muito as coisas pra ilha seguinte. Muito mesmo. Mas não dá pra dizer que é ruim sair de um paraíso e chegar em outro né? É até pecado!

Colocando meu coração de lado, não dá pra ser injusto com Curaçao. Qualquer pessoa em sã consciência cai de amores por essa ilha em questão de segundos. O povo é muito simpático e, meu Deus, as praias são maravilhosas também! Só que é uma ilha bem maior e muitas vezes é necessário gastar um pouco mais de tempo pra chegar naquela praia que você quer visitar. Por isso, se em Aruba você ainda fica em dúvida se vai alugar um carro ou não, nem pense em ficar na dependência de taxi ou ônibus em Curaçao. As distâncias são maiores e não vale o custo. O carro nos deu a liberdade que queríamos. Dificilmente se consegue um GPS, mas fomos na base do mapinha mesmo e deu tudo certo. Curaçao parece mais selvagem também. É mais simples, mais rústico.




O cartão postal de Curaçao são aquelas casinhas coloridas que ficam no centro. É muito bonitinho mesmo, mas é só isso. Perto do pôr do sol, as únicas coisas que ficam abertas são alguns poucos restaurantes. As lojas são de rua e feias e as ruas onde elas ficam pareceram bem perigosas conforme a noite foi chegando. Fica tudo muito deserto e escuro. Vale sentar em um dos bares e assistir o pôr do sol, justamente onde chegam os navios dos cruzeiros. Dali dá pra ver as casinhas coloridas sendo iluminadas e é bem bonito mesmo. Nós deixamos o carro estacionado um pouquinho afastado, perto do mercado de peixes e deu medo na hora de voltar porque, apesar de não ser tarde - deviam ser umas 8 e meia - estava tudo muito vazio ao redor e muito pouco iluminado.




Mas o melhor de Curaçao são as praias e se Aruba é azul céu, Curaçao é turquesa. Uma coisa de louco! Adotamos o mesmo esquema de Aruba: escolhemos as praias consideradas as melhores e mais bonitas e aproveitamos os nossos dias. Nossas escolhidas fora Kenepa Grandi ou Playa Abao, Cas Abao Beach e Playa Porto Mari. Todas lindas de cair o queixo e de fazer a pessoa não querer sair dali nunca mais. De novo, como em Aruba, são praias sem estrutura com a diferença que algumas são praias pagas (3 dólares por pessoa). Não é nada absurdo, mas não dá pra se iludir: se você paga e pensa que terá aquela estrutura bacana, está redondamente enganado. Mas, quem se importa? Com tanta beleza, com tanto azul ao redor, a gente deixa essas besteiras pra lá e corre em direção às águas frescas e cristalinas sem medo de ser feliz.






Fico pensando em razões pra eu ter gostado mais de Aruba que de Curaçao... Aí começo a buscar razões em umas coisas bobas como o fato de as praias de Aruba serem de areia branquinha e fina e as de Curaçao terem a areia um pouco mais grossa e com seixos no fundo do mar. Será que foi a falta de vento que me fez sentir mais calor? Enfim, posso pensar em outras mil coisas idiotas e nenhuma delas fará sentido porque Curaçao é lindo, exuberante. É um lugar delicioso, inesquecível.








quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Aruba










Eu não esperava muito de Aruba. Por alguns motivos. Acho que o primeiro motivo é ter alguns amigos que foram pra lá e que só me falavam do vento que não dá trégua. Outra razão é ter alguns outros amigos que conheceram Aruba e Curaçao, inevitavelmente fizeram uma comparação entre os dois lugares, e concluiram que Curaçao é mais bonito. Daí, eu fiz o roteiro de viagem e deixei pra visitar Curaçao depois de Aruba no melhor estilo "the best is yet to come". E acho que o último motivo de eu achar que Aruba não seria nada demais é um preconceito idiota com esse país já que, das três ilhas chamadas ilhas ABC do Caribe (Aruba, Bonaire e Curaçao), Aruba é a mais conhecida e visitada. Daí que você espera que o desconhecido seja sempre mais interessante que o que é mais conhecido e popular e isso é uma bobagem sem fim que, muitas vezes, a gente leva pra nossa vida diária. Essa coisa de amar o mistério do desconhecido e deixar em segundo plano o que é mais confortável por ser mais conhecido é uma bobeira. Enfim, isso é assunto pra outra hora.

Fato é que cheguei em Aruba muito despretensiosamente, como se Aruba fosse um aquecimento pra enfrentar a beleza de Curaçao. E aí eu caí de amores loucamente. Aruba me ganhou de um jeito absurdo, totalmente inesperado pra mim. A ilha é pequena, mas embora muitos dissessem que não havia necessidade de alugar um carro, foi a melhor coisa que fizemos. O carro nos deu liberdade pra conhecer as praias mais distantes e ficar o tempo que queríamos. Decidimos passar pela maior quantidade de praias possível, mas escolher uma praia por dia pra ficar e aproveitar. Definitivamente, a gente não queria enfiar o pé na areia, tirar foto, dar um mergulho e entrar no carro de novo seguindo pra praia seguinte só pra dizer que mergulhamos em todas as praias da ilha. Por isso, escolhemos as praias que julgamos imperdíveis e mais encantadoras, mas tínhamos a consciência de que qualquer praia que escolhêssemos estaria bem escolhido. A ilha toda é linda e cheia de praias maravilhosas, de águas tranquilas e claras feito um cristal azul. A temperatura da água é incrível! Não é morna como a temperatura das nossas praias nordestinas e nem gelada como as daqui do Rio. A água é fresca. A gente entra, já se sente livre do calor mas tem vontade de ficar pra sempre, porque a temperatura é sempre um convite.

A praia da área onde ficam os hotéis é Palm Beach. Se você não estiver a fim de conhecer a ilha e quiser só ficar por ali, curtindo a mordomia do hotel, estará muito bem parado porque Palm Beach é uma das melhores praias da ilha. Nosso último mergulho do dia era sempre nessa praia, quando voltávamos pro hotel. Durante os dias que estivemos em Aruba, escolhemos aproveitar Arashi Beach, Malmok Beach, Eagle Beach e Baby Beach. Todas inacreditavelmente lindas e tranquilas, com uma água azul de céu claro. São praias de areias brancas e finas, o que eu amo!

Miguel aproveitou muito e esse é um destino excelente pra ir com crianças, apesar de a maioria das praias não ter muita estrutura (banheiros, venda de água, cadeiras pra alugar). A gente ia preparado pra isso, carregávamos nossas cangas e toalhas e vimos muitas pessoas chegarem nas praias com seu isopor com cerveja, água e refrigerante normalmente e passamos a fazer isso depois! Aruba me arrebatou e a impressão que tenho é que meu corpo saiu de lá, passou por Curaçao, foi pra Orlando e retornou ao Brasil, mas meu coração.... Nossa! Acho que o deixei por lá!

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Isso não tem graça

Miguel adora filmes e programas bobos, desses que homens dão gargalhadas e mulheres acham um besteirol que só. O Namorado adora apresentar pra ele os filmes que ele chama de "clássicos" dos anos 80, tipo "Curtindo a vida adoidado", "Os Goonies", "Apertem os cintos... O Piloto sumiu!", fora "De Volta pro Futuro", "Indiana Jones"... Enfim, Miguel gosta muito de filmes e ri muito quando os assiste com o pai. 

Ontem ao chegarmos na casa da vó Berê, ele pediu pra assistir o filme do Hassun, "O candidato Honesto" e estava rindo bastante. Lá no final do filme, há uma cena em que o candidato está dirigindo um ônibus pra tentar chegar ao debate final antes das eleições presidenciais quando uma senhorinha faz sinal pra entrar no ônibus e ele pára para que a nova passageira embarque. Só que então inicia-se uma perseguição e o ônibus ganha alta velocidade e começa a fazer manobras arriscadas. Nessa hora, a senhorinha que estava sentada na parte de trás do ônibus cai no chão e a cada manobra a velhinha vai de um lado pro outro, batendo nas laterais do veículo, virando cambalhotas, enquanto as frutas que carregava se espalham pelo chão. Todos estávamos rindo da situação e olhei pra cara do Miguel pra rirmos juntos. 

Ao olhar pra cara do meu filho, notei que ele estava muito sério, triste até. Miguel me disse que não queria ver essa parte do filme e escondeu o rosto atrás de mim, voltando a prestar atenção ao filme apenas quando a velhinha parou de ser jogada de um lado pro outro no chão do ônibus em movimento. Entendi que ele não gostou do que estava acontecendo com a senhora. Ele estava sentindo-se incomodado com aquela situação. Mas não quis me falar, não quis me dizer que estava chateado com a situação da senhora e que, por isso, ficou com a carinha amuada. 

Miguel é um garoto muito protetor. Quando estou no shopping com o Namorado, ele e minha mãe, por exemplo, ele sempre se preocupa se minha mãe não está acompanhando nosso ritmo. Muito frequentemente, pede que eu pare pra esperar a avó e não raro volta pra dar a mão à minha mãe e, assim, andar junto a ela. Outro dia, quando chegamos ao consultório do pediatra e estávamos esperando o elevador, ele virou-se pra mim e disse:

- Mãe, não fica pertinho da porta do elevador porque alguém pode abrir e bater com a porta em você!

Quando estamos andando na calçada de mãos dadas e eu estou mais próxima do meio -fio, meu filho me fala:

- Mãe, você está muito perto da rua, pode ser perigoso!

Voltando de uma festa há uns meses, estávamos somente eu e ele no carro quando uma chuva muito forte caiu. Eu fiquei tensa e parei de conversar com ele, como é nosso costume, pra concentrar toda a minha atenção no caminho que estava fazendo. Aí, senti a mãozinha dele no meu ombro e ouvi sua voz:

- Mãe, não fica nervosa. Pode se acalmar, porque vai dar tudo certo. Vamos chegar em casa direitinho. Nossos guias espirituais estão com a gente. Mas se acontecer alguma coisa no caminho, pode ficar tranquila que logo vamos encontrar alguém pra ajudar a gente, tá bom?

Enfim, tudo o que falo pra ele, desde pequenino, ele repete pra mim, sempre me protegendo ou protegendo quem estiver ao lado. 

Hoje na hora do almoço, ele voltou a tocar no assunto do filme. Ele tomou a iniciativa de falar:

- Mãe, você sabe porque ontem eu fiquei chateado na casa da vó Berê, não sabe?

E eu respondi:

- Sim, filho. Foi por causa da velhinha do filme, não é?

Miguel prosseguiu:

- Sim, mãe. Aquilo não tem graça. É triste. 

De alguma forma, ele conectou-se com aquela senhora de corpo frágil que não conseguia se segurar nas grades do ônibus. Talvez porque tenha a avó muito perto com dificuldades pra andar, talvez porque saiba que pessoas mais velhas precisam de ajuda e ninguém parecia se importar com o que estava acontecendo com aquela senhora, sendo jogada de um lado pro outro sem conseguir por-se de pé. 

Há pouco tempo uma amiga me disse que achava Miguel muito maduro e eu disse que não, que ele era muito bobo. Na verdade, não posso esquecer que ele é apenas um menino de 6 anos e, obviamente,  como um garoto normal de 6 anos, tem suas bobeiras, é muito preso ao lúdico ainda, às fantasias, ama brincar, ainda se esconde de nós e pede que o procuremos em casa, mas emocionalmente, de fato, ele me surpreende. Talvez minha amiga Ana tenha razão...  Porque, na verdade, Miguel está certo: uma senhora caída sem conseguir levantar-se em um ônibus em movimento, não tem, mesmo, a menor graça. 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Qual o seu limite?






O mundo está muito competitivo. A todo instante queremos ser os melhores em alguma coisa, queremos ser os mais rápidos, mais espertos, mais fortes, mais bonitos. Todo mundo é medido quase o tempo todo e a régua que mede tudo isso é a régua de quem se propõe a medir. Nunca é uma medida feita por nós mesmos, sempre é o outro que serve como referência. E isso não está muito certo.

Sempre fui uma pessoa chamada de competitiva. Durante um tempo meus amigos do trabalho me chamavam de "Monica Geller" (personagem do seriado Friends que nunca aceitava perder). E eu aceito que sou, sim, competitiva, mas não no sentido de ter que ganhar de você ou de qualquer outra pessoa. Sou competitiva porque tenho que fazer o meu melhor SEMPRE. Eu não gosto de deixar tarefas inacabadas, não gosto de não me dedicar integralmente ao que faço ou falar: "ah, não está excelente, mas dá pro gasto." Minha competição é comigo mesma, minha competição é pra não deixar fios soltos, é pra chegar ao final da jornada sabendo que dei o meu melhor. Não posso dizer que não me importo se não cruzar a linha de chegada em primeiro lugar, porque me importo. Mas isso não será o fim do mundo pra mim caso eu tenha dado o meu máximo. O fato de não conseguir o primeiro lugar, serve de estímulo, impulsiona, me move. Mas se eu não chegar em primeiro porque não dei tudo o que podia dar, aí a derrota é doída. Porque terei perdido pra mim mesma.

Aqui no trabalho tento estabelecer metas viáveis e não me interesso se a unidade A, B ou C tem um número X ou Y de alunos. Eu sei da minha realidade, eu sei do potencial do meu time e da capacidade da minha escola. Eu sei do que somos capazes e cobro empenho igual de todos. Meu time não tolera alguém que trabalha menos, que se doa pela metade. É entrar alguém preguiçoso e ser expulso pelo grupo em seguida. Preciso estar cercada de gente que queira aprender e ensinar, de gente que tenha brilho nos olhos e sede de vitória. Mesmo que ela não chegue, sempre nos restará a certeza e o orgulho de termos lutado. 

Tenho tentado passar isso pro Miguel também. Tenho tentado explicar pra ele que ele precisa dar o melhor de si, que não importa se fulano ou beltrano já conseguiu isso ou aquilo. O que importa é o esforço que está colocando pra se desenvolver e cumprir suas tarefas. E, então, hoje, por ter sido a primeira vez que Miguel nadou 50 metros na aula de natação, a professora resolveu pegar uma medalha e dar a ele. Foi muito bonitinho o gesto, Miguel ficou todo feliz, quis que eu tirasse uma foto "pra mandar pro meu papai". Só que enquanto caminhávamos para o carro, ele me perguntou:

- Mas, mãe... Eu ganhei de quem na competição pra Sheila me dar essa medalha?

E eu respondi:

- Miguel, a Sheila resolveu de presentear com essa medalha pra você saber que nadou muito bem hoje. Ela quis lhe dar a medalha pra marcar o dia em que você nadou sozinho 50 metros. Você não ganhou de outra pessoa, mas você ganhou de você mesmo. 

Miguel olhou pra mim com cara de dúvida. Eu aguardei a pergunta que eu sabia que viria em seguida.

- Mãe, como assim? Eu ganhei de mim mesmo?? 

Continuei:

- Sim, filho. Você não nadava nada quando começou a fazer aulas de natação, tinha medo até de entrar na piscina. Depois perdeu o medo. Começou a pular na piscina e aprender a nadar. Conseguiu nadar 25 metros e hoje nadou 50 metros! A cada dia você melhora mais um pouco e isso está acontecendo porque você tem se dedicado, se esforçado pra aprender. Logo você estará nadando mais metros e depois começará a contar o tempo em que percorre as distâncias. E vai querer nadar cada vez mais em um tempo mais curto. E isso, filho, é ganhar de você mesmo. E no final das contas, Miguel, é essa a medalha que mais importa.

No final, o maior limite é aquele que você mesmo se impõe.


“Se você quer ser bem sucedido, precisa ter dedicação total, buscar seu último limite e dar o melhor de si.”  (Ayrton Senna)


quarta-feira, 29 de julho de 2015

Mãe é coisa besta



Mãe é uma coisa besta mesmo. A gente pode falar mal do filho da gente, mas não suporta que ninguém mais fale. É uma coisa que mexe com nossas entranhas, que revira alguma coisa por dentro que nem sei explicar. Quando falam mal com razão, a gente até agradece por ter a chance de poder consertar o filho ou pelo menos tentar. Pra mim, a verdade é sempre bem vinda, sempre uma oportunidade de melhorar, por mais que doa. Mas quando falam mal sem razão, a coisa fica feia pra valer...

Mãe é uma coisa besta mesmo. Normalmente a gente é mais comedido em elogiar os filhos, não quer deixá-los metidos ou presunçosos, cautela é bom pra não criar filhos egocentrados e que se acham a última bolacha do pacote. Mas quando os outros elogiam seu filho, seja porque motivo for, alguma coisa linda acontece dentro da gente, revira alguma coisa por dentro que eu também não sei explicar e vem uma vontade louca de gritar pra todo mundo ouvir. A verdade é que ter filhos maravilhosos faz com que a gente se sinta maravilhosa, mesmo que eu saiba que isso é loucura.

Meu filho, graças a Deus e por enquanto - porque o futuro a Deus pertence - é mais elogiado que criticado, seja por seus atributos físicos, seja por seu comportamento ou educação. E isso é uma benção pra uma mãe que se empenha em criar filhos bacanas. É como uma brisa fresca que mostra que toda a sua chatice está valendo a pena.

Semana passada estávamos saindo de um restaurante e Miguel se adiantou. passando pela porta de saída antes de nós. Sentou em um banco que estava bem em frente a porta onde duas atendentes recepcionavam os clientes. Como eu vinha atrás e resolvi parar pouco antes da porta pra esperar o Namorado, minha mãe e minha sogra, as moças não perceberam que eu era a mãe do menino de quem estavam falando:

- Nossa, já reparou naquele menino? Como é charmoso!

A segunda moça completou:

- Sim! Ele é lindo! Tem um jeitinho de homem mesmo, olha como coloca as mãos no bolso... Um gato!

A primeira continuou:

- Os olhos puxadinhos dele são demais, amiga!! Ele é MUITO estiloso!

Ai, gente.... Eu vinha me aproximando e escutando e a cada passo que eu dava mais difícil ficava de conter meu sorriso de orelha a orelha.... Uma vontade louca de gritar pra todo mundo ouvir:

- Esse menino lindo é MEU FILHOOOOOOOOO!!!! É meu!!! Eu que fiz!! Com o maior amor!!! Meu, todo meu!!! ahahhahahahahaaaaaaa

Mãe é uma coisa besta mesmo.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Olhar o Céu



Desde que o blog nasceu nunca fiquei tanto tempo sem postar. Sei lá. Uma mistura de muito trabalho - muito trabalho mesmo - com preguiça. Falta de tempo é algo que existe sim, mas quem não sofre de falta de tempo hoje em dia? Acho que é quase o mal do século. Por isso, não acho que falta de tempo seja desculpa. É mesmo uma mistura de muito trabalho e uma preguiça estranha que me manteve longe daqui por quase 1 mês. E acho que certas coisas na vida são pra gente deixar como estão porque não adianta ficar forçando nada. Estava de saco cheio de me pressionar pra escrever alguma coisa e, simplesmente, não queria me sentir assim. Detesto que me pressionem, principalmente detesto que eu mesma me pressione. 

Daí ... Foi isso. Não dei às caras mesmo e não me senti mal. Agora voltei. Estou aqui. Com vontade de estar. E isso é o mais importante pra mim. Fazer as coisas que tenho vontade é maravilhoso. Já temos que fazer tantas coisas sem vontade na vida, não dá pra gente ainda se obrigar a fazer mais nada que não esteja a fim. Se não, fica feio, sem cor, sem graça. 

Levei Miguel ao teatro outro dia. Atrás do Miguel estava sentada uma menina muito chata, dessas que ficam chutando a cadeira da frente, puxando o encosto da cadeira e falando alto. Depois de muitos minutos aguentando as reclamações do Miguel que dizia que a menina era muito sem educação, resolvi olhar pra trás pra saber com quem estava aquela criança. Estava com a mãe. Só que a mãe não fazia a menor ideia do que estava acontecendo, nem a respeito do comportamento da filha e nem do que ocorria no palco do teatro. A mãe estava com a cara no celular, quase que abduzida pela rede social, alheia a tudo a seu redor, alheia à própria filha. Como se não bastasse, a mãe começou a tirar fotos (self) e a postar. Exatamente isso. Enquanto a peça rolava, a filha ria, ficava em pé em seu assento, gritava e a mãe continuava olhando para o celular. Não existia mais nada pra mulher, só o celular.

A vida rola enquanto olhamos o celular. A vida acontece enquanto estamos preocupados em tirar fotos e postá-las. Tudo o que é demais, é excesso, já dizia minha sábia avó. Não estou me tirando dessa lista de pessoas que gasta um tempo considerável de suas preciosas vidas com redes sociais. Isso é uma realidade. Mas sou uma das pessoas que começou a refletir o quanto isso está corrompendo relações, roubando nosso tempo do que importa de verdade. Ali, naquele teatro, o mais importante pra mim eram as carinhas do meu filho, suas reações, seus risos, sua alegria, seu espanto. Essas carinhas do Miguel com 6 anos assistindo "A Formiga e a Cigarra" não se repetirão. São únicas. Eu preciso viver isso. Eu preciso olhar todas elas, gravá-las em mim. Eu não vou olhar o celular. E se você pensa que seu filho não nota isso, está redondamente enganado.

Toda sexta-feira é meu dia de levar o Miguel pra natação. Muitas vezes estou na maior correria e levá-lo significa chegar mais tarde no trabalho e já começar o dia com tarefas acumuladas. Por isso, na maior parte desses dias, enquanto ele nada, eu faço ligações, adianto meu trabalho à distância como posso e já vou dando uma olhada nas minhas tarefas do dia. Enfim, ele nada e eu olho a agenda do celular. Ele nada e eu falo no grupo do Whatsapp do trabalho dando coordenadas. Ele nada e eu telefono pra pessoas com quem fiquei de falar no decorrer do dia. Aí, em determinado momento, numa dessas sextas, Miguel vira-se pra mim de dentro da piscina e grita:

- Mãeeeeeeeeee!!!! Olha pra mim!!! Estou nadando sozinho!! Você vai ficar só olhando pro celular??

Nossa. Gelei. Congelei debaixo de um sol de 35 graus.

Morri de vergonha. Sheila, a professora, riu. Não sei se pra mim ou de mim. Mas era um riso de cumplicidade com o Miguel, um riso de quem concorda com ele. Na mesma hora, guardei o celular. Meu filho está aprendendo a nadar. Que se ferrem as tarefas todas que tenho que fazer. Que se danem os milhões de telefonemas que tenho que dar. Ninguém vai morrer se eu sumir por 40 minutos. Esses 40 minutinhos deveriam ser só do Miguel. Eu não deveria aceitar dividir esse tempo com mais ninguém, com mais nada. Guardadas as devidas proporções, me senti um pouco como aquela mãe no teatro e fiquei com vergonha. 

Os filhos crescem e crescem rápido. Preciso aproveitar tudo. Não vou deixar escapar o momento. A vida é o que temos agora, enquanto digito essas palavras e você lê esse texto. Preciso largar o cel e olhar pro céu. 





quinta-feira, 25 de junho de 2015

Mais Dinossauro e Menos Princesa

Não consigo me imaginar sendo mãe de menina "menininha" mesmo, sabe? Talvez se fosse mãe de uma menina moleca, menos princesa, fosse estranhar menos. Eu que sempre fui uma garota que não gostava de brincar de bonecas e de casinha teria dificuldades, acredito. Paula brincando de panelinhas? Nem pensar! Está aí uma coisa que raramente foi presenciada, até mesmo pela minha irmã. Fica difícil entender esse universo feminino cheio de laços e frufrus, embora entenda todas as minhas amigas mães de meninas que se vêem encantadas ao viver a experiência de terem bonecas vivas que podem vestir e enfeitar. 

O universo masculino é muito diferente. O comportamento, o jeito de olhar pra cada situação, o humor, a força, a agressividade, a falta de delicadeza até pra fazer um carinho. Eu que venho de uma família de muitas mulheres e poucos homens, fico bebendo dessa energia e aprendendo com esse mundo novo pra mim. E, assim, me divirto horrores. 

Hoje de manhã, antes de eu sair pro trabalho, Miguel me chamou pra mostrar um video. Depois de uma overdose de Frozen em todos os lugares por onde se olha - mochilas, copos, camisetas, vestidos, música, 432 mil festas infantis com esse tema - dá pra imaginar que chega uma hora que enche o saco de qualquer cristão por melhor que o filme seja (e nesse caso é muito legal mesmo!). Então, quando Miguel me chamou e falou:

- Mãe, olha esse video... Depois de tanto "let it go" pra cá e tanto "lei it go" pra lá, você é menina mas também vai achar engraçado!!

Olha o que ele me mostrou:



Desculpe, gente... Morri de rir. Aliás, eu e ele. Rimos muito. Meu dia começou muito bem hoje! Um viva aos dinossauros!!! Viva o Jurassic World!!

quarta-feira, 17 de junho de 2015

História de Academia

Estamos vivendo em um mundo muito louco mesmo. Tão louco que eu penso que chegamos em um ponto que fica difícil de acreditar em certas situações, certas cenas que vemos diariamente. Do mesmo modo como convivo com pessoas tão maravilhosas, tão generosas, vejo perto de mim pessoas tão egoístas, tão centradas em si mesmas, como se o universo existisse por conta delas e de suas vontades. E a cada dia que passa fica mais difícil ver certas cenas sem indignação. Cada dia que passa fica mais difícil entender que não, com algumas pessoas, simplesmente, não adianta tentar conversar e mostrar um outro lado porque existe gente que só enxerga o que quer enxergar. A visão do outro não importa. A realidade do outro também não. 

Todo mundo é exposto todos os dias as mais variadas situações. Todo mundo vive diariamente experiências que enriquecem nossa vida, que trazem um aprendizado. Eu gosto de aprender e gosto de gente. Por isso sempre presto atenção ao que as pessoas têm a dizer. Gosto de ouvir histórias e gosto de achar que posso aprender com a experiência alheia. Por isso, o que o outro tem a dizer pode ser interessante pra mim. Nada que escuto é jogado fora imediantamente. Antes de decidir se alguma coisa que escutei presta ou não pra mim, pra minha vida, reflito. Tento analisar um lado que não tinha visto antes, entender porque nunca havia pensado de determinado modo e, algumas vezes, concluo que o que escutei não faz mesmo o menor sentido pra mim e descarto. Outras vezes, aprendo mais um pouco. 

Ontem durante minha aula de box, uma pessoa começou a contar sua experiência na aula de spinning do sábado anterior. Disse que durante a aula a música estava altíssima e que estava sentindo-se incomodada com o volume. Disse também que o tipo de música - eletrõnica - não estava de seu agrado e que estava ficando irritada. A pessoa disse que perguntou ao professor se ele poderia abaixar o volume e que o professor teria dito que não. Disse que perguntou ao professor se ele poderia mudar o tipo de música e que o professor teria dito que a aula dele já estava preparada com base naquelas músicas pré-selecionadas. Sendo assim, diante da atitude, segundo ela, "inflexível" do professor, ela decidiu abandonar a aula. Até aí, tudo bem. Se algo não a estava agradando e se ela já havia falado com o professor e ele não quis ou não podia mudar sua aula, melhor ir embora mesmo que ficar irritada. Só que ela não se contentou em ir embora simplesmente. 

Segundo a própria pessoa em questão, antes de ir embora da aula de spinning ela pensou "vou cagar na cabeça desse professor" (palavras dela). Aproximou-se do professor e disparou:

- Meu filho, vou embora. Não estou aguentando essa música chata. Sabe o que é? Eu acabei de voltar de Viena! Muitos dias escutando música clássica e ópera. Está muito radical essa mudança de estilo musical pra mim. Eu tenho bom gosto. Você nem sabe o que é isso. 

Depois de ter dito isso, virou as costas e foi embora. 

Sinceramente, pior que ter dito isso pro professor, foi ter contado pra todo mundo o que ela fez com tom de vitória, com risinho nos lábios como se isso a tornasse bem "espertinha", como se isso a deixasse "por cima" da situação. E eu fico enjoada escutando essas coisas. Poxa, logo de manhã cedo? Por essas e outras é que não gostaria de prestar atenção ao que certas pessoas dizem. Porque certas coisas não tem graça. O que ela contou rindo e se gabando, me causou incredulidade, uma falta de paciência e não é bom sentir-se assim. Fiquei com vontade falar um monte pra ela, dizer que ela devia ter vergonha de contar uma história dessas, que ela tem todo o direito de não gostar do volume ou das músicas escolhidas pelo professor, mas não tem o direito de ser esnobe e boba, deixando o rapaz em uma posição desfavorável até pra responder à altura, uma vez que ele é empregado da academia e uma discussão poderia até lhe custar o emprego. Mas achei melhor deixar pra lá e não me aborrecer. Tem gente que não está pronto pra ouvir umas verdades. Simplesmente, não está. 

Vida que segue. 

domingo, 14 de junho de 2015

Agradecimento de aniversário

Celebrar é algo que combina comigo. Acho a vida uma dádiva e tudo, tudo mesmo, merece comemoração. Conquistar algo, ganhar alguma coisa, fazer aniversário... Enfim, fui criada ouvindo minha mãe dizer "Em tudo dai graças" e aprendi que toda situação, até as que parecem péssimas aos nossos olhos, são situações necessárias pra nosso crescimento e devemos agradecer a oportunidade de aprendizado, por mais difícil que seja na hora. Por isso, fazer aniversário pra mim é motivo de festa, sim, de estar com quem gosto, de agradecer a Deus pelo maior presente que poderia ter me dado: minha existência. 

Todo o carinho que recebo nesse dia, seja daqueles que vieram até minha casa, daqueles que me telefonaram (coisa rara hoje em dia...), daqueles que tiraram um tempinho pra deixar uma mensagem pra mim, faz meu dia mais bonito e enche meu coração de amor. Fico com vontade de gritar a felicidade que sinto. Ainda mais quanto olho pro lado e vejo o tanto que tenho.

Ouvindo as pessoas e lendo as muitas mensagens que recebi hoje, duas coisas são como uma interseção em todas elas. A primeira é que "eu mereço" tudo de bom. Acredito que se colhe o que se planta, mas ninguém conhece o outro tão bem quanto a gente mesmo se conhece. E, sim, sei que tenho muitas qualidades e procuro sempre ajudar a quem está por perto, não sendo alheia ao que acontece à minha volta, mas tenho plena consciência, melhor que ninguém, dos meus muitos defeitos. Eu conheço meus pensamentos mais sombrios, minhas faltas. E por me conhecer tão bem é que não sei se esse "eu mereço tudo de bom" se enquadra tão bem pra mim... Tenho muito, muito mais que mereço e tenho muito, muito mais que preciso. Por isso é que sei que poderia fazer muito, muito mais por meu semelhante e acabo não fazendo tudo o que deveria fazer, tudo o que eu poderia fazer. 

A segunda coisa presente em quase todas as mensagens fala do meu riso largo, da minha alegria. E isso é muito bom de escutar/ler... Acredito na força do sorriso, na energia positiva e, é verdade, estou sempre rindo. Procuro ver graça no corre corre, nas situações estressantes, procuro rir com meus colegas de trabalho sobre minhas mazelas e as dos demais. A vida fica mais leve quando temos a capacidade de rir, quando temos a capacidade de dar "bom dia" sorrindo. Sorrindo, vamos vivendo com mais leveza. E, como diz minha querida mãe, Dona Iris, ela de novo: "água e um sorriso não se nega a ninguém!".  E eu sigo sorrindo... E se a maior parte das pessoas consegue notar isso, consegue enxergar meu sorriso largo, antes de notar qualquer outra coisa, é sinal que estou conseguindo! Isso me faz muito feliz!

Obrigada a todos por terem feito meu dia mais bonito. Além do céu azul, do sol maravilhoso que tivemos hoje, da família reunida ao redor da mesa cheia de comida gostosa, todos que me reservaram um pensamento, um minutinho, estiveram comigo. À vocês, prometo continuar ofertando meu melhor sorriso!

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Aniversário sem festa???





Quando vamos ter um filho, ficamos imaginando como ele será fisicamente, que qualidades herdará da mãe e do pai e quais os defeitos também. Miguel é uma misturinha boa de duas pessoas muito diferentes, mas posso afirmar que tem muito do meu jeito. É um menino de riso fácil, engraçado, carinhoso e muito, muito festeiro. Como eu. 

Desde muito pequena amo fazer aniversário. E amo reunir amigos, estar com gente querida. Lembro, como se fosse hoje, o dia em que minha mãe resolveu que viajaríamos pra Saquarema em um dos meus aniversários, não sei se de 8 ou 9 anos. Era feriado de Corpus Christi e minha mãe conseguiu emendar com o final de semana. Que tristeza. Fiquei o feriado todo com cara triste, chateada mesmo. Viajar no meu aniversário significava passar a data apenas com alguns familiares e sempre gostei de ter família e amigos. Muitos. Viajei amuada, mesmo minha mãe tendo encomendado um bolo lindo pra mim. Estava tão triste que acho que os céus me entenderam e mandaram uma chuva que durou todo o feriadão, o que combinou perfeitamente com meu estado de espírito. 

Lá em casa sou famosa por minhas festas porque sempre que digo que a festa será pra 50 pessoas, aparecem 100. Todos são bem vindos e não raro minhas festas estavam cheias de amigos, amigos de amigos e todos bem recebidos. Já fiz festa pro Miguel pra 120 pessoas e, no final, tinham 160. Meu casamento foi pra 400 pessoas. Enfim, não sei fazer petit comite. E Miguel vai pelo mesmo caminho. Ele não me pede presente. Não quer ganhar isso ou aquilo. Mas ele pede uma festa. Por isso me esforço pra sempre fazer alguma coisa porque vale a pena ver como meu filho gosta, como vibra com cada convidado que chega, como se entrega aos preparativos. Quer escolher como vai ser o bolo, o tema da festa, as cores. Ele quer ir comigo ao local, quer ajudar a arrumar, dar opinião. É muito participativo. 

A única coisa chata é que não dá mais pra chamar meus amigos e os do Namorado - tantos e tão queridos - e chamar os amigos da escola do Miguel. Não há bolso que resista. Por isso, desde o ano passado, mesmo morrendo de vontade de estar com meus amigos pra comemorar o aniversário do meu filho e sabendo que ficariam felizes em partilhar esse momento feliz comigo, faço a lista de convidados pensando no que é importante pro Miguel. Quer dizer, nesse momento, essencial é a presença de sua família e de seus amigos da escola. 

Eu que sempre levei minhas afilhadas a muitas festinhas quando eram menores e depois de 6 anos frequentando todo tipo de casa de festas infantis, estou mega enjoada dessa barulheira que há em casas desse tipo, bem como o animador chato falando aos berros no microfone. Desculpa, gente, mas cansei. Procurei uma alternativa no ano passado e não me arrependi. Esse ano busquei também outro caminho e encontrei o Quintal Verde. É uma casa de festas do jeito que eu queria, simples, sem brinquedos eletrônicos, com um gramado grande e árvores. Uma parte é coberta (a área onde ficam os convidados) e o serviço maravilhoso. Optei por churrasco, pra combinar com o tom informal, e tudo, das saladas à picanha, foi de muito boa qualidade e muito bem servido. Não quis colocar nem pula-pula, nem DJ, só mesmo uma equipe de recreação pra brincar de brincadeiras tradicionais, muita bola, roda e jogos. Criança não dá a mínima pra música que está tocando e se está tocando alguma. Eles querem saber de brincar e se divertir. E os pais querem conversar sem ter que gritar e sair roucos ao final da festa. 

Resultado: acertei na escolha e foi uma tarde muito agradável e feliz. Miguel estava radiante, aproveitando cada minuto da sua festa, a tão esperada festa de 6 anos. E eu, feliz por vê-lo tão contente. E, também, por que lá no fundinho, eu concordo com o Miguel quando ele fala que aniversário sem festa não tem a mesma graça!! 

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Por um triz

"... Que a vida é mesmo coisa muito frágil, uma bobagem, uma irrelevância, diante da eternidade do amor de quem se ama..."

Ontem fui com o Namorado e o Miguel a uma festinha de um de seus amigos da escola. Miguel brincava com as outras crianças e já tinha se divertido em um brinquedo estilo "Kabum", desses que sobem e despencam lá do alto. Enfim, tudo corria muito bem. Eu estava sentada em uma das mesas logo da entrada da casa de festas, conversando com os amigos junto com o Namorado enquanto Miguel se divertia. 

De repente, pouco antes da hora de cantar parabéns, olho pro outro lado da casa de festas. Sem saber porquê, meus olhos vão na direção do Kabum. E, então, vejo, quase em câmera lenta, o brinquedo entrar em ação, subindo mais ou menos uns 4 metros antes de despencar. Só que meus olhos vão direto ao assento onde está meu filho. E a trava de segurança que desce sobre o peito das crianças estava levantada. Resumindo: Miguel subia, subia e subia só que sem cinto de segurança ou trava. Sem conseguir me mexer, sem conseguir tirar os olhos do meu filho enquanto ele subia antes de cair junto com o brinquedo, gritava pro Hugo correr, gritava pro Hugo ir até lá, gritava pro Hugo parar o brinquedo. Hugo não estava entendendo o que eu queria dizer. Eu não estava me fazendo entender, gritando frases sem sentido pra quem não estava vendo o que eu via. Minhas pernas pesavam 2 toneladas cada uma e pareciam pedras cravadas no chão. Eu estava estérica mas não explicava o que estava acontecendo. Graças a Deus, a Luciana - mãe de uma amiguinha da escola - falou:

- Miguel está no Kabum sem trava, Hugo!!!

Hugo, Luciana e Beto (marido da Lu) sairam correndo feito loucos. 

O brinquedo despencou a primeira vez. Minha boca gritava pro Hugo correr e meus olhos não descolavam do meu menino. A sensação que eu tinha era a de que não podia desviar meu olhar, não podia perdê-lo de vista. Miguel estava com cara de quem sabia que faltava alguma coisa. Cara de quem corria perigo. Diferentemente das outras vezes em que andou no brinquedo naquela mesma noite, não sorria, não brincava, não falava, não se mexia.  Meu filho pressionava as costas para trás de forma que ficasse grudado no encosto e segurava as laterais da cadeira com suas mãozinhas pequenas. O brinquedo começou a subir de novo. Estava a caminho de despencar a segunda vez. E despencou. Miguel continuava lá, se segurando. E nesses segundos que pareceram uma eternidade, Hugo chegou e conseguiu fazer a monitora parar o brinquedo antes que ele voltasse a subir mais uma vez.

Um vacilo da monitora do brinquedo. Uma falta de atenção. Um minuto. Miguel poderia ter se desesperado, poderia ter enlouquecido de medo e tentado pular. Poderia ter escorregado. Poderia ter caído da cadeira. Poderia se machucar, se quebrar, ferir. Poderia... Enfim, Miguel poderia ter caído de uma altura de 4 metros. E meu coração parou de bater por um momento. 

Disso tudo, tiro a lição de que não dá pra relaxar nunca, sabe? A menina que tomava conta do brinquedo não estava prestando a devida atenção que esse tipo de brinquedo merece. Ela que é paga apenas pra fazer isso, certificar-se de que todas as crianças estão com a barra de segurança abaixada e travada, errou. E ao mesmo tempo que minha cabeça aceita que todos erram, meu coração diz que a atenção dela tem que ser total, que a responsabilidade é enorme desse tipo de trabalho. A vida é muito preciosa pra se perder assim. 

Abracei meu filho são e salvo com meu coração aos pulos. E me deu uma vontade louca de chorar. 

Já dentro do carro, indo de volta pra casa, perguntei ao Miguel se ele teve medo e ele respondeu:

- Sim, mãe. Mas pedi a papai do céu pra me proteger. E pedi também que se eu "morrisse"  pra você e o papai ficarem bem. 

Ah, filho... Que bom que você conversou com Deus nessa hora. Que bom que estou lhe ensinando a ter fé. Mas, filho, deixa eu te contar uma coisa... Seria muito difícil mamãe e papai "ficarem bem" sem você. Muito difícil mesmo. 


sábado, 9 de maio de 2015

6 anos - 10 de maio de 2015




Miguel, 

você chegou de surpresa em um domingo, dia das mães como hoje. Veio antes do tempo, apressado. Não tinha fraldas, não tinha quarto pronto, não tinha berço montado e acho até que eu não estava pronta pra você, não estava pronta para o jeito como você chegou. Entretanto, pergunto-me se alguma mãe está, de fato, totalmente pronta pra receber seu bebê quando ele nasce ou se é um processo que vai acontecendo aos poucos. 

Você me ganhou completamente durante os 15 dias de UTI. Nunca fui de ninguém como sou sua. E nunca serei de ninguém com tanta entrega, com tanta coragem. Porque por mais que tenha milhões de medos, nenhum deles me faz amá-lo menos ou afastar você de mim. E desde então venho aprendendo a ser mãe com você e, acredite, você é um professor e tanto! 

Eu conheço todas as suas caras, seus risos e sorrisos, seus olhares. Vejo em seus olhos o que você quer me dizer e também o que tenta esconder de mim. A cada dia lhe conheço mais e a cada dia me apaixono mais um pouco. Nem sei explicar como isso pode acontecer, mas, filho, fato é que acontece. Todos os dias você faz alguma coisa que toma mais um pouquinho de mim. Como quando você dança pelado no banho e morremos de rir juntos. Como quando entro no seu quarto e vejo você dormindo com as duas mãozinhas juntas embaixo do rosto. Como quando você me pede um suquinho e diz que "é pra relaxar". Como quando olha bem pra mim e diz que sou a mãe mais linda do mundo e sou sua "gostosinha". Como quando você me fala que Deus lhe deu a melhor mãe do mundo. Como quando rezamos juntos. Como quando todos os dias, sem exceção, a caminho da escola, pergunto a você:

- Filho, hoje é um bom dia pra ser ...? 

E você me responde cheio de animação e alegria:

- FELIZ!!!

Também me apaixono quando você me chama de chata. E quando você diz que me odeia, cheio de raiva porque não permiti que fizesse alguma coisa que queria. Engraçado como "chata" e "te odeio" por mais estranho que possa parecer, soam como elogios pra mim. Sinto-me cumprindo meu papel, estabelecendo limites e passando valores que serão importantes pra sua vida, mesmo que agora você não entenda. 

Depois dessa convivência intensa, frenética, louca, deliciosa e inebriante durante esses 6 anos, entendo perfeitamente porque você chegou antes da hora marcada, entendo porque não aguentou ficar dentro de mim por mais quase 2 meses. Você tem sede de viver, tem sede do mundo, tem sede de conhecer, de visitar, de descobrir. Filho, você tem fome de céu azul, de sol, de mar, de vento no rosto, de riso, de sonho e de chuva. Você é trovão, árvore, frutas, festa, música e dança. Miguel, você tem vontade de liberdade, de beijo, de amor, de doce. E como é doce esse nosso amor. 

Filho, você já sabe porque nunca me canso de lhe dizer, mas vou dizer de novo e de novo, mil vezes, até ficar bem velhinha e, mesmo depois, quando eu não estiver mais aqui fisicamente, você terá minhas palavras sempre tatuadas no seu coração: você é minha vida, meu presente. Te amo. 

Feliz aniversário!!

Mamãe.