terça-feira, 30 de abril de 2019

Nostalgia antecipada








Hoje entrei na escola do Miguel para buscá-lo no futebol do querido Peninha e cheguei um pouco mais cedo. Fiquei sentada, próxima a secretaria da escola. Olhei pra Deise, secretaria que sempre teve um sorriso gentil pra mim nesses 8 anos em que Miguel está lá e perguntei a ela:

- Deise, você já se deu conta de que esse é o último ano do Miguel aqui?

Mais uma vez ela abriu um sorriso e disse:

- Passou rápido né?

Nossa... Como passou. 

Entretanto, ali sentada, olhando para as paredes da escola, os corredores, a quadra, o caminho que leva ao banheiro, para as plantas, senti um aperto muito grande no coração. E me deu vontade de chorar. Meu coração e meus olhos devem ter algum tipo de conexão estranha porque a emoção, seja de felicidade, angustia, enternecimento, gratidão ou tristeza, acaba se transformando em lágrimas que escorrem sem que eu possa controlar. É como se fosse algo involuntário, totalmente fora de gestão. E algumas lágrimas começaram a cair dos meus olhos e eu rapidamente segui em tentativa de ocultá-las para que os que por mim passavam não pensassem que algo de ruim estava acontecendo. Não, era só nostalgia antecipada. Eu estava apenas emocionada. Estava apenas lembrando momentos, episódios, fatos, histórias. Estava apenas lembrando o quanto de aprendizado aquela escola me proporcionou. A mim, ao meu filho, a minha família. 

Na minha cabeça me vi chegando com um bebê de 2 anos e 9 meses no colo rumo a uma adaptação. Como meu filho, espertinho, já conseguia me manipular com seu choro e como a professora Cristiane me mostrou que o choro dele não durava nem 30 segundos depois que eu virava as costas e o deixava em prantos. 

Lembrei de como foi quando entrei na sala da Grazieli para dar aula na turminha dele, de como os olhinhos do Miguel me olhavam orgulhosos e felizes por ver a mãe recebendo a atenção de seus amigos. Nunca me esqueci da professora Grazieli, grávida, dizendo que adoraria que seu filho fosse "safo", independente e comunicativo como o meu. 

Lembrei de como a Carla ajudou meu filho a caminhar rumo a alfabetização, mais seguro, sem duvidar de si mesmo.

Lembrei do dia em que deixei Miguel sentadinho da sala de aula da alfabetização, no primeiro dia do ano letivo, numa carteira que parecia maior que ele. Entendi ali que uma fase MUITO importante começava e sai da escola chorando de emoção e medo. Lembrei de como a Liara foi paciente comigo. Perdi a conta de quantas vezes ela me abraçou e disse baixinho: "Calma, tudo vai dar certo. Miguel é um menino incrível. No tempo dele vai acontecer. Até o final do ano ele estará lendo e escrevendo. Não se desespere." E assim foi.

Lembrei da Monica me falando que Miguel estava tendo problemas para fazer as provas, que se desesperava ao notar que amigos já tinham terminado antes dele, que se comparava, que não queria ficar pra trás e acabava se bloqueando. A sinalização da Monica me mostrou que eu precisava trabalhar isso com meu filho. E fui atrás de ajuda.

Lembrei da Islaine, sempre amorosa. Uma professora como poucas, daquelas que não tratam alunos como bloco. Ela sabe o jeito que cada um de seus alunos aprende e consegue atingir a todos, olhando o indivíduo e não o todo apenas. 

Lembrei do ano difícil que foi o quarto ano, da Jaqueline ensinando, através de suas próprias dificuldades, que na vida nem sempre lidamos com o fácil e que precisamos aprender a passar por adversidades e seguir em frente.

Vi meu filho em cada festinha do dia das mães, vi a carinha do Miguel feliz com cada nota alta e vi a carinha de tristeza com cada nota baixa. Vi Miguel crescer, socializar, criar amizades, cultivar seus amigos. Vi chorar por conta de alguma injustiça, vi ajudar amigos outras vezes. Testemunhei vitórias e derrotas ali, dentro dessa escola que aprendi a amar com tanta força. E que tanto carinho me deu.

Esse ano é o último. Já sou grata a professora Andrea e Marcia por serem incríveis. Donas da sala de aula. Dominam a turma como só os professores fantásticos sabem fazer. Que jeito lindo de fechar com chave de ouro! Ano que vem ele irá para uma nova escola, novos desafios e aprendizados. Eu estarei ao lado, sempre. É claro. Como fiz até hoje. E ainda vou chorar emocionada por tantas outras vitórias e derrotas. Mas não pude evitar esse sentimento de fechar um ciclo que se aproxima e o medo que antecede mudanças. Eu vivi todas essas emoções hoje, em segundos. Uma emoção forte e quase não segurei o soluço. 

Miguel chegou, sorriu, disse que fez 2 gols. E achei que tudo tinha passado. Até chegar perto do Getúlio. Ah... O Getúlio... Como viver sem encontrá-lo diariamente?

Nessa hora, em que Getúlio brincou com meu filho como fez TODOS OS DIAS ao longo desses 8 anos, uma lágrima ainda guardada e insistente pulou do meu olho. E eu rapidamente a escondi com a palma da mão. 

É preciso seguir. Ainda não é hora de dizer adeus. Não hoje... Hoje não.